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Social and cultural geography

A seguir, descrevem-se os episódios utilizados nas sessões de ACS, assim denominados: Rapunzel, Alfabeto móvel e Aula de Matemática.

4.2.1 Episódio Rapunzel

A aula começa com Renata explicando aos alunos a importância do gênero textual “conto”. A turma está sentada em fileiras e os alunos formam duplas. Na lousa, está fixado um cartaz contendo títulos de contos que eles já conhecem: Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos, Patinho Feio, Bela Adormecida, Branca de Neve e os Sete Anões, A Bela e a

Fera, O Pequeno Polegar, João e Maria, Rapunzel e, finalmente, João e o Pé de Feijão. Ao ler a lista de contos para a turma, Renata solicita a interação do grupo. Os alunos estão com os cadernos e o livro de texto do aluno do Programa Ler e Escrever sobre suas carteiras. A professora solicita que guardem os cadernos, informando que esse material não será utilizado nessa aula. Todos acatam seu pedido. Ela diz aos alunos que, embora já tenham lido o conto Rapunzel, essa é a história escolhida para o dia e indica o número da página em que é possível encontrar o texto e, assim, acompanhar a leitura em conjunto com a docente. Além da instrução verbal, Renata escreve na lousa o número da página e, enquanto escreve, fala em voz alta o que está escrevendo. Inicia a leitura do conto em voz alta e circula por toda a sala. Ao final da leitura, Renata volta-se para a turma e pergunta: “quais são as características de um conto?”; “como eles começam?”; “como eles terminam?”. Alguns alunos respondem à primeira pergunta com um “era uma vez” e, à segunda, com “foram felizes para sempre!”.

A professora, então, aproveita a ocasião para reafirmar que a presença desses dois marcadores caracteriza e define textos do gênero “conto”. Ainda trabalhando com a oralidade e estimulando a participação do grupo, faz uma pergunta sobre os personagens, que é prontamente respondida pelos alunos. Ao explorar o texto, Renata escolhe algumas palavras (“anoitecer” e “espiando”) cujos significados as crianças devem identificar. Todos participam: “anoitecer é quando está ficando de noite”; “espiar é quando tem alguém te olhando, te curiando”. Após o trabalho com a oralidade, a professora apresenta à classe uma folha intitulada “quem foi que disse...”. Esta atividade contém frases retiradas de outros contos – “Vou soprar, vou soprar e sua casa derrubar”; “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu?”; “Vovozinha, que nariz grande você tem!”. Enquanto Renata lê essas frases para os alunos, eles respondem apontando, corretamente, o nome dos personagens enunciadores das frases. Em seguida, ela entrega a folha de atividades e solicita aos alunos que escrevam no local indicado – uma linha que se encontra embaixo de cada uma delas – o nome do personagem a quem atribuem o texto. Interessa observar que, enquanto Renata entrega as folhas para toda a turma, o aluno Vinícius realiza toda a atividade. Assim, sem ter o que fazer, o menino fica esperando que todos os colegas terminem o proposto pela docente.

Ao circular pela sala observando o desenvolvimento da tarefa solicitada aos alunos, a professora percebe que a maioria do grupo tem dificuldade para escrever corretamente a palavra “madrasta”. Ela, então, vai até a lousa e questiona: “como podemos escrever a palavra ‘madrasta’?”. “Quais são as letras que estão entre o “a” e o “t”?”. Repete a palavra pausadamente: MA-DRAS-TA. Um aluno responde: o “s”. Ela se dirige ao grupo e diz que

algumas crianças estão se esquecendo do “s” e também de outras letras. Renata continua andando pela sala e, após alguns minutos, volta à lousa, onde registra as várias grafias usadas pelos alunos para escrever a palavra “madrasta”. Dessa maneira, na tentativa de socializar dúvidas, ela acaba salientando os erros cometidos, dificultando a solidificação da escrita correta da palavra. A interação dos alunos para realizar a proposta da professora continua e se esforçam muito para descobrir as letras faltantes. Finalmente, Renata corrige a atividade na lousa, contando com a atenção do grupo.

