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2.2 C ONCEPTUAL F RAMEWORK FOR S CHOOL I NSPECTION

2.2.1 School Inspection Supporting Inputs

Neste tópico, abordarei acerca da representação do corpo feminino, em que a construção da categoria gênero pela sociedade patriarcal estabeleceu as diferenças entre homens e mulheres, tanto de origem biológica quanto uma série de desigualdades a partir dessa assimetria. Assim, de acordo com a ideia de Scott (1995), a construção dessas categorias é a forma primeira de manifestar poder, a partir da subordinação da mulher e da

dominação dos homens. Essa forma de poder é percebida a partir de quatro dimensões inter- relacionais: simbólica, organizacional, normativa e subjetiva. A dimensão simbólica pode ser fortemente percebida no relato das entrevistadas, quando perguntadas sobre situações discriminatórias que tenham sido geradas pelo fato de serem mulheres, falam a respeito do corpo, devido ao qual, em muitas circunstâncias, elas não são vistas como profissionais e sim, como “mulheres”, como uma representação da sedução e do pecado. Esse tipo de situação foi vivenciado por estas mulheres tanto na relação com seus subordinados, quanto com seus superiores.

[...] um absurdo isso, que você vê que o homem tá olhando pra você, pra mulher, ele não tá vendo a profissional. E a gente tem que fingir que nada tá acontecendo, me sentindo péssima. (Carol, 34 anos, Gerente)

O relato de Carol demonstra o quanto as mulheres, de uma forma ou de outra, sofrem as consequências da diferença de papéis impostos pela divisão de gêneros. A todo instante, a figura da profissional corre o risco de se desfazer face a principal razão do feminino na matriz binária hegemônica: a de ser objeto de prazer. (LIMA, 2008). É possível perceber ainda, a posição de “faz de conta”, onde as mulheres precisam encenar que nada está acontecendo para não criar um conflito com o sexo oposto, pois, mesmo descontentes com a situação, elas se colocam numa posição que as impede de reagir a essa assimetria, na medida em que revidarem a conduta sexista de um homem no ambiente de trabalho significa terem de enfrentar um conflito desigual, e talvez, assumirem que ali existe um corpo diferente. Assim, frente a tantos desafios para ser reconhecida como profissional esse conflito seria mais um desgaste na luta para permanecer no feminino. Manter-se nessa encenação, ignorar a visão que o homem possui dela, aparenta ser, naquele momento, a opção mais segura e, nesse caso, a recusa em revidar pode ser considerada como uma estratégia encontrada por elas, para se manterem numa posição de prestígio sem enfrentar as divergências com o sexo oposto, como se precisassem “fingir” que não existe diferenças no ser homem ou mulher.

Eu acho que eu não vejo essa questão de homem e mulher como muita gente vê. Tem muita gente que vê que mulher é menos. Eu não vejo, eu acho que eu não tenho nada a mais ou a menos que a outra pessoa. Pode ter experiências e oportunidades diferentes que fez você ter ou não ter aquele conhecimento. Mas ser homem ou mulher pra mim não faz diferença. (Raquel, 32 anos, Coordenadora)

A fala de Raquel apresenta uma tentativa de driblar um sistema baseado na diferença. A líder aqui coloca homens e mulheres em posição de igualdade e aponta para a inferioridade feminina como algo distante da sua realidade específica, embora não negue a existência desse ponto de vista “nos outros”, como se, em algum momento da sua experiência, as pessoas se deixassem influenciar por um princípio hierarquizado. No entanto, nos momentos seguintes da nossa conversa, a líder relata:

Eu acho que você precisa buscar um certo respeito, porque quando as pessoas têm um coordenador homem, as pessoas podem brincar de uma certa maneira, mas brincar com uma mulher é diferente, eu acho que tem que impor mais respeito.(Raquel, 32 anos, Coordenadora)

