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Synet på samekulturen

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3 Saker med samisk hoved- hoved-fokus i Nordlys og Dags- hoved-fokus i Nordlys og Dags-

3.3 Noen forklaringsfaktorer til den kvantitative utviklingen utviklingen

3.3.1 Synet på samekulturen

Como já foi dito, a comunidade da filial da STB em São Paulo sentiu menos a perda do seu mestre. Apesar disso, também aqui foi necessário pensar uma nova forma de organização, bem como, novas referências foram buscadas. No aspecto organizacional, segundo relato de membros antigos e a observação de campo, em São Paulo houve uma continuação mais próxima do que era sob a liderança de Cherng. Ou seja, há rituais litúrgicos, iniciações, e práticas devocionais, mas também uma oferta de artes daoistas considerável, sendo consideravelmente maior o número de artes daoistas em relação aos elementos explicitamente religiosos. Isso significa que a ideia de que artes daoistas como o estudo textos popularizados (Yìjīng e Dàodé jīng) e práticas popularizadas (tàijí quán e qìgōng) como portas de entrada no Daoismo continuaram sendo o carro chefe da sede em São Paulo.

Lembremos que em 2006 o sacerdote-regente, Wagner Canalonga, se tornou também alto sacerdote. Sabemos também, a partir de fotos e do relato do próprio Wagner, que em 2006 três sacerdotes daoistas de São Paulo realizaram um rito no chamado “Templo Kwan Yin [Guānyīn]”, mais especificamente no pavilhão daoista denominado Jì huágōng (ver subitem 2.2.2). Um ano depois, em 2007, a sede mudou de endereço para o local atual: avenida Liberdade, n. 113 – 3º andar, bairro Liberdade. Importante notar que esse bairro é conhecido como “bairro oriental” e pela caracterização de “turismo oriental” em São Paulo (Shoji e

Usarski, 2009). Não chega a ser considerada uma “Chinatown” brasileira, primeiramente porque é muito mais representada aos imigrantes japoneses que tem mais histórico de presença no bairro, e porque os chineses lá presentes, mesmo sendo maioria não se agruparam de forma exclusivista, mas se integraram à população já existente no local (Véras, 2008). Contudo, o imaginário popular brasileiro e especificamente paulistano é que neste bairro podem ser encontradas tradições “orientais”.

Na nova sede existe uma divisão do espaço da seguinte maneira: cozinha, secretária, escritório do sacerdote-regente, banheiros, corredor, e uma grande sala onde se encontram um espaço para aulas e cursos e o Templo do Tesouro do Espírito. Na secretaria existe também uma pequena loja com vários produtos relacionados ao Daoismo, como camisetas, livros, talismãs, incensos, CDs, material para oráculo, etc., tudo coordenado pelas secretárias contratadas que não são (necessariamente) daoistas. O altar, como já dito, recebeu novas imagens após o falecimento de Cherng (ver figura abaixo), mas sem mudanças estruturais em relação ao altar da sede em Aclimação.

Figura 19: Altar da sede do bairro Liberdade em 2013, com o sacerdote Wagner tocando um yángqín. Em relação ao altar da sede anterior, foram acrescentados os talismãs (fú) do mestre celestial ao lado, e mais divindades, como Dòu mǔ e Xuán dì.

Fonte: https://www.facebook.com/sociedade.taoista.sp/photos_stream

Sobre as atividades, há uma lista extensa. Rituais mensais de purificação acontecem mensalmente, havendo esporadicamente rituais particulares encomendados. Alguns

sacerdotes não exercem mais o ofício, mas os/as iniciado/as ajudam o sacerdote-regente a realizar os rituais mensais. Existe pelo menos uma vez por semana encontros para práticas com iniciados, normalmente regidos por Wagner, mas que podem ocorrer sem ele também. Seminários para iniciados também são realizados com certa frequência, em geral mensalmente. Segundo o sacerdote-regente, haveria cerca de 200 pessoas iniciadas em São Paulo, inicialmente através de Cheng desde 1999, e depois pelo próprio Wagner. O perfil destes iniciados seria equilibrado entre o número de homens e mulheres, sendo a maioria adultos entre 20 e 60 anos.

