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No que diz respeito à diferença conceptual entre o que é Lobbying e o que é Public

Affairs, é pertinente ter em conta o que a Recomendação do Comité de Assuntos

Económicos e Desenvolvimento (cujo relator foi o eurodeputado português Mendes Bota) do Parlamento Europeu, que em 2009 definiu alguns princípios de definição de um novo código de conduta da actividade ao nível comunitário, entende por Lobbying e

Public Affairs: ''Lobbying is generally understood as a concerted effort to influence

policy formulation and decision-making with a view to obtaining some designated result from government authorities and elected representatives. In a wider sense, the term may refer to public actions (such as demonstrations) of ‘Public Affairs’ activities by various institutions (associations, consultancies, advocacy groups, think-thanks, NGO’s, lawyers, etc)… ''.

Embora divergente, parece-nos interessante trazer para a discussão a proposta que Steiner e Jarren (2009) oferecem – uma abordagem onde as Public Affairs são compostas por três formas diferentes de comunicação política: o Lobbying, enquanto forma de comunicação persuasiva; a campanha eleitoral, enquanto comunicação orientada para o voto; e as Relações Públicas Políticas130. Por outro lado, autores como

que até Habermas, não sendo um teórico da área, relembrava que determinados grupos de pressão utilizam ferramentas de comunicação para fazer valer os seus interesses.

130 Vale a pena recuperar a definição deste conceito de Strömbäck e Kiousis (2011): ''Political public relations is the management process by which an organization or individual actor for political purposes, through purposeful communication and action, seeks to influence and to establish, build,

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Kitchen (1997) ou Harris (2002) defendem que uma separação terminológica entre

Lobbying e Public Affairs leva a uma visão algo redutora de Lobbying, tornando-se

apenas influência legislativa. Tal como McGrath (2015), observamos que esta questão terminológica é, muitas vezes, uma questão geográfica – nos EUA e na literatura norte- americana utiliza-se de forma idêntica a expressão Lobbying, enquanto que na literatura europeia prefere-se o termo Public Affairs, nos dias de hoje131. Será, por isso, objectivo desta investigação perceber junto dos profissionais de comunicação em Portugal como as actividades são designadas, quais as suas fronteiras, diferenças e semelhanças.

Assim, é importante observar um pouco mais concretamente o que se encara como

Public Affairs, para que vejamos que pontos em comum existem quando a associamos

ao Lobbying enquanto uma vertente importante da Comunicação Estratégica:

Public Affairs extends beyond government relations because it entails a role in the

public policy process larger than that of influencing legislative and regulatory decisions. It refers to all of the various ways public policy is made in our society to address the

concerns of society. (Lerbinger, 2006,p.14)

É interesse observar como a própria literatura especializada relaciona estas três áreas (Relações Públicas, Lobbying e Public Affairs), apesar de não existir consenso sobre as suas diferenças e semelhanças. Moss et al (2012) salientam que a área de Public Affairs, apesar de empresarialmente bastante reconhecida132, tem dificuldades em se definir-se de forma coerente junto dos círculos académicos devido às suas origens

and maintain beneficial relationships and reputations with its key publics to help support its mission and achieve its goals.'' (p.8)

131 Davidson (2014) corrobora esta ideia, dizendo que no contexto norte-americano, a título de exemplo, a expressão Public Affairs acaba por designar os profissionais de Relações Públicas que trabalham ao nível governamental.

132 ''Public Affairs, as practiced in developed democratic political and economic systems, presumes a political culture that is generally supportive of business participation in the policy‐making process.'' (Harsany e Schmidt, 2012, p.86)

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transdisciplinares133 – alguns autores olham para as Public Affairs enquanto parte integrante das Relações Públicas (Kitchen, 1997134); outros autores observam o oposto, as Relações Públicas como parte das Public Affairs (Patri, 2011); outros ainda indicam que o termo Public Affairs é apenas outra forma de designar Relações Públicas ou

Lobbying (Weissmann e Scheucher, 2000). A relação entre Public Affairs e Relações

Públicas é estreita, e a sua dificuldade de conceptualização deriva do facto, segundo Davidson (2014), de uma considerável porção do que é considerado Public Affairs ser difícil de distinguir da actividade de Relações Públicas.

