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Deler og helhet

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5 1980-tallet – et tiår med hodet under armen

7 Den siste helhetlige forsvarsanalyse ved FFI

7.1 Deler og helhet

A esfera psíquica que está diretamente relacionada ao processo de alienação é a consciência (apesar de não ser a única). O próprio Marx, em vários momentos de sua obra, ressalta que, apesar da alienação ser um fenômeno objetivo, ela se manifesta na consciência dos homens impedindo-os de compreender as mediações constitutivas da realidade. Dessa premissa, numerosas discussões sobre consciência e consciência alienada, consciência em-si e consciência para-si ou ainda a individualidade em-si ou individualidade para-si e também se o indivíduo alienado tem ou não conhecimento desse processo, foram e estão sendo feitas por muitos estudiosos (apenas para citar alguns poucos, Luckács, 1967, 1979; Goldman 1967; Heller, 1972; Montero, 2004; Duarte, 1999).

No presente estudo, parte-se do princípio que é possível o indivíduo saber que vive numa sociedade promotora de alienação, e que suas relações sociais também podem causar estranhamento a ele. Em relação aos níveis de alienação, esse indivíduo, ou melhor, a consciência dele é “menos” alienada se comparada a de outros que desconhecem ou conhecem muito pouco a realidade. A consciência para-si (e a individualidade e personalidade para-si) são dimensões psíquicas que os marxistas almejam para o desenvolvimento do indivíduo, por serem estas e por meio destas que o máximo desenvolvimento humano rumo a genericidade ocorre.

O conhecimento do indivíduo sobre o seu nível de alienação é possível por ela (a alienação) ser um fenômeno objetivo e social, por ter como fonte primária as relações sociais objetivas permeadas pela propriedade privada. Enquanto existir a propriedade privada haverá a alienação, que modifica sua forma de manifestação nos diferentes modos de organização social (como já foi discutido, no capitalismo a alienação predominantemente é o fetichismo). Saber que a consciência é alienada não altera em

nada, a princípio, a realidade objetiva, apesar de mudanças significativas na esfera subjetiva do indivíduo poderem ocorrer de tal modo a levá-lo a modificar a dimensão objetiva. Essa modificação subjetiva ocorre porque houve, anteriormente, alteração na realidade, que afetou o indivíduo de alguma maneira.

Outro fato que permite ao indivíduo saber que sua consciência é alienada está relacionado com os mecanismos psicológicos envolvidos na alienação. Marx já indicava que a alienação pressupõe uma oposição entre o significado que o trabalho tem para o indivíduo e o sentido que esta atividade adquire para ele. Quando Marx (1983, 1844, p. 93) afirma que o trabalho “... não é a satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio para satisfazer outras necessidades”, ou ainda quando n’O capital” (1985, 1867) explica que o operário que trabalha numa fabrica têxtil e o capitalista, dono desta fabrica, tem sentidos diferentes diante do mesmo significado – produzir tecidos – se refere a esferas psíquicas.

Nesse último exemplo, para o operário, o sentido de seu trabalho é ganhar um salário para satisfazer suas necessidades; para o capitalista, o sentido é ter lucro em cima da venda dos tecidos e da exploração de seus operários para também atender suas necessidades. Tanto num caso como noutro, fabricar tecidos é apenas um meio para atender outras necessidades que não estão relacionadas com a fabricação têxtil.

Mas, o leitor pode indagar que o trabalho, ou qualquer outra práxis tem sempre a finalidade de criar e satisfazer necessidades humanas, afinal foi isso que foi defendido nos capítulos anteriores, especialmente no primeiro. Então, significados e sentidos serão sempre diferentes, logo como explicar a alienação por estes elementos da consciência?

