3. AVISMARKEDET – ET TOSIDIG MARKED
3.1 T EORI FOR TOSIDIGE MARKEDER
do mesmo. Reestruturamos o conteúdo, pois observamos que a grande quantidade de informações poderia ser um fator negativo para a comunicação do convite. Consideramos que as pessoas poderiam não sentir o desejo de lê-lo completamente. A modificação coletiva ocorreu depois de muita insistência. Cada integrante deu uma sugestão e elaboramos um cartaz que chamava a atenção para a problemática dos resíduos no campus, informava a existência do GERe e convidava o aluno a participar. Esse tipo de convite havia sido considerado como problemático, justamente por ser o meio de divulgação mais utilizado no campus. Porém, optamos por esse meio para direcionar o nosso convite, já que outras tentativas, como a divulgação em todas as classes e o pedido de ajuda aos professores, haviam falhado. O convite pelo cartaz representou, para nós, a última tentativa de organizar uma atividade para convidar outros alunos e também significou a possibilidade de realizarmos a pesquisa-ação com a formação existente, composto por alunos do curso de Ciências Biológicas, do Jornalismo e da Pós-Graduação. Porém, tínhamos a liberdade de convidar outros alunos, se houvesse neles o interesse pelo nosso trabalho, para participar do GERe.
O mês de maio também foi marcado pelo início do período de greve, a qual se estendeu até agosto de 2004. Até o fim desse período o grupo não se reuniu. Concordamos que, devido ao fato de muitos integrantes não morarem em Bauru, enquanto durasse a greve eles ficariam nas suas cidades de origem. Temendo que o grupo se desestruturasse, estabeleci uma comunicação via Internet com os integrantes (anexo 3). Compartilhei idéias para o trabalho e enviei um texto sobre a questão dos resíduos. Embora os alunos não tenham retornado nenhuma das minhas mensagens, acreditei que essa atitude foi essencial para que o grupo não se desintegrasse. Quando as aulas retornaram, os alunos compareceram ao nosso encontro semanal e se prontificaram a dar continuidade à pesquisa-ação.
A volta às aulas foi marcada pelo ingresso de mais um aluno do curso de Jornalismo, Rafael, convidado por mim para participar de uma reunião. Ele se interessou justificando que, por ser seu primeiro
ano na UNESP, queria conhecer as diversas atividades que ocorrem na universidade. Ao final da greve, novamente, resolvi convidar outros alunos a participarem do grupo. Dessa vez, visitei apenas os alunos do curso de Ciências Biológicas, devido à facilidade de acesso com relação aos professores. Fiz uma rápida explanação sobre o grupo e o trabalho, o suficiente para que mais uma aluna, Fabiana, se interessasse pela nossa atividade e se integrasse ao GERe.
O grupo foi composto, em sua maioria, por alunos do curso de Ciências Biológicas (Ana, César, Fabiana, Isabella, Talísia, Thais e Ulisses) e dois do curso de Jornalismo (Rafael e Reinaldo). Participaram efetivamente de todas as atividades propostas, entre elas a pesquisa e as ações, cinco alunos, quatro do curso de Ciências Biológicas e um do curso de Jornalismo. A dinâmica que se estabeleceu nos encontros seguiu sempre a disponibilidade dos integrantes. Dessa forma, alguns alunos participaram com freqüência, outros, esporadicamente; alguns justificavam as suas ausências, outros, já não compareceram mais às reuniões, se prontificaram em ajudar o GERe quando fossem chamados; alguns alunos do curso de Jornalismo (além de Rafael e Reinaldo) se envolveram em função de desenvolverem uma atividade, assumindo papéis de colaboradores.
O grupo foi dependente da minha coordenação, que não significou a não participação dos membros nas tomadas de decisão. Foi estabelecido que, enquanto coordenadora, colocaria os assuntos em pauta para discutirmos na coletividade, as ações e a metodologia de pesquisa seguiram essa dinâmica. Porém, a estrutura metodológica foi discutida em grupo, mas não foi elaborada coletivamente. O meu papel ficou estabelecido como de organizadora e coordenadora de todos os passos da pesquisa e das ações; o deles, em grande parte, foi o de executores. Alguns integrantes foram mais participativos, outros, mais tímidos. Durante a pesquisa, percebi que a participação foi crescendo gradativamente, os alunos passaram a sugerir mais ações, a colocar mais abertamente as suas reflexões, os seus descontentamentos e suas opiniões a respeito do trabalho do GERe. As maneiras como os alunos participaram sofreram modificações gradativas, que partiram de uma participação espontânea – sem propósitos bem definidos, estes, em grande parte, resultantes da necessidade de receber reconhecimento, no caso, dos pares e da instituição – a uma participação efetivamente voluntária – onde a necessidade de participação é criada a partir do envolvimento em um grupo com objetivos estabelecidos coletivamente para uma finalidade – (BORDENAVE, 1983). Essas mudanças foram percebidas a partir do grau de envolvimento dos alunos no grupo. Ao longo do processo, onde foram modificados o grau de controle dos membros sobre as decisões – de receptores de informações à elaboradores de propostas – e de importância das decisões tomadas– desde avaliação das propostas até opinião concreta da dinâmica do grupo - os alunos foram conquistando
espaços e eu, diminuindo minha posição de coordenação e detentora de todo o conhecimento (ibidem, 1983).
No final de 2004, os alunos que estavam participando desde o início e mais freqüentemente se preocuparam com a continuidade do grupo, já que justamente os que mais freqüentavam, se formaram no fim do semestre. Como havíamos combinado, ao final do segundo semestre de 2004 o GERe finalizaria as suas atividades em função do calendário da graduação e do término do tempo do meu mestrado. Infelizmente, justamente nesse período do término, o grupo estava mais participativo, começando a se entender como grupo e não apenas como uma reunião de pessoas (LANE, 1984). Esse entendimento é extremamente significativo para a consolidação de um grupo de estudo e trabalho. Porém, com a formatura de parte dos integrantes, o final do semestre e a finalização de minha pesquisa do mestrado, o GERe não se reuniu mais. Embora tenha mantido contato com os integrantes, não consegui mais reuni-los. Ficou evidente que o grupo não se consolidou, e havia se mantido coeso até o final do ano por terem firmado o compromisso com a pesquisa referente ao meu mestrado. Não conseguimos a tempo, organizar uma atividade para convidar novos alunos a participarem do GERe. Infelizmente o que temia se concretizou, com a finalização do mestrado, as atividades do grupo terminaram, o que é ruim, já que tínhamos um grande potencial para consolidarmos mais parcerias neste campus universitário tão rico em formações e idéias.