5 1980-tallet – et tiår med hodet under armen
8 En planleggingsprosess for framtiden
8.3 Den vanskelige praktiseringen
A definição da palavra “ferramenta” nos remete diretamente ao grego, raiz da referida palavra, que a define como “utensílio”, ou seja, algo útil que nos auxilia e que de modo figurado é “um meio que se emprega para se realizar determinado objetivo”. Neste contexto, quando nos referimos à
comunicação como ferramenta, queremos dizer que, nas afirmações dos sujeitos entrevistados, foram detectadas falas que demonstram a utilidade da comunicação na concepção dos mesmos, para a realização docente.
Para Silvio, por exemplo, a comunicação e a didática “trazem os alunos ao professor”. Ele diz o seguinte:
É a ferramenta mais precisa para se transmitir, sem que a mensagem se perca no meio do caminho. [...] As técnicas de comunicação, usadas como ferramentas, auxiliam na prática docente.
Na fala de Silvio, pudemos observar que a ideia da comunicação como “ferramenta” tem um sentido amplo, que auxilia a realização docente na “aprendizagem do pensar”, ou seja, na construção de condições para que o aluno se constitua como sujeito pensante no ambiente coletivo da sala de aula, de forma que seja capaz de argumentar, lidar com o conteúdo partilhado e mais que isso, enfrentar e resolver os problemas da vida prática e acadêmica. E neste sentido o professor exerce uma “mediação didática”. Libâneo (2009), ao tratar da mediação didática, afirma que:
A mediação didática consiste, assim, em estabelecer as condições ideais à ativação do processo de aprendizagem, ou seja, assegurar as melhores condições possíveis de transformação das relações que o aprendiz mantém com o saber. (Libâneo, 2009, p. 5)
Outra função atribuída à comunicação como ferramenta foi feita por Maria, quando confirma ser a comunicação uma ferramenta vigorosa no auxilio à verbalização qualificada, ou seja, com resultados reais e práticos. Ela ainda complementa que, através da comunicação como ferramenta, o professor vai conhecer a sala de aula, o aluno e o interesse da maioria.
Já na fala de Claudia, a função da comunicação como ferramenta está diretamente ligada a condição de situar o aluno no contexto da sala de aula e também de adaptá-lo, além de construir uma ligação, entre o professor e o aluno. Ela diz:
com quem você tá falando e se adaptar a esses públicos. [...] A comunicação ensina o que é ter o olho pra ver as dificuldades. Ela estabelece uma ponte entre professor e aluno.
Podemos observar aqui uma função clara da comunicação como ferramenta de ligação entre professores e alunos. Ela proporciona a condição de reconhecimento e de integração, através da conscientização dos papeis estabelecidos e também das metas comuns a serem alcançadas.
Na visão de Virginia a didática e a comunicação têm, como uma das funções, extrair de cada um dos alunos experiências próprias que vão se transformar em conhecimento, com a ajuda dos professores, e preparar-se para esta função comunicacional é fundamental. Através desta função, há o estímulo à reflexão e também à pesquisa. Ela complementa:
A gente sabe que nem sempre se consegue estabelecer essa comunicação entre professor e aluno. Aqueles professores que vêm, que expõem as suas teses, e..., e muitas vezes, alguns até permitem assim, contrapontos, pelos alunos. Outros, nem isso permitem, porque eles têm que cumprir aquele tempo de aula, e..., e vão ininterruptamente jogando os temas. [...] A comunicação é absolutamente fundamental. Vejo como fundamental, então a gente percebe, a importância de se estar preparado para dar aula. Que não é só um repasse de conhecimentos, não. [...] A gente tem aquela, aquela ideia de que, lecionar..., é expor para os alunos, conhecimentos pré-adquiridos. [...] O professor, ele tem uma função, que eu considero bárbara, que é fazer com que o aluno pense, com que o aluno reflita, com que ele tenha gosto pelas coisas, com que ele tenha gosto pela pesquisa, porque, com o gostar disso, ele vai fazer coisas, ah..., que acabarão trazendo de uma forma ou de outra, resultados, pra ele próprio, para as pessoas que o cercam, e em última instância, para a sociedade, como um todo.[...].É importante, na minha ótica, na minha visão de ser, essa atuação, esse desempenho consciente, que leve à consciência dos alunos, e pra isso, ele tem que ter preparo..[...] É esse poder transformativo que o professor exerce, desde que ele saiba suscitar no aluno esse gosto pelo aprendizado, porque as coisas funcionam, com base naquilo que a gente gosta mesmo. São os reclamos da alma.
