4. TEORETISK GRUNNLAG
4.9. Spebarnsår og barndom
O surgimento do Estado moderno e a consolidação do capitalismo caminham lado a lado, pois a característica desse Estado é a crescente divisão do trabalho, divisão da sociedade, em classes antagônicas, e a propriedade privada capitalista. Assim sendo, o Estado moderno é “[...] essencialmente o Estado capitalista” (GREEN, 2007, p.84) e funciona como um educador, no campo ideológico e organizador da produção.
A formação do Estado moderno e os sistemas públicos de educação não podem ser compreendidos separadamente. Os sistemas públicos de educação forneceram, no processo de formação dos Estados nacionais, em grande parte das nações, entre o século XVIII e XIX, as condições para construções “[...] ideológicas e crenças coletivas que legitimam o poder estatal e consubstanciam os conceitos de nacionalidade e “caráter nacional” (GREEN, 2007, p. 77).
Para tanto, os sistemas educacionais estatais vão implantar esse processo que vai universalizar o “interesse nacional” concebido pelas classes dominantes da sociedade.
Green (2007, p.80) afirma que a escola “Tornou-se uma instituição sui generis, uma parte integral do aparato estatal do estado-nação burguês do século dezenove e um pilar vital da nova ordem social [...]. O sistema educacional desenvolveu-se, paralelamente, com o moderno estado capitalista”. O Estado nacional vinculado ao estado capitalista vai exigir da escola um aparato que lhe forneça a concretização de seus objetivos. A necessidade de formar todos os recursos humanos para esse aparato, ou seja, para ocupar as funções públicas no governo, quer administravas, ou militares, e ainda para a produção manufatureira, que exigia novas habilidades, situa o sistema educacional em um lugar estratégico, na medida em que vai assumindo a responsabilidade do desenvolvimento de uma “[...] lealdade política entre as pessoas e para criar a cultura de coesão nacional parecida com a imagem da classe governante” (Ibidem, p.81)
Com a formação do Estado, começam a ocorrer as reformas educacionais necessárias, pois proporcionalmente à sua formação a educação assume grande importância, na construção e consolidação do Estado nacional burguês e do capitalismo. A educação “formou o cidadão responsável, o trabalhador diligente, o pagador de impostos espontâneo, o jurado confiável, os pais conscienciosos, a esposa responsável, o soldado patriótico e o eleitor fidedigno” (GREEN, 2007, p. 82).
Nesse contexto, a escolarização adquire um papel importante, tanto do ponto de vista capitalista para mercado de trabalho, quanto para o Estado nação que precisa ser consolidado e via, na escolarização, uma forma de atingir seus cidadãos como um todo, de modo a fornecer uma amálgama que produzisse uma unidade nacional.
As instituições de ensino, com o desenvolvimento do sistema capitalista de produção, no século XVIII e XIX, assumem também um caráter disciplinador. O sistema produtivo necessitava de trabalhadores e trabalhadoras disciplinados, que se submetessem a condições desumanas de trabalho. Os professores e as professoras, mais do que ensinar leitura e operações matemáticas básicas, deveriam ensinar a obediência (SACRISTÁN, 2000).
Ao longo do século XX, outras demandas se impõem ao sistema educacional, em que na escola a “[...] verdadeira preocupação dos professores e professoras era ensinar obedecer de forma acrítica, a se calar perante a autoridade” (GREEN, 2007, p. 82). Pensava-se que essas eram as características da pessoa educada que a nova sociedade industrial precisava.
Sacristán (1998) salienta que o momento histórico, em que nasce a teorização do currículo, enquanto campo está intimamente relacionado com o contexto da perspectiva tecnológica, burocrática ou eficientista do currículo como forma de patrocinar a organização e o controle do currículo. A gestão científica, oriunda da produção industrial taylorista, estabelece como princípio a eficácia, o controle, a previsão, a racionalidade e a economia como elementos fundamentais da prática. Isso vai contaminar a compreensão do currículo, que vai assimilando o modelo da gestão cientifica.
A divisão do trabalho em concepção e execução é também assumida, no âmbito do currículo. Na fábrica, um pequeno grupo – gerente – pensa, planeja, distribui e racionaliza a produção e os demais – trabalhadores – executam as tarefas mecânicas, minuciosamente, previstas. Esse mesmo princípio vai orientar o currículo. Alguns especialistas produzem, planejam e preveem a execução dos currículos oficias e os professores executam o que foi previamente, estabelecido. Obviamente, que este currículo, nessa perspectiva, perde de “[...] vista a dimensão histórica, social e cultural [...]” (SACRISTÁN, 1998, p. 46) para converter-se em objeto gestionável.
Apple (2006), em sua clássica obra Ideologia e currículo, ao pesquisar sobre a ideologia implícita, no currículo, faz com base em uma análise econômica, mas com consistentes ingredientes cultural e ideológico, para entender a problemática do currículo, na sociedade capitalista americana. Dessa maneira, superando uma concepção linear, mecanicista da relação produção e educação. Ele vai recorrer a
Gramsci para desenvolver estudos sobre hegemonia e assim, compreender a organização do currículo como um campo de disputa social, onde os grupos dominantes empreendem grande força para manter sua dominação. Assim, a dominação econômica se transforma em hegemonia cultural, quando esta se torna comum, na sociedade.
É neste imbricado processo que o currículo precisa ser entendido. A escola, como instituição de preservação e de distribuição da cultura, que produz e reproduz de formas implícitas a dominação a gerações, sem que isso seja entendido como “dominação”. Nessa perspectiva, o currículo assumiria um caráter oculto, que se materializa por meio das práticas que são assumidas pelos professores frente ao processo de escolarização das expectativas que se projetam aos alunos e futuros cidadãos.
Para Apple (2006), a escola, na sociedade capitalista, se organiza com um currículo voltado à manutenção da hegemonia ideológica desde cedo, já na educação infantil, pois “quanto mais cedo melhor”, estabelecendo os princípios e as regras que esses alunos irão incorporar para mais tarde determinarem suas atitudes, na vida social.
Desse modo, o processo de escolarização e o currículo se constituem em um campo de luta e conflitos, que reproduz as forças produtivas e econômicas, históricas e sociais. Por um lado, a educação escolar significa “submeter-se às suas normas, exames, mecanismos de avaliação e controle que passa a ser condição de inserção social” e por outro “carrega e alimenta esperanças de democratização social e de libertação dos povos” (SARMENTO, 2005, p. 1365)