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(desenvolvido pela própria unidade), com bomba d'água e gerador elétrico. Esse motor é movido à combustão externa, com capacidade de trabalhar com qualquer fonte de calor – e portanto, ser acionado por qualquer combustível – possibilitando o aproveitamento de resíduos da agricultura, pecuária ou agroindústria e transformá-los em energia nobre. Isso foi demonstrado por meio de apresentação no computador e pelo funcionamento do próprio motor (figura 30).

Figura 30 – Stand da unidade Embrapa Meio Ambiente

Para o pesquisador W. (PW), formado em agronomia e que estava mostrando o funcionamento do motor, este seria uma máquina de geração de energia limpa, mostrando a preocupação com o meio ambiente.

Esse é um motor que trabalha com combustão externa, portanto ele pode aproveitar qualquer tipo de combustível. A idéia é aproveitar resíduos, que normalmente estariam perdidos no meio ambiente, transformando em energia mais nobre com o bombeamento de água, como produção de energia de energia elétrica, tá certo, e com isso ter acesso ao pessoal que vive na agricultura em locais menos favorecidos por energia elétrica, enfim, propriedades mais distantes que vão então aproveitar resíduos do meio ambiente. PW também se mostrava bastante solícito e disposto a tirar a dúvida dos visitantes, usando para isso uma linguagem mais acessível, conforme mostrado no diálogo abaixo (V – Visitante; A – apresentador).

V: O que é isso?

A: O fogo aqui é que gera a energia. Ele é que é quente, tem energia. O fogo é que tá fazendo esse motor funcionar, tá. Como esse fogo é do lado de fora, você pode usar qualquer coisa, lixo, resto de papel, resto de palha, essas coisas, pra fazer ele funcionar, certo. Então você limpa o meio ambiente quando esse motor funcionar, e ele tá sendo usado pra bombear água, pegar a água lá no fundo do poço leva a água no reservatório

V: Tipo a água tá limpa, né?

A: A água sai limpinha do poço e vai lá pra sua caixa d’água, certo. E aqui ela tá produzindo energia elétrica pra iluminação, tá bom.

V: Como é que é o nome do aparelinho? A: Motor Multicombustível.

V: Com Bomba de Água e Gerador Elétrico. A: Exatamente.

V: Mas não é muito bem não né, é poluente, usa fogo! A: Como?

V: É poluente, né, usa fogo? A: Por que?

V: Porque tá colocando a água no fogo aí! A: E daí?

V: Tá liberando CO2, CO.

A: CO é.

V: Se você não tiver o que absorver de volta é.

A: Então você tem que matar todas as plantas pra não ter o que absorver de volta. V: Não, é o contrário, quanto mais planta você tem, menos poluente é, porque ela consegue absorver. Ela consegue absorver o Monóxido também de Carbono. Absorve tudo. Só que em menor quantidade que o CO2.

A: Não senhora, não senhora, não senhora, só que ela morre. Não, o Monóxido não filha, não tem jeito, você mata a planta, coitadinha, ela fica asfixiada. O Monóxido ele capta o oxigênio pra ele.

V: Eu sei.

A: Se ele entrar no seu organismo, no nosso, ou no da planta, ele vai matar por asfixia, tá. Ele vai concorrer com a Hemoglobina. Vai concorrer com a Hemoglobina. O Monóxido que é o poluente, o dióxido não é, tá? A nossa respiração, a respiração dos vegetais, dos animais, está constantemente mandando Dióxido de Carbono pra atmosfera. E esse Dióxido ele é recapturado pela fotossíntese e ele produz a biomassa né, enfim, toda a energia necessária. Então você pode pensar no Dióxido de Carbono colocando sempre em equilíbrio, ele vai pra atmosfera e volta, tá. Agora o Monóxido, dos motores de combustão, esse poluente, esse é que é o perigoso, certo. Mas, com uma fenda aberta como essa, que ela tá sendo queimada na medida em que você tem oxigênio suficiente, ela não produz Monóxido de Carbono, só a queima fechada onde tem pouco oxigênio, certo?

V: Hummmm. Vocês utilizam isso aonde? Ele é mais prático ou esse é só um... A: É, ele aqui pra nós é um protótipo.

