4.4 Element type and weight
4.4.2 X elements
Tendo em conta o fenómeno em estudo, e uma vez definida a questão de partida e objectivos de investigação, a escolha metodológica para o presente trabalho recaiu na metodologia qualitativa de cariz interpretativista. A investigação deve centrar-se essencialmente na produção de conhecimento científico útil – construção ou replicação de diferentes modelos, teorias, conceitos. Assim, o nosso trabalho tem uma grande componente de conhecimento da realidade social onde estamos a operar, de forma a perceber até que ponto ele é exequível nessa mesma realidade.
Para Bryman (2012), o interpretativismo olha para a matéria subjectiva das ciênciais sociais (as pessoas, as suas instituições, a relação entre ambas) de forma diferente da das ciências naturais. A grande diferença para o positivismo197 situa-se no facto de investigadores positivistas se focaram na explicação do comportamento humano, enquanto que os investigadores interpretativas irão focar-se no entendimento desse mesmo comportamento, sendo que a postura epistemológica do investigador será importante para a prossecução do estudo:
197 Para o autor há quatro grandes princípios que caracterizam o positivismo – o fenomenalismo (apenas fenómenos e conhecimento confirmado podem genuinamente ser considerados conhecimento científico); a dedução (o propósito da teoria é gera hipóteses que possam ser testadas e, consequentemente, explicadas); a indução (o conhecimento aparece derivado de factos que irão permitir generalizações); a objectividade (a ciência deve ser isenta de juízos valorativos).
146 Interpretativism (...) is predicted upon the view that a strategy is required that respects the differences between people and the objects (...) and therefore requires the social scientist to grasp the subjective meaning of social action. (Bryman, 2012, p.30)
Sendo uma metodologia que só algo tardiamente começou a ganhar mais espaço em termos de reconhecimento198 (Godoy, 1995), a metodologia qualitativa tem como característica principal a compreensão dos diferentes fenómenos sociais que a rodeiam (Bryman, 2012; Flick, 2005; Holanda, 2006; Sofaer, 1999; Sampieri et al, 2011), permitindo, de forma indutiva, o aparecimento de explicações que auxiliam a perceber o que é feito num determinado contexto.
É uma metodologia muito mais descritiva e exploratória, numa primeira fase (Sampieri
et al, 2011). Numa lógica interpretativista199, em que o foco está na compreensão e não na avaliação (Daymon e Holloway, 2011), estamos a falar de uma metodologia de análise dos diferentes actores que compõem o fenómeno em estudo – mais importante do que relações de semelhança, muitas vezes o que interessa perceber e interligar são as diferentes compreensões de um mesmo contexto, de uma mesma realidade.
Para Daymon e Holloway (2011), estes são alguns dos principais eixos definidores de uma abordagem qualitativa: a utilização da indução (logo, a investigação não tem como objectivo primeiro testar hipóteses, mas sim abordar o fenómeno de forma mais flexível); o ter em conta o contexto em que a investigação é feita; a utilização de uma amostra (ou mesmo de um universo) em pequena escala; o entendimento do papel do investigador como uma parte do processo de investigador, sendo que ele reflecte de forma auto-crítica e reflexiva o seu próprio papel na investigação; uma estreita ligação com a literatura relevante do fenómeno em estudo.
198 Durante muito tempo a concepção dominante em termos de construção social foi uma concepção quantitativa (Jensen e Jankowski, 2002). O ''salto qualitativo'', para estes autores, deu-se devido a uma maior convergência entre as ciências sociais e humanas e também pela sua predominância em estudos de comunicação de massas.
199 A investigação qualitativa está interligada com uma análise interpretativa dos diferentes contextos sociais e comunicacionais.
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Em traços gerais, podemos dizer que a pesquisa qualitativa se orienta para perceber determinados aspectos da vida em sociedade – a própria questão de partida ajuda-nos a perceber se estamos perante a necessidade de utilização de uma metodologia qualitativa (Bowen, 2005; White e Marsh, 2006). Assim, as ideias orientadoras de uma investigação qualitativa devem ser a escolha acertada de métodos e teorias apropriadas, o reconhecimento e respectiva análise de diferentes perspectivas, e a própria reflexão do investigador sobre a investigação (Flick, 2005). Logo, estamos perante uma investigação que obedece a um conjunto determinado de passos:
1. Formulação da questão de investigação
2. Selecção de conceitos relevantes
5b. Recolha de outros dados 3. Recolha de dados
5a. Reformulação da questão de 4. Interpretação de dados investigação
5. Construção conceptual e teórica
Quadro 3 – Passos numa investigação (traduzido e adaptado de Bryman, 2012)
Estas abordagens são de igual maneira úteis quando falamos de diferentes relações comunicacionais200 e de influência, tal como esta investigação aborda – ou seja, perceber até que ponto diferentes intervenientes num dado processo se contextualizam numa framework de interacção social (Colombo, 2004). O valor da investigação qualitativa reside exactamente na capacidade de entendermos o processo
200 Os métodos qualitativos permitem ganhos de profundidadade e de entendimento holístico das diferentes relações em análise (Daymon e Holloway, 2011).
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comunicacional que está presente, e quais as suas relações e repercussões para a Comunicação Estratégica.
O enfoque indutivo está muito presente nas investigações qualitativas201 (Godoy, 1995; Daymon e Holloway, 2011; Lara, 2011; DeCoster e Lichtenstein, 2007; White e Marsh, 2006). Em termos qualitativos, a utilização da indução é o que nos permite todo um trabalho de categorização e caracterização das diferentes perspectivas que podem existir no fenómeno que se está a estudar. Assim, em traços gerais, a indução irá permitir gerar novas ideias em vez de testá-las de antemão (Thorne, 2000) – é um método ligado à observação da realidade e à confirmação, ou infirmação, da relação em estudo202.
A investigação qualitativa é, portanto, um conjunto de métodos de obtenção de informação para análise do comportamento (Luque, 1986). Os métodos qualitativos são bastante úteis na construção e no desenvolvimento de diferentes teorias e conceitos, logo, tal é possível devido a um vasto espectro de métodos que podem ser usados (Sofaer, 1999; Zechmeister et al, 2001; Bryman, 2012; DeCoster e Lichtenstein, 2007; Veiga e Gondim, 2001; Opdenakker, 2006; Graber, 2005; Flick, 2005). As entrevistas, a serem exploradas no Capítulo 2, Parte II, são um dos métodos mais utilizado na pesquisa qualitativa.