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5.1
 D ATAGRUNNLAG

5.1.2
 Validitet
og
Reliabilitet

Segundo Herndon (2012, p. 4), embora a Psicologia Individual não tenha sido especificamente concebida para estudos de carreira, Alfred Adler tratou a importância do desenvolvimento de carreira como parte integrante da expressão do estilo de vida dos indivíduos e abordou o trabalho como uma das principais tarefas de vida. Dos pressupostos gerais da teoria, é possível extrair importantes conceitos com implicações para as carreiras. Dentre esses conceitos, Watkins (1993, p. 356) ressalta o estilo de vida, as recordações mais antigas, a ordem de nascimento, o interesse social e o trabalho como tarefa de vida. Del Corso

et al (2011, p. 90-93) acrescentam também os conceitos de finalismo ficcional e de luta pela

Poder criativo do Self (2.2.6) Sentimentos de inferioridade (2.2.3) Estado de superioridade, perfeição, totalidade Finalismo ficcional (2.2.5) Estilo de vida (2.2.7) Interesse social (2.2.10) Social Luta pela superioridade (2.2.4) Tarefas da vida (2.2.11) Recordações mais antigas (2.2.9) Ordem de nascimento (2.2.8)

superioridade. Os próximos parágrafos tratarão de elucidar o modo como esses conceitos são abordados em sua relação com as carreiras.

Para Adler, a fim de adaptarem-se e cooperarem com a comunidade humana, os indivíduos devem cumprir três tarefas principais de vida, dentre elas a tarefa de trabalho. De acordo com Watkins (1993, p. 360), a carreira de um indivíduo pode ser avaliada a partir do modo como ele aborda a tarefa de trabalho, sua prontidão e sua preparação para essa tarefa. A forma pessoal de abordar o trabalho influencia o tipo de trabalho que o indivíduo aspira, o ambiente de trabalho que ele procura e a forma como ele se relaciona com os demais neste ambiente (WATKINS, 1984, p. 33-34). Para Taber e Briddick (2011, p. 107), a tarefa de trabalho propicia um ambiente onde o indivíduo pode expressar talentos e interesses, cultivar sentimentos de competência e estima, aproveitar oportunidades de cooperação com os outros e assegurar meios de ganhos econômicos.

Del Corso et al (2011, p. 90) sugerem ainda que, na realização da tarefa de trabalho, a interdependência dos indivíduos torna-se evidente. Assim, a tarefa de trabalho envolve o modo como a comunidade se assiste mutuamente e se adapta a um sistema de divisão do trabalho. Consequentemente, para abordar a tarefa de trabalho tal como teorizada por Adler, os indivíduos devem ser capazes de contribuir com trabalhos que sejam, ao mesmo tempo, socialmente valiosos para a comunidade e significativos para si (DEL CORSO et al, 2011, p. 90).

A teoria Adleriana defende que o atendimento às tarefas da vida está sujeito ao nível de interesse social e à capacidade de cooperação dos indivíduos. Para muitas pessoas, o trabalho é o meio primordial através do qual se contribui com a sociedade e com a longevidade da espécie humana (WATKINS, 1984, p. 34). É, assim, uma das principais decorrências do interesse social. Por conseguinte, também a carreira reflete o interesse social dos indivíduos. Watkins (1993, p. 360) propõe que tanto a produtividade quanto a qualidade do trabalho realizado são afetadas pelo nível de interesse social dos indivíduos, hipótese que sugere a relevância do interesse social para as carreiras. O autor menciona, além disso, que a satisfação com a carreira pode igualmente sofrer a influência do grau de interesse social, como evidenciou o estudo de Amerikaner et al (1988).

Estendendo essa visão de que a carreira reflete o interesse social, Del Corso et al (2011, p. 90) afirmam que, quando o indivíduo percebe o valor de seu trabalho para o mundo ao redor, ele adquire senso de significância. Para os autores, este é um importante pressuposto da Psicologia Individual: o de que interesse social e significância estão inextricavelmente relacionados. Além disso, na perspectiva Adleriana, as decisões de carreira dos indivíduos são entendidas como respostas compensatórias para sentimentos de inferioridade na busca pela superioridade ou significância (Ibid., p. 92-93). A partir dessa constatação, é simples inferir que a carreira ou a história de trabalho organiza-se em torno de interesses, necessidades e valores individuais que são orientados por um finalismo ficcional – a situação desejada de completude e sucesso (Ibid., p. 94).

E se a história de trabalho é orientada por um finalismo ficcional, ela é também, em última instância, representativa de um estilo de vida. De acordo com Holland (1966, p. 79), “a história de trabalho [...] pode ser considerada como representativa de um padrão particular de vida: o que Adler denominou estilo de vida”21. Para Magalhães (2006, p. 14), o estilo de vida “é adquirido no ambiente da primeira infância e, a seguir, tende a se generalizar para as demais esferas da convivência em sociedade, incluindo o ambiente de trabalho”.

Em razão disto, a compreensão do estilo de vida de um indivíduo tem inúmeras implicações na identificação do que é relevante e significativo para o cumprimento de sua tarefa de trabalho (TABER; BRIDDICK, 2011, p. 109), além de seus objetivos de vida, suas atitudes em relação a si, aos outros e ao mundo, seus valores, preferências, motivações, convicções, princípios éticos e morais na condução da própria carreira (WATKINS, 1993, p. 357). Para Scarf (1992, p. 237), escolhas adequadas de carreira são consistentes com o estilo de vida individual.

O estilo de vida e os constructos a ele relacionados – ordem de nascimento e recordações mais antigas – emergem como os elementos da Psicologia Individual mais largamente pesquisados em termos de escolhas vocacionais e de carreira (WATKINS, 1984, p. 29). Antes de explorar com mais detalhes algumas das pesquisas relacionadas a esses temas, é interessante sintetizar o que foi exposto até este ponto. Para isso, retoma-se e adapta-se a visão geral da Psicologia

21“[…] work history […] may be regarded as representing a particular pattern of living: what Adler has termed

Individual previamente apresentada na Ilustração 3, evidenciando a relação entre seus elementos e o estudo das carreiras (Ilustração 4).

Ilustração 4 – A Psicologia Individual aplicada ao estudo das carreiras

FONTE: Elaborado pela autora.