6. Data
6.5 Descriptive statistics
Aqui foram consideradas as unidades de significação que correspondiam aos aspectos comerciais da feira, ou seja, seus produtos, o preço praticado, as formas de pagamento, a variedade encontrada, enfim, aqueles conteúdos que estavam voltados ao funcionamento da feira enquanto ambiente de realização de negócios.
Essa categoria teve o segundo maior nível de freqüência, empatando com a Categoria 2 - Trabalho, pois dos respondentes apenas 01 não correspondeu esses significados a feira. É interessante relatar que nessa categoria, a maioria das unidades de significação traziam expressões como “preço”, “preço bom”, “mercadoria barata”, “comprar”, “variedade”, “negócio”, “vender”, entre outras, pois são bastante recorrentes em suas falas. Vejamos alguns recortes dessas significações:
[...] O preço e os produtos são bons. [...] Eu compro a ele, já faz dois anos, o produto dele é muito bom e ele facilita o pagamento, ele não tem cartão mais aceita
cheque. [...] Às vezes eu não tenho dinheiro pra vim [...] Às vezes eu consigo até dinheiro emprestado [...] Ela é legal, mesmo com as clientes, eu deixou pra comprar depois a ela. Ela deixa anotado no vale, pra eu pagar só na outra semana. (C04)
[...] Eu revendo roupa e os preços daqui são bons. (C06)
[...] Eu gosto da feira pelo o preço, vendo peças como calcinha a domicílio, aqui é bem mais barato. [...] Pra mim é um meio de comprar as coisas mais baratas. [...] Gosto da variedade das coisas de peças. (C08)
[...] O que me faz comprar aqui é que eu acho o preço bem legal, onde eu moro não tem essas coisas baratinhas. [...] Eu compro tudo, não tem essa coisa de comprar em um só banco não, eu compro onde tem o preço mais barato. [...] Se eu não vim já sabe, já me faz falta aquele dinheiro. [...] Se não fosse os produtos eu não viria à feira (C09).
[...] É muito bom vim à feira, porque a feira sempre que eu compro aqui, só ganho com isso. [...] Eu venho sempre a essa feira pelas compras, pelos preços e as coisas também que são diversificadas. [...] Às vezes tem o preço bom [...] Faz um precinho mais barato para a freguesa aqui? [...] Meu marido é quem diz: “o que danado você vai fazer nessa feira toda a semana?”. Ai eu digo: você sabe o que é eu vou comprar. (C10)
[...] É um lugar que a pessoa vem pra comprar, pra negociar. (C11)
[...] O que me atrai a vir a feira é o custo benefício, só a vantagem do preço (C01) [...] São os preços né? Porque a gente gosta mais dos preços, os produtos são bons, jeans, calcinhas, tudo em geral. [...] Aonde tem um preço melhorzinho eu chego, entendeu? [...] Porque a mercadoria que é boa. (C02)
[...] Se a gente apurar R$ 200,00 eu levo o dinheiro no bolso, se apurar R$ 20.000,00 levo no bolso, não tem fiado. O fiado da gente é 10, 20 blusinhas que a gente nem nota que vendeu fiado. (V02)
[...] A pessoa pra sobreviver na feira como essa tem que ter noção de negócio, ta entendendo? Tem que ter visão de negócio, e é um desafio muito grande. (V07)
Sabe-se que as relações na feira são, antes de tudo, pautadas por relações comerciais. De acordo com os aspectos tradicionais, nessas relações aparecem elementos como preço, produto, localização, custo benefício, variedade, entre outros. Portanto, diante das falas apresentadas, não há muito o que se acrescentar, pois as relações comerciais são importantes, na medida em que constroem relações sociais e a própria sociedade. Assim, entende-se essa categoria como base fundamental para o desdobramento das outras.
A seguir, como forma de ilustração dessa categoria, segue uma imagem que tenta capturar esses aspectos comercial na feira.
Fonte: Elaboração própria.
Foto 1 – Momento de compra e venda na Feira.
Na imagem acima, observa-se o banco de feira, a disposição das mercadorias, a figura do vendedor e de dois compradores ao fundo, sintetizando o contexto central da pesquisa, ou seja, um registro do momento fundamental de partida para as demais análises feitas no decorrer desse capítulo.