O discurso de Raquel coloca de lado seu posicionamento de igualdade e evoca a questão da diferença, reitera a necessidade das mulheres terem que se desfazer o tempo todo de um corpo marcado pela sedução. Mesmo acreditando que as mulheres não possuem nada a menos, elas precisam ser diferentes, elas precisam ter artifícios (estratégias) para desviar de seus atributos, não podem relaxar um minuto sequer, em nome de um "certo respeito" que almejam. A entrevistada reforça que o respeito é algo que precisa ser imposto pela mulher, enquanto parece ser algo automático com relação ao líder do sexo masculino. Ao mesmo tempo em que tentam se colocar em posição de igualdade com os homens, enfatizam que a brincadeira deve ser feita de forma diferenciada, pois, com certeza, essas mulheres já sofreram, ou conhecem o teor pejorativo das brincadeiras quando se trata do feminino. Dessa forma, para que a líder não corra o risco de ter que lidar com uma situação de constrangimento ou hierarquia, à qual está sujeita, ela precisa impor seus limites de respeito desde o princípio de seu relacionamento com o sexo oposto. Isso torna evidente a presença dessa construção binária e assimétrica nas relações sociais e organizacionais, de forma a perpetuar uma hierarquia do masculino sobre o feminino. (SWAIN, 2007).

[...] a gente sempre pode pegar um homem que falta com o respeito, te olha como mulher. (Ana, 34 anos, Gerente)

As falas dessas mulheres parecem estar permeadas de medo, onde o corpo feminino é tratado como um obstáculo a ser vencido diariamente, pois qualquer descuido pode levar a relação para o não profissional. O corpo é tido como sinônimo de violação, de pecado, portanto, deve ser protegido de qualquer possibilidade além do intelecto. De acordo com Rita Segato (2003), o corpo feminino é tido como um território a ser apropriado, prêmio a ser exibido, é a entrada para o mundo dos homens e, portanto, nesse ambiente organizacional, deve-se abrir mão do corpo, das marcas de sedução que ele carrega, esconder formas para garantir o lugar do intelecto, dando lugar a outras competências e habilidades como sinônimo de desempenho e também, como forma de ser aceita pelo grupo majoritariamente masculino.

As mulheres, por serem mulheres, são tratadas com mais delicadeza, eu percebo isso, porque dificuldades que meus colegas têm com o cliente, eu não tenho e não é só comigo que isso acontece, eu já percebi que com outras mulheres também , o cliente trata a gente com maior educação, com maior cuidado, principalmente se for homem. Então, eu percebo que isso é uma facilidade. (Neusa, 32 anos, Coordenadora)

Ainda:

O que eu acho positivo em trabalhar com mulher é que você consegue ter um grau afetivo mais fácil do que com homens sem que confunda as coisas, entendeu, principalmente uma mulher casada assim, você consegue chamar assim, vamos almoçar? Com mais facilidade do que se chegar para um homem e dizer vamos almoçar? Pelo menos na minha cabeça é assim, então pelo menos eu sempre acho que é mais complicado você fazer determinadas atividades com um homem do que com mulheres, trabalhar até mais tarde, essas coisas. (Luciana, 29 anos, Coordenadora)

Os relatos de Luciana e Neusa são marcados por adjetivos que qualificam o feminino: afeto, delicadeza e cuidado. Embora Neusa aponte para o feminino como uma ferramenta que auxilia e facilita a relação com seus clientes, o discurso de Luciana parece apontar para uma "confusão" facilmente ocorrida entre homens e mulheres que se relacionam. Assim, o corpo feminino possui uma dupla representação: ora as mulheres são prisioneiras, escravas; ora donas, senhoras deste corpo. (VEIGA, 2010). A facilidade apontada por Neusa não ocorre com os colegas do sexo masculino, é um prêmio exclusivo à figura feminina e, portanto, o que

prevalece aqui continua sendo uma relação pautada pelos atributos do sexo. A mulher precisa ser tratada com mais educação e delicadeza, por sua condição e essência pré determinadas, um comportamento que garante os desígnios e mantém um sistema de poder eletivo. No entanto, Neusa atribui a "delicadeza" no tratamento pelos clientes ao fato de ser mulher. A entrevistada aqui, embora admita a difença no tratamento, nega a questão do aprisionamento ao corpo e prefere "aproveitar-se" de uma condição que a ajuda a driblar as barreiras do seu destino.

