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Journalistiske kriterier

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1.5 Sosiologisk og humanistisk nyhetsforskning

1.5.1 Journalistiske kriterier

Mais recentemente brasileiros têm buscado apreender e ensinar técnicas daoistas. Isso, possivelmente, sob influência da Nova Era e da presença de imigrantes chineses. Existe um vasto campo no Brasil de professores de artes ligadas ao Daoismo, por exemplo, de artes marciais como tàijí quán e bāguà zhǎng, de qìgōng, de fēngshuǐ e de medicina chinesa. Há, por exemplo, o caso de Roque Severino. Usarski (2009, p. 106-107) explica que este

40 O termo 濟 Jì pode ser traduzido como ajuda ou auxílio material, mas optamos pela tradução “socorro”, pelo

professor de tàijí quán, apesar de oficialmente ser um Lama de uma linhagem de Budismo tibetano, apresenta em seus espaços uma “oferta ‘complementar’” Daoista, como aulas de tàijí quán, qìgōng e cursos e consultas de Yìjīng. Professores brasileiros de práticas ligadas ao Daoismo fizeram grupos e instituições leigas ou civis, chegando a ter associações nacionais, como no caso das artes marciais chinesas internas e acupuntura – nome associado a termos como medicina chinesa ou terapias orientais.

Entretanto, é preciso tomar cuidado para não associar imediatamente o fato dessas pessoas praticarem artes ligadas ao Daoismo e sua própria pertença ou crença religiosa. Como vem sendo mostrado em pesquisas empíricas no Brasil, na maioria das vezes essas práticas tem fim em si mesmas, e não necessariamente tocam em questões religiosas. Além disso, dificilmente um praticante segue a religião que é a matriz cultural da prática em questão (Appolloni, 2004; Costa, 2012a, 2012b; Farias, 2009). Diante destas questões, trataremos agora não de todos no Brasil que praticam algo ligado ao Daoismo, mas alguns grupos e atores sociais que temos conhecimento que afirmam explicitamente praticar alguma técnica nomeadamente daoista41, sem, no entanto, afirmar-se daoista.

Segundo seu próprio website42, Ely Britto seria a fundadora do InterTao e ensina desde 1997 em várias cidades do Brasil a “Alquimia Interna Taoísta”, bem como, tem um livro publicado sobre o Yìjīng, ensinando e oferecendo consultas. Sua instituição seria ligada ao grupo internacional Universal Healing Tao, que é liderado por Mantak Chia, um tailandês de descendência chinesa que morou muitos anos nos Eua, onde divulgou práticas asiáticas e interagiu com o público norte-americano (Siegler, 2012). Conforme um texto de Britto43 presente no site do InterTao, Mantak Chia teria treinado meditação com monges budistas na sua terra natal, Tailândia. Em Hong Kong, aprendeu tàijí quán, Yoga e Aikido, bem como, conheceu um “mestre taoísta” que lhe ensinou alguns “segredos”. Não é descrito por ela, no entanto, de qual tradição daoista é este mestre, mas apenas que seus ensinamentos “se parecem com os ensinamentos da Tradição da Completa Realização (Quanzhen)”, nas próprias palavras de Britto.

Tanto o Mantak Chia quanto seus seguidores do Healing Tao afirmam praticar o “Taoismo prático” e Alquimia Interna Daoista44. O grupo ligado a Mantak Chia também usa o termo “Yoga taoísta” para se referir a suas práticas, como pode ser visto em propagandas

41 Agradeço novamente a Daniel Murray (2010) por disponibilizar seus dados de pesquisa de campo

(http://prezi.com/ankiexmalxwz/untitled-prezi/) e pela disponibilidade em sanar minhas dúvidas.

42 Cf. http://healing-tao.com.br/ely-britto/

43 Cf. http://healing-tao.com.br/mantak-chia-um-mestre-atual-do-taoismo-pratico/. 44 Cf. http://healing-tao.com.br/manifesto-taoista/.

deste grupo no Brasil (ver figura 5). No site do Healing Tao, sessão dos instrutores, contamos 35 instrutores oficiais das suas práticas somente no Brasil45, somado a isso, muitos livros do Mantak Chia estão traduzidos no Brasil.