5.2CATEGORIA 2:TRABALHO
Para esta Categoria agrupam-se das respostas dos entrevistados, àquelas unidades de significação que correspondiam aos significados que envolvem as relações de trabalho, de sobrevivência, emprego, dentre outras. Nesta categoria foi possível observar que tanto para compradores quanto para vendedores os aspectos ligados ao trabalho são importantes e representam um significado em suas vidas. A freqüência desta categoria ficou em segundo lugar, onde dos entrevistados, apenas 01 não se referiu a elementos encontrados nessa categoria (cf. Apêndice C). As falas dos entrevistados apresentam o seguinte:
[...] Preciso manter minha casa, então eu necessito do meu salário, então para mim a Feira da Sulanca é essencial [...]. Eu prefiro trabalhar na feira, pra mim é vital, sem a feira não só eu, mais muitos aqui ficariam em uma situação difícil [...]. A feira da Sulanca tem sido uma atividade essencial para a manutenção diária de muitas famílias (V01).
[...] Pra mim é tudo porque eu sobrevivo dela. É tudo [...]. Eu mantive a casa com a Sulanca, pra mim é muito importante (C02)
[...] Ela representa muitas coisas pra mim, porque as coisas que eu adquiri foi sempre trabalhando aqui na Sulanca (C03)
[...] Tudo né, porque é daqui que eu vivo [...] Eu trabalho, preciso, é do que vivo, é do que sustento a minha família. [...] Tenho que ajudar em casa. Tenho que me virar (C05).
[...] É justamente pela família que eu venho trabalhar, pra dar o sustento dos meus filhos (C07).
[...] Pra gente nosso trabalho é aqui (V06).
[...] A feira pra mim é tudo, significa tudo para mim, eu não tenho outro trabalho, meu trabalho é aqui na feira, é onde eu arrumo meu sustento, pra mim é tudo, tudo que eu consigo esta nessa feira graças a Deus, eu dependo dessa feira. (V08) [...] Trabalhar assim, que é uma vez por semana, você é independente, e é profissional liberal [...] É uma maneira, um trabalho informal, que você não tem mais essa necessidade de cumprir horário [...]. É aqui que supro minha necessidade financeira. (V07)
[...] A feira é um meio de vida, é um lugar que a pessoa vem pra comprar, pra negociar, para ter sei lá... O seu pão de cada dia [...] Eu venho toda semana, porque o dinheiro que a gente tem, ganha, a gente tem que colocar na mercadoria novamente. (C11)
Como observado nas falas acima, compreende-se que a Feira da Sulanca é uma atividade importante para muitos comerciantes (compradores ou vendedores), pois, significa o sustento, o trabalho, o meio de vida, o “pão de cada dia” de muitos indivíduos que fazem desse ambiente seu local de trabalho. Contudo, observa-se que em suas falas, a feira representa muito mais do que simplesmente trabalho, na definição básica da palavra, significa algo “vital”, “essencial”.
Nesse processo de identificação da feira como algo essencial, os indivíduos apreendem a realidade da feira como uma realidade ordenada onde a linguagem utilizada marca as coordenadas de suas vidas em sociedade e enchem suas vidas de objetos dotados de significação (BERGER; LUCKMANN, 1985). A feira tem um significado que vai além do simples fato de proporcionar uma ocupação, ela é “essencial”.
O trabalho aqui é visto como algo mais amplo, do que simplesmente emprego, serviço, atividade, é essencialmente algo que preenche as vidas dos indivíduos que fazem aquele ambiente.
A própria feira é um “elemento de significação” para eles, pois representa algo importante em suas vidas, é sua própria vida. Nesse sentido, suas vidas são objetivadas a partir das relações que constroem ali, naquele ambiente, pois a feira não é simplesmente um
lugar, onde bancos são montadas para a comercialização de roupas, é o ambiente onde as vidas desses indivíduos ganham significação. Significação essa, criada, forjada, através das interações ali vivenciadas.
A feira só existe, porque indivíduos a constroem. Sem esses indivíduos teríamos apenas um aglomerado de ferros, lonas e instrumentos que ficariam dispostos em um determinado lugar, sem vida, pois a vida da feira, só existe por causa dos que as fazem, os compradores e os vendedores. Conforme Eagleton (2005, p. 14) “os seres humanos não são meros produtos de seus ambientes, somos seres culturais, também somos parte da natureza que trabalhamos”.
Foi observado que durante os encontros de serviço, a vida das pessoas (compradores e vendedores) acontece para além da relação comercial. A perspectiva comercial é um chamariz para os indivíduos, mas a manutenção das relações comerciais acontece simultaneamente a outras práticas da vida cotidiana desses indivíduos, como podemos perceber melhor na fala de um dos entrevistados:
[...] A gente tá cansado da rotina da semana, como na segunda a gente só trabalha até meio dia, a gente vem pra feira, come do bom e do melhor, a gente luxa. Ai, a gente passa a noite distraindo, conversando, cochilando, vendendo, trabalhando e vai pra casa de manhã de 11:00 horas.[...] (V01).
