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Grunnleggende prinsipper

In document 10-01924 (sider 121-132)

5 1980-tallet – et tiår med hodet under armen

8 En planleggingsprosess for framtiden

8.2 Grunnleggende prinsipper

Ao discorrer sobre a importância da comunicação, Silvio ressalta que o tempo está cada vez mais escasso, e por isso precisa ser bem aproveitado, para que o aluno consiga absorver todos os conteúdos necessários nas especialidades de sua formação acadêmica. A partir desta necessidade, a comunicação aparece aqui, associada à tecnologia, e a todos os implementos tecnológicos atuais, que servem de estímulo e motivação para os objetivos didáticos e pedagógicos em sala de aula. Silvio diz:

Eu vejo a importância da comunicação, no aspecto "tempo", por exemplo. Com essa crescente tecnologia e informações à nossa disposição, não se pode mais se dar ao luxo de perder muito tempo para expor algo, então eu penso na objetividade e a comunicação tecnológica me motiva. Se a pessoa tem algumas noções desse aspecto de comunicação, e que vai expor, o que tem que expor, de uma maneira clara, concisa, em pouco tempo, eu imagino que o alunado, cada vez mais jovens, é... o alunado não se disperse muito, e aproveite mais o conteúdo das aulas.

Baseados na afirmação de Silvio, buscamos suporte no artigo voltado para o estudo da utilização da tecnologia em sala de aula, no qual Pires, Jorge e Trajano (2012) demonstram que atualmente as instituições de educação vêm incorporando diferentes Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) como instrumentos pedagógicos, com o intuito de estimular o aprendizado. Apesar de ser uma “ferramenta” de comunicação, podemos observar na fala de Silvio, que a sua utilização estimula e motiva de forma perceptível o alunado em geral. Porém, o seu uso ainda não está bem estabelecido. No estudo realizado por estes pesquisadores, eles buscaram analisar a influência do PowerPoint em sala de aula e chegaram à conclusão que as “TIC”, Tecnologias de Informação e Comunicação, podem motivar os estudantes, por meio de um trabalho bem estruturado e mediado pelo professor, ampliando assim, a utilização e o potencial destes recursos. Ao citar Bruzzo (2004), também confirmam que, apesar de a exposição oral ter sido o instrumento mais utilizado no desenvolvimento do conteúdo pelo professor em sala de aula, durante um longo período, por ser mais fácil, não requerendo recursos externos, existem diversas outras possibilidades tecnológicas que podem ser agregadoras como motivação, a partir da comunicação. Bruzzo (2004) diz:

A utilização da oralidade, ao longo do tempo, tem demonstrado a sua inadequação na apreensão do conteúdo por parte do alunado em diversas situações. Entretanto, dentre nossos mecanismos sensoriais, a visão é a responsável por grande parte da nossa interpretação do mundo exterior, logo, torna-se um importante facilitador e

motivador (grifo nosso) da aprendizagem. Já foi constatado

que múltiplos significados podem ser gerados pelas imagens, devido à rede de concepções, escolhas estéticas, interesses e profissionais envolvidos em sua elaboração (Bruzzo, 2004, p.1359).

Há neste artigo um importante alerta, referente à utilização da tecnologia incorporada em sala de aula. O autor alerta para o fato de que, apesar dos estudantes, ao longo da pesquisa realizada por ele, terem apontado de maneira significativa e positiva a utilização dos recursos de imagens e implementos tecnológicos como elementos motivadores, também se observa que eles podem favorecer ou não o processo docente,

dependendo de como são aplicados.

Vale lembrar que perspectivar a relação pedagógica e o processo de ensino e aprendizagem, à luz das teorias da comunicação, é uma questão central para muitos autores no contexto da Tecnologia Educativa, área científica das Ciências da Educação que, desde meados do século passado, possui como objetivo melhorar a aprendizagem humana com o apoio de recursos tecnológicos, os quais visam motivar e facilitar o aprendizado. Nesta perspectiva, os princípios gerais da comunicação humana estendem-se à sala de aula a tal ponto que se poderia mesmo estabelecer uma associação entre métodos pedagógicos e tecnologias da comunicação, com o intuito de transformar professor e alunos em “comunicadores”, motivando assim o processo formativo. Analisar a evolução dos paradigmas educacionais à luz das teorias da comunicação é um exercício que ajuda a compreender as dinâmicas do processo de ensino e aprendizagem, e a verificar como, em tal processo, o papel das tecnologias pode servir a qualquer modelo pedagógico, sejam os métodos expositivos, o trabalho de projeto ou a resolução de problemas.

Para Maria, a comunicação é elemento motivador e estimulante que aponta trajetórias e melhora o desempenho docente, porque, através da didática e da comunicação, o professor consegue adaptar à sala de aula o conteúdo programado, independentemente do assunto. Ela complementa:

É bem legal ouvir a opinião de outra pessoa. Então eu gosto muito de falar, de ter a minha opinião, e debater. Eu gosto muito de debate em sala de aula, e a comunicação propicia isso. A didática e a comunicação estão mesmo, nas ações mais simples, sabe, de se expor, de explanar, de manter contato, de comunicar-se com uma equipe.

Neste sentido apontado por Maria, em que ela se sente estimulada e motivada ao poder comunicar-se com seus colegas, ouvindo opiniões e explanando as suas, temos a fala de Leite e Ramos (2010), que confirmam a necessidade de rompimento com a “racionalidade da tradição acadêmica”, que não leva em conta a importância das condições adequadas para uma real comunicação entre o conteúdo, o professor e o alunado em geral. Elas

afirmam que muitos estudos têm apontado para a existência de um repertório de conhecimentos específicos para o exercício docente, necessários neste momento, em que todas as diretrizes sustentam a necessidade do ensino se voltar para a motivação em sala de aula o que auxilia de forma significativa, a aprendizagem dos estudantes.