4.3.2. A Participação da Embrapa na SNCT de 2010

A proposta da Embrapa para esta edição foi, tendo como referencial o desenvolvimento sustentável, apresentar as tecnologias que retratassem a preocupação ambiental e social da empresa. A coordenação ficou novamente a cargo da Jornalista Y (JY), da ACS, que trabalhou como relações públicas.

Para JY, com relação ao stand (cujo valor de montagem foi de R$ 60.987,60, para uma área de 180m²), apesar de ter ficado menor em relação ao ano de 2009, ocupou novamente um local estratégico.

A gente tá num lugar privilegiado até, mas não de canto por que a gente gosta muito de canto, tem uma empresa aqui agora. A gente tá lá na entrada. Com cento e oitenta metros quadrados. Perdemos vinte metros quadrados, uma academia! Então a ideia inicial era ter um depósito, as unidades ao longo dele, só que esse foi feito em cima do modelo do ano passado, e teve que mudar. Mas a ideia é fazer o jogo no canto. E a ideia é tipo longezinho dessa área. Deixar as unidades mais pro canto, depois do jogo.

Dessa maneira, o jogo – que geralmente chamava mais a atenção dos visitantes – ficou localizado logo na entrada do stand, por onde os visitantes chegavam. Após isso, as unidades eram apresentadas em sequência, conforme mostrado na figura 31. Pode-se observar também o local privilegiado e o bom espaço ocupado pelo stand da Embrapa.

Figura 31 – Stand da Embrapa 2010

Para JY, o ano de 2010 foi um ano atípico, por se tratar de ano eleitoral. Com isso, os recursos foram limitados. A distribuição de materiais impressos, como as cartilhas, por exemplo, que passavam informações sobre as unidades foi evitada, uma vez que podiam vincular a imagem da empresa à imagem do governo federal – o que é proibido pela lei eleitoral. No máximo, o que poderia acontecer seria distribuir algum panfleto informativo sobre as unidades, mas com as logomarcas da Embrapa e do governo federal (ou algo que remetesse a eles) riscadas ou etiquetadas.

Esse ano só as unidades de Brasília vão participar, por causa das eleições. Então até publicações, a gente não vai poder levar. Aí a gente fez tudo mais simples por e-mail. As unidades estão respondendo aos que estão interessados. Só de Brasília. O que acontece, onde a assessoria de comunicação participa as passagens, as diárias, tudo vem da unidade, a gente só banca o estágiário. E fora isso tem os diversos locais, né? A semana também ela tá espalhada no Brasil inteiro. Então a gente tem a unidade de São Carlos, ela tá fazendo por lá, Amazônia tá fazendo por lá, todo país tá participando nos seus estados. Arroz e Feijão, daqui de Goiânia, também não vem. Tá fazendo por lá. Porque essa é a vontade mesmo da gente tá passando pro Brasil inteiro. Isso, grifando, que é o ano da biodiversidade, que se alguém tivesse alguma pesquisa nessa linha seria interessante participar, lembrando que é uma grande feira de ciência, o público é infantil, então essa tecnologia é um pouquinho maior, e por tudo isso, ela prende o interesse. Nós não somos permitidos a produzir aquele tipo de material no período eleitoral, então assim, talvez haja essa, precise da Agência pra isso. Só a exposição, e conseguimos ainda pela Agência fazer um jogo interativo. Fora do período eleitoral seria diferente. Então até dia trinta de outubro a gente tem restrições. Nós estamos proibidos de fazer brinde. Então a orientação foi que nós não podemos fazer nada disso. Temos cartilhas, temos gibis, temos muita coisa, só que não pode mesmo não.

Com relação aos participantes da Embrapa, segundo JY, estes seriam os pesquisadores, estagiários ou profissionais da equipe de comunicação da própria unidade.