De fato, diferentemente do animal, que se identifica imediatamente à atividade, o homem, por ter consciência, tem na atividade uma forma mediatizada de satisfazer suas necessidades. Foi utilizado o exemplo do caçador no primeiro capítulo que, na atividade

individual de caça tem ações voltadas de forma imediata para matar a presa (encurralar e matá-la), e numa atividade coletiva o caçador pode assustar a presa e direcioná-la para os indivíduos que irão matá-la. Assustar a presa só tem relação com a caça da mesma se for considerada numa atividade coletiva.

Nesse caso, o objeto e o motivo da atividade não coincidem imediatamente, mas há mediações que fazem com que haja pontos comuns entre eles. No caso do animal, basta matar a presa para comer enquanto nos homens, a satisfação da necessidade de comer implica em matar a presa, prepará-la para o cozimento e, só depois, comê-la. A própria complexificação da atividade em ações e operações evidencia o caráter mediador desta.

Por isso, a relação entre o objeto de satisfação de necessidades e o motivo da atividade jamais terão coincidência imediata. O mesmo ocorre com os significados e os sentidos da atividade na consciência do indivíduo. A caça, que pode ter o significado de “matar” a fome, pode até ter esse sentido para o indivíduo, mas também o de ser uma possibilidade de exercitar suas habilidades (físicas e mentais), de estar com os companheiros ou ainda de mostrar força e agilidade para o grupo com que vive51.

O mesmo pode ocorrer com o professor em relação a sua atividade profissional. O significado da docência é o de educar os indivíduos por meio de conhecimentos socialmente construídos de forma sistematizada. O sentido dessa atividade para o professor pode ser esse, mas também de ter contato com pessoas de determinada faixa etária que lhe agrada, de buscar mais conhecimento, de participar do processo de construção de indivíduos mais emancipados, propiciando uma sociedade que visa à emancipação humana e, obviamente, uma maneira de satisfazer outras necessidades pelo recebimento do salário. Nesse caso, há diferentes sentidos para o mesmo

51 Hoje essa atividade pode ter outros significados como extração de pele, couro, penas, óleo, etc, como atividade de lazer ou ainda predatória.

significado, mas, de modo geral, os primeiros estão relacionados com o segundo. É só lembrar a importância da educação (e conseqüentemente do professor), e as ações necessárias para o docente cumprir com as finalidades educativas, (discutidas no capitulo anterior) para entender a relação dos diferentes sentidos em relação ao significado.

No entanto, há situações em que o sentido não tem qualquer relação com o significado, sendo, em alguns casos, opostos uns aos outros. Essa oposição ou ruptura de qualquer ligação entre sentidos e significados é um dos principais mecanismos psicológicos relacionados à alienação.

Considerando que a alienação é o estranhamento do indivíduo em relação a determinados fenômenos, isso significa que o que este fenômeno representa socialmente não é a mesma representação que o indivíduo tem dele, daí o estranhamento. Para utilizar as categorias da psicologia sócio-histórica, o significado que o fenômeno tem numa coletividade tem pouca ou nenhuma relação com o sentido deste para o indivíduo, o que faz com que o fenômeno lhe seja estranho.

Dito por outras palavras, o conteúdo objectivo da actividade não concorda agora com o seu conteúdo subjectivo, isto é, com aquilo que ela é para o próprio homem. (Leontiev, 1978, p. 122).

(...)

O que ele [o trabalhador] produz para si mesmo não é a seda que tece, não é o ouro que extrai da mina, não é o palácio que constrói. O que produz para si próprio é o salário – e a seda, o ouro, o palácio reduzem-se para ele a uma camisola de algodão, ao papel de crédito e a um alojamento cave (Marx, apud, Leontiev, 1978a, p. 122, grifos do original).

