Chapter 3: A framework of analysis for the study of local electricity systems
3.2. A six-step framework of analysis
“As obras arquitectónicas, as coisas, os objectos e os homens não dispõem apenas, nas duas dimensões, do espaço e do tempo. Uma terceira dimensão junta-se a elas, a dos meios técnicos nos quais os objectos técnicos proliferam ao mesmo tempo que novas formas de cultura e de intercâmbio são geradas por formas de informação sempre mais complexas”.
Pierre-Harvey
O ciberespaço surge como uma quarta dimensão na organização social colectiva, em que a primeira diz respeito à terra, a segunda ao território e a terceira ao mercado. Dentro do ciberespaço criam-se comunidades virtuais das quais advêm ciberculturas. O virtual não se opõe ao real, mas é a própria virtualidade que se torna uma esfera da realidade (Cardoso, 1998, p.20). Adelina da Silva, num estudo antropológico que fez sobre o ciberespaço, refere que este “oferece um cenário, se não equivalente, pelo menos bastante semelhante ao das sociedades complexas, de cuja reflexão, no campo da Antropologia, já resultou um referencial teórico bastante desenvolvido” (Silva, n.d.).
Deste modo, tal como o espaço territorial, também o espaço virtual necessita ter uma organização arquitectónica e estética, de modo a satisfazer as necessidades dos seus habitantes/navegantes. Cabe, assim, ao webdesigner o papel de arquitecto das cibercidades, pois é ele que vai encontrar as soluções e estratégias comunicacionais adequadas que, por sua vez, vão ser as imagens de fachada dos diversos serviços e espaços existentes no território virtual. Através da imagem e organização de uma página da Web será possível identificar o conteúdo da mesma, bem como os recursos de que dispõe e o público-alvo para a qual foi feita.
O tratamento da imagem e organização de uma página na Web será o primeiro passo para a implementação de um projecto, sem que se torne efémero e se perca no labirinto que é o ciberespaço internáutico. Apesar de a informação ficar armazenada e poder ser acedida a qualquer momento, só acede aos conteúdos quem encontrar os caminhos certos para o fazer. Deste modo, o desenho de uma página sinaliza um projecto criado permitindo a quem navega explorar o site com facilidade, eficiência e eficácia. O webdesigner será responsável pela comunicação articulada dos objectivos da criação do site que se prendem, com certeza, com a sedução dos navegadores da Web e com o intuito de transmitir uma mensagem.
Um site pode tornar-se mais, ou menos, envolvente consoante a composição de elementos multimediáticos, mas não só. A inclusão de espaços onde é possível interagir com os diversos actores transformam a experiência social num processo muito mais imersivo. O objectivo da inclusão de elementos multimédia deve prender-se com a resolução dos problemas dos cibernautas e tornar as informações mais acessíveis, pois o principal objectivo de um site, sobretudo de um de cariz político, é o fornecimento de informação. Uma falha na utilização de ferramentas multimédia polui os sites, gerando espaços sobrecarregados,
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layouts desapropriados que sobrecarregam os sistemas, por vezes sem sentido e que
desagradam os utilizadores.
Um espaço dentro do ciberespaço deve tornar-se agradável para que o utilizador não sinta que está a interagir com um corpo estranho, com uma máquina. O interface, como refere o especialista dos media Mark Poster, sendo a “face-entre-as-faces” deve parecer o mais transparente possível, deve ser fascinante e encorajar à exploração das suas várias “faces”. Deste modo, a máquina atrai o sujeito para utilizar a tecnologia de forma sedutora transformando-o num cyborg (Poster, 1995, p. 52). O homem acaba por fundir-se na tecnologia numa simbiose que o torna meio-homem, meio-máquina. Nesta união com a tecnologia, o indivíduo é chamado a interagir com ela ajudando a criar novos lugares que ele frequentará. A tecnologia deve ser utilizada para facilitar a interacção do utilizador com a máquina e não para dificultá-la. Assim, o interface deve tornar-se o mais transparente possível. É muito mais difícil criar designs elegantes e simples que sejam, sobretudo, funcionais. Cada elemento deve servir um propósito e deve ser informacional, comunicar algo útil. Cada elemento tem de adicionar valor à mensagem. Por exemplo, os símbolos dos partidos devem ser dispostos nas páginas apenas para se fazer uma associação ideológica do que é dito à força simbólica que têm. Esses símbolos carregam uma história, um estatuto social, uma posição. A regra de ouro da usabilidade de um site é “simplificar”:
“Quando interacções são muito complexas, as pessoas costumam não encontrar as informações necessárias e não se beneficiam do site. Interacções complexas aumentam tanto o tempo de aprendizagem como a probabilidade de as pessoas se confundirem. É melhor ter poucos recursos úteis do que muitos inúteis” (Nielsen, 2006, p.384).
