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Hamilton's prinsipp for et linert piezoelektrisk medium

Teoretisk grunnlag for endelig element modellen

2.1 Formulering av endelig element ligningene

2.1.1 Hamilton's prinsipp for et linert piezoelektrisk medium

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, ao organizar sua militância buscando desenvolvimento na produção, bateu de frente com a realidade da baixa ou nenhuma escolaridade dos camponeses, compreendendo que conquistar a terra, e produzir não era o bastante. Se a terra representa a possibilidade de trabalhar, produzir e viver dignamente, faltava-lhes um instrumento fundamental para a continuidade da luta: a educação formal. Assim, a luta pela terra dimensionou a luta pela educação.

Por essa razão, deu-se prioridade à educação nos acampamentos e nos assentamentos, como fator primordial para o sucesso de sua empreitada. A continuidade da luta exigia conhecimentos, tanto para lidar com assuntos práticos, como financiamento bancário e aplicação de tecnologia, e também para compreender a conjuntura política, econômica e social. A educação passou a ser arma de duplo alcance para os sem-terra e os assentados, e tornou-se prioridade no movimento, como vemos nas palavras de Morissawa (2001), quando compara esta passagem com a descoberta de uma mina de ouro, que exigia muito trabalho para cavar, a uma pedagogia a ser criada diante de milhares de analfabetos, um número de crianças sem fim pedindo para conhecer as letras, ler o mundo.

32 FREIRE, P. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora UNESP,

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Segundo Fonseca (2005) 33 essa preocupação abrange os acampamentos e assentamentos e é prioridade no projeto de ambos no sentido de contemplar crianças, jovens e adultos. Diz a autora que “o barraco da escola que é chamado de itinerante, é construído antes mesmo das moradias e tem, ao mesmo tempo, uma função de centro de encontros.” (FONSECA, 2005, p. 51).

O surgimento do setor de educação do MST teve a preocupação de estruturar um funcionamento prático, cuidando para que nenhuma criança deixe de estudar, envolvendo-as nas atividades do acampamento ou assentamento. Em 1987 houve o 1º Encontro Nacional de Educadores, em São Mateus, Espírito Santo, com representação de educadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Bahia e Espírito Santo. Nele, os participantes estudaram e discutiram como organizar e implantar as escolas públicas de 1ª a 4ª séries e a formação dos professores para estas escolas dos acampamentos e assentamentos. Em 1988, foi criado o Setor de Educação em vários estados, respondendo às necessidades dos mesmos. (FONSECA, 2005, p. 56).

A história demonstra que as conquistas foram aumentando na mesma proporção que as retaliações políticas sobre o movimento, como a que ocorreu no governo Collor (1990 – 1992), o qual foi marcado pela repressão geral aos movimentos sociais. Porém, o MST, como já se constituía como o maior movimento do país, tornou-se alvo preferencial, que o obrigou a centrar esforços no trabalho de formação e organização interna.

Com a criação deste setor, houve um avanço pedagógico muito significativo e o primeiro curso de magistério voltado às escolas dos assentamentos foi criado em Braga, Rio Grande do Sul. (FONSECA, 2005) O departamento de Educação Rural, da região Celeiro, juntamente com a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa, assumiram o curso, procurando atender as demandas de escolarização alternativa no meio rural.

E hoje? Segundo dados apresentados por Fonseca, do ano de 2005, o Departamento de Educação com sede no Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária, se encontra em Veranópolis, Rio Grande do Sul. Em 2000, formou-se a primeira turma. O trabalho educacional do MST é realizado nos 23 estados brasileiros em que o movimento está organizado, e acontece nas modalidades: Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos, Educação Infantil, formação de educadores (cursos não formais e formais de Magistério e de Pedagogia), Ensino Médio, incluindo formação de técnicos em administração de assentamentos e cooperativas.

Outros avanços no setor de educação do MST foram, conforme a autora:

33 FONSECA, L. M. Reforma agrária no Brasil e os assentamentos do MST: uma abordagem jurídio-social e

* 1991, lançamento do projeto Educação de Jovens e Adultos no assentamento Conquista da Fronteira, com a presença de Paulo Freire;

* 1996, escolas são inauguradas em 5 acampamentos de Goiás;

* 1996, realização de um programa de alfabetização de adultos em convênio com o Ministério da Educação e Cultura;

* 1997, 1º Encontro Nacional de Educadores da Reforma Agrária em convênio com a UNB, UNESCO e UNICEF. O Encontro com o tema “Escola, terra e dignidade” serviu para o intercâmbio das diversas experiências pedagógicas desenvolvidas nos acampamentos e assentamentos dos trabalhadores rurais;

* 2000, o setor de educação do MST contou com 1500 escolas públicas nos assentamentos, 150 mil crianças matriculadas nas séries iniciais do Ensino Fundamental, 3800 professores pagos pelos municípios, 25 mil jovens e adultos alfabetizados nos assentamentos em conjunto com a UNESCO, 1200 educadores de jovens e adultos, 250 educadores das cirandas infantis; * o MST desenvolve, ainda, um programa de Educação Ambiental para lideranças, professores e técnicos de áreas de assentamento em parceria com o Ministério do Meio Ambiente;

* 2005, teve início o primeiro curso superior para gestão de assentamentos do país com duração de 4 anos, sendo que a maioria dos alunos é integrante do MST. O curso é oferecido pelo Centro Universitário Fundação Santo André, uma instituição municipal da região do ABC com tradição em Administração e Economia. As aulas são gratuitas financiadas pelo INCRA e pela própria instituição que oferecem, também, moradia e alimentação, disponibilizando 40 professores. Os alunos são indicados pelo MST de 23 estados e passam por uma seleção. As aulas são em tempo integral e ocorrem apenas nos meses de novembro, dezembro, janeiro e julho, período de férias dos demais alunos.

Este quadro envolvendo um Novo Movimento Social, a educação e a cidadania, indica que essa relação é multidimensional na crise da Modernidade ou na Pós-Modernidade, como vimos na perspectiva de Marques (2004), para quem se confirma um suposto delineado já há algum tempo, sobretudo em relação à própria cidadania34: a cidadania é um dos poucos termos ou noções que vinculam, de forma tão instigante, as principais dimensões constitutivas da práxis histórica: “a dimensão histórica – o sujeito e o social; a dimensão epistemológica –

34 VERÍSSIMO, Mara Rúbia A. Marques. Educação e cidadania na pós-modernidade. Universidade Federal de

Uberlândia, 1996. Dissertação de Mestrado. O cerne da pesquisa se dá em torno do questionamento da autora de que cidadania estamos falando quando, em nossos discursos e práticas educacionais escolares, referimo-nos à finalidade de formar o cidadão crítico e consciente?

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o sujeito e o conhecimento; e a dimensão pedagógica – o sujeito e a educação.” (MARQUES, 2004, p.38)

Nesse sentido, cabe seguir para uma compreensão mais epistemológica e pedagógica dos Novos Movimentos Sociais, por meio de considerações de tendências propriamente curriculares, na linha de Veríssimo (1996) 35 e Marques (2004, 2008), baseada em Boaventura Santos (1994, 2006), procurando situar no interior da análise o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra/MST.