O mesmo processo pode ocorrer com qualquer indivíduo, inclusive com o professor: o que o incita a lecionar pode não ser o fato da educação ser necessária e importante para o desenvolvimento do indivíduo e da sociedade, mas apenas o de ter um salário que lhe possibilita atender necessidades que não podem ser satisfeitas no exercício profissional. Apesar de lecionar ter o significado de ensinar ou educar, na sua consciência há pouca ou nenhuma relação entre esse significado e o sentido da própria

atividade profissional. Será utilizado um exemplo dado por Leontiev (1978a) sobre a relação dos sentidos e dos significado do trabalho do tecelão, mas que serve bem para o caso do professor.

A tecelagem tem, portanto, para o operário a significação objectiva de tecelagem, a fiação a de fiação. Todavia não é por aí que se caracteriza a sua consciência, mas pela relação que existe entre estas significações e o sentido pessoal que têm para ele as suas ações de trabalho. Sabemos que o sentido depende do motivo. Por conseqüência, o sentido da tecelagem ou da fiação para o operário é determinado por aquilo que o incita a tecer ou a fiar. Mas são tais as suas condições de existência que ele não fia ou não tece para corresponder às necessidades da sociedade em fio ou em tecido, mas unicamente pelo salário; é o salário que confere ao fio e ao tecido o seu sentido para o operário que os produziu (Leontiev, 1978a, p. 123).

O mesmo pode acontecer com o professor, principalmente se for considerada as atuais condições para o exercício profissional que ele vem enfrentando no Brasil, como já foi descrito anteriormente. As condições a ele oferecidas para a execução da atividade docente são tão alienadoras que muitas vezes faz com que não perceba as possibilidades de satisfação de necessidades relacionada a essa atividade, tampouco novas atividades são criadas.

Quanto maior for o rompimento de relações entre os significados e os sentidos da atividade docente, maior também é o estranhamento entre o professor e seu exercício profissional, até chegar ao ponto em que não há relação alguma: não importa se ele (o professor) educa, ensina, transmite ou facilita o conhecimento para o aluno, o que lhe importa, o que faz sentido a ele é a possibilidade de seu exercício profissional lhe proporcionar, pelo salário, o atendimento de outras necessidades. No caso do professor que é servidor público, além do salário poder ser um dos principais sentidos relacionados à docência, bem como a estabilidade que tem em relação ao emprego.52

52 Essa é apenas uma constatação sobre a importância da estabilidade de emprego, principalmente em períodos de desemprego, o que de fato, acaba sendo uma vantagem para o servidor público. No entanto, tirar esse direito dos servidores, como algumas discussões atuais sugerem, não modifica em nada a relação alienante que estes, porventura, possam ter com suas atividades profissionais. Seria apenas uma medida para “inglês ver”.

A diminuição de relações entre sentidos e significados também podem ocorrer pela discrepância no indivíduo entre a execução da atividade idealizada por ele e a que de fato foi realizada. A impossibilidade de realizar objetivamente a atividade tal como foi idealizada pode ser decorrente tanto das condições objetivas para a execução do mesmo (no caso do professor pelo número excessivo de alunos na sala de aula, pela falta de recursos didáticos e de estrutura, pouco ou nenhum planejamento de aula, não ter formação profissional adequada, etc) como de condições subjetivas (baixa auto- estima, sentimento de impotência, frustração, não gostar do que faz, etc).

A atividade idealizada, não executada objetivamente, pode também ser alienada, assim como qualquer atividade realizada de fato. Isso porque as necessidades, mesmo as mais primárias e naturais (como a alimentação) são sociais para o homem, e quanto mais o homem se apropria da realidade, mais necessidades vão sendo geradas. Como na sociedade há o fenômeno da alienação, a apropriação da realidade alienada pode gerar necessidades também alienadas.

Dessa forma, a real compreensão entre a oposição dos os sentidos e dos significados no processo de alienação só é possível pelo estudo da atividade. Discussões semelhantes sobre a execução da atividade laboral, especialmente a idealizada e a realizada, também são feitas em outras teorias psicológicas aplicadas a área do trabalho. Recentemente, a que vem fazendo de forma mais contundente essa discussão são os cognitivistas preocupados com a ergonomia do trabalho, como apontou Sobrinho (2005) e Clot (2006).

