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Kilder til samiske saker i Nordlys og Dagsrevyen

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3 Saker med samisk hoved- hoved-fokus i Nordlys og Dags- hoved-fokus i Nordlys og Dags-

3.4 Innholdsanalyse av perioden 1970–78

3.4.10 Kilder til samiske saker i Nordlys og Dagsrevyen

Com tudo que foi exposto, buscamos traçar a direção que tomamos a partir das várias visões e versões mostradas da teoria da transplantação, das demandas religiosas brasileiras, e da hibridação cultural, visando a eficiência da nossa análise. Primeiro, as religiões são expressões culturais em constante movimento, e o processo de migração força uma situação de dialética entre atitudes adaptativas e conservadoras (Pye, 1969). Assim, a tradição transplantada transforma, consciente e inconscientemente, seus conteúdos e sua autorepresentação. A linha de frente da teoria é entender como ocorre essa transformação dialética e quais são os resultados gerados. No nosso caso, o refinamento proposto por Shoji (2004a) é interessante: ele propôs chamar os dois lados dessa dialética de legitimação estrangeira e harmonização local. Se tratando de uma tradição em que o elemento legitimador vem prioritariamente da China, e que a ideia de harmonização é uma noção recorrente tanto localmente quanto da própria religião pesquisada, é útil levar em conta a perspectiva de Shoji.

Em segundo lugar, autores identificaram tipos de fases em que essa dialética ocorre, com destaque para Baumann (1994), que apontou cinco modos processuais que não ocorrem necessariamente em sequência. Clasquin (1999) chamou atenção para a importância do desenvolvimento gradual dos modos. Ou seja, independente de qual tipo de modo processual ocorra primeiro, existem legados deixados por cada fase que vão sendo acumulados no decorrer dos múltiplos contatos (ver figura abaixo).

Figura 22: Imagem inspirada em Clasquin (1999), indicando visualmente o acúmulo de informações e conteúdos aproveitado pela sucessão de contatos e modos processuais.

Fonte: Nossa criação inspirada em imagem de Clasquin (1999).

Vários autores afirmam que é preciso entender a situação e natureza da religião transplantada antes da migração, bem como, a condição e cosmovisão da cultura de

recebimento. Muitas vezes, a representação de uma religião existe antes da religião ter chegado fisicamente numa sociedade. Assim, acrescentamos uma fase “zero”, indicando o caráter prévio da fase. Estruturamos da seguinte maneira a nossa versão dos modos processuais do processo de transplantação: 0 – Pré-transplantação, 1 – Contatos, 2 – Comparações, 3 – Ambiguidade, 4 – Recuperações, 5 – Inovações.

No momento “zero” o foco é entender a situação e natureza da religião transplantada, as representações da sociedade de recebimento sobre ela e possíveis elementos indiretos encontrados antes da entrada oficial no novo ambiente. No primeiro modo, denominado contato, observamos os múltiplos e constantes contatos culturais de caráter mútuo, sendo uma fase que vai ocorrer obviamente durante toda a transplantação. Após os primeiros contatos os atores sociais envolvidos percebem as diferenças culturais, fazendo distinções e similaridades virem à tona – o termo comparações é mais amplo, bem como mais adequado aqui do que o termo “confronto” usado no caso estudado por Baumann. Da percepção das diferenças surge a necessidade de gerar ambiguidades para conseguir que o novo público entenda mensagens que vem de outro contexto simbólico, sendo interessante entender como surgem e quais foram os elementos ressignificados. Mas depois de muita ambiguidade surgem confusões, e há necessidade de identificar de que forma a tradição transplantada buscou interpretar as resignificações diante do sentido “original”, e o que se tornou legítimo para aquela comunidade e para a sociedade em que a religião está. Seguido desse filtro, algumas das concessões ambíguas geradas para o novo público se legitimam criando inovações. Inovações aqui podem ser tanto para a religião transplantada quanto para a cultura de recebimento. Dependendo do contexto sócio-histórico, pode haver circularidade da inovação gerado no novo ambiente para outros países e até para a região de origem, influenciando a religião em seu ambiente natal (Clasquin, 1999).

Em terceiro lugar, todos os autores, desde Pye, listaram elementos que moldam e alteram o processo de transplantação de uma religião e que ajudam a identificar as formas de mudanças cultural-religiosas, com destaque para Goldberg (1999), Pereira (2001) e Kollontai (2007). Chamaremos esses fatores de variáveis da transplantação. Em geral, chamam atenção para fatores externos que estão em jogo neste processo cultural, bem como, a forte importância para as representações coletivas e situações mais gerais da cultura da religião imigrante e da cultura de recebimento. Sobre fatores externos não religiosos (1), sobressaltam: (1a) o avanço tecnológico e seus usos, (1b) contexto sociopolítico de recepção, (1c) atitudes sociais como racismo ou tendência a integração da cultura aportada, (1d) elementos

seculares/leigos em destaque na cultura anfitriã, (1e) formação pessoal e contexto social da migração dos atores sociais estrangeiros, e (1f) diferenças linguísticas.

