5.3 X elements
5.3.1 The SXV and SVX patterns
Diferentes métodos qualitativos209 providenciam diferentes informações resultantes do contexto social e diferentes interacções entre o investigador e o seu objecto de estudo. Cada método tem diferentes aplicabilidades e, no âmbito deste trabalho, iremos aprofundar as entrevistas individuais. As entrevistas são dos métodos de recolha de dados qualitativos mais familiares para os investigadores (DiCicco-Bloom e Crabtree, 2006; Mack et al, 2005; Graber, 2005; Elo e Kyngäs, 2008) – no campo das Ciências da Comunicação, e em particular das Relações Públicas e do Marketing, as entrevistas são o método mais usual, como apontam Daymon e Holloway (2011) e Fischer et al (2014). As entrevistas trazem informação detalhada sobre um determinado fenómeno, sendo um método importante para estudos onde o que se está a estudar é ainda pouco conhecido (Veiga e Gondim, 2001; Flick, 2005; Günther, 2006).
Importa referir que uma entrevista não é uma mera conversa – deve ser conduzida de forma rigorosa e deve ter em conta alguns factores importante. O investigador deve conseguir analisar a entrevista e perceber a sua validade, ou seja, perceber se ela reflecte questões pertinentes para o fenómeno em estudo, sem enviesamentos. Assim, uma entrevista permite-nos entender e conhecer experiências, conhecimentos e diferentes visões do actor social que está a ser entrevistado, permitindo a quem entrevista recolher dados e informações dificilmente recolhidas por outras formas210 (Bryman, 2012; Fischer et al, 2014):
209 ''A investigação qualitativa (...) dispõe hoje de uma variedade de métodos, cada um dos quais parte de premissas diferentes e prossegue diferentes objectivos. Cada um tem por base uma ideia específica do seu objecto.'' (Flick, 2005, p.1)
210 Por outro lado as entrevistas podem também ajudar a gerar hipóteses que poderão vir a ser testadas através de métodos quantitativos.
156 Another benefit of interviews is that the data you collect are situated within their own social context. That is, the responses you derive from interviews are the subjective views of your interviewees. Your evidence, therefore, is based on participants’ interpretations of their experiences and is expressed in their own words, using the jargon and speech styles that are meaningful to them. (Daymon e Holloway, 2011, p.211)
Entrevistar é, simultaneamente, um método de investigação e uma interacção social (Seidman, 2013) – uma entrevista deve poder ser reproduzida (ou seja, os mesmos dados devem gerar informações semelhantes independentemente do entrevistador), deve ser credível (o investigador deve estudar previamente o que perguntar e como perguntar) e deve ser transparente (toda a metodologia deve estar perfeitamente explicada, assim como a análise da entrevista).
Existem diferentes tipos de entrevistas, desde as mais rigidamente estruturadas às não- estruturadas, devendo-se ter em conta o contexto da investigação em questão para se perceber o tipo de entrevista a efectuar (Bryman, 2012) – normalmente as entrevistas qualitativas são menos dirigidas e estruturadas que as entrevistas quantitativas (Daymon e Holloway, 2011; English, 2005). No âmbito deste trabalho foram utilizadas entrevistas semi-estruturadas presenciais211 (entrevistas caracterizadas por uma relação mais flexível entre entrevistador e entrevistado), a determinados especialistas, políticos e profissionais, como iremos desenvolver no Capítulo 2.2.1., Parte II.
As entrevistas presenciais caracterizam-se por uma maior sincronia comunicacional em termos de espaço e tempo – não existe atraso significativo entre uma questão e uma resposta, e existe a possibilidade de reacções directas ao que é dito ou perguntado. Nestas entrevistas as questões formuladas resultam muitas vezes da interacção comunicacional entre entrevistador e entrevistado, permitindo um melhor ambiente para a sua realização. Outra vantagem da entrevista presencial é a sua facilidade – em termos de relação pessoal, em termos de gravação, em termos de estandardização de
211 São, normalmente, das entrevistas mais utilizadas em estudos qualitativos nas Ciências da Comunicação (Daymon e Holloway, 2011)
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procedimento, ou mesmo quando a comunicação não-verbal é importante para o estudo (Opdenakker, 2006; English, 2005; Mack et al, 2005).
Estas entrevistas caracterizam-se pela necessidade de um guião de entrevista, de forma a orientar, e por forma a que o investigador tenha sempre um quadro de referência – é comum a existência de várias questões abertas sobre um tópico, de forma a explorar de forma mais acertada de recolher informações junto de quem está a ser entrevistado. Assim, são entrevistas que englobam alguns aspectos das entrevistas estruturadas (tentar perceber como funciona uma realidade construída e pensada previamente) e das entrevistas não estruturadas (tentar encontrar novas dimensões e novas explicações de um fenómeno) (Sampieri et al, 2001; English, 2005).
Este tipo de entrevistas que têm um carácter mais subjectivo e flexível (Veiga e Gondim, 2001; Daymon e Holloway, 2011), e que são normalmente utilizadas em investigações exploratórias, quando queremos produzir mais conhecimento sobre um fenómeno ainda pouco estudado e abordado – a existência de questões mais abertas permitem dados de outra natureza, contextuais, e que permitem outro tipo de relações conceptuais muitas vezes não-previstas pelo investigador. Desta forma, os guiões de entrevista são normalmente mais flexíveis (Sampieri et al, 2001; Bryman, 2012) – devem consistir numa listagem de tópicos e questões cuja implementação pode variar consoante a entrevista e o entrevistado212 (Daymon e Holloway, 2011). Existe uma ordem pré-definida para as questões, mas não existe uma total rigidez neste ponto, pois a entrevista é construída pela interacção dos seus participantes – muitas vezes o entrevistador vai alterando pontualmente o guião durante a entrevista, para dar resposta à riqueza de dados que vai recebendo213.
De forma a que possam ser posteriormente analisadas, as entrevistas devem ser transcritas, codificadas e categorizadas, para que possam ser utilizadas diferentes técnicas de análise de conteúdo (Bardin, 2008; Veiga e Gondim, 2001). A análise de
212 ''I interview because I am interested in other people’s stories.'' (Seidman, 2013, p.23)
213 Importa nunca esquecer que entrevistador e entrevistado nunca são iguais, existindo sempre por isso um diálogo assimétrico entre os dois – ambos têm diferentes experiências, backgrounds, e objectivos (Veiga e Gondim, 2001; Seidman, 2013; Fischer et al, 2014).
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conteúdo de cariz qualitativo das entrevistas efectuadas irá permitir uma melhor interpretação dos resultados, ou seja, dos significados retirados dos dados. A criação de um quadro de codificação (a forma como estruturamos o nosso material de análise) composto por várias dimensões (as principais categorias) irá permitir definir os principais aspectos onde queremos focar a nossa análise e que darão resposta à nossa questão de investigação.
2.2. Recolha de dados