Sobrinho (2005), a partir da psicologia aplicada a ergonomia, explica que na atividade docente há duas dimensões: o trabalho prescritivo, que é aquele normatizado para o exercício profissional, e o trabalho real, que é o reforçador para o indivíduo, por ele (o professor) ser reconhecido por seu trabalho pelos alunos, pais, equipe técnica e

pela sociedade. No trabalho real, o professor sente-se admirado e tem a sensação de dever cumprido.

O distanciamento entre o trabalho real e o prescrito pode ser a explicação, segundo o autor, para o stress profissional do professor e também para o desenvolvimento da síndrome de burnout. Os estudos sobre saúde do professor que vem sendo realizados nos últimos anos são, em sua maioria, voltados para averiguar a existência ou não da síndrome de burnout nesses profissionais.

Como já foi comentado no início desse estudo, a síndrome de burnout se refere ao sentimento de frustração e exaustão do indivíduo em relação á sua atividade ocupacional, de modo a deixá-lo numa sensação de esvaziamento, de “não ligar mais” para o exercício profissional. Reinhold (2005) defende que a síndrome de burnout é a conseqüência de um stress crônico e prolongado, causado pelas condições oferecidas para a execução da atividade profissional.

O stress é um estado físico-emocional que alerta o indivíduo em relação a situações novas, sejam elas boas ou más. Esse alerta é um sinal que há um desequilíbrio entre uma situação pregressa e a atual, que pode levar o indivíduo a adaptar-se a essa nova situação. Lipp (2005) afirma que o stress deixa o corpo mais suscetível às doenças por ser um estado de tensão que modifica e enfraquece o sistema imunológico. Assim, se eventualmente o indivíduo for exposto a situações estressantes, não há nenhuma conseqüência negativa a sua saúde, mas, constantes e recorrentes exposições a essas situações podem trazer agravos ao bem-estar desse indivíduo.

A atividade docente, por todas as características e condições para o seu exercício, é considerada uma profissão estressora, e por isso, pode ser considerada atividade penosa, de acordo com a especificação de Sato (1993), por exigir do professor

grande esforço físico e mental de tal modo a provocar sofrimento psíquico e, até mesmo, adoecimento.

Por sofrimento psíquico relacionado a atividade ocupacional, entende-se como “... descompensação provocada pela organização do trabalho, provocando angústias, ansiedades, medos, frustrações, infelicidade, impossibilitando o indivíduo de se apropriar das objetivações necessárias para a realização de sua atividade...”(Gradella, 2001, p. 41). Nesse caso há uma cisão entre o sujeito (professor) e o objeto (função docente), de tal forma que interfere na dinâmica de seu psiquismo, por mediação da atividade profissional, desencadeando a alienação. De acordo com o exposto, a chamada síndrome de burnout pode ser considerada um tipo de sofrimento psíquico.

Reinhold (2005, p. 67) relaciona dezoito sinais indicativos de burnout nos professores, todos referentes a ausência de estados emocionais, sentimentos positivos em relação a profissão e debilidades de alguns processos cognitivos e na estrutura da atividade: “alegria, entusiasmo, satisfação, interesse, autoconfiança, ideais, iniciativa, tolerância, organização, humor, concentração, motivação, energia, encantamento, idéias criativas, capacidade para resolver problemas, confiança nos outros e prazer”.

O modelo de desenvolvimento da síndrome de burnout proposto por Reinhold (2005, p. 72) está sintetizado no seguinte quadro:

Quadro 1: O desenvolvimento do burnout

FATORES EXTERNOS

(OCUPACIONAIS) FATORES INTERNOS

- falta de controle sobre o próprio trabalho

- falta de reconhecimento - falta de autonomia - indisciplina de alunos

- falta de justiça, confiança e transparência

- falta de desafio, etc

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