A segunda atividade, apresentada em outra folha, requer que os alunos escrevem uma palavra que comece com as iniciais da palavra Rapunzel (R, A, P, U, N, Z, E, L). Na terceira atividade, são apresentadas diversas palavras dos contos (Rapunzel, cabelo, madrasta, torre, vermelho, porquinhos, espelho, entre outras). O objetivo é que os alunos marquem o quadrinho com a palavra “torre”, que corresponde à pergunta “em qual lugar Rapunzel ficou presa?”. A quarta e última atividade desse episódio é de associação: os alunos devem ligar as palavras que se complementam, como “chapeuzinho” e “vermelho” e, assim, consecutivamente. Após dar as instruções, Renata indica que, no primeiro exercício, as palavras não podem ser iguais às dos colegas próximos, ignorando que, nesse momento de construção da escrita, copiar pode ser uma maneira de aprender com o outro. Enquanto os alunos tentam seguir suas instruções, ela caminha entre o grupo, atende alguns alunos e senta- se em sua cadeira, esperando que terminem a tarefa. Os alunos com mais dificuldades procuram a professora, que os atende prontamente. A atividade termina com sua correção na lousa.

4.2.2 Episódio Alfabeto móvel

A atividade começa com a professora perguntando aos alunos: “Quem aqui já foi em uma festa de aniversário”? Todos respondem ao mesmo tempo: “Eu, eu, eu”. Os alunos estão separados em quartetos. A professora então questiona: “O que nós temos em uma festa de aniversário?” Prontamente, o grupo replica: “bolo, bexiga, brigadeiro, guaraná, beijinho, convidados, bala de goma...”. A professora permite que todos falem enquanto fixa uma sequência de folhas na lousa. Dirige-se, então, à turma: “Agora, eu vou lembrar, com vocês, algumas coisas que vocês disseram: tem bolo”? E a turma responde: “tem”; novamente, ela questiona: “tem bexiga?”. E os alunos dizem: “sim”. Em seguida, ela lhes entrega o kit com as

letras móveis e solicita a cada grupo que organize a escrita das palavras que nomeiam os doces de festas de aniversário.

Ao circular pela sala, Renata percebe que um aluno está empenhado em escrever a palavra “cachorro-quente”. Retoma a instrução da atividade em voz alta: “Pessoal, só para lembrar: vocês têm que escrever sobre as coisas doces que temos em festas de aniversário”. Os meninos de um grupo estão tentando escrever a palavra “bolo”, que resulta em “bolau”. A professora lê o que foi escrito em voz alta, pedindo-lhes que procurem a forma correta da escrita. Um aluno de outro grupo aproxima-se da docente e questiona: “Prô, como se escreve pirulito?”. Ela responde pronunciando as sílabas pausadamente: “PI-RU-LI-TO, vai para a sua mesa e escreva como você acha que é. Daqui a pouco, eu passo lá”. Ao observar que os vários grupos tentam escrever alguma palavra relacionada aos doces de festas de aniversário, orienta que todos escrevam a palavra “suco”, no que é prontamente atendida. A docente observa que uma das meninas escreve “sueo”, mas dirige-se à classe e diz, pausadamente, “SU-CO.” Ela solicita a ajuda de todos, que rapidamente chegam ao resultado esperado. É possível observar o engajamento na atividade. Em outro grupo, Renata questiona: “Para formar a palavra ‘suco’, eu preciso de quais letrinhas?”. Um dos alunos responde: “Começa com ‘s’, prô!”, recebendo incentivo da professora. Quando todos conseguem atingir o objetivo esperado, Renata propõe a escrita da palavra “aniversário”, repetindo-a pausadamente: “A-NI-VER-SÁ-RIO!”. “Com qual letra começa essa palavra?”, questiona, e todos respondem: “A”.