As ilustrações abaixo tentam capturar esse momento na feira, a atividade vibrante caracterizada como trabalho, mas que, no entanto, apresenta uma conotação percebida através das falas e das observações in loco para além da ocupação e da relação essencialmente comercial.
Fonte: Elaboração própria.
Fonte: Elaboração própria.
Foto 3 – O Trabalho na Feira.
5.3CATEGORIA 3:SENTIMENTO
Essa categoria agrupa os elementos que correspondem à demonstração de sentimentos dos entrevistados aparentes em suas falas. Aqui, aspectos como saudade, paixão, medo, afeto, amizade, carinho, intimidade, entre outros, foram levados em consideração para a criação dessa categoria. Em relação a esses sentimentos observou-se que os compradores e vendedores apresentam certa relação de “carinho” pela feira e a tudo o que ela representa. Das categorias observadas, esta foi à única que obteve 100% de freqüência, ou seja, todos os entrevistados apresentaram em suas falas, em maior ou menor intensidade, unidades de significação correspondentes a ela.
Observou-se também que durante a entrevista, os respondentes apresentavam atitudes que conotavam pertencimento a feira, eram veementes em suas respostas, e por vezes apresentavam certa indignação e raiva com o que estava acontecendo, principalmente, com o poder público, que em suas opiniões, não consideram a Feira da Sulanca algo importante para cidade e região, pois as constantes mudanças de local e horário atrapalham o bom andamento da mesma.
Ao expressarem suas opiniões, estes faziam questão de aparentar que a feira faz parte de suas vidas, como podemos observar nas falas abaixo:
[...] A feira faz parte da nossa vida, eu não sei contar uma semana sem a feira, é chato é ruim [...]. Na semana que não tem feira fica uma semana diferente, é como uma semana sem domingo. (V01)
[...] Mas se não venho pra feira à semana fica estranha, a semana fica mais comprida, fica faltando alguma coisa na vida (V02).
[...] Eu já tenho 71 anos, já to ficando velha, cansada e num sou muito sadia. Quando eu não venho à feira... AI!!! Como sinto, sinto falta mesmo!!!! Eu tenho que vim toda semana, na semana que eu não venho eu já acho diferente. (C10)
[...] É porque é uma rotina, já acordei em um domingo sonhando com a feira, por que gosto muito da feira. Faz vinte anos que eu venho e se eu não vir, pra mim faltou uma coisa. Eu saio da feira hoje, mas quando for de tarde ai eu já estou pensando na outra [...] Eu sou assim, é uma fuga pra mim, eu não gosto de sair de casa, a feira pra mim é um divertimento, uma distração (V06).
[...] Na semana que não vem a gente fica doidinha. [...]. Já é uma mania de vim. Um hábito de vim toda semana, já faz parte de minha vida, na semana que a gente não vem fica aperriada em casa. Hó meu Deus, não podia ter ido hoje? Só pra ir. [...]. Às vezes com pouquinho dinheiro, às vezes a gente arruma até dinheiro emprestado, mas vem não é? (C02)
[...] Quando eu não venho à feira eu sinto muita falta [...] Às vezes não tenho dinheiro pra vim, eu sinto falta, eu queria vim nem que fosse pra passear, eu gosto disso sabe? Eu vinha só pra ver, eu gosto de ver as novidades, eu gosto da feira, às vezes eu consigo até dinheiro emprestado [...]. Eu venho à feira com todo o prazer, por que eu gosto, eu gosto da movimentação. (C04)
[...] É tanto tempo que a pessoas trabalha com isso, que quando deixa de vim uma semana você sente falta. É acostumado já, venho toda semana, quando você deixa de vim uma semana você sente falta. Pra mim é assim... É um compromisso de toda semana vim. Um compromisso comigo mesmo. (C12)
[...] Eu só deixo de vim à feira no carnaval, porque não tem feira, e eu fico doente no dia que não tem feira. Eu sinto falta, muita falta [...] Vim pra feira pra mim é tudo, já faz parte da minha vida. Pra mim se eu não vim à feira é como se a semana não ficasse completa. (V08)
[...] Eu sinto falta da feira quando eu não venho. Sinto falta do povo, da feira, do envolvimento, disso daqui, da variedade de coisas, né? (C08).