É, vem a equipe de transferência e tecnologia né? Às vezes não vem o pesquisador, mas vem o pessoal da equipe de transferência. Da própria unidade! Aqui a gente faz

muitas vezes pode ser comunicador e muitas vezes podem ser da transferência, mais ligado um pouquinho a marketing né? Não especificamente relações públicas trabalhando lá. Se fosse, acho que até seria. Mas nesse caso não vem. Nós vamos ter alguns pesquisadores na Agroenergia, vamos ter empregados de comunicação. Até essas pessoas de marketing também estão trabalhando. Fora isso pra inovar, que na semana passada que eu fiquei complicada com o pessoal da imprensa, nós estamos levando uma jornalista. Vai com a gente lá fazer toda a parte de assessoria. É assim, a gente precisa de uma pessoa do setor de tecnologias, que às vezes a mídia pede que o diretor vá tudo mais então, vai ser com assessor de imprensa mesmo, esse jornalista só fazendo a imprensa.

Inicialmente, como estratégia para atrair as crianças e tornar o conteúdo do stand mais atrativo, foi elaborado um material lúdico: “Caça-Ciência Embrapa”. Consistia em um jogo eletrônico de caça-palavras, no formato de telas touch-screen, sendo dois balcões mais altos para adolescentes, jovens e adultos, e um balcão mais baixo para crianças, permitindo aos visitantes brincar no local. Os conteúdos foram adaptados às tecnologias apresentadas no evento (figura 32). Dessa forma foram mostradas as tecnologias da Embrapa apresentadas no stand (Biofrito, Biorreator, Germoplasma, Hidroponia e Rochas). No painel referente ao jogo também aparece a missão da empresa: “A missão da Embrapa é viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura, em benefício da sociedade brasileira”.

Figura 32 – Caça-Ciência da Embrapa

Para JY, apesar de o jogo ser bem interativo, a limitação de materiais foi significativa. Na verdade a gente quis fazer tudo, mas acabou que virou um jogo mais de revistinhas mesmo que você caça-palavras, das tecnologias presentes. Mas é mais pra tentar divulgar a tecnologia, a unidade, a empresa, mas sem essa distribuição de brinde, nada disso. O próprio MCTI deixou a gente liberado pra fazer o que eles tão fazendo, pra fazer a publicação. Tudo tem que colocar uma etiqueta por cima, sobre aquela parte do Olodum que a gente chama né? Só aquela marca. Só que o que acontece, nós não deveríamos usar livros, não deveríamos fazer a cartilha, nada disso. É o ano eleitoral, o critério que eles usam eu desconheço. Aí nesse jogo o que ele faz? A criança vai ter uma tela onde ela vai procurar a tecnologia, estão todas aqui. As tecnologias são uma de cada unidade que vai se apresentar. São cinco unidades ao todo, então ela procura aqui, aí quando ela acha soma a palavra e ela dando ok, se vai abrir o que é uma tecnologia, como funciona. E isso aqui pode ser também pra criança voltar ao stand, ou ir pela primeira vez dependendo do movimento dela, pro stand e saber um pouquinho mais disso que ela viu no jogo. Então, a opção vai tanto de criança a adolescente. Vamos ter três monitoras pra isso, são três telas, um monitor pra cada tela.

Para a monitora L. (ML), que trabalha na recepção, o jogo é de grande importância para o stand da Embrapa, uma vez que desperta o interesse dos visitantes pelas técnicas apresentadas. Para ela, a criança, ao brincar, acaba aprendendo, de forma lúdica, sobre as tecnologias apresentadas. Além disso, afirma que, para trabalhar no evento houve um treinamento específico.

Como lidar com o público a gente já aprende na agência. Eu acho que quem participa mesmo são as crianças, eles ficam aqui ó, um tempão, como brincadeira, um aprendizado é uma brincadeira! Depende qual a intenção deles. Por que a intenção deles mesmo não é saber o conceito, e pela brincadeira ele acaba levando o conhecimento! Mas tem gente que sai daqui e vai conhecer lá, desperta o interesse pra ele ir lá conhecer a técnica mesmo né? E também é bem interativo, é fácil da criança brincar.

De acordo com a comunicadora V. (CV), também da ACS, o jogo tem um papel estratégico no stand, uma fez que foi elaborado em conjunto com as unidades.

