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Section of Physical-, Petroleum- and Process Chemistry

6.3 UNIVERSITY OF BERGEN

6.3.1.3 Section of Physical-, Petroleum- and Process Chemistry

Desde a análise estrutural averiguamos que o número de obras (8) foi superposto ao número de dias (7), a fim de que, não houvesse mais obras do que dias. Tal estruturação define o relato em função do número de dias e não mais do número de obras. Assim sendo, o sábado, como dia a que se destina o todo do relato torna-se o centro irradiador de sentido para toda a narrativa.

O sábado e o repouso sabático como fim e finalidade do relato, respectivamente, nos apresentam nuances teológicas determinantes para o entendimento da perícope. Verifiquemos algumas.

Através da afirmação do sábado como centro do relato, a narrativa se vincula à concepção de história da salvação, expressa pelo pacto sinaítico64. Isto, porque, o

sábado e a Aliança estão intimamente conectados. Cultualmente o sábado é uma das instituições mais importantes de Israel; pois, delineia o modo de ser do israelita em sua relação com Deus, numa referência direta à Aliança; uma vez que, no relato o agir humano está determinado pelo significado cultual deste dia65, e que é a única festa proposta no decálogo (Cf. Ex 20,8).

64 KERN, W. A criação como pressuposição da aliança no AT. In: FEINER, J. & LOEHRER, M. A história

salvífica antes de Cristo. Petrópolis: Vozes, 1972, Vol II/2, p. 42.

Podemos dizer que o sábado era a festa da Aliança. Celebrada com o cessar das atividades, revelando que a vivência da Aliança é a prática que determina o todo da vida israelita. O que permite afirmar que ele (o sábado) organiza a vida como ponto referencial.

A partir deste senso, o relato adquire uma perspectiva escatológica, pois indica que a criação está destinada a um fim (o sábado), e outra, soteriológica, porquanto, revela que para alcançar essa plenitude de vida, a obra criada, especialmente o homem (o qual é o outro núcleo das obras do relato), deve agir de acordo com os critérios que guiam o repouso sabático, isto é, a Aliança, como condição de exercer a semelhança, que compartilha com Deus.

O autor da perícope parece afirmar, que a concretização da Aliança é dependente do culto, uma vez que, este se constitui em sua atualização, bem como se manifesta no ápice narrativo do sétimo dia.

A celebração da Aliança no sábado revela ao israelita o significado de sua eleição como povo (Cf. Ex 19,5-6) e as implicâncias deste pacto. Assim, ao propor o sábado como elemento do qual emana o significado do texto, o autor afirma que a criação só possui sentido na vontade divina. Desta forma, o homem vai descobrindo no culto os elementos que ele deve vivenciar, como forma de manter a criação em situação ordenada e justa. É o significado do sábado que constitui o sentido da criação.

Nesta perspectiva é mister buscarmos entender qual é a sua abrangência. No Deuteronômio (Dt 5,12-15) o sábado está vinculado à libertação do Egito e à prática da misericórdia com empregados e escravos, neste caso ele é um memorial da libertação/salvação; em Ex 31,17 se apresenta o sábado como aliança eterna, compreensão esta que divisa com aquela apresentada por Jeremias (31,31) e

Ezequiel (34,25; 37, 26) que diante do exílio apresentam a Aliança em formato dinâmico, algo como uma nova aliança que se estabelecerá entre Deus e o povo, fundamentada na prática de fé e não em preceitos estáticos e permanentes66.

O nexo entre criação e sábado, revela, ao mesmo tempo, o eschaton e o

soter da criação. Respectivamente explicamos: ela (a criação) tende para o sábado

como condição de finalidade, pois somente nele, ela possui sentido. Mas também, é através da vivência cúltica do sábado que se historiciza a Aliança, ou seja, através da prática cultual o ser humano adere aos fundamentos do pacto sinaítico, e, desta maneira, participa da obra salvífica divina.

Mesmo não sendo a instituição primordial dos hebreus, ele é uma instituição fundamental, embora

apenas sob Moisés, Israel recebeu o sábado, o qual, porém,

não é uma instituição histórica qualquer, mas simplesmente atualiza o que Deus já havia predisposto desde o início dos tempos. O sábado é, portanto, imanente ao tempo; o desenvolvimento histórico conduz inevitavelmente a ele! O devir do mundo está centrado, desde o início, em Israel67.