É possível observar também que, nessa categoria, aparecem várias falas dos entrevistados sobre a sua relação com os vários atores da feira. Essa relação se dá ora entre vendedor e comprador, ora entre comprador e vendedor. Em todos os casos, os relatos são bem parecidos, tanto vendedores, quanto compradores esboçam sentimentos de amizade e, às vezes, até de afeto uns com outros, o que foi bastante interessante perceber.
É importante ressaltar que os sentimentos que denotam amizade aqui evidenciados, poderiam ser compreendidos como “artifícios” para manter o cliente, ou para barganhar mais um desconto ou um preço mais em conta, entretanto, nas observações feitas no ato das entrevistas foi possível notar que os sentimentos de amizade são sinceros, e principalmente, os
respondentes fazem questão de demonstrar esses sentimentos, como observado nas falas a seguir:
[...] Nesses dez anos de feira fiz muitas amizades. Tem vez que eles vão daqui, vão lá pra casa entendeu? É uma intimidade, é tão legal. (C01)
[...] Rapaz, é de vim na feira rever os amigos né? Os vendedores entendeu? Que já estão acostumados, quando a gente não vem, eles sentem falta da gente também, né? (C03)
[...] É uma relação de família [...] É amizade, quando vem ao banco é bem família [...]. A gente tem amizade muito grande, a gente depende deles pra tudo e tem que ser bem amigo [...] É uma relação de confiança, a gente já conhece eles há muito tempo [...] Quando a gente se encontra é uma festa [...] Tem o número de telefone, a gente liga durante a semana. Tem freguês que convida a gente pra passear na casa deles, pra passar o fim de semana. [...] As freguesas de Natal, tem umas cinco, elas convidam pra ir o carnaval pra lá, sempre. [...] [...] Temos amizade, hoje mesmo já to sentindo falta de duas freguesas que não vieram ainda. (V02)
[...] A gente tem uma relação de afinidade. A gente tem às vezes aquele certo carinho pela aquela pessoa de tanto que a gente já conviveu [...] Agora estamos programando um passeio pra casa de um cliente da gente, coisa que a gente não sabe nem quem são eles lá, mas de tanto a gente conviver com eles a gente já ta muito amigo, entende? (V06)
[...] O pessoal daqui é muito bom, é gente de confiança, eu saio andando pra ver se encontro o banco que eu sempre compro, porque ele me recebe bem. [...] Sinto falta da viagem, de rever o pessoal. (C06)
A relação intimista, ou mesmo de atenção ou de consideração entre os vendedores e compradores, se apresenta de forma recorrente, como descrita no relato abaixo:
[...] Quando a feira era lá em cima era melhor, existia uma relação mais próxima com os meus clientes. Meu banco era na Miguel de Sena, a venda era melhor, meus clientes vinham toda feira, vinham dar satisfação quando não compravam. (V04)
Sendo assim, é durante os encontros de serviço que os compradores e vendedores atribuem um outro sentido às suas interações comerciais que extrapolam o ponto de vista comercial e criam relações de amizade que se intensificam a partir dos hábitos e costumes, da regularidade e do tempo em que eles se relacionam, a ponto de inclusive, se revelarem relações de intimidade e confiança. Tal como situação verificada in loco, onde o Comprador 12 vendia os produtos, recebia e passava o troco dos pagamentos, e ainda embalava os produtos nas sacolas, como uma forma de ajudar seu amigo, o vendedor 08. Nesta situação, houve claramente uma troca de papel por parte do comprador 12 que desempenhou o papel de vendedor naquele instante.
Um outro aspecto observado refere-se à noção das relações familiares associadas às relações comerciais na feira. Como uma outra circunstância a ser relatada a seguir:
[...] Eu trato meus clientes do mesmo jeito como se fosse família. [...] Não tem esse negócio de cliente e família, fica tudo família. (V09)
É importante ressaltar, que esta interação familiar se revela apenas em casos onde já existem uma relação duradoura entre compradores e vendedores. Diferentemente de compradores e vendedores com pouco tempo de atuação na feira.
O importante aqui é a compreensão de que a “interação familiar” nesse contexto opera como uma forma de manutenção das relações comerciais, sendo ambas (relação comercial e familiar), interdependentes entre si.