O ciberespaço é, assim, um mundo paralelo ao territorial que à semelhança de uma cidade planeada racionalmente, como a “Metrópole de Le Corbusier”, funciona como um todo orgânico e lógico, mas vista de baixo, como aponta o sociólogo londrino Roger Burrows, revela-se uma cidade labiríntica onde não se tem a visão de conjunto e onde cada um opera ao nível de um conhecimento limitado (Cf. Burrows, in, Loader, 1997, p.65). Logo, uma página de Internet tem de ser funcional. Mas, enquanto o arquitecto define no território, através dos limites físicos e do centro geopolítico, a organização do espaço, o webdesigner elimina as distâncias físicas e representa no espaço virtual a dinâmica dos recursos e ofertas do site, utilizando uma estratégia comunicacional que se baseia nas potencialidades multimodais do meio, de modo a estruturar a informação que pretende dar a conhecer.
Não obstante, quando nos referimos à existência de dois espaços que podemos habitar, não podemos falar de dois lugares diferentes, ou opostos, muito pelo contrário. O mundo físico e o mundo virtual são um só, ou antes, o mundo virtual é a extensão do mundo físico e o Ciberespaço é o prolongamento do Espaço. Assim, a diluição em curso das distâncias físicas e os novos conceitos de tempo e espaço requerem um modelo de cidade com conexões
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físicas e digitais. Uma arquitecta húngara, Yona Friedman, que se debruçou sobre a organização arquitectónica de megacidades, afirmou que “a nova cidade deve adaptar-se às transformações espectaculares da técnica e aproveitar-se dessa técnica para adquirir um máximo de liberdade”, nomeadamente a possível dispersão proporcionada pelas transformações técnicas do seu tempo, tais como as telecomunicações, ou a automatização (Friedman, 1978, pp.41-2).
Para a arquitecta Friedman, a arquitectura das cidades territoriais já devia ter em conta um estudo das redes. As estruturas tecnológicas de comunicação são como um sistema nervoso das cidades actuais, pois as ligações comunicacionais existentes articulam os fluxos informativos das sociedades, os centros de consumo, de produção, de lazer e de residência. O planeamento urbano deve ter em conta este sistema estrutural. Deste modo, as cidades, para além das suas edificações e redes de transportes, são constituídas pelos meios de comunicação e múltiplos espaços virtuais e, também, pela articulação de uns e outros formando-se um ambiente híbrido essencial para a vida urbana metropolitana. E, deste modo, a sociabilidade tornou-se efémera, completamente alienada dos espaços físicos e o novo sincretismo cultural, aliado à nova organização das cidades, resultará numa nova justaposição hierárquica dos indivíduos.
Por conseguinte, é por esta razão que o espaço territorial e o espaço virtual não existem separadamente, mas articulam-se, sendo que os espaços públicos são tanto territoriais como virtuais. Esta é a primeira grande mudança que o virtual ocasionou no mundo material. Uns não existem sem os outros e as potencialidades dos ciberespaços têm de ser aproveitadas, no sentido de criar ciberespaços públicos para a discussão e reflexão de assuntos de interesse comum que se vão reflectir em acções e decisões políticas e sociais.
2.1.- Hierarquização da Nova Polis
A diferença entre as comunidades do “mundo real” e as comunidades virtuais reside nas regras e normas de funcionamento do ciberespaço. Viver no ciberespaço implica adquirir e interiorizar a cibercultura que o alimenta.
