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Analyse av moder omkring tykkelsesmoden i skiver av PZT5A

FEMP: Analysemuligheter

6.3 Analyse av moder omkring tykkelsesmoden i skiver av PZT5A

Mesmo com a abertura epistemológica das RI para a entrada de atores não-estatais marginalizados na construção das relações internacionais, a abordagem neogramsciana também parece presa ao tentar analisar a articulação desde baixo na globalização. Dentre as principais críticas estão aquelas que apontam como os estudos do grupo caminharam para a criação de um mundo que é a imagem/espelho da CCT a partir de eventos “locais” e burocráticos, além de que a contra-hegemonia estaria artificialmente empregada nos estudos como um mero resultado mecânico do processo dialético, sem forma (DRAINVILLE, 2004; 2011), o que tornaria a resistência enquanto sujeito inexistente.

Entendemos o valor destas críticas e buscaremos a partir delas traçar minimamente um entendimento, a partir de Gramsci, sobre como compreender as forças sociais emancipatórias e sua articulação na sociedade civil internacional. Posto isto, a crítica sobre o interesse neogramsciano dado aos encontros de negociação da elite transnacional na modelagem do status-quo global parece um tanto equivocada. Como já mostrado, o interesse de Gramsci pela Igreja Católica e o Rotary Club demonstra como é nas redes/fóruns da sociedade civil local/transnacional que acontece a criação do “senso comum” hegemônico (IVES & SHORT, 2012). O que acreditamos que precisa ser feito é a análise também das instituições de resistência no seu movimento de convergência. Retomamos o argumento de Herod para reafirmamos a importância da esquerda nos estudos da transnacionalização das lutas sociais, pois:

Politicamente, reservar a escala global ao capital é problemática porque isto impulsiona os argumentos corporativos de que trabalhadores relativamente imóveis organizados nacionalmente ou localmente podem sempre se voltar uns contra os outros por uma capital globalmente organizado hipermóvel em expansão (...) Em essência, tal argumento equivale imobilidade com impotência (HEROD,

1995, p. 347, tradução nossa).

O maior esforço para dar forma à resistência por parte dos neogramscianos vem de Gill (1999), o qual tenta repensar o Moderno Príncipe de Gramsci para ler os movimentos contestatórios transnacionais, sugerindo o Príncipe Pós-moderno:

construção de uma nova forma de globalismo, algo que precisa ser entendido como um conjunto de forças políticas e sociais em movimento (...) O que eu estou tentando comunicar é uma mudanças nas formas de agência política que estão acontecendo para além dos projetos políticos modernistas. Assim o Príncipe pós- moderno envolve tendências que tem começado a desafiar alguns dos mitos e disciplinas das práticas modernistas, e especialmente resistindo àqueles que procuram consolidar o projeto da globalização sob a autoridade do capital. Portanto, as batalhas em Seattle devem se ligar a novos padrões de agência política e um movimento que vai bem além das políticas de identidade e diferença: São conectadas às questões de reprodução social e ecológica, e certamente, à questão da democracia (GILL, 1999, pp.17, 19, tradução nossa).

Assim como Sanbonmatsu (2001), o termo apresentado por Gill nos parece bastante distante da solidariedade de classe necessária ao Príncipe de Gramsci para estabelecer uma correlação de forças com a hegemonia, agora global. A forma do Príncipe Pós-moderno se assemelha mais à dinâmica da “nebulosa” de Cox (1996), o conjunto de forças e aparatos institucionais utilizados pela CCT na construção do bloco histórico, a favor dos subalternos. Porém, acreditamos que existe um valor dialético nele, principalmente quando assumimos a “pós-modernidade” no sentido de Harvey (1992), referindo-se à situação de flexibilidade e relativização do tempo e espaço na economia política global. Aliado a situação da descrença política de grande parte da esquerda em relação às capacidades do partido político no cenário atual. Assim, somos suscitados a pensar na possibilidade de união, na dispersão.

