• No results found

The practical analysis of information value

3.4 Information value

3.4.4 The practical analysis of information value

Não são de agora os problemas de terminologia que algumas disciplinas das Ciências de Comunicação enfrentam, nomeadamente a área das Relações Públicas. Observamos algo similar quando tentamos definir139 Lobbying e perceber com que outras áreas a actividade faz fronteira. O Lobbying tem sido, desde sempre, controverso, mesmo dentro da literatura especializada (Ćorić, 2014; Anastasiadis, 2006; Sanchéz 2007; Mayer, 2008). Para tal, McGrath (2002) encontra uma explicação em que atribui alguma culpa a alguns teóricos – a excessiva importância que se dá à literatura ainda mais especializada sobre o tema (ou seja, sobre aplicações concretas de Lobbying em diferentes países, por exemplo), e a pouca literatura especializada que existe para explicar o fenómeno de um ponto de vista mais conceptual e académico.

Uma questão importante é levantada por Navarro e Andrés (2016), que indicam que grande parte das indefinições conceptuais da actividade (e da dificuldade em conseguir uma definição unânime) existem devido à sua falta de regulamentação em vários países140. Porém, não é estranho para os autores que, actualmente, se assistam a avanços na definição e profissionalização do Lobbying, visto que vai ao encontro daquilo que a sociedade cada vez mais exige – uma melhor Democracia, uma maior participação cidadã na vida política, e mais transparência e escrutínio nas decisões tomadas. Assim, os estudos sobre o que é realmente o Lobbying desenvolvem-se à medida que se ganha consciência de que os sistemas parlamentares e os orgãos representativos necessitam de

139 Comum a quase todas as definições, está o seu carácter de influência legítima, enquanto instrumento de intervenção social (Lampreia, 2006; Figueiredo, 2012), bem como a sua ligação à influência junto de decisores políticos (Stempel III e Gifford, 1999; Miller, 1998; Esparcia, 2006; McGrath, 2002). Embora sejam inúmeras as definições do fenómeno, a grande maioria aponta para o Lobbying em estreita relação com o que deve ser uma comunicação efectuada estrategicamente junto de diferentes actores políticos (Gabel e Scott, 2011; Marrana, s.a.; Lobo, 2007; Stempel III e Gifford, 1999). 140 No Capítulo 3.7., Parte I, analisaremos as questões relacionadas com a importância da regulamentação

96

melhores, e mais profícuos, mecanismos para a inclusão de interesses da Sociedade Civil na elaboração de políticas públicas.

Neste trabalho pretendemos ir para além de Zetter (2011), que define a actividade de forma vaga: ‘Lobbying is an effort designed to affect what the government does.’ (p.5). Iremo-nos âncorar nas definições que Moloney (1997) faz da actividade de Lobbying. O autor apresenta uma primeira definição mais lata, onde situa o Lobbying como uma actividade colectiva que procura alcançar objectivos comuns:

Lobbying can be defined in the first instance as persuasive activity to change public

policy in favour of an organisation by groups of people who are not directly involved in the political process. (p.169)

Importa perceber que a actividade de Lobbying requer uma compreensão vasta de diferentes questões que são objecto de análise de seguida, tais como o papel dos profissionais de Lobbying, o trabalho junto de diferentes tipos de decisores políticos, a vertente empresarial da actividade, a variedade de interesses que podem ser geridos, a multiplicidade de actores e de técnicas de Lobbying, bem como os seus diferentes graus de sucesso (Nownes, 2006; Navega et al, 2008). É, por isso, nosso entendimento que a segunda definição que Moloney (1997) apresenta perfaz, de forma simples, aquilo que percepcionamos como uma definição clara e concisa do que é o verdadeiro Lobbying, enquanto actividade de comunicação persuasiva que visa defender interesses legítimos:

Lobbying as monitoring public policy-making for a group interest; building a case in

favour of that interest; and putting it privately with varying degrees of pressure to public decision-makers for their acceptance and support through favourable political intervention. (p.173)

Sendo inegável que o Lobbying é uma das premissas democráticas (Lampreia, 2005; 2006), que parte do princípio da existência de actividades livres na vida social e do princípio da necessidade de uma melhor Participação Política, é o Lobbying que pode

97

permitir uma reciprocidade entre agentes políticos e públicos – logo, falar nesta actividade é falar na participação de interesses organizados legítimos na vida política (Bernhagen, 2011). Ou seja, olhamos para o Lobbying enquanto um processo de acção colectiva que conduz à expressão e defesa colectiva de interesses141 no sistema político (Jordana, 2004; Panke, 2011), executado de forma estratégica (Kober-Smith, 2000).

