4.5.4 2D-simulering for lang PZT5H-stang - Lerch
5.1 Valg av elementer
5.3.1 Radiell retning
Quando nos deparamos diante da configuração da economia mundial fazemos os seguintes questionamentos: as forças sociais de resistência podem ser coordenadas/articuladas? Os movimentos/atores contestatórios ao status-quo são por essência contra-hegemônicos? Estas perguntas nos parecem pertinentes, e nos motivam a repensar a própria existência do fenômeno da resistência como um sujeito global. Distante
do movimento favorável a emancipação dos grupos marginalizados que alguns autores parecem traçar na globalização, os obstáculos globais proporcionados pelos interesses de classes que a moldam cristalizam um cenário conservador e autoritário em grande parte do mundo. Apesar do caráter histórico da obra de Gramsci na formulação do Moderno Príncipe, visto que o autor partia da análise da luta de classes existente no início do século XX na Itália (SCHWARZMANTEL, 2015), o seu modelo estratégico nos ajuda a repensar o posicionamento da esquerda na correlação de forças atuais (COX, 1999).
Para se pensar sobre como é possível a alteração das condições de desemprego em massa, austeridade, retrocesso nos direitos sociais e trabalhistas diante do processo da globalização por cima (BIELER, LINDBERG & PILLAY, 2008; GEORGE, 2012), acreditamos na potencialidade dos movimentos por baixo que resistem às forças globalistas na formação de espaços/projetos anticapitalistas (GILL, 2012). Contudo, as interpretações a respeito das redes de solidariedade transnacional que se formam na resistência demandam alguns apontamentos para evitarmos fetichismos. Nesse sentido, analisaremos que (i) o cosmopolitismo é uma corrente intelectual vinculada historicamente aos interesses da classe burguesa transnacional; (ii) as redes de ativismo da sociedade civil são também meios de cooptação do status-quo, e a (iii) necessidade de compreendermos a forma da resistência global para além da multidão.
A fim de realizar tais críticas retomaremos a concepção neogramsciana do espaço de interação social transnacional, a qual entende este enquanto mais uma arena de disputa hegemônica dentro do movimento de desenvolvimento combinado e desigual do modo de produção capitalista (RAMOS, 2006, MORTON & BIELER, 2006). No decorrer da discussão sobre a Revolução Passiva entendemos como as forças sociais internacionais estavam presentes na formação dos Estados para Gramsci, do mesmo modo Ives e Short (2012) demonstram que as relações sociais da sociedade civil e a consolidação da hegemonia eram analisadas a partir de um olhar transnacional. A presença do “internacional” ocorria principalmente na leitura do autor acerca da articulação do Rotary Club, uma ONG, e a Igreja Católica, uma importante instituição da sociedade civil.
Nas palavras de Gill, as redes transnacionais da sociedade civil internacional organizada:
corporações de meios de comunicação, associações políticas e científicas, algumas progressivas, outras reacionárias. Sociedade civil transnacional também envolve atividades tanto de corporações transnacional, bem como governos que são ativos em modelar um terreno político que é diretamente e indiretamente exterior ao alcance formal dos estados (GILL, 2008, p.247).
Denotamos que as relações transnacionais entre os atores econômicos não são excluídas do conceito, o que possibilitou o avanço nos estudos da agenda da CCT apresentada no tópico anterior. Além disso, a inserção histórico-materialista da ONGIs na Ordem Mundial nos permite captar como o capital permeia pela sociedade civil transnacional e age na cooptação de possíveis práticas/causas transformadoras.
