4. Literature review
4.1 Sustainability and performance
O surgimento de feiras faz parte da própria história da cidade de Caruaru. Ela se originou a partir da aglomeração de vaqueiros que se dirigiam do sertão ao litoral servindo como ponto de apoio a esses viajantes. Suas origens remontam aos idos de 1681, ano em que o governador Aires de Souza de Castro concedeu aos Rodrigues de Sá uma sesmaria com 30 léguas de extensão, à margem esquerda do rio Ipojuca. (GALVÃO e TORRES, 2007).
Ainda segundo esses autores, a construção do caminho que hoje é a BR 232, permitiu o transporte de gado vindo do interior para a capital. Mais tarde, outra estrada cruzava a primeira, permitindo o trânsito entre os vizinhos estados de Alagoas e Paraíba. O Cruzamento se deu nas terras onde, mais tarde, Caruaru se desenvolvia (GALVÃO e TORRES, op. cit.).
Ali, naquela localidade, a família Rodrigues de Sá, oriunda do Recife, se instalou e fundou a Fazenda Caruru, de onde viria a se originar essa cidade. No Século XVIII, essa fazenda ganhou uma Capela, dedicada à Nossa Senhora da Conceição, o que tornou essa
região ainda mais atrativa para os habitantes dos arredores. Assim, as festas religiosas, especialmente aquelas realizadas em homenagem à Padroeira, tornaram-se um fator impulsionador tanto para essa Feira, quanto para o desenvolvimento dessa Cidade, futuramente.
A partir daí, uma pequena povoação começou a se formar nessas imediações. Caruaru se tornou cidade em 1857, pela Lei Provincial nº 416, tornando-se a primeira cidade do Agreste pernambucano (BARBALHO, 1980).
No início do século XVIII, Caruaru era apenas uma fazenda de gado, localizada às margens do Rio Ipojuca. Em meados daquele Século, o vale desse Rio passou a ser utilizado para o transporte de gado. Por isso, já era comum a presença de estranhos pelas estradas e até mesmo ali pernoitando (MENELAU JUNIOR, 2007).
A transformação da antiga Fazenda Caruru, em meados do Século XVIII, em ponto de apoio e de pernoite de boiadeiros e, em seguida, de tropeiros e mascates que percorriam o agreste pernambucano, permitiu o surgimento do pequeno comércio de itens e serviços ligados à lida com o gado, que deu origem à Feira de Caruaru.
O cruzamento de duas estradas fazia da localidade um local mais interessante para o comércio da região. A troca de mercadorias sempre foi uma tendência desse povo por isto, hoje, a Feira do Troca-Troca é um dos mais importantes segmentos, apesar de ter sido a Feira do Gado, a primeira que surgiu (GALVÃO e TORRES, 2007).
Segundo Barbalho (1980), porque a Feira aumentava desordenadamente e apresentava movimento invulgar, uma vez que os feirantes procuravam arrumá-la a seu modo, cada qual querendo o melhor ponto para si, foi necessário mudá-la de local. Assim, o lugar onde ela estava, no centro da cidade, tornou-se incômodo e precisou mudar. A discussão para mudança da feira foi intensa, até que em meados dos anos 1970, tentaram transferi-la para a rua Almirante Barroso (atual Bejamim Lorena) o que representou um fiasco... Só 20 anos depois, mais precisamente, em 17 de maio de 1992, a Feira de Caruaru foi transferida do Largo da Igreja da Conceição para o Parque 18 de Maio, também localizado na parte central da Cidade, visto que o centro de Caruaru ficava intransitável, nos dias em que ocorria a Feira. (MENELAU JUNIOR, 2007).
A Feira de Caruaru sempre foi, e ainda é a grande oportunidade de trabalho, geração de renda e de inclusão no mercado consumidor, para um grande número de pessoas, o que lhe conferiu uma forte capacidade de atração. Haja vista o aumento desmedido dessa Feira, cresceram também as pressões para que a mesma fosse transferida para outra área da Cidade (SANTOS e GAMEIRO, 2008).
Essa mudança foi planejada por dois arquitetos contratados pelo governo municipal, da época, os quais consideraram alguns pontos importantes: a necessidade de expansão da área, melhoria da infra-estrutura básica, equacionamento do espaço de venda e circulação para as compras, geração de novos empregos para os agrestinos e sertanejos que imigraram para a cidade, entre outros benefícios (SANTOS e GAMEIRO, 2008).
Todas essas ações foram apoiadas pelos comerciantes locais. A partir daí, percebeu-se um nível de crescimento mais ou menos constante, dando lugar à novas Feiras, mantendo a sua característica de um lugar de criação e de exposição da criatividade popular, tanto em seus aspectos tradicionais, como em sua capacidade de recriação, invenção e inovação, puxando o fio da tradição, além de (re)inventar-se cotidianamente.
A Feira de Caruaru continua sendo um espaço onde saberes, ofícios, modos de fazer e expressões tradicionais encontram mercado e, conseqüentemente, condições de permanência. Nesse universo, acontecem cinco grandes Feiras: Feira do Gado, localizada no Alto do Moura, descrita como inicio de tudo; Feira do Artesanato e Couro, localizada no Pátio 18 de Maio, caracterizada como lugar de espelho da identidade nordestina, memória quase musicológica do ciclo do gado; Feira da Sulanca, segundo pólo de confecções populares nacional, Feira dos Importados, conhecida como Paraguai, venda de produtos importados e a Feira Livre, subdividida em: Feira de Frutas e Verduras, Raízes e Ervas Medicinais, Feira do Troca-Troca, Feira de Flores e Plantas, Feira dos Bolos, gomas e doces, Feira de Ferragens e Feira do Fumo (BARBALHO, 1980; SEBRAE, 2003; MENELAU JUNIRO, 2007; GALVÃO e TORRES, 2007; IPHAN, 2007; SANTOS e GAMEIRO, 2008).
Nesse contexto, em 2004, foi entregue o pedido de registro da Feira de Caruaru, pela Prefeitura Municipal de Caruaru ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que deu inicio ao Inventário Nacional de Referências Culturais – INRC.
Esse processo resultou oficialmente na inscrição da Feira de Caruaru no Livro de Registro dos Lugares, ocorrido no dia 07 de dezembro de 2006. Esse registro é destinado a locais que, independentes de valor arquitetônico, urbanístico, estético ou paisagístico, constituem suportes fundamentais para a continuidade das práticas e atividades que abrigam.