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2. AVISMARKEDET I NORGE

2.2 R ELEVANT MARKED

Para que o objetivo de uma coleta seletiva se concretize, ou seja, para que ocorra a destinação de resíduos para a reciclagem, se faz necessária a implantação de infra-estrutura adequada (coletores, acondicionamento e encaminhamento dos resíduos) e a participação da comunidade no descarte seletivo, no caso da UNESP, a participação dos alunos, dos professores e dos funcionários. Para tanto, é preciso que haja o envolvimento de setores da instituição responsáveis em: implementar ações educativas que visem a reestruturação das relações da comunidade com este problema ambiental de forma que as pessoas percebam seus papéis de consumidores e geradores de resíduos e conseqüentemente se vejam como responsáveis, juntamente com outros setores da sociedade, pela solução da problemática; organizar a coleta seletiva, fornecendo cestos para descarte, devidamente sinalizados; informar como o programa funciona, ou seja, quais resíduos serão coletados; coletar os resíduos descartados seletivamente, encaminhando-os para um local onde poderá ser condicionado, triado e comercializado.

Dessa forma, o Programa de Coleta Seletiva da UNESP-Bauru foi divulgado aos discentes graças ao envolvimento de um grupo de alunos do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, após terem sido

adquiridos os cestos coletores e construída uma área para o acondicionamento dos resíduos coletados no interior do campus. A partir da convocação do Coordenador do programa, por meio de cartazes, os alunos Ana, César, Giseli, Matheus, Talísia, Thais e Ulisses se apresentaram como voluntários para divulgar, em todas as salas de aula, de todos os cursos, o programa e as maneiras como os alunos deveriam descartar os resíduos corretamente. Além da divulgação, esses alunos se comprometeram em fixar os adesivos informativos nos cestos da coleta seletiva e em distribuí-los pelo campus. Foram distribuídos, ao todo, oitenta pares, sendo um para os resíduos recicláveis secos – onde devem ser depositados os plásticos, papéis, vidros e metais – e outro para destinação dos resíduos úmidos – os orgânicos –.

Durante o período no qual este grupo estava envolvido na divulgação da coleta seletiva, as alunas Ana e Talísia, ao necessitarem apresentar um trabalho para disciplina de Ecologia sobre problemas ambientais e suas possíveis soluções, desenvolveram um estudo sobre a coleta seletiva no campus. O trabalho consistia em uma breve apresentação da problemática dos resíduos em Bauru e do programa de coleta seletiva da UNESP-Bauru, mediante uma análise qualitativa dos resíduos descartados e dos resultados colhidos por meio de um questionário aplicado aos alunos.

Este trabalho gerou os seguintes conhecimentos, de acordo com suas executoras:

Não há diferença na qualidade dos resíduos descartados em ambos os cestos (resíduos úmido e reciclável seco);

Poucos alunos receberam informações sobre o programa antes de sua implantação; a maioria conhece o programa devido apenas à presença dos cestos que foram distribuídos;

Todos se mostraram interessados em participar, porém apontaram para a falta de informações elucidativas.

As alunas finalizaram o trabalho discutindo que, com base no conhecimento gerado por elas, percebeu-se que a ineficiência do projeto se devia à falta de informação e que

(...) “baseado em outros projetos semelhantes, sabe-se que para a implantação de um projeto de coleta seletiva é necessário muito trabalho e tempo para que todos sejam sensibilizados, as dúvidas sanadas e um resultado realmente positivo seja obtido.” (MORETO et al, 2003)

Este relato mostrou a preocupação dessas alunas em conhecer o problema ambiental. A partir de então, partiram para uma resolução quando surgiu a oportunidade de participarem do Programa de Coleta Seletiva. Considerando que é imprescindível para a pesquisa-ação a formação de um grupo que tenha objetivos comuns, diante do envolvimento voluntário desses alunos – das que realizaram o trabalho e dos

outros integrantes – na implantação e divulgação da coleta seletiva e do trabalho de pesquisa realizado por algumas integrantes do grupo voluntário na disciplina de Ecologia, esses alunos foram convidados a participar da pesquisa aqui apresentada.

O convite foi feito aos alunos em dezembro de 2003. Nesse encontro, apresentamos a eles a pesquisa, que deveria ser realizada no ano seguinte, já que este encontro ocorreu no final do semestre. Foi uma conversa informal, na qual esclarecemos que a pesquisa consistia em envolvê-los em um trabalho investigativo sobre os resíduos gerados na UNESP-Bauru e, também, que desenvolveríamos ações sobre a mesma temática no campus. Dissemos que seriam convidados alunos de diferentes cursos, da FAAC e FEB para que fossem envolvidos na investigação e na elaboração das ações, e que essa reunião poderia gerar ações bastante diversificadas. Sendo assim, já que tínhamos o objetivo de convidar outros alunos para compor o grupo, esse já estava parcialmente formado.

Ao retornamos às aulas, em março de 2004, agendamos uma nova reunião com o grupo para explicarmos como a pesquisa deveria acontecer, para apresentarmos a pesquisa-ação e sobre qual seria a participação desses alunos na investigação. Firmamos um acordo de nos reunirmos, durante uma hora, uma vez por semana, às 13 horas, para que o período de aula não fosse comprometido.