De facto, o ciberespaço pode alargar a democracia, na medida em que é menos controlado de “cima” sendo, pelo contrário, controlado a partir de “baixo” e, logo, menos hierarquizado. Urge, então, saber se no mundo da Web as palavras de um homem sábio têm o mesmo valor que as de um amador. Ou terão mais valor? Os espaços não têm todos a mesma visibilidade. Nos blogues isso é notório, pois existem determinados discursos que dão azo a investigações e a um novo desenrolar de acontecimentos que se estendem para além do espaço cibernáutico. O número de visitas por página da Web revela se estas são muito, ou pouco frequentadas pelos utilizadores.
Ora, as comunidades virtuais são também hierarquizadas e temos a noção de que os emissores não são ouvidos todos da mesma forma. De certo modo, existe ainda um elitismo de
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quem acede e de quem intervém nos processos comunicacionais on-line. E isso varia de comunidade para comunidade. Do mesmo modo que a opinião pública é formada nos cafés, nos ciberfóruns e cibergrupos de discussão, onde os indivíduos reflectem sobre os problemas, criticam e tomam posições que podem, ou não, atingir os elementos centrais do governo. Por outro lado, há determinados espaços na Internet que ganham também visibilidade nos outros
media que os publicitam e assim ganham uma importância maior.
Também a socióloga Maria João Simões chama a atenção para o facto de no ciberespaço se reproduzirem as desigualdades que existem no espaço físico. Aliás, ela considera mesmo que isso se torna evidente em ciberespaços de participação política, onde apenas participam aqueles que se sentem capazes de o fazer porque têm um estatuto social que legitima essa participação. Logo, a participação em espaços virtuais é uma extensão daquela que o indivíduo efectua fora deles (Simões, 2005, pp.64-5). A autora refere, ainda, acerca de eventuais constrangimentos da participação dos actores sociais na rede:
“Tendo em conta as assunções apresentadas e reportando a reflexão para a participação política digital, está-se na presença de concepções de participação, interesses, objectivos e poderes muito diferentes, suportados por actores muito diversificados, alguns poderosos, como os governos e as grandes empresas, que accionarão tipos diversificados de participação política. As oportunidades desses actores (sejam grupos, partidos, movimentos, associações ou actores individuais) participarem, digitalmente, de acordo com as suas concepções, não são iguais; os que têm maior poder poderão impor e tornar dominante a sua concepção” (Simões, 2005, p.92).
Assistimos, portanto, à transposição da realidade física no virtual e vice-versa e, os espaços virtuais são, deste modo, representações das territorialidades tradicionais. A comunidade virtual pode reflectir a realidade dita “normal”. Mas, estamos convictos de que os ciberespaços da Internet são locais revolucionários para a organização social e, especialmente, para o funcionamento do regime democrático, já que são lugares democráticos pelo livre e igual acesso dos cibernautas. Além disso, sendo locais de livre participação, a envolvência dos cidadãos na discussão de determinados assuntos, como aqueles que são de interesse público, pode repercutir-se numa melhoria do exercício democrático que, por sua vez, se pode tornar mais directo e mais representativo. Havendo espaços legítimos de discussão de assuntos públicos, os cidadãos passam a intervir mais nos acontecimentos públicos, deixando de estar confinados à participação, reduzida, no voto eleitoral.
O “ideal de democracia” tem o seu princípio na “acessibilidade” dos cidadãos à coisa pública. No entanto, no que diz respeito ao acesso aos novos media para intervir no debate público, permanecem, ainda, algumas deficiências, pois, na verdade, nem todos acedem de igual modo a eles e só em potência é que existe a possibilidade de todos os indivíduos do mundo acederem a todos os media de igual modo. No caso da Internet, apesar de a tendência ser a exponente expansão e utilização por todos, ainda há quem não aceda à rede, quer seja pela falta de literacia digital, quer seja por carências económicas, por proibição estatal, ou até mesmo por falta de interesse.
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Assim, estas questões remetem-nos para a apropriação do espaço virtual pelos indivíduos e para os fenómenos de enraizamento e pertença nas cibercomunidades. Ou seja, convém reflectir sobre a pertença de cada um de nós a uma cibercomunidade e qual o papel que desempenhamos no ciberespaço. Afinal o ciberespaço favorece novas possibilidades de relacionamento e de ascensão social? Ou é somente uma reprodução das ideologias e da hegemonia existente? Como sobrevive o indivíduo no ciberespaço? Qual o lugar que ocupa e qual a sua (ciber)identidade?
