Testing av FEMP
4.4 Sammenligning med simuleringer og malinger av N
4.4.4 Frekvensspektre for PZT5A
Outro elemento importante da contemporaneidade na análise da possível forma de organização da esquerda é a sua relação com as novas tecnologias de comunicação, as quais contribuíram para a proliferação das redes. Contudo, como veremos, em vez de expandir o conhecimento sobre as possibilidades de organização que desafiem a lógica de dominação hegemônica, os estudos sobre estas ferramentas tendem a naturalizá-las como fenômeno da globalização, o que acarreta a sua distorção dentro da conjuntura histórica, ou a total exclusão de suas capacidades aliadas a organizações emancipatórias. As redes não possuem uma definição muito objetiva, mas podem ser classificadas como um conjunto de indivíduos que compartilham determinados interesses e informações, e agem em coletivo para alcançar os seus objetivos (HALL & TAYLOR, 2003).
Esta definição imprecisa denota justamente o baixo grau de institucionalização existente dentro das redes, o que pode ser sua principal característica, uma vez que isto irá evidenciar as limitações e benefícios proporcionados pelas redes. A emergência de estudos sobre este objeto a partir dos 90 está diretamente ligada com a expansão da internet para além dos domínios tecnológicos dos Estados39 (CASTELLS, 1999). A “popularização”40 desta ferramenta tecnológica possibilitou a criação de um novo espaço virtual de relacionamento social capaz de relativizar o tempo e o espaço. As barreiras geográficas das fronteiras foram reduzidas pela interconectividade promovidas por elas (DIJK, 2006). Contudo, como estudar o processo de formação das redes? As redes participam da esfera internacional de qual modo? Quais os objetivos almejados por elas? Semelhante ao institucionalismo, essas perguntas motivaram diversos pesquisadores de maneiras bastante distintas.
A teoria da (i) governabilidade aponta, assim como o neoinstitucionalismo, a
39 Castells (1999) em suas investigações acerca das redes nos mostra como o desenvolvimento em P&D fortemente financiado pelo aparato estatal, principalmente dos EUA, antes mesmo da crise da década de 70 foi difundido posteriormente no modelo de produção em redes globalmente.
40 Apesar da expansão de usuários da internet, é importante ressaltar também a divisão digital gerada por ela, em que muitos indivíduos não possuem acesso ao ciberespaço (TILLY, 2003).
escolha racional como a matriz das redes, de modo que os indivíduos e grupos buscam se organizar em redes para aumentar as suas capacidades em momentos de barganha e melhorar o seu desempenho (OSLOM, 2009; SORENSEN & TARFING, 2007). As redes surgem então como uma resposta à complexidade social, na qual as instituições do Estado e do mercado já não são capazes de fornecer os resultados esperados pelos atores. Deste modo, a governança das redes existe por meio da coordenação horizontal dos conflitos existentes na sociedade, numa reprodução frequentes de modelos de jogos que aperfeiçoam os atores a lidarem com suas escolhas, maximizando os benefícios das redes (SORENSEN & TARFING, 2007).
A abordagem da (ii) interdependência na governança das redes se aproxima da visão do institucionalismo-sociológico acerca da origem e processos de organização. Assim, as redes surgem por causa das lutas entre os indivíduos e os seus recursos, antes de ser uma escolha racional, as redes são formadas para solucionar as disputas políticas e sociais dos indivíduos de um modo interoganizacional, uma vez que os atores possuem uma dependência mútua, ainda que conflitiva. As redes são formadas pelos atores sociais, mas o aparato institucional do Estado as absorvem para legitimar e facilitar os processos decisórios. Para se entender o processo de formação, é necessário expor as contradições inerentes ao relacionamento dos atores, pois assim se tornam mais evidentes os objetivos estabelecidos na organização em rede. (SORENSEN & TARFING, 2007; DELLA PORTA, 2005).
Outra perspectiva é a da (iii) Teoria Ator-Rede (TAR), que contém a obra de Bruno Latour (2005) como sua principal referência. A partir desta perspectiva a revolução científica possibilitou as Ciências Sociais de mapear as associações dos indivíduos sem recair no mesmo dilema clássico de agente/estrutura. Retomando o trabalho de Gabriel Tarde, o autor propõe que rede é o resultado das múltiplas associações realizadas em nosso cotidiano que possibilitam alguma ação, e ator deve ser abarcado no seu sentido mais amplo, posto que mais importante para o entendimento do que a ação em si é tudo aquilo que possibilita a ação acontecer (actantes41). O objetivo não deve ser propor/mudar a realidade, e sim simplesmente descrevê-la (LATOUR, 1999; 2005).
41 O autor toma o termo emprestado da teoria literária para se referir enquanto atores não apenas os seres humanos, mas todos os elementos presentes na natureza que possibilitam determinada ação (LATOUR, 1999).