Já Luciana, aponta claramente para a impossibilidade de uma igualdade na relação entre homens e mulheres: o temor da intimidade entre os sexos assombra o ambiente de trabalho, almoçar com o colega, ficar até mais tarde no escritório, são exemplos de comportamentos impróprios para corpos e mentes adestrados. Desta forma, manter-se distante dos colegas, nos horários fora de trabalho, é uma forma encontrada por elas para se protegerem de qualquer possibilidade além do profissional.

Quando você é bem mais jovem, situações de assédio acontecem, mas você deve aprender a tratar isso para que isso não vire propriamente no assédio, entendeu. Você se mantém na sua postura, aí a pessoa percebe que não pode passar para o passo seguinte. Eu evito problemas assim, já corto. (Patricia, 42 anos, Coordenadora)

Pertencer à categoria mulheres significa aprender também a driblar as barreiras do próprio corpo, aprender desde cedo, como reforça a entrevistada Patrícia, a manter uma postura de respeito, é se defender antes mesmo de qualquer ataque, na certeza de que ele está sempre iminente. Assim, percebi, ao longo das conversas com as líderes, que a omissão do corpo como estratégia de sobrevivência garante um convívio "harmônico" entre os sexos, certas de que elas é quem devem manter a distanciamento, impor o respeito, conquistar o espaço e driblar o preconceito. Ao longo do tempo, vão encontrando nas características masculinas, tão valorizadas neste meio, uma forma de identificação.

Eu sou uma pessoa que gosto de me arrumar, mas com certeza você nunca me viu com vestes escandalosas. A veste deve ser uma veste que não chama a atenção. (Marta, 45 anos, Coordenadora)

E ainda:

Você não deve se expor no ambiente de trabalho, porque senão vão te ver como gostosa e não como profissional. Você tem que andar bem vestida, mas não se expor. Se preservar é sempre bom. Você pode ser elegante, simpática, amiga pra ouvir, mas sempre tem que impor um limite que você não vai pra um jantar, ou enfim, é impor limites. Se bem que tem uma hora que cansa. risos. (Maria, 36 anos, Gerente)

A forma de vestir é colocada pelas entrevistadas como um adorno escolhido cuidadosamente, a cada manhã. Tem de se manter a vaidade, já que ela está associada ao feminino, assim, como nos relatos de Marta e Maria, é preciso se arrumar, andar bem vestida, ser elegante, tudo isso em nome da preservação da marca de seus corpos, de sua categoria mulheres, mas há também que manter a discrição. Cobrir o corpo é uma das maneiras encontradas por estas mulheres para evitar qualquer tipo de desrespeito do sexo oposto e garantir que serão reconhecidas por outros atributos que não os delineamentos de um corpo bonito. No entanto, ao final do relato de Maria, um desabafo: “Tem hora que cansa.”, seguido por risos. Entendo que as imposições de uma cultura androcêntrica obriguem, instante após instante, a construção da diferença por meio de uma representação do feminino. Manter-se nessa condição determinada o tempo todo, requer um desgaste muito grande para garantir essa imagem e sentidos atribuídos aos corpos femininos. Assim, compreendo que essa representação diária de papéis femininos esperados, faz parte também de uma das manobras utilizadas por elas. Mulheres que encontraram na atuação social de seus próprios papéis uma forma de sobrevivência, uma maneira de conviver em um ambiente em que a mente possui primazia sobre o corpo.

Dentro de trabalho não cabe, dependendo do dia um vestidinho e em hipótese alguma cabe um decote , não cabe saia curta, porque a gente como mulher se expõe e abre as possibilidades de avanços masculinos que as vezes é até da natureza do homem olhar demais, é do masculino, por isso eu procuro me vestir mais séria. (Carol, 34 anos, Gerente)

O ponto central no relato de Carol se refere à natureza do homem, um usurpador de corpos, no direito de contemplar as belezas do feminino em partes, como um canibal que aprecia suas vítimas. (BENSUSAN, 2004). Assim, cabe a ela o dever de se vestir adequadamente, de se proteger de qualquer avanço masculino, de impedir que suas pernas ou

seios se tornem alvo do canibal e, acima de tudo, cabe a elas a responsabilidade por sua integridade e submissão.

Como o meio tecnológico valoriza muito as características masculinas, abordei com as líderes o tema da incorporação desses valores no seu cotidiano. Seguem abaixo alguns relatos em que admitem utilizarem destes artifícios.

Eu me enquadro bem nisso. Tem horas que eu fico agindo mais como homem do que como mulher. Porque se você for na base de ser mulherzinha (risos) você vai chorar o tempo todo, vai bater muito papo, vai trazer o crochê pra cá,(gargalhadas), e aí não dá. É mais seco. Você tem que agir com mais razão e menos emoção. (Tereza, 35 anos, Gerente)

Eu acho que há momentos que a gente precisa até pensar como masculino, ser testosterona mesmo, deixar de lado a sensibilidade. Minha própria terapeuta diz: ser um homenzinho na vida. Em casa a gente pode ser mais mulher, até porque a gente tem mais essa função de cuidar, mas no trabalho não. (Carol, 34 anos, Gerente) Acho que é porque na área de TI a gente lida com muitos homens, já lá na faculdade, desde o começo, então eu acho que você aprende a lidar com isso. Acho que é como se você absorvesse uma masculinidade ali, sem perceber. É uma área voltada muito pra homem, como a psicologia para mulher. (Raquel, 32 anos, Coordenadora)

O discurso das líderes dá ênfase ao masculino, aponta para um ambiente onde os homens e seus atributos racionais são modelos para aquelas que almejam ascensão e sucesso na carreira. Tereza debocha dos estereótipos femininos, tais como falar muito e chorar, e coloca a categoria mulheres no diminutivo, como forma de reiterar que nesse ambiente a destreza manual do crochê e o bate papo são totalmente desvalorizados. A fim de se integrarem neste grupo, de serem aceitas por eles, elas se comportam como tal, tornam-se "homenzinhos na vida" como enfatiza Carol. A representação do ser mulher às vezes precisa ser suprimida face à condição masculina do grupo, representação esta que pode e deve, nesse caso, ser exercida no ambiente privado, como realça Carol. Ser mais seca, mais racional, testosterona pura garante a elas mais prestígio, afasta-as de uma realidade que vê o feminino/emocional como inferior e as coloca em posição privilegiada.

Raquel comenta sobre uma suposta masculinidade absorvida, uma característica adquirida ao longo da vida acadêmica, ponto central de divisões de carreiras segundo o sexo. Assim, ao optar por um universo masculino e objetivo, a convivência e a absorção parecem inevitáveis àquelas que desejam chegar ao fim. No entanto, embora algumas líderes tenham afirmado se utilizarem desses valores, outras alegaram não precisarem desses artifícios e

julgam que têm conseguido alcançar seu sucesso na carreira se mantendo femininas. Seguem alguns exemplos:

Não. Em nenhum momento, eu precisei mudar alguma coisa, falar mais alto, mais grosso ou ter uma atitude mais brusca, não, nunca precisei disto. (Neusa, 32 anos Coordenadora)

Em seguida:

Eu sou assim, eu tenho que estar dominando tudo que está ao meu redor, eu sou um pouco possessiva nesse sentido. As pessoas fazem o trabalho delas que eu passo, mas eu tenho que estar sabendo tudo que está acontecendo e então eu sou agitada com relação a isso. Eu não tenho, eu não sou de sou de ficar andando pra falar com as pessoas, ir tomar um cafezinho, não. Eu só levanto daqui pra ir ao banheiro e voltar, é o tempo todo focada, então é assim, agitação mesmo. (Neusa, 32 anos Coordenadora)

Ainda:

Você precisa ter aquele lado duro pra liderar, mas não precisa ser masculina para ser dura. Eu já tive que ser dura, já chegou o ponto de eu ter que bater na mesa e dizer: agora, quem vai falar sou eu. (Marta, 45 anos, Coordenadora)

Embora, Neusa e Marta aleguem não necessitarem de qualquer característica masculina para obter sucesso no grupo, os relatos apontam para a masculinidade absorvida, trazida, anteriormente, por Raquel. O discurso do domínio é relatado várias vezes por Neusa durante a conversa, e, segundo ela mesma, essa é uma característica que ajuda os homens, seus colegas, a obterem sucesso também. Ela ainda aponta para seu perfil pessoal, como sendo uma pessoa que não gosta de ficar andando, conversando com as pessoas, características essas até aqui associadas ao feminino e desvalorizadas nesse meio. Complementa ainda, que está sempre focada em resultados, privilégio da razão, do intelecto, dos números, do masculino. O mesmo acontece com Marta que afirma não precisar ser

masculina, mas já teve de bater na mesa para impor sua opinião, segundo ela, teve de invocar um estilo de dureza, dureza esta, até então, associada ao masculino.