A gente tem que fazer uma parte mais interativa no stand, coisa mais lúdica né? Então a gente tinha dois objetivos quando fez a parte de jogos. A primeira é despertar a criança aqui no jogo pra ela ir conhecer a tecnologia lá no resto do stand, ou ela vem do stand e consolida aqui o conhecimento, contanto que a gente tente prender ela um pouquinho aqui. Aí no painel a gente explicou, a gente mostrou a empresa, tenta divulgar. E aqui no jogo cada unidade trouxe aproximadamente duas tecnologias. Aí o que a gente fez, selecionou uma delas e trouxe pra cá, pro jogo. Uma tecnologia por unidade aqui no caso. Então as cinco unidades estão representadas aqui. Então é um caça-ciência, por que na tecnologia seria uma palavra mais ampla e direta, tem aqui Biofrito, que tá aqui no nosso stand. Se apertar o Biofrito, aí vai aparecer. Você tem que só encostar o dedo, porque se você parar antes ele diz que você errou. Aí vai indo, clicando tudo ou tem ordem aleatória, não tem problema. Aí já achei mais duas agora, isotonia e rocha. Tá vendo? Aí você terminou, ele te falou tudinho, a importância e tal. Esse conteúdo, ele foi mandado pras unidades e depois a gente fez o texto, mas na linguagem publicitária. Tirou aquela linguagem do pesquisador e submeteu novamente à aprovação. Então o que tá aqui é aquela linguagem, aprovado pelas unidades e o pesquisador faz toda a revisão no texto. Chegou a linguagem de pesquisador a gente mudou pra uma linguagem publicitária mais apelativa. Aí depois ele foi submetido à aprovação novamente.

Já para a comunicadora R. (CR), formada em relações públicas e que auxiliou JE na montagem do stand, a participação no evento é uma grande oportunidade para o setor de transferência de tecnologia, considerando importante saber passar as informações corretamente para as crianças, que é o público-alvo.

Eu estou trabalhando mais especificamente na área de coordenação, eventos e publicidade. No dia que eu cheguei, no dia seguinte tinha o evento da plataforma Brasil que a gente fez a abertura do evento. Hoje é o segundo evento em teoria, por que só to olhando e tal. Quando eu cheguei na Embrapa, eu fiquei na dúvida e perguntei pros meus colegas, o que é transferência de tecnologia? Por que até então eu não tinha costume com isso. Então elas me explicaram que é um produto da Embrapa, então elas procuram meios de transferir essa tecnologia pros públicos diferentes, os agricultores, as outras empresas. E aqui na feira por ter muita criança, muito público infanto-juvenil, é legal eles verem, por exemplo, tem envolvimento, e então no caso a Semana teve um

eu estou percebendo é que os pesquisadores lançam a tecnologia e a área de comunicação, tanto da unidade que ele trabalha quanto a administração na Embrapa, divulgam. Eu acho que a relação é essa. Por que não adianta nada o pesquisador criar uma pimenta que não arde e ficar lá dentro do laboratório dele, né?

Com relação ao que foi apresentado pelas unidades, segue-se a descrição abaixo, de acordo com o quadro 6. Também são mostrados os participantes/entrevistados por unidade. Vale destacar a atuação da jornalista JY (da ACS) na coordenação geral, em conjunto com as comunicadoras CV e CR, além da atuação da Monitora ML no jogo “Caça- Ciência da Embrapa”.

Quadro 6 – Tecnologias apresentadas pela Embrapa, por unidade, na SNCT 2010, com os respectivos apresentadores

Unidade Tecnologia Participante/Entrevistado

. Agroenergia . Etanol Lignocelulósico . Pesquisador S. (PS) . Pesquisador D (PD) . Assistente S (AsS) . Assistente C (AsC) . Estagiária D (ED)

. Café . Biorreator . Pesquisador A (PA)

. Analista A (AA)

. Administradora M (AdM)

. Cerrados . Rochas . Analista J (AJ)

. Assistente G (AsG)

. Hortaliças . Hidroponia . Analista As (Asa)

. Analista Da (Ada) . Assistente O (AsO) . Recursos Genéticos e

Biotecnologia

. Banco de Germoplasma . Assistente M (AsM) . Assistente P (AsP)

Sendo assim, cada unidade apresentou as tecnologias da seguinte forma: