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Systemfeil i styringen

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4 Analyser og påvirkningskraft

4.3 Systemfeil i styringen

No plano ontológico do ser social, a gênese da consciência e de seus conteúdos estão na atividade do indivíduo, como já apontamos no início deste capítulo. Mas, o que denominamos de atividade? Como esta pode constituir-se e ser ontologicamente fundante do ser social?

Antes de começar a responder tais questões, vale ressaltar que, nesta pesquisa, foi utilizado os trabalhos desenvolvidos pelos principais psicólogos russos e precursores da psicologia sócio-histórica (Luria, Leontiev, Vigotski e seus colaboradores e continuadores) juntamente com os pressupostos teórico-metodológicos desenvolvidos por Marx e Engels que orientaram seus estudos10.

Ao longo do desenvolvimento histórico, duas dimensões diferentes constituíram o homem: a filogênese e a ontogênese.

A filogênese se refere aos aspectos biológicos comuns a uma espécie de seres vivos, que são transmitidos de geração para geração pela hereditariedade; isto é, aspectos que diferenciam o homem (e outros seres vivos) de qualquer outro. Esses aspectos determinam o modo de vida do ser vivo, portanto, determina também o modo de ser deste.

10 Sobre a forma como os estudos dos principais representantes da psicologia sócio-histórica foram utilizados no Brasil, tendo em vista os fundamentos marxianos, ver os trabalhos de:

DUARTE, N. Vigotski e o “aprender a aprender”: crítica às apropriações neoliberais e pós-modernas da teoria vigotskiana. Campinas: Autores Associados, 2000.

SILVA, F. G. Os conceitos de Vigotski no Brasil: uma análise da produção divulgada nos Cadernos de Pesquisa. São Paulo: PUC, 2003 (dissertação de mestrado).

No caso dos homens, se considerar seu ancestral mais primitivo, sua estrutura física permitia que ele se locomovesse com o apoio de quatro membros, fazendo com que este fosse mais lento nas fugas de seus predadores, se alimentasse apenas de alimentos que estavam ao seu alcance ou, mesmo que subisse em árvores para colher os frutos mais altos, uma quantidade grande de energia era utilizada, se comparada com o gasto de energia de animais bípedes. Não se sabe ao certo o que levou ao bipedalismo dos nossos ancestrais, mas algumas hipóteses, de acordo com Leonard (2003) são: economia no gasto de energia, melhor regulação da temperatura do corpo e liberação das mãos (para carregar os filhotes, objetos ou pegar alimentos que estavam fora do alcance). O fato é que quando eram quadrúpedes, nossos ancestrais tinham seu modo de vida determinado por essa estrutura física e quando passaram a ser bípedes, o modo de vida também modificou.

Assim, pelo modo como os animais viviam, bem como os ancestrais do homem, estavam limitados por suas condições biológicas, logo, a satisfação de suas necessidades estava presa a essas limitações e ao que a natureza lhes oferecia de modo imediato. Nesse caso, a existência de uma dimensão social estava subordinada às leis biológicas de cada espécie, a sua dimensão filogenética (e continua para todo o reino animal, exceto para o homem).

No entanto, em algum momento da história do desenvolvimento humano, nosso ancestral começou a romper com os limites de sua própria natureza, quando, por exemplo, passou a ser um animal bípede (processo que levou milhares de anos para se concretizar), permitindo, por exemplo, as mãos ter funções variadas, inclusive durante a locomoção, como pegar alimentos das árvores, construir “moradias”, etc.

Mas, ao longo da história, as funções mais simples que esse ancestral executava foram tornando-se mais complexas, em especial quando passou a produzir os meios de

satisfação de suas necessidades. Por exemplo, com a descoberta do fogo, pode cozinhar os alimentos, tanto vegetais como carnes, modificando seus hábitos alimentares e a própria necessidade primária de comer: o homem não tem mais fome de qualquer coisa, mas de alimentos cozidos. E essa modificação dos hábitos alimentares permitiu melhor mastigação e digestão dos alimentos (dependendo do alimento digerido, maior liberação de calorias), possibilitando maior freqüência na atividade de caça, já que esta é uma atividade com grande dispêndio de energia, a diminuição da arcada dentária e o aumento das dimensões cerebrais. Vale ressaltar que

...uma melhor qualidade dietética, por si só, não explica por que o cérebro dos hominídeos cresceu, mas parece ter desempenhado um papel crítico na eclosão daquela mudança. Após um grande estímulo inicial no crescimento do cérebro, a dieta e a expansão desse órgão provavelmente interagiram em sinergia; cérebros maiores produziram comportamento social mais complexo, o que conduziu a outras estratégias em táticas de suprimento e a uma melhor alimentação que, por sua vez, fomentou a evolução adicional do cérebro (Leonard, 2003, p. 86).

Assim, as dimensões filogenéticas da espécie humana passam a ser modificadas pelas descobertas e criações do homem, durante toda sua evolução histórica. Quando o homem passa a produzir os meios para essa satisfação, por meio das descobertas e de criações voltadas para a satisfação de suas necessidades (que agora não estão subordinadas apenas ao que a natureza lhe oferece) é que a dimensão ontológica humana começa a se desenvolver e a interferir na dimensão filogenética. Isto só foi possível graças a um tipo de atividade: o trabalho. Como Marx define:

O primeiro ato histórico é, portanto, a produção dos meios para a satisfação destas necessidades, a produção da própria vida material, e a verdade é que este é um ato histórico, uma condição fundamental de toda a História, que ainda hoje, tal como há milhares de anos, tem de ser realizado dia a dia, hora a hora, para ao menos manter os homens vivos. (Marx e Engels, 1984, 184511, p. 30-31).

É precisamente essa possibilidade dos homens romperem com os limites de sua natureza e produzir os meios para satisfazer suas necessidades, das vitais às criadas ao longo desse processo, que os diferenciam dos animais.

Os animais também fazem da sua atividade um meio para satisfação de suas necessidades, no entanto, essa atividade coincide diretamente com elas, e os limites dessa atividade são determinados pela base biológica do animal. Como o motivo da atividade animal coincide com o objeto de sua ação, este último sempre se apresenta relacionado, de modo dependente, à atividade. Essa satisfação de necessidades, para o animal, é sempre imediata.

No homem, a satisfação de necessidades fisiológicas ocorre de um outro modo. O homem produz os meios para satisfazê-las e, com a complexificação das relações e das sociedades humanas, não é, como no animal, de modo imediato. A “produção da própria vida material” do homem se dá por meio de uma mediação: a atividade.

Por atividade entende-se que

... é uma unidade molecular, não uma unidade aditiva da vida do sujeito corporal, material. É um sentido mais estrito, isto é, no nível psicológico, é uma unidade de vida mediatizada pelo reflexo psicológico, cuja função real consiste em orientar o sujeito no mundo objetivo. Em outras palavras, a atividade não é uma reação nem um conjunto de reações, mas um sistema que tem estrutura, suas transações e transformações internas, seu desenvolvimentoi (Leontiev, 1978b, p. 66-7)12.

A atividade humana só existe porque está ligada às relações sociais, portanto, está subordinada às condições de vida de cada indivíduo na sociedade. Se a atividade só existe graças às relações sociais, toda atividade é, inicialmente, prática, externa, e, posteriormente, interna ao indivíduo, isto é, psicológica. É por isso que, quando o homem modifica a realidade externa, também modifica sua dimensão interna; evidenciando assim a historicidade social e ontológica da humanidade. Como bem apontou Vigotski:

Podemos formular a lei genética geral do desenvolvimento cultural do seguinte modo: toda função no desenvolvimento cultural aparece duas vezes, em dois planos; primeiro no plano social e depois no psicológico, no princípio entre os homens como

11 A primeira data se refere a obra consultada e a segunda é o ano em que a obra foi publicada no original. Sempre que possível as duas datas serão colocadas, obedecendo a ordem acima.

12 Todas as traduções desse estudo são de responsabilidade da autora. As citações originais estão no anexo 1.

categoria interpsíquica e logo no interior da criança como categoria intrapsíquica. (Vigotski, 1995; 1931, p. 150)

Toda atividade, além de ser inicialmente externa, tem um objeto que pode tanto orientar a atividade do sujeito (atividade primária), como ser imagem mental do objeto (atividade secundária). O objeto como imagem mental foi constituído de elementos fundamentais do objeto, por meio de uma atividade primária; o que implica o conhecimento desta (atividade primária) para compreender e explicar aquela (atividade secundária). É importante destacar que

... o facto de a reflexão mental do mundo objectivo não ser directamente gerado pelas próprias influências externas, mas pelos processos através dos quais o sujeito chega ao contacto prático com o mundo objectivo e que portanto obedece necessariamente às suas propriedades, ligações e relações independentes. Isso significa que o agente aferente, que controla os processos de actividade, é primariamente o próprio objecto e só secundariamente a sua imagem como produto subjectivo da actividade, que registra, estabiliza e transporta em si mesma o conteúdo objectivo da actividade (Leontiev, 1980, p. 52-3, grifos do original).

A constituição da atividade secundária, isto é, da imagem psíquica, não é mera transposição do plano externo para o interno. Há uma interiorização, ou nas palavras de Vigotski, uma internalização da atividade externa que forma o plano interno, não de modo especular e mecânico, mas, a partir das experiências significadas e sentidas pelo indivíduo, que constituirão sua consciência. Esse processo não é linear, tampouco imediato; ao contrário, é mediatizado justamente pela própria atividade.

Aqui é importante destacar o que se entende por mediação, tendo em vista os diferentes significados que essa palavra tem até na psicologia. Por mediação entende-se que é uma categoria ontológica, isto é, um traço pertinente, constitutivo do ser social e dos produtos da ação deste. Ela também é, ao mesmo tempo, uma abstração (elaborada pelo pensamento que vai do abstrato para o concreto) que possibilita a apreensão do movimento do objeto. A mediação é, portanto, um construto intelectivo e um traço constitutivo da realidade concreta, uma categoria ontológica e histórica, que expressa as relações que o homem edificou com a natureza e as relações sociais daí existentes. A

mediação move a si mesma, é a reflexão de si em si mesma, ou seja, ela é si mesma em diferentes momentos do movimento do fenômeno, movimento esse feito por ela própria (Lukács, 1967, 1979 e Marx, 1978).

Com exceção de seu par dialético, a imediaticidade, tudo é constituído por mediações. E é dessa forma porque a realidade é uma construção humana, feita pelo próprio homem ao longo de seu desenvolvimento, tanto filo como ontogenético, por meio de sua relação com a natureza, mediada pelo trabalho, que determinou não só a forma como o homem se relaciona com a natureza, mas também com outros homens e com o produto de seu próprio trabalho. Essas relações determinadas transformaram e complexificaram a realidade, deixando-a cada vez mais multideterminada, ou seja, com mediações cada vez mais complexas; e essa realidade transformada modificou o mundo objetivo e subjetivo do homem, que alterou novamente a realidade, num constante movimento dialético.

A partir dessa compreensão de mediação, a atividade mediadora, na concepção de Vigotski (1995, 1931) pode ser de dois tipos: uma que implica no uso de ferramentas e outra no emprego de signos. A atividade mediadora por meio de ferramentas orienta a atividade externa do sujeito (a atividade primária) enquanto a atividade mediadora por meio de signos orienta a atividade interna (atividade secundária). O fato de a atividade interna ser secundária em relação à atividade externa não significa que ambas tem dinâmicas iguais no processo de desenvolvimento, tampouco importância hierárquica entre elas, pois, a própria gênese destas já são diferentes, logo, seu processo de desenvolvimento terá uma forma própria, apesar de interligadas.

Por meio da ferramenta o homem interfere no objeto de sua atividade, a ferramenta está dirigida para fora: deve provocar uma ou outra transformação no objeto. É um meio de atividade exterior do homem, orientado a modificar o meio que acaba interferindo psicologicamente na sua própria conduta, bem como os demais; é um meio para sua atividade interior, voltada para dominar o próprio ser humano: o signo está orientado para dentro. Ambas atividades são tão diferentes que a natureza

dos meios empregados não podem ser a mesma nos dois casos (Vigotski, 1995, 1931, p. 94).

Assim, uma verdadeira análise da gênese e desenvolvimento da atividade secundária, que forma todo o psiquismo, implica também o estudo da atividade primária. O próprio Vigotski (1993, 1934) aponta essa necessidade quando faz uma crítica aos trabalhos de Jean Piaget apontando que a teoria desenvolvida pelo autor genebrino falhava ao desconsiderar a atividade.