Para Virgínia, as experiências individuais são elementos enriquecedores no processo pedagógico em sala de aula e que, quando não
têm o suporte de uma ferramenta qualificada, não são utilizadas como poderiam, para a qualificação do processo didático-pedagógico. Esta afirmação nos remete às experiências positivas realizadas por diversos pesquisadores, que propõem ações que estimulem os alunos a exatamente socializar suas experiências, ou seja, utilizando a comunicação como ferramenta, transformando-as em conhecimento. Dentre elas, destacamos a experiência da utilização do diário de itinerância, de René Barbier (2007), retratado no artigo escrito por Almeida (2012), no qual a autora explica que o diário de itinerância é um bloco de apontamentos, no qual cada um anota o que sente, o que pensa, o que medita, o que poetiza, o que retém de uma teoria, de uma conversa, o que constrói para dar sentido à vida. Barbier (2007) o propõe como técnica de pesquisa-ação, mas Almeida (2012) nos apresenta o mesmo, empregado como recurso para formação e avaliação.. Em uma disciplina de um curso de pós-graduação stricto sensu, os diários de itinerância foram realizados , por escrito, tendo como estímulo temas de aula previamente indicados, sendo posteriormente, socializados entre os alunos. A comunicação, neste momento exerceu um papel fundamental, e as dinâmicas apresentadas para que cada aluno participante dividisse seu conteúdo e partilhasse com os demais produziram produtivos momentos de reflexão, formação e aprendizado, segundo os sujeitos envolvidos. Neste sentido, Almeida (2012) complementa:
Quando a proposta de formação faz sentido para o formador e o formando, a resposta vem na forma de uma aprendizagem significativa, que passa pela pessoa inteira, envolvendo o sentir, o pensar e o agir, e abre caminho para a autoria e a autonomia. (Almeida, 2012, p. 267)
Fausto também afirma, que a comunicação e a didática exercem um papel essencial como ferramenta que interliga as partes. O professor para ele é um fomentador que auxilia na aprendizagem significativa, quando consegue “alcançar” o aluno. Ele complementa este pensamento quando afirma que:
A didática, é essencial para o professor aprimorar suas habilidades para conseguir dar uma boa aula.[...] A didática serve tanto para aquele que já é bom, como para aquele que
não é bom desenvolver, entender o que tá acontecendo.[...] Você pode ter alunos com fragilidade educacional, ou muito fortes, ou muito críticos, e você tem que saber se situar, naquele contexto.[...] Você é bombardeado de informação o tempo inteiro, então, o papel do professor, hoje, eu acho que tá muito mais ligado a essa questão do direcionamento, mesmo. né? tipo assim, da reflexão, pro aluno é..., porque as informações estão aí. Então, você é um instrumento realmente de, de..., de..., fomentador, né? de crítica e de, de..., enfím, de fazer com que a pessoa progrida.[...] O papel do professor, nesse contexto, precisa de uma reformulação. uma hora vão ter que se dar conta disso, que não adianta ficar mais repetindo, e ser repetido. porque essa não é mais a vivência dos alunos.
Desta forma, para Fausto o professor é o mediador que deve fazer a conexão entre as estratégias de comunicação e o alunado, estimulando o contato e a troca de informações entre os alunos, proporcionando assim uma integração ampla e um aprendizado partilhado. Fausto ainda diz que:
A comunicação na verdade, acho, é a essência, porque você só comunica se você consegue transmitir uma mensagem. Você tem, enfim, um destinatário e ele tem que traduzir a informação que você está passando. Se tem algum ruído aí, a mensagem, ou ela vai truncada, ou ela não vai ser passada, né. Então, a comunicação é a essência, é o instrumento do professor. Se você não se comunica, você não ensina, a pessoa não aprende, enfim..., então é o instrumento, mesmo.
Na colocação de Fausto, podemos detectar que o professor é um mediador ou facilitador perante o alunado, através da linguagem e pela forma de comunicação que ele utiliza como um agente direto para a realização de estratégias que têm como fim o aprendizado. E para ocorrer aprendizagem, há que existir o interesse do aluno, e cabe ao professor propiciar situações favoráveis para que esse interesse seja estimulado e a aprendizagem aconteça.