Já os principais fatores cultural-religiosos (2) que moldam uma transplantação são: (2a) natureza pré-migração da religião (plural, étnica ou unificada), (2b) atitudes da religião estrangeira frente outras tradições, (2c) cosmovisão religiosa da cultura anfitriã, incluindo sua visão do que é religião, (2d) usos de terminologias da religião dominante do novo ambiente, bem como, (2e) influência do movimento Nova Era101. Existem também fatores mais gerais de representação social (3), como: (3a) estruturas e visões colonialistas já existentes antes da chegada física da religião (no caso de religiões asiáticas, visões orientalistas), (3b) ofertas literárias escritas e traduzidas por pessoas da cultura anfitriã e dos seus primeiros divulgadores, (3c) como é utilizado pela nova religião da sua representação cultural prévia presente na cultura recém-aportada.

Diante dos três aspectos apontados acima – dialética da adaptação/conservadorismo, modos processuais, e fatores da transplantação – o quarto ponto vem à tona: os resultados da transplantação. O recurso central para análises são as sete estratégias de adaptação apontadas por Baumann (1994), mas muitos elementos e teorias relacionadas devem ser usados para entender o processo. Para nós, as várias possibilidades geradas por encontros culturais levantadas por Burke (2003) é de especial importância, sendo um arsenal amplo para análise. As nossas noções de hibridismo centrifugo e centrípeto, criada a partir da leitura de Burke (2003) é adequada em nossa análise, já que parecem ser predominantes respectivamente na cultura brasileira e na daoista, e entender o encontro delas nos é relevante. Shoji (2004a) também nos dá aporte de ferramentas teóricas para entender as várias possibilidades resultantes da transplantação. Junto às estratégias usadas pela religião estrangeira, serão levadas em conta as características da demanda religiosa brasileira (Bittencourt Filho, 2001).

Resumindo o quarto ponto, o objetivo é compreender, identificar e classificar as variantes do novo encontro cultural. O conhecimento gerado vai fortalecer uma compreensão mais geral e mais refinada sobre religiões, em especial no aspecto da dinâmica das religiões dentro da linha mais sistemática e comparativa da Ciência da Religião. Neste trabalho, analisamos o caso da transplantação do Daoismo através da STB e da ST-SP, que será tratado adiante conforme a estrutura teórica selecionada. Estruturamos uma tabela para mostrar esquematicamente nosso quadro teórico (ver abaixo).

O quadro acima é uma síntese visual do nosso quadro ou estrutura teórica. À esquerda indicamos os modos processuais previstos em toda transplantação de religiões. No centro mostramos as principais características ou constantes de cada modo. Já na direita, indicamos as variáveis que devem ser considerados para entender o que molda ou enviesa as transformações do processo de transplantação, apresentados nos parágrafos anteriores.

Teoria da Transplantação das Religiões Modos processuais

(“fases”) Características principais Variáveis transplantação da

0 – Pré-transplantação Desenvolvimento histórico da religião; Sua natureza organizacional (pluralista, centralizada, étnica, etc); Relação histórica com outras tradições; Situação precedente à transplantação; Representações da sociedade de recebimento sobre a tradição recém-chegada;

1c, 1e, 1f; 2a, 2b, 2c, 2e; 3a;

1 – Contato Contatos entre as culturas de origem e anfitriã da tradição; Elementos avulsos encontrados antes da entrada oficial no novo ambiente (livros, objetos, práticas, etc); Entrada de atores sociais “autorizados” pela tradição; Reações da cultura de recebimento;

1a, 1b, 1c, 1e; 2b, 2c, 2e; 3a, 3b; 2 – Comparações Diferenças culturais percebidas por atores sociais da tradição e pelos não membros da cultura

anfitriã; Comparações culturais e especificamente religiosas; Estabelecimento de distinções gerais; Oferta de elementos novos ao mercado nativo de recebimento;

1a, 1c, 1e, 1f, 1e;

2b, 2c, 2d, 2e; 3a, 3b, 3c; 3 – Ambiguidade Surgimento consciente e inconsciente de

ambiguidades; Estratégias de adaptação ganham mais força por sobrevivência e/ou divulgação; Nativização de elementos estrangeiros ao novo sistema; Hibridações ocorrem com mais intensidade e em vários aspectos;

1b, 1c, 1d, 1e; 2b, 2c, 2d, 2e, 3a, 3b, 3c; 4 – Recuperações Retificações ou afirmações de conteúdos

ambíguos; Filtro de informações (busca por “pureza” ou “origens”); Tensão interna e externa com discursos e práticas ambíguas; Pressão social para seleção de elementos “legítimos” do ponto de vista anfitrião;

1d, 1f; 2b, 2c; 3b, 3c; 5 – Inovações Algumas concessões ambíguas se legitimam;

Surgimento de elementos novos na religião transplantada; Novo elemento religioso nativizado na cultura anfitriã mais geral; Circularidade de novos elementos gerados numa nova cultura para a tradição transplantada em sua(s) cultura(s) de origem.

1d;

2b, 2d, 2e; 3c;

5 – ANÁLISE DA TRANSPLANTAÇÃO DO DAOISMO ATRAVÉS DA STB E DA ST-

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