Paralelamente à primeira reunião, entramos em contato com três professores por meio de cartas, dois da FEB e um da FAAC, solicitando a licença nas disciplinas por eles ministrados, para que fizéssemos uma apresentação do trabalho do então grupo embrião e convidássemos os alunos dessas faculdades para participarem e, assim, aumentar e diversificar o grupo (anexo 1). A escolha desses professores não foi aleatória, convidamos aqueles que já realizam pesquisas relacionadas à questão dos resíduos ou à educação na esperança de poder tê-los, também, como parceiros durante a elaboração e execução da pesquisa-ação. A definição dos professores e a maneira como decidimos convidar outros alunos foram estabelecidas antes mesmo de fazermos o convite ao grupo do curso de Ciências Biológicas. Já que tínhamos um grupo parcialmente formado, que estava envolvido em uma ação relacionada a uma problemática ambiental acreditamos que fazendo uma exposição da problemática e do trabalho já desenvolvido no campus seria a melhor forma de convidar outros discentes. Porém, isso não pôde ser concretizado, já que nenhum dos professores com os quais entramos em contato confirmou, sequer, o recebimento das cartas.

Assim sendo, nas primeiras reuniões, além da discussão sobre a coleta seletiva, também houve a preocupação em como agregar alunos das outras faculdades para compor o grupo. Durante esse período, um dos problemas levantados foi sobre como faríamos a divulgação da coleta seletiva – que será detalhada adiante. Estabelecemos que um dos objetivos dessa divulgação era apresentar o grupo e

convidar os alunos que estivessem interessados a participar da pesquisa. Então, durante a divulgação convidamos os discentes de cada disciplina visitada a participar do grupo, porém essa ação não proporcionou a adesão de novos integrantes. Outra tentativa de convidar mais alunos se deu durante a aula magna da calourada da FC. Nessa, o grupo foi apresentado e mais duas alunas passaram a compô- lo: Isabella, do curso de Ciências Biológicas e Cristiane, do curso de Química.

Em função da não periodicidade pela qual os alunos que já faziam parte do grupo participavam das reuniões e da chegada das novas alunas da FC, durante os primeiros encontros vimos a necessidade de explicar qual a proposta da pesquisa. Essa dinâmica nos preocupou devido ao visível desinteresse de alguns alunos, que vieram a abandonar o grupo, pois a expectativa dos mesmos era grande em função da realização de ações e, também, porque ficaram confusos em relação aos objetivos da formação daquele grupo. O plano inicial, de envolver alunos das outras faculdades na pesquisa, nos impediu de estabelecer, logo nos primeiros encontros, os objetivos da pesquisa-ação, já que prevíamos a participação de alunos das outras faculdades também na elaboração do plano da investigação e das conseqüentes ações.

No decorrer dos primeiros encontros, os temas “formação e nome do grupo” foram colocados em pauta para discussão. Por uma confusão minha criada em um encontro para a qual preparei um texto contando a história do Programa de Coleta Seletiva e o envolvimento de seu coordenador no GeRe (Gestão de Resíduos), visto que defini GeRe no texto como sendo Grupo de Estudos sobre Resíduos, sugerindo que esse fosse o nome do grupo. Quando percebi que havia me confundido, expliquei aos alunos que não podíamos ser um Grupo de Gestão de Resíduos, pois não competia a nós, alunos, realizar esse trabalho e que o objetivo do grupo era pesquisar e elaborar ações. Contudo, a sugestão de ser reconhecido como um Grupo de Estudos sobre Resíduos agradou os alunos e, a partir de então, passamos a ser o GERe.

Nesse período inicial da pesquisa, que compreende a formação do grupo, alguns alunos deixaram de comparecer aos encontros, alguns se justificaram, outros simplesmente se desinteressaram. O fato de o grupo ter sido formado para desenvolver uma ação para o Programa de Coleta Seletiva criou nos alunos a expectativa de desenvolvermos mais atividades e imediatamente. A proposta da reunião desses alunos era para estudarmos, conhecermos e entendermos os resíduos da UNESP-Bauru e, a partir disso, elaborarmos ações que, a princípio, não se restringissem à coleta seletiva. Isso não foi o interesse inicial que motivou os alunos a participarem do grupo. Esse objetivo não foi bem esclarecido aos integrantes do GERe e não foi construído coletivamente. Sendo assim, consideramos essas como causas para a desistência de alguns alunos. O relato feito por Talísia, que explicitou o não entendimento dos objetivos da formação do grupo e que esperava que eu – a pesquisadora coordenadora – elaborasse os planos de

pesquisa e de ação para que o grupo participasse apenas como executor, é que nos fez considerar esses como fatores de desmotivação e abandono.

Outros integrantes que se agregaram ao grupo haviam se interessado pelo Programa de Coleta Seletiva e procuraram pelo seu Coordenador no Departamento de Ciências Biológicas com o intuito de participar. Foi em uma dessas iniciativas que Reinaldo, aluno do curso de Jornalismo, que se interessou pelo programa, entrou em contato com o Coordenador para fazer uma entrevista e foi convidado a participar do grupo.

Exatamente no mês de maio de 2004 o GERe planejou um encontro. Por meio de cartazes, convidamos todos os alunos da UNESP a participarem do grupo. Elaborei previamente um cartaz (anexo