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Journals/series at Level 1 and Level 2 per 2010

A pesquisa que empreendemos no propósito de compreender o contexto sócio- histórico em que a atividade de trabalho do redator viria se configurando nos últimos 20 anos permitiu-nos não apenas depreender as mudanças que culminaram nas suas duas atuais categorizações, mas ainda orientar o nosso estudo especificamente para a atuação de um profissional que outrora designávamos tão somente como “redator” e ao qual, a partir de então, passamos a nos reportar como redator de textos técnicos.

Foi a partir da investigação de normas/prescrições acerca da atividade de trabalho do redator que chegamos ao site da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO 2002)15, um documento normalizador do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no qual encontramos a distinção feita entre as duas Famílias Ocupacionais nas quais o redator – este título mais abrangente – pode ser identificado: na Família dos Profissionais da Escrita, em que se encontra o redator de textos técnicos, e na Família dos Profissionais da Publicidade, em que se classifica o redator de publicidade.

Cientes das definições que a Classificação Brasileira de Ocupações datada de 2002 – doravante, CBO 2002 – atribui a cada uma dessas classes de redator, verificamos a necessidade de aprofundar a nossa pesquisa para além dos resultados obtidos inicialmente a partir da consulta pelo título “redator”. Embora esta seja uma das possibilidades de busca que a CBO 2002 disponibiliza16, consideramos que utilizar o site como uma espécie de “dicionário ampliado das ocupações”, dele extraindo unicamente as informações que nos interessavam imediatamente, poderia nos induzir a alguns equívocos e comprometer parte da nossa análise. Assim, alcançando a importância da CBO 2002 como um documento normalizador que reconhece, nomeia e codifica os títulos e conteúdos das ocupações do mercado de trabalho brasileiro, revimos o nosso direcionamento e constatamos a necessidade de contemplar as origens

15 Todas as informações referentes à Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) citadas e/ou

reproduzidas neste capítulo, tanto aquelas relacionadas à versão publicada em 1994 quanto aquelas correspondentes à sua versão atual, publicada em 2002, encontram-se disponíveis no site: <http://www.mtecbo.gov.br>.

16 Além da busca por título, o site da CBO disponibiliza buscas a partir da listagem de profissões

regulamentadas, pelo código de cada ocupação, pela estrutura por meio da qual as Ocupações foram categorizadas e por título de A a Z.

da CBO 2002, os seus objetivos, as suas aplicabilidades e, sobretudo, os seus critérios de classificação.

O conhecimento mais acentuado acerca das questões referentes à CBO 2002 e aos critérios de categorização e descrição por ela adotados conferiu novos contornos aos resultados que registráramos nas nossas primeiras consultas, fornecendo-nos, assim, a base das prescrições que buscávamos para compreender a atividade de trabalho do redator. Mais particularmente, a nossa imersão no site e no histórico da CBO proporcionou duas grandes contribuições para o desenvolvimento da nossa pesquisa: a especificação do tipo de redator sobre o qual realizaríamos a nossa pesquisa – o redator de textos técnicos – e a própria delimitação do espaço-tempo no qual pesquisaríamos o contexto sócio-histórico referente à atividade desse profissional – predominantemente, nas categorizações e prescrições publicadas pela CBO nos últimos 20 anos.

Diante de um cenário mais amplo, cujas origens remontam à criação da CBO em 1982 e compreendem a sua versão de 1994 – na qual jornalistas e redatores confundiam- se lado a lado num mesmo Grupo de Base –, é que pudemos chegar à sua última publicação em 2002 e encontrar jornalistas, redatores de publicidade e redatores de textos técnicos em Famílias distintas, cada qual com as suas peculiaridades, conquanto os seus laços de parentesco em comum.

Portanto, com as considerações que seguem a partir do levantamento empreendido para este capítulo, o nosso objetivo foi o de situar, de algum modo, a atividade de trabalho do redator de textos técnicos num “lugar” e num tempo definidos, acessando aquilo que os prescritos de um documento tão importante, cujos códigos e classificações são aplicados em registros administrativos de todo o País, poderiam antecipar acerca daquilo que competiria/compete a esse ator social desenvolver, tendo em vista que

[...] os conceitos são necessários, ainda que neutralizem a atividade, porque antecipam fundamentalmente as situações de trabalho e, ao mesmo tempo, são a matéria pela qual as pessoas, apropriando-se deles, vão poder ver mais claramente em que sentido sua atividade representa um desvio parcial em relação ao conceito – o que é muito importante para se saber o que se está fazendo [...] (SCHWARTZ; DURRIVE, 2007, p. 149).

A esse propósito, nós mesmos buscamos nos antecipar quanto àquilo que, efetivamente, depreenderíamos dos registros gerados pelo Spymaster ao longo do exercício do redator de textos técnicos. Conquanto pouco mais de uma década de

experiência na área, reconhecíamos a enorme carência de embasamentos que nos permitissem, por exemplo, confrontar aquilo que reconhecidamente se esperaria da atuação desse redator e aquilo que resultaria do seu desempenho. Logo, para chegar a analisar o desvio entre o trabalho prescrito e o trabalho real ‒ conceitos estes emprestados da Ergonomia da Atividade para as discussões em torno da abordagem ergológica17 ‒, fazia-se necessário evocar, em torno da atividade desse protagonista, o maior número possível de prescrições socialmente compartilhadas, e pareceu-nos que a fonte da qual estas derivariam (ou, ainda, na qual se reuniriam mais exponencialmente) possivelmente correspondesse a uma instância como a do Ministério do Trabalho e Emprego. E, do mesmo modo como o entendimento em torno do histórico da CBO e dos seus critérios de enquadramento nos propiciariam um alcance muito mais expressivo a respeito do universo no qual o redator de textos técnicos está inserido, a procura por um “lugar” e máxima compreensão em torno do conjunto de prescrições que a ele se destina nos permitiriam vislumbrar, um pouco mais claramente, o que lhe é preciso engendrar para ser possível satisfazê-las, convocando o seu trabalho real para além da penumbra em que permanece.