• No results found

Tapseekter i et piezoelektrisk materiale

Teoretisk gjennomgang av simulerbare funksjoner

3.5 Tapseekter i et piezoelektrisk materiale

Apesar de podermos observar as tendências das forças sociais globais na formação da Ordem Mundial, os resultados encontrados localmente são distintos devido as especificidades regionais. Assim como em Americanismo e Fordismo, quando Gramsci (1975) analisa os impactos que a entrada do modo de produção fordista acarretava sobre a organização social italiana e de outros países. Ele diz que

Existe uma revolução passiva envolvida no fato que (...) relativamente modificações de longo alcance estão sendo introduzidas na estrutura econômica do país (...) em competição com as formações mais avançadas industrialmente que monopolizam matérias-primas e tem acumulado montante massivo de capital (GRAMSCI, 1975, p. 119-120, apud BIELER, BRUFF & MORTON, 2015, p.

143).

Semelhantemente, a industrialização recente de cima para baixo do Sul Global - aliada ao “novo constitucionalismo” - provoca alterações estruturais nas formas dos Estados

31 Mesmo com as novas estratégias de negociação formadas pelos Estados do Sul Global liderados pelo Brasil e Índia (NARLIKAR, 2003), a relação comercial dos produtos agrícolas continua como uma pauta marginalizada na agenda da OMC. Chang (2006) demonstra que a omissão das decisões da OMC acerca das pautas primordiais para os Estados do Sul, como a agrícola, fortalece o baixo grau de desenvolvimento econômico da região.

quando contraposta com as forças sociais domésticas. As condições de inserção nas relações econômicas internacionais se tornam bastante limitadas, isto porque a classe hegemônica interna desses Estados busca a obtenção dos seus interesses a partir do espaço marginal colocado pelo centro detentor do domínio tecnológico e científico (GILL, 2008). O resultado é a formação de Estados oriundos de revoluções passivas bem distantes da realidade social (MORTON, 2007; 2013). Isto se dá porque a sociedade política doméstica ao passo que busca manter as suas bases de dominação tradicionais é também adequada de acordo com a disciplina da hegemonia transnacional através do neoliberalismo. A configuração da região são regimes autoritários ou democracias pouco representativas, modelos capazes de seguir com a modernização/industrialização do Sul na nova divisão internacional do trabalho sem comprometer a “estabilidade” do sistema (COX, 1987; 1999, MORTON, 2007). É relevante relembrarmos que além do consenso ideológico reproduzido nas instituições internacionais, a hegemonia, assim como na análise nacional-popular de Gramsci, possui também o domínio bélico e coercitivo. Portanto, a capacidade repressiva exercida pelo Norte Global, sobretudo os EUA, evidencia-se quando algum Estado periférico, de fato, desafia a lógica do “novo constitucionalismo” (GILL, 1995; HARVEY, 2004).

Figura 1: Relações geopolíticas e “O Internacional”

Na abordagem de Morton (2007), apresentada na Figura 1, a revolução passiva envolve tanto um processo internacional, quanto nacional. A forma do Estado é influenciada pelas suas forças sociais internas em contato com as forças sociais das relações internacionais. A partir do movimento dialético entre as duas forças, ocorre a estabilização hegemônica ou a sua contestação dentro do Estado. É importante ressaltar este processo, posto que algumas interpretações da hegemonia no âmbito global negligenciam o papel dos atores nacionais na difusão/contenção de determinado bloco histórico transnacional. Essa lente de análise poderia nos levar a cometer alguns equívocos, como, por exemplo, considerar os Estados do Sul Global enquanto meros receptores da agenda neoliberal, reduzindo a complexa relação interestatal a um “cinturão de transmissão”. A classe hegemônica local também é bastante ativa nesse processo, bem como a resistência à aplicação da agenda nacionalmente.

Mas a revolução passiva não se restringe a isso, o conceito aparece diversos momentos na obra de Gramsci (2000), e não possui uma definição estática do que seja. O autor recorre a este conceito principalmente para explicar as mudanças históricas, que não provocaram mudanças estruturais. Algumas alterações podem ter sido feitas, mas o status- quo, isto é, as relações de dominação permanecem. Numa perspectiva de restauração/revolução, Gramsci relata que existe uma revolução passiva quando:

1. Existe uma revolução sem a participação das massas, geralmente provocada ou liderada por forças externas; 2. Existe uma transformação social lenta, capilar ou ‘molecular’, de modo que as forças de classe emergentes devem avançar cuidadosamente, sorrateiramente e devagar (GILL, 2008, p. 62).

Além disso, para os estudos de Relações Internacionais a revolução passiva aparece como algo frutífero para compreender os movimentos “revolucionários” da economia política internacional que na verdade acabam causando mudanças moleculares na arquitetura internacional. Por exemplo, Ramos (2007) analisa a partir dessa perspectiva como o G-20 - resultado da expansão do G-7/8 com a entrada de países do Sul Global - reifica o status-quo neoliberal. O que poderia ser algo positivo para a redução das desigualdades da Ordem Mundial acaba endossando as mesmas políticas do grupo anterior. Porém, agora de forma mais legitimada por meio da participação de Estados marginalizados.

Iniciamos o capítulo nos referindo à crise orgânica pela qual passa a governança global, grande parte das suas causas são as fraturas representativas e materiais impostas por este modelo de desenvolvimento desigual e combinado articulado pela disciplina neoliberal.

Gill (2008) diz que este momento se trata de uma “tríplice crise”, isto é, ela se dá em três níveis mutualmente:

1) o ‘econômico’, que inclui a reestruturação da produção, das finanças e do comércio global, o qual põe em questão modos anteriores de negociação e formas de organização econômica; 2) o ‘político’, implicando mudanças institucionais que incluem novas formas de Estado, a internacionalização, a trasnacionalização e certamente a globalização do Estado (...) e 3) o ‘sociocultural’, ou seja, o modo de reestruturação global dos níveis político e econômico implica também, em parte, a contestação de conjuntos de inter-relacionados de estruturas, ideias e práticas sociais, promovendo, dessa forma, possibilidades de mudança, mas ao mesmo tempo, restringindo-as (GILL, 2007, p. 52).

É na terceira crise, especialmente, que iremos realizar esforços para contribuir na compreensão dos problemas enfrentados na globalização. A análise da situação caótica vivenciada pela esquerda neste momento deve ser avaliada a fim de entendermos possíveis formas emancipatórias de resistência às forças sociais globais da civilização de mercado.