Para que esta aprendizagem seja realizada com qualidade e dimensão amplificada, a didática e a comunicação são elementos primordiais. Leite e Ramos (2010) ainda complementam que há um debate profícuo no sentido de superar a ideia pré-concebida de que, para ensinar no ensino superior, basta conhecer o conteúdo da área curricular a que o docente se encontra vinculado, ter talento, ter bom senso, seguir a intuição, ter experiência e ter cultura. Afirmam que todas as referências que possuem apontam para a necessidade de outros elementos constituintes, pela complexidade e especificidade da função docente. E dentre estes elementos, a comunicação em sala de aula, com o suporte de uma didática consciente, fruto de reflexão e de ações pontuais e motivacionais, pode ser um caminho. Elas dizem:

[...] A profissionalidade docente universitária implica recorrer às possibilidades que decorrem do desenvolvimento profissional, enquanto processo que contribui para uma compreensão da complexidade e especificidade da função docente. (Leite e Ramos, 2010, p. 31)

As autoras ainda resgatam as falas de Schön (1992, p.77-91) e Zeichner (1993), que sustentam, também , a ideia de que a prática docente, por si só, pode não garantir aprendizagem. Ou seja, para que gere aprendizagem, esta prática precisa de ser acompanhada de uma reflexão na e sobre a ação, e esta reflexão deve ser coletiva, o que gera motivação através da participação grupal. Aqui, a aula não é do professor, mas é de todos. O aluno se sente participante ativo, motivado pela participação real na construção da necessária reflexão sobre a ação realizada. Leite e Ramos (2010) ainda complementam que, além da qualidade científica, a universidade necessita de uma qualificação pedagógica, com o suporte integral da didática e da comunicação, como fatores estruturantes para o

bom resultado acadêmico. Elas afirmam :

[...] É na consideração a esta profissionalidade requerida, que também concordamos que o exercício da profissão docente requer uma sólida formação, não apenas nos conteúdos científicos próprios da disciplina, como também nos aspectos correspondentes à sua didática e ao encaminhamento das diversas variáveis que caracterizam a docência. [...] Com a posição que estamos aqui a enunciar, queremos realçar que a natureza teórico-prática da profissionalidade docente, sendo, ao mesmo tempo, um espaço de ação e um processo de reelaboração, assume um caráter mediador entre o corpo de conhecimentos, do corpo disciplinar e os saberes pedagógico-didáticos que são assumidamente propositivos e não normativos. Isto é, que esses saberes se orientam numa perspectiva emancipatória e não reguladora da profissão docente. [...] Assim, a compreensão do caráter mediador do conhecimento pedagógico-didático, por ser estruturante, não oferece soluções, mas possibilita encontrar meios de agir na ação pedagógica docente. (Leite e Ramos, 2010, p. 31 e 32)

E neste contexto, podemos observar que a fala de José Roberto reafirma a importância da comunicação como elemento de interação e motivação, quando ele diz que:

A comunicação me proporciona a possibilidade de interagir com o aluno e de procurar levar a mensagem e esperar aquela receptividade e aquela resposta. [...] A comunicação é essencial porque é a mola mestra para se conseguir um bom resultado docente. [...] Se o professor não tiver didática, é um trabalho todo que pode ir por água abaixo. Pode não atingir o efeito pretendido.

Através das palavras de José Roberto, podemos concluir que a comunicação em sala de aula faz a ponte entre a pergunta e a resposta, e através dela, a motivação transita na direção do contato vital entre alunos e seus colegas, além do contato dos alunos com o professor e vice-versa.

Morgado (2007) afirma que, muitas vezes, o aluno não aprende, porque o professor não ensina adequadamente e desta forma o interesse não se estabelece. Porém, cada vez mais se percebe que o sentido de “adequado”, está ligado diretamente à condição de se gerar o interesse e a integração necessários, para que o aluno consiga superar quaisquer

barreiras e dificuldades, e neste sentido, a motivação proporcionada pela comunicação e pela didática exercem um papel fundamental e agregador.

Para Claudia, por meio da didática e da comunicação em sala de aula, ela se sente inserida dentro de um processo educacional, ou seja, se sente motivada para participar do referido processo. Ela relata:

O importante é o professor conseguir alcançar o aluno, mais do que só conseguir passar o conteúdo. Porque conteúdo, eu acho que se você conseguir despertar na pessoa, ela vai buscar. [...] Acho que didática te dá essa visão interdisciplinar.

Se observarmos detalhadamente estas afirmações, perceberemos a presença do processo identitário relacional, apresentado na obra de Dubar (2005, p. 151). Para ele, a realização da construção biográfica de uma identidade profissional e, portanto, social, pressupõe que os indivíduos devam entrar em relações de trabalho, participar de alguma forma coletiva nas organizações e intervir de uma maneira ou outra em representações (o que ocorre no processo educacional). Estas afirmações de Dubar, em que o autor cita os termos “relações”, “participação coletiva” e “intervenções”, sugerem uma “rede” comunicacional intensa e permanente, que dará lastro e suporte para a construção biográfica de uma identidade profissional. Se direcionarmos esta afirmação para a profissão docente, concluiremos que o processo identitário relacional, voltado para a profissão docente, tem na comunicação um suporte significativo e consequentemente, a profissionalização docente encontra na comunicação e na motivação que ela proporciona, um elemento constitutivo primordial.

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