Se quisermos concluir sintetizando qual é o traço principal e fundamental da concepção de Piaget, deveríamos dizer que se trata de dois aspectos, cuja ausência é notada ao analisar a questão concreta da linguagem egocêntrica. Estão ausentes a realidade e a relação da criança com essa realidade, isto é, a ausência da atividade prática da criança, e isto é o principal.

(...)

Essa tentativa de deduzir o pensamento lógico da criança e o desenvolvimento apenas pela comunicação entre consciências, isolada completamente da realidade, sem considerar a experiência social da criança orientada para o domínio da realidade, constitui a chave de todo o edifício teórico de Piagetiv (p. 73).

Compreende-se que quando Vigotski menciona a “experiência social da criança orientada para o domínio da realidade”, ele está se referindo à atividade, tal como Leontiev a definiu e, para referendar sua oposição a Piaget, Vigotski utiliza Lênin, quando este critica a “Lógica de Hegel”.

A ATIVIDADE PRÁTICA DO HOMEM TEVE QUE SER REPETIDAS EM SUA CONSCIÊNCIA DIFERENTES FIGURAS MILHÕES E MILHÕES DE VEZES PARA QUE ESSAS FIGURAS ADQUIRESSEM O VALOR DE AXIOMAS... As práticas humanas, ao repetir-se milhões e milhões de vezes, se fixaram na consciência através de figuras lógicasv (Vigotski, 1993, 1934, p. 73, grifos do original).

O fato da atividade ser orientada por objeto, que pode ser externo ou interno, não é defendida apenas por Leontiev e Vigotski, mas também pelos principais psicólogos soviéticos que desenvolveram seus estudos a partir dessa premissa, como é o caso de Galperin (1979), Davydov (1981, 1988), Luria, (1979), entre tantos outros. A pertinência em fazer essa observação neste estudo é pela obra de Leontiev sofrer constantes críticas negativas de alguns pesquisadores sobre a importância dada pelo autor à atividade, em especial por ele ter dedicado boa parte de suas investigações a

essa categoria. Um desses pesquisadores é González Rey (1995, 2004) que aponta “o caráter estreito, externo, objetivista e fragmentado da categoria tomada como unidade do processo de desenvolvimento: a atividadevi” (1995, p. 46).

De acordo com o referido autor, devido à ditadura imposta na União Soviética entre a décadas de 1930 e 1970 que exigia o uso do marxismo-leninismo em toda produção científica, a categoria atividade transformou-se num dogma incontestável, que implica num “reducionismo do psiquismo ao material externo” (González Rey, 2004, p. 29). Outras críticas de González Rey (1995) são: a forma mecanicista de considerar a comunicação, restringindo-a a função objetal, perdendo a importância da relação sujeito-objeto e a base afetiva por trás dessa relação; enfatizar o motivo como objeto da atividade em detrimento das necessidades, desejos, sentimentos e intenções do indivíduo, entre outras.

Em relação ao caráter externo e objetivista da atividade apontadas pelo autor acima citado, a crítica é infundada tendo em vista os pressupostos epistemológico- teórico-metodológicos do marxismo que orientou todos os estudos da psicologia soviética de vertente sócio-histórica. Toda a estrutura teórica da categoria atividade está fundamentada na tradição marxiana e marxista, como na seguinte afirmação de Leontiev:

As teses marxistas sobre a necessidade e sobre a função real da consciência excluem por inteiro a possibilidade de considerar na psicologia os fenômenos da consciência somente como epifenômenos que acompanham os processos cerebrais e a atividade que eles realizam. (...)

A verdadeira explicação da consciência não reside nestes processos [aqueles envolvidos na própria consciência], mas nas condições e modos sociais dessa atividade que cria sua necessidade, ou seja, na atividade trabalho. Esta atividade se caracteriza por produzir sua coisificação, sua extinção – segundo expressão de Marx – em produtovii (Leontiev, 1978b, p. 26-7).

Ainda sobre essa crítica, vale ressaltar o significado da palavra objeto e sua derivada - objetivo - relacionada à categoria atividade. Na língua portuguesa essa palavra designa tanto uma coisa material que pode ser percebida pelos órgãos dos

sentidos, como um determinado assunto, causa de algum evento (Dicionário Houaiss). No russo há duas formas de se referir a objeto: predmet e obiekt. A primeira palavra se refere a “toda manifestação concreta de um material, que são aceitas pelos órgãos dos sentidos e pelo pensamento”, ou ainda ao foco de estudo de uma pesquisa, disciplina escolar, etc (Grande Dicionário de Língua Russa), enquanto a segunda palavra está relacionada à finalidade, meta. Desse modo, toda atividade tem um objeto (predmet) que será apreendido pelo homem como imagem mental numa atividade, que sempre é orientada por objeto (obiekt).