Mas são as artes daoistas que estão em maior número de oferta neste templo: cursos e aulas de fēngshuǐ, Yìjīng, filosofia daoista, meditação, astrologia, tàijí quán, bāguà zhǎng, liàn gōng, vários tipos de qìgōng, vários cursos e grupos de estudo de medicina chinesa, entre outros cursos esporádicos como sobre altares daoistas e a visão de morte no Daoismo. São feitas também consultas pessoais nessas artes daoistas, com destaque para acupuntura e oráculo Yìjīng. Existe uma rede de professores e colaboradores que ministram essas atividades. Alguns cursos, principalmente ligados a medicina chinesa, são ministrados por pessoas ligadas ao legado de Liú Bǎilíng, entre outras fontes.

Figura 20: Retiro realizado pela ST-SP em 2015. À esquerda Wagner guia a prática de automassagem e qìgōng. À direita, local onde ocorrem meditações, com um altar no fundo.

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As principais atividades, e que aparecem mais público, continuam sendo as mesmas desde 2002: meditação e estudo do Dàodé jīng nas segundas à noite, e os eventos anuais – Semana do Tao e, desde 2007, a Celebração do Ano Novo Chinês – que contam com diversas atividades gratuitas ou preços mais acessíveis. Existem também “retiros de carnaval”, realizados anualmente no Sítio da Lua, que fica na cidade Camanducaia em Minas Gerais, a

130 km de São Paulo capital. As atividades do retiro são: meditação, rituais daoistas, práticas corporais (qìgōng daoista e alongamentos), e instruções sobre as práticas daoistas91.

Além de toda continuidade, dois fatos destacam o grupo de São Paulo em relação ao grupo do Rio. Primeiro, em 08/03/2012 é aberto um novo CNPJ (15.376.474/0001-00), com o nome Sociedade Taoísta SP. Assim, passou a ser uma organização própria, e não mais uma filial da STB. Diferentemente da STB, a Sociedade Taoísta SP (ST-SP) se inscreveu na “natureza jurídica” de tipo organização religiosa. Sobre o motivo da separação institucional, o sacerdote Wagner Canalonga informou que tal ação foi necessária para melhor organização financeira da sede de São Paulo. Bem como, para buscar uma forma de administração mais simples, o que era impedido devido à configuração do estatuto da sede central do Rio, que entre outras coisas, era responsável juridicamente pela sede em São Paulo. Sendo responsável pela própria gestão, a ST-SP criou seu próprio estatuto, bem menor que o da STB, e tem também seu Conselho e Administração. Ainda sim, Wagner esclareceu que as duas instituições continuam como irmãs e parceiras.

Em segundo lugar, assim como a sede do Rio, a ST-SP buscou legitimação com outros mestres após a perda de Cherng. Primeiramente, Wagner teve como novo mestre de rituais Lǚ Chénróng, e foi ordenado alto sacerdote pelo presidente da Sociedade Daoista de Taiwan, Zhāng Chéng. O que mais se destaca na ST-SP, no entanto, é a vinda frequente de mestres de tradições daoistas para realização de cursos, aulas e práticas. A primeira delas foi a mestra Fan Xiulan em 2006, 2010 e 2011. Segundo Wagner, essa mestra é budista, mas ensina qìgōng daoista, que foi o que ela veio ensinar no Brasil. Luciana de Carvalho, esposa de Wagner e uma das fundadoras da ST-SP, hoje é uma das representantes do qìgōng ensinados por essa mestra, a escola “Biyun”.