Sim, o ciberespaço permite o estabelecimento de novas relações sociais e também permite (pelo menos em potência) ao indivíduo ascender socialmente, na medida em que lhe fornece as possibilidades de construir uma (ciber)identidade com novas características. Há quem se torne conhecido devido a páginas pessoais que criou na Web, ou torna-se agora muito comum individualidades tornarem-se populares em redes sociais. No entanto, verificamos muitas vezes que os sítios mais visitados são-no porque os seus autores já são conhecidos, de algum modo, na praça pública, e mesmo antes de serem conhecidos na Web foram mediatizados em outros órgãos de comunicação social.
No entanto, a questão da ciberidentidade é bastante mais complexa e a sua construção vai depender dos espaços habitados pelo indivíduo e das comunidades virtuais a que pertence. Para se definir uma identidade no ciberespaço é crucial que o indivíduo pertença a um grupo social, neste caso uma cibercomunidade. Podemos dizer que são as ligações estabelecidas na rede que vão acrescentar a parte “ciber” à identidade do indivíduo, que é antes demais biológica e psicológica. Para se entrosar no ciberespaço, o indivíduo tem de assumir essa ciberidentidade e integrar-se numa cibercomunidade. Pois, como afirma o sociólogo contemporâneo canadiense Pierre Harvey: “Existem aqueles que pertencem ao meu grupo comunáutico e os outros” (Harvey, 2002, p.77). A dialéctica fora/dentro, que correspondia outrora à distinção próximo/longínquo, aqueles que nos são próximos e os estrangeiros, é substituída por outros níveis que dizem respeito aos interesses de cada grupo partilhados num espaço não físico, mas virtual. E a diferença reside precisamente no espaço. Será esta a forma de construção da identidade dentro do ciberespaço.
Harvey refere, igualmente, que “o homem só tem uma experiência autêntica no interior de porções finitas de universos” (Harvey, 2002, p.44), o que significa que os indivíduos mantêm práticas comunicacionais específicas num espaço e tempo determinados. O mesmo vai acontecer no ciberespaço, onde os cibernautas optam por pertencer a um grupo. O que se pode verificar é que as cibercomunidades movem-se por valores e princípios diferentes do das comunidades tradicionais, uma vez que esses mesmos valores e princípios não lhes são impostos à partida quando inseridos na sociedade e só depois de os apreenderem na sociedade onde vivem é que escolhem aqueles a que vão dar continuidade no espaço cibernáutico. Assim, podemos dizer que o ciberespaço é a concretização virtualizada dos ideais de cada indivíduo. Os elos sociais criados nas comunidades virtuais alteram todas as formas de socialização tradicionais que conhecemos. Poderemos falar de uma retribalização da sociedade.
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Portanto, concluindo as respostas às questões colocadas, o ciberespaço possibilita novas formas de relacionamento e, desse modo, sendo um espaço de “potência”, também permitirá ascender socialmente, dependendo das relações e ligações que se estabelecem. Mas, o ciberespaço também pode reforçar ligações existentes fora dele e apenas se limitar a reproduzir o que já existe. Em relação à formação da ciberidentidade, vamos aprofundar este tema num ponto mais à frente, após falarmos da dinâmica das cibercomunidades dentro do ciberespaço.
2.2- Cibercomunidades e Ciber-redes sociais
O ciberespaço originou, então, novas comunidades, as comunidades virtuais ou cibercomunidades. Nas formas tradicionais de organização das sociedades formaram-se as aldeias, vilas e cidades para facilitar a comunicação e as trocas comerciais entre as pessoas. Logo, quem permanecia longe das dinâmicas das metrópoles tinha sempre mais dificuldade em aceder a determinadas informações, conhecimentos e produtos. Com o desenvolvimento das novas tecnologias e dos novos media as organizações sociais, culturais e económicas transformaram-se completamente.