Isto indica que a protologia narrada nesta perícope só tem sentido dentro da história que se desenrola entre Israel e seu Deus, a criação só possui condições de existir, ou de superar o caos, à medida que participa da Aliança divina, única força verdadeiramente soberana, que possui condições de oferecer vida e sentido para a criação.

Estas são as conseqüências do sábado como instituição cultual, mas outras percepções são possíveis desde o vértice do repouso sabático. Percebe-se que o

66 Id. Ib. p. 81. 67 Id. Ib. p. 86.

descanso de Deus é uma concepção comum em outras narrativas criacionais dos povos antigos, no entanto, no relato em questão, o uso é feito em forma distinta, a divisão entre o tempo sacro e o tempo cotidiano, que indica não apenas o sábado israelítico, mas um dom de Deus para o homem, que, assim, mostra o escopo que Deus prepara para sua criatura68.

Escopo este que se revela no sábado, fundamentado no próprio descansar de Deus (Ex 20,11; 32,17), é por isso que o redator sacerdotal coloca o sábado no início da criação, mesmo sabendo que ele é uma dádiva posterior (Ex 31,12-17)69. Assim, desde os primórdios, se estipula como finalidade última da criação a justiça e direito. Explica-se: sustentado na Aliança o sábado representa o conceito de jurisprudência religiosa da defesa da vida e do outro (Cf. Ex 20, 13; Dt 5,12-15).

É nesta percepção que se insere Milton Schwantes, para ele o repouso sabático representa a busca por uma condição de liberdade e de justiça que supere a escravidão. O sábado é requerido pelos judeus, que se encontrariam em situação de opressão escravagista pelos babilônicos, para o descanso do corpo. Eles sustentam esta reivindicação em Deus, de tal forma que aquele que “pára no

sábado, participa do ser e do agir de Deus”70.

Por trás desta opção está a luta contra a idolatria (representada pelo culto às divindades astrais), que funcionava como ideologia justificadora da opressão babilônica. Assim, esta exigência, também é uma luta contra a exploração, afinal, descanso e escravidão são realidades opostas. Ao parar no sábado, os israelitas fortalecem a memória71. Essa anamnésis se coaduna com a função cultual do

68 WESTERMANN, Claus. Genesi. Casale Monferrato: Ed. Piemme, 1995, p.27.

69 ARANA, Andrés Ibáñez. Para compreender o livro do Gênesis. São Paulo: Paulinas, 2003, p.46.

70 SCHWANTES, Milton. Projetos de esperança: meditações sobre Gn 1-11. São Paulo: Paulinas, 2002, p. 37. 71 Id. Ib. p.38.

sábado, ser memória da libertação e da Aliança, em outras palavras, do direito e da justiça.

A anamnésis funciona como alimento da esperança. O sábado representará a esperança do retorno, vinculada às promessas de Deus. Neste espaço a dominação é impossível.

O sábado era, pois, um espaço para organizar a esperança por retorno, por novo êxodo, por libertação. Gn 1, é então, uma liturgia que fomenta a exigência do sábado como dia descanso do corpo, da organização do povo, do cultivo da memória. O sábado veicula a libertação72.

Concluindo: sábado e repouso sabático indicam a dignidade plena a que foi destinada a criação: a vida no direito e na justiça, como entende o AT - terra e relações de fraternidade, pautadas no respeito ao outro -. A preocupação com o ordenamento da criação, não é outro senão a superação da opressão e da injustiça. O sentido da vida humana só se revela quando o homem reverencia a Aliança divina, isto é, só há sentido no tempo enquanto história da salvação, que manifesta o desígnio divino para o humano e para toda a criação.

É na relação entre Deus e o ser humano que se desvela a finalidade da história: a plenitude da vida que desborda do repouso sabático. É na dimensão da relação que se entende a ordem da criação e se torna patente a vontade de Deus como eschaton.

Tanto assim, que a perícope encerra-se narrando o início da história da salvação: “esta é a descendência dos céus e da terra”, descendência esta que se amplificará através de Noé, Abraão, Moisés etc. Desta forma, a história da Aliança

não manifesta apenas a história da salvação, mas revela que na salvação encontra- se a superação do caos e da idolatria. No início do tempo já se encontra presente o seu fim, as vicissitudes da história não obscurecem o destino que Deus lhe propõe como plenitude, e enquanto o ser humano, celebrar o sábado e o repouso sabático, a luz superará as trevas, entendidas como a desordem e a injustiça.