Mais tarde vieram dois mestres daoistas: Eva Wong e Yun Xiangtseng. Eva Wong é estudiosa e professora daoista nascida em Hong Kong, ligada aos centros budistas Shambala, e discípula do Moy Lin-shin (Méi Liánxiàn). Com este último mestre ajudou a fundar a Sociedade Internacional de Tàijí Daoista (Taoist Tai Chi Society), e o Templo Daoista Fung Loy Kok (Pénglái gé, pavilhão do “paraíso” pénglái) no Canadá. Este templo foi fundado pela primeira vez em 1968 em Hong Kong, e traça sua linhagem desde o Daoismo do Portão Primordial Ilimitado (Dàojiào Xiāntiān wújí mén), com conexão com Chén Tuán (Xīyí Zǔshī; 920-989)92, e na ordem da Porta do Dragão do Caminho da Completa Perfeição. Eva Wong

91 Cf. http://sociedadetaoista.com.br/sp/retirodecarnaval2013/

também afirma praticar as tradições Caminho da Suprema Claridade e “Kūnlún” (referência a montanha homônima, considerada uma das montanhas sagradas da China para os daoistas).

Na apresentação do livro Meditação Taoísta de Cherng, Eva Wong (2008) afirma que discípulos de Cherng a procuraram, seguindo a orientação dele mesmo ainda vivo, caso “algum dia surgisse necessidade de aconselhamento. A ‘necessidade’ surgiu quando Wu Jyh Cherng faleceu há alguns anos e foi atendida durante a minha visita ao Brasil, no início de 2008”. Ela veio novamente em 2012, 2014 e 2015, e chegou também a enviar alunos seus para ministrar cursos. Na ST-SP, ministrou cursos de qìgōng, Yìjīng, e aulas de meditação daoista (nèiguān). Nos eventos de 2014 estive em algumas atividades, e observei a presença de pessoas vindas de outros estados e dos grupos ligados à família Liú (cf. tópico 2.3).

A conexão com o monge da ordem da Porta do Dragão do Caminho da Completa Perfeição, Yun Xiangtseng (“mestre Chen”, WG), ocorreu também de um modo interessante. Wagner me relatou que “uma aluna dele que conheceu a gente na Aclimação, foi pros Estados Unidos, [e] virou discípula dele. [Ela] disse, ‘olha, acho que vocês tem tudo a ver. Ele viu numa meditação que precisa ir no Brasil. Daí lembrei de vocês’”. E com essa ponte, Chen e a ST-SP fizeram contato. Aqui no Brasil, este monge é apresentado como “monge de Wudang”, com referência a famosa montanha e centro cultural daoista de Wǔdāng. Na mesma linha, ensinou em cursos da ST-SP formas de tàjí quán que teriam sido criadas por Zhāng Sānfēng (para os daoistas, imortal que criou essa prática). Também deu aulas e cursos de qìgōng de cura, meditação, cerimônia do chá, alquimia interna e sobre o Dàodé jīng.

Figura 21: à esquerda, membros da ST-SP (sacerdotes, professore/as, iniciados, frequentadores), professores de Taichi Pailin, e o monge Xinshan com roupa monástica de frente o altar em São Paulo; à direita, aula de tàijí do mestre Chen com sua discípula brasileira, presença de Xinshan e Xinjie indicadas por setas. Ambas as imagens são do Evento Internacional Wudang Tao de 2013.

Ele veio ao Brasil para ministrar atividades do “Evento Internacional Wudang Tao” na ST-SP em 2013, 2014 e 2015. Em 2013, o casal de monges brasileiros de Goiânia (ver subitem 2.3), que são da mesma linhagem de Chen participaram do evento, e até ficaram hospedados na casa de um membro da ST-SP (ver a figura acima). Tanto em imagens como por relatos pessoais observados, sabemos também da presença de pessoas ligadas aos grupos da família Liú, como praticantes de “Taichi Pailin” e acupunturistas formados nesses grupos, sendo que alguns são simultaneamente da STB.

Dessa forma a ST-SP tem buscado continuar o legado de Cherng à sua maneira: de um lado mantém uma estrutura próxima ao modelo organizacional de seu mestre, em que aspectos mais explicitamente religiosos do Daoismo convivem num mesmo espaço com a oferta de artes daoistas abertas a não iniciados; por outro lado, buscam aprendizado e legitimação com novos mestres chineses, todos de linhagens daoistas diferentes de Cherng, mas que assim como ele divulgam o Daoismo principalmente através de artes daoistas corporais e meditativas e estudo exegético de textos da tradição ao modo daoista.

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