Por fim, os (iv) gramscianos têm progredido na investigação sociológica da articulação de classes para além das fronteiras do Estado nacional, como evidenciado no primeiro tópico deste capítulo. Instituições como a Comissão Trilateral e o Forum Mundial do Comércio são, por exemplo, locais de importantes negociações que alimentam a construção da agenda desta classe (ROBINSON, 2005; VAN DER PIJL, 1997; 2004). Tem sido realizado por esta escola importantes esforços sociológicos no mapeamento das redes formadas pelos atores não-estatais dentro da EPG (ROBINSON, 1998). E em menor escala também estão os estudos a respeito dos movimentos sociais transnacionais, o que discutiremos no terceiro tópico deste capítulo.
Ao trazer para o debate a relação entre a tecnologia e a sociedade precisamos avaliar os impactos que estas ferramentas exercem sobre a sociedade com o objetivo, principalmente, de captar as formas como estas se estabelecem nas relações de poder existentes nas relações sociais. As redes que nos aparecem como relações nodais interpessoais possuem grande potencial no exercício de desconstrução do ator unitário do Estado, mas não podemos naturalizá-las dentro das relações sociais, evitando as tendências de restauração. Retomemos Tilly (2003) quando este relata que a formação das redes e a organização da ação coletiva por meio das novas tecnologias só são possíveis por meio da apropriação destas pelos indivíduos.
Ter isto em mente nos ajuda a evitar certas leis evolucionistas que atribuem ao desenvolvimento tecnológico os avanços encontrados na sociedade, e inclusive a agência dos sujeitos, de modo quase autônomo aos movimentos da história. Seguindo adiante, Cox nos relembra da proximidade entre o desenvolvimento tecnológico e a razão instrumental, já que a “tecnologia consiste, além de tudo, em métodos práticos selecionados com o propósito de solucionar problemas de produção. (...) Problemas para quem? Solução em direção a qual propósito? ” (COX, 1987, p. 315). Desse modo, ao invés de colocarmos os novos meios de comunicação enquanto emancipatórias per si, precisamos de contextualizá-los e entender quais finalidades estão sendo dadas a eles. Cox continua:
As crenças básicas e relacionadas às mudança tecnológica do século XIX ao longo do século XX tem sido (1) ganhar melhor controle para o gerenciamento sobre a execução do trabalho através da disciplina trabalhista, e a consequencial habilidade para minimizar custos trabalhistas e aumentar a intensidade do trabalho; (2) substituir trabalho por capital quando o custo trabalhista aumenta; e (3) separar as tarefas da concepção e direção da produção das tarefas de execução de tal maneira que fortaleça o controle gerenciador e enfraqueça a autonomia do trabalhador no
processo do trabalho (...) isto tem possibilitado o poder a continuar o processo de acumulação em termos mais favoráveis (COX, 1987, p. 316, tradução nossa).
Apesar de não ter sido originada como resultado da crise capitalista da década de 70 (CASTELLS, 1999), a inserção das novas tecnologias ocorreu diretamente relacionada com a resolução das dificuldades de reprodução capitalista e o direcionamento para a sua descentralização (COX, 1987; HARVEY, 1992). Além disso, no entendimento das forças sociais que se reproduzem na civilização de mercado, estas mesmas tecnologias que providenciam todo o mundo espetacular de opções rizomáticas do universo cibernético, também podem nos direcionar para a cristalização do panoptismo (AGAMBEN, 2009). Ao passo que percebemos a relativa democratização da informação oferecida pela web como ameaça aos oligopólios midiáticos tradicionais, o que vemos acontecer no cenário da crise orgânica é um elevado embrutecimento das forças conservadoras a este processo de democratização. Isto se reflete na institucionalização do controle sobre o uso dos fluxos da rede, bem como na instrumentalização a favor da codificação/supressão do poder em relação aos movimentos populares que se organizam em rede (GOHDES, 2014).
Podemos dizer que os estudos de rede têm progredido das seguintes formas: (i) no entendimento racional do comportamento dos indivíduos no intuito de calcular as possíveis inter-relações; (i) na compreensão dos elementos subjetivos compartilhados transnacionalmente; (ii) na análise do surgimento de coalizões transnacionais de atores sociais para a mobilização de recursos em momentos, mas não somente, de conflitos; (ii) no estudo da articulação da CCT na formação do bloco histórico transnacional; (iv) no mapeamento das associações entre os diversos atores (humanos ou não) que compõem determinada realidade social; e o (v) domínio do poder através dos novos dispositivos de controle. Percebemos então que o campo para o estudo/formação de um novo projeto político que transcenda os interesses de curto-prazo e locais na construção de um senso comum hegemônico crítico se encontra insuficiente, quase inexistente, inclusive na abordagem gramsciana. A negligência intelectual emancipatória sobre o tema está diretamente ligada com a manutenção desta realidade.