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Kontroll av grensebetingelser - Spenningsutregning

4.5.4 2D-simulering for lang PZT5H-stang - Lerch

4.8 Kontroll av grensebetingelser - Spenningsutregning

O conceito de SCG está na maioria das suas aplicações associado a um caráter emancipatório, de um espaço democrático com participação popular, e, portanto, de legitimidade, ou de resistência às forças neoliberalizantes. Contudo o entendimento sobre como a emancipação/resistência ocorre a partir deste sujeito não são uniformes, e nem muito eficientes para os verdadeiros dilemas enfrentados pelos subalternos, tanto do Norte e do Sul. Primeiro o (i) cosmopolitismo, que se baseia principalmente a partir de uma concepção de sociedade civil decorrente dos trabalhos de Locke, Tocqueville e Montesquieu (CLARCK, 2008). O termo passa a ser associado ao amplo espaço existente para além das instituições políticas do Estado-nação devido aos movimentos por liberdade de expressão e contra os abusos de poder cometidos no Leste Europeu (LIPSCHUTZ, 1992).

As redes geradas entre os atores, diferentes grupos da sociedade civil são decorrentes das normas e princípios compartilhados entre eles, o que formaliza minimamente as percepções destes a respeito da organização (PETERSON, 1992). Portanto, a base fundamental dos movimentos existentes na SCG não é estritamente o cálculo racional, mas sim a normatização da sociedade para a administração democrática do bem comum, os quais após se estabelecerem em redes passam a ter uma lógica própria de atuação para solucionar os problemas da integração social, exterior ao poder do Estado (MCDONALD, 1994). A SCG nesta corrente possui a capacidade de legitimar as decisões sociais frente às burocracias políticas, facilitando a coesão dos indivíduos na construção de uma identidade comum aos envolvidos. Neste sentido, instituições como os Direitos Humanos e a Democracia Liberal são tratadas de maneiras universais e convergentes no alicerce de novos princípios civilizatórios (CLARCK, 2008; MCDONALD, 1994)

A abordagem (ii) construtivista se assemelha muito ontologicamente com o cosmopolitismo em referência ao que é a SCG. Porém, a metodologia do estudo se difere ao estudar principalmente a performance das redes nas relações internacionais, ou seja, a atuação destes atores na construção dos fenômenos internacionais. Os atores transnacionais da sociedade civil e seus canais de comunicação conseguem influenciar nas decisões dos Estados e das instituições internacionais por meio do soft power41, o que promoveu uma 47

possibilidade de pesquisas resultada da desartificialização das barreiras entre os estudos sociológicos sobre redes e do campo internacional. (SIKKINK, 2002). Podemos dizer que a agenda de pesquisa se concentra majoritariamente nas Redes Transnacionais de Advocacia (RTA), nas quais os grupos formados pelas condições domésticas criam laços organizacionais transnacionalmente a fim de promover mudanças políticas por meio da defesa de alguma idéia/norma/causa. (KECK & SIKKINK, 1999; KECK & SIKKINK, 2014). As estratégias adotadas pelos atores da RTA “envolvem um pequeno número em uma dada campanha ou defesa de algum caso. Os tipos de pressões e agendas políticas nos quais elas se engajam raramente envolvem mobilização de massas, exceto em eventos chaves” (KECK & SIKKINK, 1999, p. 95). A ação coletiva destas redes geralmente utiliza como recurso:

políticas informacionais, ou a habilidade de mover credível e rapidamente informações politicamente utilizáveis para onde ela terá o maior impacto; b. políticas simbólicas, ou a habilidade para evocar símbolos, ações ou estórias que façam sentido para uma audiência que se encontra bem distante (...); c. políticas de influência, ou a habilidade de evocar atores poderosos para afetar uma situação em que membros mais fracos de uma rede são improváveis de terem influência; e c. políticas de accountability, ou esforço de obrigar atores mais poderosos a cumprirem políticas vagas ou compromissos que eles formalmente endossaram (KECK & SIKKINK, 1999, p. 95, tradução nossa).

Neste sentido, os teóricos dessa vertente defendem a agência das RTA principalmente devido a participação de empreendedores domésticos no ciclo de vida das normas internacionais. Aqui os ativistas e grupos sociais da SCG exercem o papel de demandar normas que favoreçam a sua comunidade, as quais após institucionalizadas (em OIs ou Estados) possuem chances de serem socializadas e internalizadas no sistema interestatal., portanto, constroem o espaço das relações internacionais. Além disso, é analisado o “efeito bumerangue” das redes sobre as decisões do Estado. Este se refere à estratégia das RTA de exercerem pressão internacional, através de ONGIs e OIs, em situações que o Estado rompe diálogo/negociação com os atores domésticos, reivindicando na maioria das vezes o cumprimento de normas de Direitos Humanos (DH). (FINNEMORE & SIKKINK, 1998; KECK & SIKKINK, 1999; RISSE & SIKKINK; 1999)

Os pensamentos de Foucault chegam a economia política global de maneira inovadora para se pensar o campo com o (iii) pós-estruturalismo, a partir principalmente das contribuições de Michael Hardt e Antonio Negri (2001, 2004). A globalização transforma,

de acordo com os autores, de tal maneira a organização do capital que vivenciamos uma nova fase em sua forma de reprodução, o Império. Sua dominação se dá de maneira dispersa por todo o globo no Império, as autoridades de poder são formadas em níveis e subníveis, transpassando as fronteiras e legitimidades do Estado-nação - algo bastante próximo do sistema interestatal pós-vestifaliano de Cox (1997). Entretanto, as similaridades não vão adiante, pois a desconstrução dos espaços geográficos nas relações de poder leva os autores a assumirem que:

Império estabiliza nenhum centro de poder territorial e não se baseia em fronteiras ou barreiras fixas. É um aparato decentralizado e desterritorializado de poder que progressivamente incorpora todo o campo global dentro de suas fronteiras abertas, em expansão. Império controla identidades híbridas, hierarquias flexíveis e intercâmbios plurais modulando redes de comando. As cores nacionais distintas do mapa mundial imperialista têm mesclado e misturado na arco-íris imperial global (...) (HARDT & NEGRI, 2001, p. 10, tradução nossa).

A SCG aparece no trabalho dos autores diretamente oposta às forças do Império, constituída por todos aqueles que são de alguma maneira subjugados por este, a Multidão. Diferente dos processos revolucionários anteriores, a Multidão reside seu maior potencial na sua autonomia e dispersão por toda a economia mundial. Assim como na obra de Foucault, a resistência da Multidão é algo espontâneo, porém, diverso e criativo. Por meio da ação questionadora dos presentes na Multidão é possível se pensar politicamente na Cidadania Global. Este seria o projeto de emancipação política do subalterno na redução da dominação molecular do Império em nossas vidas, a “organização do trabalhador social e o trabalho imaterial, uma organização do poder produtivo e político como uma unidade biopolítica controlada pela multidão, organizada pela multidão, direcionada pela multidão - democracia absoluta em ação” (HARDT & NEGRI, 2001, p. 410), algo semelhante a visão cosmopolita da SCG.