Entretanto, não encontramos nenhuma autoafirmação de serem daoistas nestes sites. Ao contrário, no site oficial encontramos afirmações de que o Daoismo prático de Mantak Chia não necessita de iniciação ou celebração, mas apenas prática46, revelando o tipo de ênfase terapêutica e a autorepresentação distante de uma identificação por alguma linhagem daoista por parte deste grupo. Para o cientista da religião Elijah Siegler (2012), este grupo seria uma forma (pós)moderna de Daoismo com forte influência da religião Nova Era, o que explica sua ênfase na experiência corporal e pessoal, e sua rejeição tanto da noção de religião quanto de pertencimento a linhagens e formatos tradicionais de uma religião.

Figura 6: Cartão de instrutor do Universal Healing Tao no Brasil.

Fonte: Cartão encontrado nas dependências da PUC-SP (Campus Perdizes).

Outro exemplo é o grupo A Grande Tríade. Fundado por Eduardo de Souza47, conforme o próprio texto informativo no website, este grupo tem como principal objetivo a promoção de saberes e práticas daoistas48. Também visam integrar saberes acadêmicos com o

45 Cf. http://www.universaltaoinstructors.com/.

46 Cf. http://www.universal-tao.com/9-secrets-of-taoist.html.

47 Cf. http://www.grandetriade.com/MembroDetalhe.php?cdMEMBRO=12. 48 Cf. http://www.grandetriade.com/QuemSomos.php .

Daoismo, e promover buscas por longevidade e saúde. Seu fundador treinou práticas daoistas com vários mestres na China e nos EUA, mas não é iniciado em uma linhagem específica49.

Este grupo também contém integrantes formados no sistema de Mantak Chia, bem como, a especialista em Daoismo Livia Kohn, todos da América do Norte. Observando as práticas e cursos ofertados no website do grupo, nota-se que há menção somente a artes marciais de origem daoista, alquimia interna, variados tipos de qìgōng, e fēngshuǐ. Não encontramos, por outro lado, ofertas de ritos litúrgicos ou elementos mais institucionais de linhagens tradicionais daoistas, como devoção a divindades.

Encontramos também um caso específico de autodeclarante daoista, mas que pode servir de exemplo de casos semelhantes que já tivemos contato. Trata-se de Gilberto Antônio Silva, criador do site “taoismo.org”, que afirma ser “o maior portal de Taoismo do mundo em língua portuguesa” 50. Ele afirma ser daoista em alguns dos livros e e-books que publicou. Por exemplo, na apresentação do seu último livro se autointitulou da seguinte maneira: “um Taoista com mais de 35 anos de estudos em filosofia e cultura oriental”51. Assim, como outros casos fora da Ásia, ele não indica se foi iniciado em alguma linhagem daoista. Trata-se um brasileiro altamente interessado na literatura chinesa antiga que é vista como daoista, e praticante de artes marciais e qìgōng, entre outras coisas.

Seu interesse com temas que chama de “orientais”, incluindo o Daoismo, vem de família (Silva, 2014, p. 12). Relata que em 1988 teve uma experiência pessoal que o marcou signitivamente, e atribuiu o que sentiu e percebeu ao que lia sobre o “Tao” (Dào), passando a estudar Daoismo e praticar tradições afins. Defende a divisão entre um Daoismo “filosófico” e outro “religioso” (idem, p. 58). Inclusive admite que por muitos anos divulgou que a versão “filosófica” era mais “pura”, sendo a religião daoista “superstições” e “corrupções” dessa “pureza” do Daoismo “original” (idem, p. 243). Hoje tem uma noção mais abrangente dessa tradição, vendo-a simultaneamente como filosofia e religião. O seu livro Caminhos do Taoismo (Silva, 2014), pode ser visto com a obra mais abrangente já escrita por um lusófono sobre Daoismo, mas numa linguagem e visão “de dentro”, ainda que utilize obras acadêmicas.

49 Cf. o slide número 29 de Murray em http://prezi.com/ankiexmalxwz/untitled-prezi/ 50 Cf. http://taoismo.org/;

51Cf.http://taoismo.org/modules/mastop_publish/?tac=Novo_Livro&busca[]=Gilberto&busca[]=Antonio&busca[

2.3 – Terceira onda do Daoismo no Brasil: transmissão da tradição por iniciados a

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