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Natural Product Chemistry and Organic Analysis at IKBM

6.5 NORWEGIAN UNIVERSITY OF LIFE SCIENCES

6.5.1 Chemistry Research Group

6.5.1.2 Natural Product Chemistry and Organic Analysis at IKBM

A Idade Média em seu conjunto não apreendeu a dimensão futura do reino de Deus neste mundo. Este período foi influenciado pela filosofia platônica, que difundia uma viva nostalgia do eterno e um lugar fora da história e do tempo.164 O Império do Ocidente é compreendido como a primeira materialização do reino de Deus, cuja propagação, organização interna e defesa cabiam ao imperador. Esta concepção é substituída pela ideia de

162 Cf. VIVIANO, Benedict T. o.p. Le Royaume de Dieu dans l’histoire. pp. 54-91. 163 Cf. VIVIANO, Benedict T. o. p. Le Royaume de Dieu dans l’histoire. p. 87. 164 Cf. VIVIANO, Benedict T. o. p. Le Royaume de Dieu dans l’histoire. P.93.

84 que o papa detém a plenitude do poder e o poderio imperial ou real tem apenas um papel secundário.165

Os representantes mais notáveis da alta escolástica: Boaventura, Tomás de Aquino e Alberto Magno, em suas obras não apresentam com clareza o reino divino futuro. Os dois primeiros recebem a influência de Joaquim de Fiore166 que não trata diretamente do reino de Deus tal como é mostrado nos evangelhos, mas apresenta um terceiro estágio do mundo, um novo período da história da salvação, no qual a atividade do Espírito atingirá sua perfeição e todos viverão em contemplação. A continuidade entre a Igreja do segundo estado e esta do terceiro é assegurada por uma função papal petrina, sendo que a função do clero se torna dispensável. Este tríplice esquema da história dá origem à esperança em um mundo melhor, mas torna-se revolucionário e subversivo, fazendo com que em 1255 o papa Alexandre IV condene a doutrina dos três estágios de Joaquim de Fiore e em 1263, no concílio provincial de Arles toda a sua obra seja condenada.167

Nem Boaventura (franciscano), nem Tomás de Aquino (dominicano) perceberam o lugar central do tema evangélico do reino de Deus. Boaventura compartilha do gosto pela escatologia do fundador de sua ordem (Francisco) e escreve uma obra sobre a teologia da história, buscando sintetizar o pensamento histórico-simbólico que caracterizava a

165 Cf. HÜNERMANN, Peter. Reino de Deus. B.Teologia histórica. In: LACOSTE, Jean-Yves. Dicionário

crítico de teologia. p. 1505.

166 Joaquim de Fiore – abade calabrês nascido em 1135 e falecido em 1201. Em sua obra o reino único de Deus é marcado ora pelo Pai, ora pelo Filho e ora pelo Espírito Santo. A primeira forma do reino é o reino do Pai. Nesse reino, Deus governa pelo seu poder e sua providência sobre todas as coisas e seu domínio se exerce pela sua lei e pelo temor. A segunda forma é o reino do Filho. Nele Deus impera pelo anúncio do Evangelho e pela distribuição dos sacramentos da Igreja. Os homens passam de escravos da lei a filhos de Deus e seu temor a Deus se converte em confiança. A terceira forma é a do reino do Espírito, no qual Deus impera pela revelação e pelo conhecimento imediatos e os homens passam de filhos para amigos de Deus. Esta relação constituía o mais elevado grau de liberdade. O reino do Espírito é determinado pelas forças e pelas energias da nova criação. Por elas os homens passam a ser a habitação e o lar de Deus. O pensamento de Joaquim de Fiore sobre os três períodos ou os três reinos da história do mundo influenciou frequentemente os messianismos religiosos, culturais e políticos da Europa. Cf. MOLTMANN, Jürgen. Trindade e reino de Deus. Petrópolis: Vozes, 2000. pp. 210- 216.