5.4CATEGORIA 4:PERFORMANCE
Nesta categoria foram agrupados os significados das falas que correspondiam ao desempenho dos atores sociais no exercício de seus papéis. Aqui foram considerados como os vendedores e compradores enxergam ou exercem suas funções na feira. É oportuno salientar que embora as questões de relacionamento anteriormente citadas, advenham da forma como os indivíduos interagem entre si, nessa categoria consideraram-se os aspectos como atendimento, fidelidade, credibilidade, tratamento entre outros.
Partiu-se da definição de Goffman (2007) que considera performance ou desempenho como a atividade que o indivíduo executa que tem a capacidade de influenciar o outro. Nesse sentido, quando os entrevistados falavam sobre o atendimento, a maneira de tratamento dispensada, a forma como as relações comerciais eram conduzidas, optou-se por agrupar esses significados nessa categoria, pois ao observar as falas, percebe-se que se está falando do serviço prestado.
Outro ponto a ser considerado é que em relação aos encontros de serviços, principalmente quando do uso da metáfora teatral desenvolvida por Goffman (op cit) a performance corresponde ao desempenho de papéis e é entendida como uma interação entre cliente e vendedor, na qual ambos têm um papel a desempenhar nesse processo. Assim, o desempenho de serviços se dá na avaliação feita pelo cliente, no momento de contato com o serviço.
Nesse sentido a categoria performance enquadrou as unidades de significação das falas dos entrevistados que mais correspondiam a essa percepção de encontro de serviços comentada acima. Esta foi considerada significativa, pois dos respondentes apenas 02 não se referiram as esses aspectos como importantes. Significados como “atendem bem”, “costume
de comprar”, “cliente fiel” entre outros foram percebidos e agrupados nessa categoria, e são recorrentes nas falas abaixo:
[...] Legal, eles atendem muito bem entendeu? Não tenho o que me queixar. Quando vejo que não, não atendem bem, eu saio e vou embora, vou pra outro banco entendeu? [...] Eu comprava a ele, eu ligava pra ele, e dizia a ele eu quero tal peça, ai quando eu chegava só era diretinho pegar. (C01)
[...] Pra mim são ótimos, pelo menos os que eu compro eles me tratam muito bem, eu gosto. [...] O pessoal atende bem, tem muita gente legal ai viu? Muita gente honesta [...] já chegou o ponto de eu dar dinheiro assim, a mais, por engano né? E eles me devolverem, por isso é muito importante a pessoas ser honesta (C02). São ótimos, são boas pessoas, sempre gostam de ajudar e tratar as pessoas bem né? Sobre isso ais eles são maravilhosos, faz tudo que puder fazer por a gente, eles fazem. [...] Eles são camaradas, a maioria que eu comprei são tudo uns caras bacanas. [...] a gente chega com uns pacotes, eles guardam, ficam bem guardados entendeu? (C03)
[...] Esses cantos certos que eu compro, já chego no banco deles porque já sou acostumada a comprar naquele canto. (C11)
[...] Ela é super dez, é boa, é gente fina demais, gosto demais. Já faz seis anos que trabalho com ela. [...] Aqui a gente tem que procurar o banco pra comprar a mercadoria que já se acostumou. (C12)
[...] A minha relação com eles eu acho ótima certo, porque são fregueses fies, assim, na compra. [...] Eu facilito o preço, eu me envolvo com os problemas deles. [...] Quando é freguês fiel mesmo, a gente deixa a mercadoria no banco, guarda a mercadoria dele [...] Tenho vários tipos de clientes e trato muito bem, tem um cliente meu que é homossexual, e quando eu vejo que ele é homossexual ai é que eu trato melhor, porque eu sei que tem alguns bancos que não tratam eles bem. Como os feios, os deficientes físicos, negros, eu dou credibilidade a eles, trato bem todos os meus clientes, eu não faço diferença com eles. (V01)
[...] Tenho clientes que vem toda terça-feira, ela tá aqui comprando, eles são simpáticos, chegam, conversam, compram mercadorias e sempre voltam [...] Tem cliente que compra “x” e eu cobro “x” ai ela diz: “você é uma amiga, não uma vendedora”. [...] a gente cria amizade com os clientes, a gente cativa, conversa, eles gostam e sempre acabam voltando. (V09)
Ainda durante os encontros de serviço, foi observado que, do ponto de vista tradicional de performance, espera-se dos vendedores um padrão de comportamento consciente e de acordo com regras de conduta já estabelecidas, como está bem vestido, ser educado, tratar bem o cliente, enfim, atendê-lo de forma plena, o que não ocorre no ambiente da feira, pois lá, a consciência de seu papel como vendedor ou comprador no desenrolar da