Dessa forma, de acordo com os estilos de gestão descritos pelas líderes, pela forma como atuam, parece ficar claro que a superação de seus obstáculos está relacionada à postura adotada por elas, neste caso, parece realmente que os atributos masculinos, quando incorporados, aproximam-nas de uma chance para um caminho promissor. Essa estratégia utilizada pelas líderes atua no sentido de aproxima-las dos valores reconhecidos por esta área do conhecimento. Segundo Lima (2008) esta tentativa de pertencimento ao grupo se dá enquanto a mulher esconde seu corpo, alvo de investidas masculinas, enquanto ela elimina qualquer possibilidade de associação com o feminino e procura se integrar ao grupo de poder, livrando-se de uma parte de sua identidade de origem.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao longo desta pesquisa, procurei conhecer as estratégias utilizadas por mulheres na área de Tecnologia da Informação para conquistar e manter cargos de liderança nesta área. Vale destacar que, as mulheres participantes da pesquisa fazem parte de um grupo ainda pequeno na nossa sociedade, pois, além de atuarem em áreas até então consideradas como masculinas, pela valorização da razão, elas também ocupam posições de comando dentro da organização. Assim, torna-se fundamental entender como estas mulheres têm conseguido se desfazer de uma identidade histórica baseada na diferença entre os sexos.

O conteúdo estudado para a elaboração desta pesquisa me fez, antes de tudo, entender como somos influenciadas/os, diariamente, por uma visão androcêntrica do mundo. Reproduzimos os discursos e práticas sociais e nos tornamos vítimas e algozes de um sistema eficaz que estabelece a diferença. Assim, estas mulheres, ao decidirem entrar para uma área tecnológica, rompem, de uma forma ou de outra, com esse sistema "natural" que prevê um destino conhecido às mulheres e iniciam um caminho na contramão, um caminho cheio de obstáculos, mas nem por isso impossível de ser trilhado.

De acordo com as informações analisadas, considerei quatro temas principais abordados pelas líderes na investigação deste fenômeno. No meu entendimento, os temas abordados, nesses grupos, foram considerados como obstáculos na carreira profissional feminina e, portanto, entendi que as diferentes formas de lidar com estas questões compreendem o que chamei, inicialmente, de estratégias de sobrevivência.

Assim, o primeiro aspecto apresentado como uma das estratégias foi a questão da recusa em se colocar em uma posição de inferioridade e, consequentemente, de driblar o sofrimento causado por tal situação. Percebi que estas mulheres conhecem as regras do sistema patriarcal, convivem com as diferenças e, em muitos casos, reproduzem-nas, porém, elas preferem negar esta posição e, para isso, procuram se ver em posição de igualdade com os colegas do sexo masculino. Este discurso da igualdade está apoiado também na valorização das competências e características femininas, que, segundo as líderes, são consideradas como uma vantagem profissional frente aos colegas do sexo oposto. Este posicionamento mostra o quanto estas mulheres, apesar dos esforços de permanecerem na contracorrente, ainda se encontram presas aos discursos de uma ideologia dominante, que, ao mesmo tempo em que as protege do sofrimento, dificulta a produção de novos discursos.

Outra questão analisada no estudo diz respeito ao corpo feminino. Analisei-a de duas formas: a primeira delas se refere à relação entre gênero e faixa etária. Nesta, a pouca idade apareceu como um dos obstáculos enfrentados por estas mulheres no ambiente profissional. Assim, com base no emaranhado de signos e sentidos dados ao gênero feminino e masculino pela nossa sociedade, inevitavelmente, a análise seguiu uma linha de raciocínio que inclui