Em relação ao cosmopolitismo encontramos em dois momentos na obra de Gramsci passagens que nos levam a repensar o caráter universalista defendido por esta perspectiva, na “questão da língua”, e quando reflete sobre o Esperanto. Sobre o primeiro, o autor preocupado em como a formação intelectual da elite italiana era, influenciada pela Igreja Católica, mais associada aos interesses estrangeiros do que à cultura popular discute a relevância da associação entre a linguagem e as massas na construção de uma imagem nacional-popular e da vontade coletiva, dificultando a própria formação do Estado-nação italiano (IVES, 2004; IVES & SHORT, 2012). Quanto ao segundo, Gramsci diz:
Os advogados de uma única linguagem estão preocupados com o fato de que (...) existe um infinito número de diferentes linguagens que restringem a habilidade de comunicação. Isto é uma ansiedade cosmopolitana, não internacional, daquela da burguesia que viaja para negócias e prazeres, de nômades mais do que cidadãos estáveis produtivos (...) Eles gostariam de criar uma inflexível e definida linguagem que não admitiria mudanças no espaço e tempo (GRAMSCI, 1975, p.450)
Neste trecho percebemos como Gramsci estava ciente das contradições inerentes ao pensamento homogeneizador das relações internacionais. Desse ponto de vista, a SCG seria um carro-chefe para a cristalização dos interesses da globalização por cima através da legitimidade de um ator “emancipatório” derivado da mesma comunicação entre os envolvidos. Existe tanto no cosmopolitismo, quanto no construtivismo a crença do universalismo dos DH, associados a democracia liberal, enquanto princípios libertadores através da sua normatização para a defesa de direitos civis. Inclusive privilegiando em suas abordagens a participação ativa de instituições internacionais, como a ONU, na sua aplicação. Contudo, faz-se necessário uma abordagem do discurso humanitário dos DH e da democracia a partir das relações de poder desiguais existentes na economia política global.
em torno da agenda de DH na SCG é utilizado, em grande escala após a globalização, pela hegemonia global na prática para promover intervenções humanitárias como formas de riot control legitimadas, e expandir o novo constitucionalismo sobre as áreas de influência soviética no pós-Guerra Fria (MANOKHA, 2008; DE PIJL, 2006; GILL, 2008). Nas relações internacionais, a liderança intelectual engajada pela hegemonia global expõe suas fraturas quando “clivagens de uma natureza ‘civilizacional’ - religiosa e divisões étnicas - são forçadas de maneiras que debilitam a soberania do capital, inflamando e/ou exacerbando as rivalidades que nós testemunhamos hoje” (DER PIJL, p. 20, 2006). Contrariando a vasta produção acerca de SCG, as reações encontradas na sociedade civil em relação ao status-quo não são necessariamente progressistas, principalmente em momentos de crise orgânica.
Além disso, Cox (1983) relata o transformismo como proposto por Gramsci na percepção da vulnerabilidade das pautas sociais frente aos processos decisórios que envolvam as relações internacionais. O termo é de extrema relevância para a esquerda, visto que nos ajuda a identificar como práticas possivelmente ameaçadoras são aderidas às políticas do status-quo e domesticadas, evitando a mobilização das massas. De acordo com Paterson (2009), as corporações multinacionais se beneficiaram com o direcionamento das cobranças por justiça social serem praticadas pelas ONGs. Primeiro porque isso retira o caráter social do Estado, tão importante para o funcionamento do sistema neoliberal. Segundo, as ações das ONGs concentram muitos esforços em capacitar os Estados do Sul na formulação de uma agenda que possibilite estes de negociarem com o Norte em OIs, como a OMC, ou seja, apenas reforçam o regime comercial já aplicado. Terceiro, os espaços que os órgãos multilaterais internacionais abriram para a consulta da sociedade civil envolvem também ONGs “fantasmas/fantoches”, criadas apenas para defender os interesses corporativistas nessas arenas de opinião pública.
Quanto a SCG de Hardt e Negri, concordamos com Harvey (2001) de que o conceito de Multidão para se referir aos subalternos na economia mundial ajuda pouco na compreensão das formas de exploração exercidas sobre eles, bem como na sua capacidade de atuação. O que temos na multidão são corpos dispersos em todo o globo, e ao mesmo tempo unidos por causa do Império, os quais através de ações espontâneas de resistência seriam capazes de dar corpo a uma democracia plena. Sem estratégias, sem organização. Na desconstrução do espaço geográfico, “as relações de produção capitalista são então obscurecidas pela reificação dos jargões dos autores de desejo, corpos mecânicos, diáspora e
hibridismo” (SANBONMATSU, 2001, p. 119).