Partilhamos também a opinião de Milbrath (1960) de que o Lobbying é um processo de comunicação ancorado estrategicamente em três categorias-chave: factos, argumentos e poder. Para além da base factual que deve estar inerente às mensagens, o profissional deve conseguir persuadir de forma racional a sua audiência – para tal, a noção de poder que o autor apresenta está também relacionada com a credibilidade de quem faz

Lobbying. Assim, analiticamente, podemos olhar para o Lobbying enquanto uma tríade

de diferentes técnicas de comunicação: técnicas de comunicação directa entre o profissional de Lobbying e o decisor político; técnicas de comunicação que permitam a difusão de informação por vários públicos; técnicas de comunicação que permitam a construção e a manutenção de relações a longo-prazo, baseadas no diálogo.

Parece-nos, então, que os objectivos de uma estratégia de Lobbying não podem passar apenas por alterar mentalidades de legisladores e decisores políticos – muitas vezes o

Lobbying pauta-se por estabelecer relações de proximidade e alianças para alcançar

objectivos similares e, também, em prol de actuações futuras. Ou seja, o Lobbying é visto como um exercício de influência permanente sobre os seus públicos (França e Ferrari, 2011).

O Lobbying surge assim como processo de diálogo142, de informação e de persuasão, entre os seus profissionais (defensores de interesses) e os representantes políticos. As próprias organizações compreendem a importância do fenómeno de Lobbying, quer na sua vertente informativa quer na sua vertente persuasiva, tendo algumas delas representantes e profissionais próprios nos grandes centros de decisão política mundiais. Falar em Lobbying é falar em mensagens simples e precisas, adaptadas à audiência em

141 Lobbying enquanto ‘’fazer algo’‘para a melhoria da comunidade (Warren et al, 2014).

142 ''Lobbying is not only about being a trusted provider of information; it is also about formulating and delivering effective messages. Those who win political conflicts are the ones who do the best job at framing issues, presenting them to lawmakers and the public in ways that appear sensible and consistent with broadly held social values.'' (Holyoke et al, 2015, p.14)

98

questão, veiculados por diferentes vectores de comunicação (também eles adaptados ao objectivo definido) – logo, há uma ideia de intencionalidade e de adaptação ao contexto que não pode ser ignorada (Romagni, 1994). Daí que Jammerneg (2007) olhe para a Comunicação Estratégica como uma área que pensa em cidadãos e não em consumidores, e que procura diferentes consensos e convergências, através de transferências de conhecimento.

Logo, recuperamos a lógica de simetria (que deve ser a lógica dominante numa estratégia de comunicação) para mostrar que isto implica que a diferentes mensagens, de diferentes profissionais de Lobbying, seja dada uma atenção equitativa (Esparcia, 2006; Edgett, 2002). Falamos então numa estratégia de comunicação que implica trocas simbólicas de valores e ideais onde, através da persuasão, se partilham pontos de vista essenciais – daí que as próprias estratégias de comunicação organizacional possam ser consideradas uma forma de influência e de pressão junto dos seus públicos (França e Ferrari, 2011).

O Lobbying, enquanto área especializada da Comunicação Estratégica, que tem o seu próprio corpo de conhecimento e competências específicas, deve ser encarado como uma série de actividades comunicacionais interligadas (Moloney, 1997). Assim, tal como Hall e Deardoff (2006), defendemos que Lobbying é um mecanismo de persuasão e não de meras trocas, no sentido em que a transmissão de informação a decisores políticos está no centro da relação que se deve estabelecer, visto que a informação pertinente, factual e credível nunca será inócua.