Mário José Lopes Guimarães Júnior sustenta que, no caso da Internet, “mais que constituir-se num artefacto tecnológico inovador, estabeleceram-se um novo espaço e tempo de interacção social, dentro dos quais emergem formas novas e diferenciadas de sociabilidade” (Guimarães, 1997). As características dos ciberespaços da Internet permitem juntar pessoas, que apesar de nunca se terem cruzado, se reconhecem espiritualmente e partilham da mesma força de vontade, dos mesmos sentimentos. É neste sentido que podem constituir-se as comunidades virtuais. As relações sociais vão assumir as características do meio, vão ser mais interactivas, mais híbridas e mais fluídas também.
Para Jan Van Dijk e Kenneth Hacker, dois autores que estudaram a democracia digital, as redes on-line assumem um papel crucial para a organização social, mas as redes não constituem por inteiro a mensagem, pois, segundo os autores, as propriedades, as acções e trocas das pessoas nestas redes é que vão definir o que acontece e o acontecimento final não está determinado, logo à partida, pelas inúmeras possibilidades abertas na rede (Hacker e Van Dijk, 2000, p.32).9 Howard Rheingold que escreveu, com sucesso, o livro Comunidades
Virtuais, estudando uma das primeiras comunidades on-line do mundo, definiu comunidades
virtuais como “os agregados sociais surgidos na rede, quando os intervenientes de um debate o levam por diante em número e sentimento suficientes para formarem teias de relações pessoais no ciberespaço” (Rheingold, 1996, p.17).
9 “The formal and technological properties of networks are important, but the actions and exchanges of people in these networks finally decide what happens”.
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As redes sociais existentes na Web são o exemplo de como o ciberespaço se encontra organizado em cibercomunidades auto-estruturadas e hierarquizadas de acordo com a “inteligência colectiva” que o dinamiza (Lenhart, 2009).10
Num estudo feito por Hampton acerca da influência dos novos meios na sociabilização, concluiu-se que as cibercomunidades criadas nas redes sociais da Web proporcionam novas oportunidades para os indivíduos exporem as suas opiniões e dúvidas, para debaterem determinados assuntos, algo que pode ser aproveitado por comerciantes e grupos de interesse, sendo que podem querer utilizar os serviços das redes sociais para influenciar a tomada de decisão sobre produtos de consumo ou opinião política (Keith, 2009).11
O mundo está assim ligado em rede e a evolução das comunidades on-line, desde os anos 90, permitiu o fim do anonimato e o possível desaparecimento da vida privada. Há cada vez mais partilha de informação e interacção entre os cibernautas. Há cada vez mais trocas culturais em todo o mundo. Mas, o facto das culturas se misturarem não significa que as sociedades se homogeneizem. O ciberespaço é um lugar, por excelência, de afirmação das individualidades e da subjectividade. Assim, em vez de gerar consenso, pode gerar cada vez mais dissenso.
Para que uma comunidade não se desintegre, é necessária a existência de um núcleo duro capaz de manter a coesão dentro da diversidade de membros que compõem essa mesma comunidade. Esse núcleo poderá partir da cúpula, isto é de agentes com autoridade pública, como governantes, agentes políticos, pessoas que tenham um estatuto social reconhecido. Deste modo, o ciberespaço poderá replicar e reforçar os papéis existentes fora dele, como já o averiguámos atrás. O mesmo acontece nos ciberespaços internáuticos e no seio das cibercomunidades. As redes têm que saber autogerir-se para sobreviverem. Assim, devem criar-se restrições, com o cuidado de não se imporem à liberdade de expressão dos indivíduos, o que não seria vantajoso para o bom nome da democracia, mas é conveniente estabelecer-se uma “netiquette”.
A netiquette consiste num conjunto de regras e normas, costumes e atitudes aceitáveis, que os utilizadores da Internet devem assimilar para que respeitem e sejam respeitados no ciberespaço. O conhecimento desta dinâmica do ciberespaço deve ser
10 O texto de Amanda Lenhart, Adults and social (2008) networks, revela que um terço (35%) dos
utilizadores de internet americanos adultos tem um perfil num site de rede social em linha. Quatro vezes mais do que há três anos atrás, mas um dado ainda muito inferior aos 65% dos adolescentes americanos que interagem em redes sociais. Apesar de ser um fenómeno que interessa, sobretudo aos mais jovens, está a alargar-se por todas as faixas etárias da sociedade. Basta as pessoas adquirirem a literacia essencial para navegar no ciberespaço e utilizar todos os trilhos abertos à expansão das suas