Embora a atividade perceptiva seja singular, a suas formas desenvolvidas não estão vinculadas diretamente com a influência prática que o homem exerce no objeto [predmet13] e tem como produto uma imagem subjetiva do objeto [predmeta] (isto é, um produto ideal), e de todos os modos de uma atividade autenticamente objetivada [predmetnoi] que se subordina [no sentido de prioridade ontológica] a seu objeto [predmetu] como cristalização da totalidade da prática social humana. “O olho – diz Marx nos Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844 – se transformou em olho

humano, assim como seu objeto [obiekt] se fez objeto [obiektom] social humano, objeto [obiekty] que passa de homem para homem”viii (Leontiev, 1978b, p. 31, grifos do original).

A crítica sobre o suposto dogmatismo da atividade na psicologia está relacionada com outra crítica a Leontiev, a de adesão ao stalinismo, feita tanto por González Rey (1995) como por Van Der Veer & Valsiner (1996). De fato, em algumas obras/texto de Leontiev percebem-se conteúdos ideológicos. Mas, o regime stalinista impôs severa censura em todo o país, inclusive na produção científica, sendo necessário nessa produção à apologia ao regime soviético ou a Stálin.

Dessa forma, Leontiev não aderiu ao regime, até porque seus estudos não fugiram das concepções de Marx, Engels e Vigotski, coordenador da troika, grupo composto por ele, Leontiev e Luria. As referências que Leontiev fez ao regime soviético eram, em nossa hipótese, feitas da necessidade literal de sobrevivência.

13 Na língua russa as palavras, com exceção dos verbos, mudam a terminação de acordo com a função que exercem na oração, que podem ser de até seis formas (casos gramaticais ou declinações). As palavras

predmet e obiekt estão na sua forma nominativa, mas aparecerão sufixos nessas palavras ao longo dessa citação, que significará que estas foram declinadas.

Vale ressaltar que Leontiev utilizou nos seus estudos, em especial no “Desenvolvimento do Psiquismo”, trabalho esse feito em 1940, mas publicado pela primeira vez em 1947, autores como Darwin, que, para o regime, não era bem visto por ter cometido alguns erros14, sendo necessário utilizar o chamado darwinismo criativo, desenvolvido por Lisenko. Além disso, Leontiev deixou de lado autores como Pavlov e o próprio Stálin que eram os autores de referência para a ciência russa no período da ditadura stalinista. Por isso, sua obra foi republicada somente após 1959, depois que o Partido Comunista Soviético revelou em 1956 no XX Congresso do PC(b)US (Partido Comunista – bolchevique – da União Soviética) os crimes de Stálin e condenou o culto a sua personalidade.

Referente a suposta pouca importância dada por Leontiev à linguagem e as relações afetivas, que em geral vem ligadas a crítica de afastamento dos pressupostos defendidos e elaborados por Vigotski, também não é possível concordar. De fato, Leontiev priorizou, em seus estudos, a atividade do sujeito como unidade de análise da consciência, ao contrário de Vigotski que apontava a palavra. No entanto, Leontiev não coloca a linguagem em segundo plano; para ele, a linguagem deve ser tão investigada quanto à atividade, pois a primeira é a síntese da segunda.

Tal ou tal conteúdo, significado na palavra, fia-se na linguagem. Mas para que um fenômeno possa ser significado e refletir-se na linguagem, deve ser destacado, tornar-se fato de consciência, o que, como vimos, se faz inicialmente na atividade prática dos homens, na produção (Leontiev, 1978a, p. 83).

A significação é aquilo que num objeto ou fenômeno se descobre objetivamente num sistema de ligações, de interações e de relações objetivas. A significação é refletida e fixada na linguagem, o que lhe confere a sua estabilidade (Leontiev, 1978a, p. 94).

A significação é um dos componentes da consciência, assim como o sentido pessoal, que se refere ao que determinado significado representa para o indivíduo; dito

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