85 interpretação da profecia bíblica por Joaquim de Fiore associando-o ao pensamento conceitual e abstrato da escolástica. Ele estabelece uma distinção entre Francisco e o franciscanismo e tenta ligar os acontecimentos do seu tempo a um futuro escatológico iminente preservando a continuidade com a Igreja atual. Boaventura herdou de Joaquim de Fiore uma esperança para este mundo, ligando-a ao retorno do Filho e a validade imutável do Novo Testamento.168

Tomás de Aquino não dedica uma parte notável de sua principal tarefa teológica ao tema central da pregação de Jesus, isto é, ao reino de Deus. Tanto no índice clássico da Suma

Teológica, como da Suma contra os gentios quase não aparece a palavra “reino” ou “reinado”.

Na Suma Teológica, Tomás de Aquino elaborou uma vasta construção moral em torno do tema da justiça e no seu comentário sobre Mateus 3,2, por um lado ele dá ao reino uma definição intimista e individualista fundamentada em Lc 17,21 “O reino de Deus está dentro de vós” e por outro, ele adota a mesma concepção aceita por Agostinho: o reino é a Igreja sobre a terra e após a morte, o céu.

A teologia da história de Joaquim de Fiore foi tratada com reserva por Tomás que rejeita as suas idéias, em especial à promessa de uma idade do Espírito Santo, pois a Lei antiga não era somente do Pai, como também a Lei do Filho; a Lei nova não era somente do Cristo como também a Lei do Espírito Santo. Não é necessário esperar outra Lei que será a do Espírito Santo, visto que a Trindade toda inteira esteve sempre presente na sua criação que é a obra na história.

Tomás de Aquino, assim como outros teólogos da sua época que marca o apogeu da Idade Média, não retoma o tema do reino de Deus. Ele desenvolve uma visão global da realidade fundamentada no esquema da emanação e do retorno em Deus. Sua concepção de

86 mundo se caracteriza por uma perfeita comunicação com Deus na qual o mundo se vê ao mesmo tempo julgado.169

Alberto Magno adota a expressão do reino que se encontra em Rm 14,17; “... porquanto o reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo.” Ele compreende o reino como grandezas puramente interiores e como tal ele o despoja do poder de transformação social que lhe é inerente. Esta crença decorre provavelmente das suas experiências como bispo no seu contato com as atividades da Igreja e do Império. Alberto Magno acredita que Deus reina nos corações, mas não diretamente no mundo. Ele recebe influência da teoria política de Platão e do neoplatonismo cristão do Pseudo-Dionísio para as quais o governo ideal é o governo do filósofo que utiliza a educação e a retórica para persuadir os cidadãos conquistando-lhes o coração e o espírito. O espírito divino opera pela persuasão, pela ordem e pela atividade. Alberto Magno vê no reino um governo divino e não uma realidade territorial específica. A sua concepção de reino demonstra uma forte tendência à espiritualização impedindo que a sua doutrina servisse de fundamento teológico às doutrinas sociais radicais.

Alberto não considerou a concepção escatológica judaica que forma o conteúdo específico da pregação de Jesus, isto é, uma intervenção divina neste mundo, no interior da história.170

Em síntese, a teologia medieval não apreendeu a dimensão futura do reino de Deus. À teologia dos três estados de Joaquim de Fiore, na qual a Lei de Cristo não era definitiva, pois antes do fim do mundo se implantaria o reino do Espírito Santo, se opõem Boaventura e Tomás de Aquino. Já Alberto Magno, não menciona em nenhuma parte de sua obra o

169 Cf. HÜNERMANN, Peter. Reino de Deus. B- Teologia Histórica. In: LACOSTE, Jean-Yves. Dicionário

crítico de teologia. p. 1506.

87 conhecimento da teologia da história de Joaquim de Fiori. Suas idéias sobre o reino de Deus estão apresentadas em seus Comentários sobre o Evangelho de Mateus, nos Comentários

sobre os nomes divinos e na Teologia mística de Pseudo-Dionísio.