Talvez o que mais prejudique a análise das forças contra-hegemônicas e a organização de movimentos decentralizados seja justamente o deslocamento do espaço de agência para a resistência, como é o caso do altermundista (RAMOS, 2006). Mesmo que a resistência esteja conectada a um modelo político e econômico global, reproduz-se em um determinado território local/nacional (por isso os limites de se pensar a existência, de fato, da SCG, mais sim em atores nacionais/internacionais organizados transnacionalmente.), sendo capaz de projetar/modificar a sua realidade local, na qual é possível consolidar um projeto nacional-popular (GRAMSCI, 1975; MORTON, 2007; 2013), Ao mesmo tempo, este projeto nacional-popular passa a demandar cada vez mais forças externas (solidariedade transnacional) para lidar com as forças sociais da Revolução Passiva, o que Gramsci se referia à internacionalização do movimento operário (MCNALLY, 2009) . Os movimentos sociais de luta pela terra que surgem por todo o globo precisam se manter, por exemplo, com a máquina repressiva do Estado sob constante ameaça e criminalização (VELTMEYER, 1997; MORTON, 2007).

A necessidade de apoio material e intelectual para seguir alternativas anticapitalistas e manifestações coloca a esquerda diante da indispensabilidade do uso estratégico dos recursos de tecnologia na luta de classes (HAROLD, 1995; JAMESON, 2001). Por isso é tão importante estudarmos as redes de informação entre os movimentos sociais, e rompermos com a dicotomia Norte/Sul a respeito da classe trabalhadora. Apesar das diferenças locais, é preciso superar os interesses de curto/médio-prazo para enfrentar a onda de megablocos econômicos surgindo, e a desintegração de anteriores. Os movimentos sociais “tradicionais” precisam superar suas fronteiras em relação aos demais, conseguindo sobretudo agregar as questões de gênero, raça e sexualidade na condição subalterna, para resolver, sobretudo, dilemas de hierarquia da própria classe trabalhadora (BIELER, LINDBERG & PILLAY, 2008). Mesmo com a dificuldade da contingencia nas relações sociais, o materialismo histórico permanece como importante ferramenta crítica pois:

Esta situação leva a um número de resultados epistemológicos e a uma elaboração dos conhecimentos do mundo que expressam e surgem das formas de opressão e exploração experimentado por cada grupo. Enquanto o conteúdo desses conhecimentos é específico ao grupo em questão, as similaridades (...) marcam uma instância que (...) condições materiais de existência podem se diferir profundamente mas continuam gerando uniformidades nas epistemologias dos grupos subordinados (HARTSOCK, 1989, p. 26, tradução nossa).

Enquanto não transcendemos na criação de uma resistência global é possível, no entanto, rastrearmos os Jacobinos do nosso momento histórico. Gramsci recorria aos Jacobinismo “como as políticas que na Revolução Francesa guiaram os pobres urbanos a apoiar as demandas dos camponeses, e as quais empurram a revolução adiante” (SCHWARZMANTEL, 2015). Entendendo que nos trabalhos de Gramsci existe a diferenciação entre o urbano e o rural, o nacional e o internacional, mas que se constroem numa relação dialética, presente tanto nas concepções de sociedade civil, hegemonia, revolução passiva, quanto na do internacionalismo da classe trabalhadora (MCNALLY, 2009; MORTON, 2007) podemos considerar que os Jacobinos exigidos para a formação do senso comum contra-hegemônico, e a sua difusão na arena da guerra de posições, na atual forma do capitalismo é necessário a esses Jacobinos a captação/coordenação das forças sociais globais - nebulosa de Gill (1999) - a seu favor.

A partir daí os laços de solidariedade articulados, o discurso proferido e as políticas adotadas passam a ser grandes fontes para o materialismo histórico transnacional entender

quais esforços e estratégias são praticados para dar coesão a um projeto plural de vontade coletiva e transformador da realidade dos envolvidos e do resto da sociedade. Podemos citar, por exemplo, movimentos indígenas na América Latina, as diversas uniões trabalhistas que formam a Organização Sindical Internacional, os membros da Via Campesina, os indignados da Europa. São forças progressistas que surgem espontaneamente, ou planejadas, e perpassam por estratégias locais distintas - envolvendo partidos políticos, ou não - as quais no território nacional constituem importantes movimentos de alternativas progressistas. Entretanto, estes encontram se aproximam quando encontram na arena de disputas políticas da sociedade civil global meios para articular a solidariedade de classe transnacional imprescindível nos momentos de crise, e promovem a leitura contestatória da hegemonia nas relações internacionais. Neste trabalho passaremos a guiar os nossos esforços no estudo do caso zapatista e a suapráxis radical na sociedade mexicana.

CAPÍTULO 2 - ZAPATISMO E A PRÁTICA ANTI-