Alguma da literatura da área das Relações Públicas (Kitchen, 1997; Toth, 1986; Cutlip

et al, 1984; Berg, 2009) define Lobbying como uma função de Public Affairs135 e uma função especializada de Relações Públicas – ou seja, o Lobbying é encarado como tendo objectivo primeiro a construção e manutenção de relações governamentais para a influência legislativa. Não é por isso de espantar que vários autores chamem Public

Affairs Management ao Lobbying, e Public Affairs Professionals aos seus profissionais

– a utilização de diferentes nomenclaturas não tem ajudado a esclarecer e a balizar os limites da profissão (Simão, 2012).

Para Grunig (2006), um dos principais autores de referência no campo das Relações Públicas, os termos Public Affairs e Relações Públicas podem ser usados indistintamente. Esta relação triangular entre os três conceitos pode ser melhor observada numa listagem de actividades que McGrath et al (2010) apresentam, em consequência de inquéritos feitos a profissionais da área: comunicação corporativa,

133 ''... Public Affairs is a function in which practitioners and academics are still defining and redefining

the boundaries – in effect it is a function still searching for a clear identity.'' (McGrath et al, 2010, p.340)

134 O autor indica ainda que, em algumas organizações, a designação Public Affairs é preferível e mais aceitável que Relações Públicas.

135 ''... Public Affairs (ou as Relações Institucionais) representam uma forma mais abrangente e completa de comunicar com os poderes públicos, entando o lóbi integrando nelas como uma das demais actividades.'' (Lampreia, 2005, p.17)

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responsabilidade social, gestão de crises, relações com a comunidade, issues

management136, relações com os media, relações governamentais.

Ora, estas preocupações não são de agora – pelo menos desde os anos 80 do século passado (Baysinger e Woodman, 1982; Dickie, 1984; Fleming, 1980; Arrington Jr. e Sawaya, 1984) que se tenta aprofundar de que forma o Lobbying e as Public Affairs influenciam a ligação entre o mundo organizacional e o mundo político, funcionando como funções de gestão estratégica. Se, em traços gerais, a este nível empresarial, estamos a falar de representação de interesses específicos137 da organização junto dos públicos políticos, não podemos descurar a importância estratégica de conjugar o pensamento a longo-prazo com acções mais imediatas138.

Não é recente (Arrington Jr. e Richard Sawaya, 1984; Post et al, 1983) a ideia de que as

Public Affairs devem ser vistas como análogas à estratégia corporativa de uma empresa,

de forma a que auxiliem o alcance de objectivos de negócio. Ou seja, falamos de diferentes e variados processos, técnicas e instrumentos para se encontrarem respostas aos problemas da comunidade, que possam confluir para o levantamento das respostas a esses mesmos problemas. A perspectiva dominante de Public Affairs coloca a tónica na responsabilidade da manutenção de relações governamentais – para que se possam fazer valer determinados interesses junto do poder político, através da participação no processo de formação de políticas públicas e de influência junto dos decisores (Lerbinger, 2006; Moss et al, 2012; den Diresch e van der Wurff, 2016).

136 Esta questão será abordada no Capítulo 3.5.1., Parte I.

137 As organizações podem constituir diferentes grupos de pressão bastante impactantes (Bernhagen e Trani, 2009; Ward, 2009)

138 Importa não esquecer que, por norma, maiores organizações terão uma actividade política mais influenciadora que organizações mais pequenas, devido sobretudo a questões logísticas que vão permitir o desenvolvimento de estratégias mais completas (Brasher e Lowery, 2005; de Figueiredo e Richter, 2013).

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