Ao perceber que os alunos apresentam dificuldade para escrever a sílaba “ver” (que tem três letras), Renata questiona: “Gente, como se escreve o ver?”, recebendo a seguinte resposta: “Precisa do ‘v’ e do ‘e’.” Ela insiste que falta algo, mas, percebendo que as crianças não sabem o que é, dirige-se até a lousa e diz, com o giz na mão: “Para formar o ‘ar’, o ‘er’, o ‘ir’, o ‘or’, do que eu preciso?”. Os alunos parecem perdidos, mas Renata não desanima. Escreve a letra “e” no quadro e, prontamente, um dos alunos responde: “Falta o ‘r’, prô.” Ela escreve “ver” na lousa e repete: “A-NI-VER-SÁ-RIO”. Ao final da atividade, pergunta mais uma vez: “Quantas letras eu preciso usar para escrever a palavra ‘aniversário’?”. Os alunos tentam acertar, mas apenas um consegue: “Prô, eu usei 11 letras”. Esse menino é chamado à frente da sala e solicitado a dizer em voz alta sua resposta, para todos ouvirem. O menino, quase gritando, diz: “Eu usei 11 letrinhas”. Ela o parabeniza e ele volta a seu lugar. A atividade termina quando a professora pede que o grupo guarde as letras móveis e se reorganize em duplas.

4.2.3 Episódio Aula de Matemática

A instrução para que essa atividade possa ocorrer a contento é dada por Renata um dia antes de sua execução. Ela pede aos alunos que levem à sala de aula uma pesquisa de preços com alguns produtos dos quais gostam: chocolate, bala, sorvete etc. No entanto, são poucos os que cumprem a tarefa solicitada, o que não impede o início da atividade. A professora entrega uma folha aos alunos, que estão sentados em duplas. Em seguida, com uma folha em mãos e no centro da sala, começa a explicar que eles agora vão realizar uma tarefa denominada “pesquisa de preços”. Renata lê para todos o que deve ser feito: “pesquise o preço de uma bala, um picolé e um chocolate que você gosta. Depois disso, escreva o nome dessas guloseimas, seus preços e quantas moedas você utilizaria para pagar pelo produto no quadrinho abaixo. O primeiro deles é o que pessoal?”. Todos respondem: “chocolate.” A professora continua: “então, o que vocês vão escrever no primeiro quadradinho?”. Os alunos respondem: “chocolate”. Na sequência, ela diz: “Quanto vocês vão pagar no chocolate?”. Os alunos respondem (olhando para a lousa, pois a professora escreve os valores no quadro): “um real”. Renata complementa sua instrução: “quantas moedas você utilizaria para pagar o chocolate? Façam isso com a bala e o picolé, também! Lembrem-se: quantas moedas vocês usariam para pagar o produto?”. Dito isso, faz algumas simulações de valores com o grupo e solicita que comece a trabalhar no que lhes fora proposto. No decorrer do processo, sugere aos alunos que façam uma conta de adição: “pessoal, no final da folha sobrou um espaço. Gostaria que vocês fizessem uma continha: quanto se vai gastar para comprar dois picolés? Depois a prô corrige com vocês! Podem fazer”. É possível perceber que as crianças que têm dúvidas procuram constantemente a professora.

Renata percebe que a aluna Raquel está sem sua folha e pergunta duas vezes, em tom enérgico: “Raquel cadê a sua folha?”. A aluna hesita em responder, mas acaba indicando que seu material está com Liliane. A professora dirige-se até a carteira dessa menina e, ao perceber que ela está com as folhas de outros colegas, questiona: “para quem você está fazendo esse?”. Liliane abaixa a cabeça e não responde. Irritada com a situação, Renata segura o braço da menina e pede que ela lhe olhe. A aluna não o faz. Novamente, Renata pergunta: “de quem é essa folha, Liliane?”. A menina continua sem responder. A professora retira as folhas de Liliane e pede-lhe que faça sua atividade sem copiar de ninguém: “eu quero ver você fazer sozinha!”. Depois de alguns minutos, Renata percebe que a menina está chorando e lhe diz, então, que pegue a folha e vá até sua mesa, para que possam fazer a

atividade juntas. A menina atende ao pedido da professora. Observando que outros alunos se aproximam para esclarecer dúvidas, Renata solicita que esperem, explicando que, naquele momento, estava atendendo apenas Liliane. O grupo aceita o pedido da professora. Renata chama para perto de si também Arthur, ao perceber que ele está com as mesmas dificuldades de sua colega. Arthur e Liliane trabalham juntos, com a mediação da professora, e terminam a tarefa em suas mesas. A atividade finaliza-se com as correções de Renata na lousa.