Como relatei no capítulo 2, em 2004 fiz a primeira intervenção em turmas de 7ª série, por meio da elaboração e desenvolvimento de uma proposta de leitura, interpretação e análise crítica do gênero piada278, intitulada Proposta Piloto (P.P.) 279. Ela foi elaborada juntamente com as professoras Ana Cristina e Valéria, e nela utilizamos 03 (três) piadas, veiculadas no site http://www.humortadela.uol.com.br. Em linhas gerais, a sua elaboração e desenvolvimento envolveram os seguintes passos:
a) exposição para as professoras do meu desejo de desenvolver uma proposta piloto, primeiramente, antes de elaborar uma proposta final de leitura e interpretação de GHs;
b) apresentação às professoras de possíveis textos (três piadas) a serem incluídos na P.P. e consulta às mesmas sobre opinião a respeito dos textos e sugestões de outros;
c) discussão sobre as piadas e sobre como encaminhar o trabalho; d) elaboração de uma versão prévia da P.P., para posterior discussão; e) leitura individual da versão prévia da P.P. seguida de discussão;
f) elaboração conjunta da versão final da P.P., englobando estabelecimento de critérios, como: a duração da P.P.; quantidade de turmas; a forma de apresentação da proposta às turmas e de consulta sobre o desejo de participarem do seu desenvolvimento; a metodologia;
276 A questão é “7) E aqui na escola, você lê textos humorísticos retirados de outras fontes, que não seja o livro didático, especialmente durante as aulas de Língua Portuguesa?”.
277 Anteriormente, neste capítulo, mostrei que os GHs presentes nos LDLPs também quase não são usados em sala de aula. 278 A definição e caracterização desse gênero do humor encontra-se na seção 1.4.2.1 do capítulo 1.
g) apresentação da P.P. aos/às alunos/as, consulta sobre o desejo de participarem de seu desenvolvimento, e sondagem do que entendem por piada, sua relação com o riso e de quais podem ser seus objetivos;
h) contação de piadas pelos/as alunos/as e pela pesquisadora para sondagem do repertório de piadas do grupo e discussão de cada piada contada;
i) acesso ao site www.humortadela.com.br para leitura silenciosa, oral e discussão oral de cada uma das piadas veiculadas na internet;
j) avaliação oral de cada encontro, ao seu término;
k) discussão em grupos de algumas questões sobre as piadas com elaboração de respostas por escrito para posterior socialização com todos/as;
l) avaliação individual, por escrito, da P.P., pelos/as alunos/as, professoras e pesquisadora; socialização das avaliações;
m) coleta de sugestões de textos humorísticos para comporem a proposta final (P.F.).
QUADRO 16: Síntese dos passos envolvidos na elaboração e desenvolvimento da Proposta Piloto
Como a P.P. foi um experimento inicial para testagem de como poderia ser uma proposta de leitura e interpretação de GHs e para que, finalmente, pudéssemos elaborar uma proposta final (P.F.), nesta seção, apresento e analiso os discursos dos sujeitos envolvidos na pesquisa, em 2004, veiculados nas avaliações da proposta piloto como um todo e dos diferentes encontros e atividades realizadas durante seu desenvolvimento. Analiso ainda as crenças e valores internalizados nesses discursos. Para isso, utilizo as seguintes categorias de análise: a transitividade – nomeadamente os processos280 (Halliday, 1994) e um dos domínios da Teoria da Valoração (Martin, 1997a, 2000, 2004): a atitude281.
Nesta seção também, como parte dos arcabouços da Análise de Discurso Crítica, propostos por Chouliaraki e Fairclough (1999) e Fairclough (2001c e 2003)282, apresento uma reflexão sobre a prática de leitura e análise crítica do gênero piada, em seus aspectos positivos e negativos, e sobre as suas influências na elaboração e desenvolvimento, no ano seguinte, de uma outra proposta, a P.F..
Somente no capítulo seguinte, destinado à análise de diferentes gêneros do humor, é que procederei à análise de uma das piadas utilizadas na P.P. Das três piadas, selecionei apenas uma para análise, cujo tema, apesar de ser denominado Famosos no site de humor www.humortadela.com.br, de onde ela foi retirada, é, na minha opinião, melhor designado como Políticos/Política, e corresponde a um dos temas trabalhados na proposta que foi posteriormente desenvolvida, a P.F.. Assim, no capítulo 4, faço uma análise de discurso crítica da piada Lula e Nostradamus, juntamente com outros GHs com o mesmo tema utilizados na P.F.
Essa organização pode parecer aos/às leitores estranha, inicialmente, mas optei por ela por não achar sentido em apresentar a análise de uma piada da P.P. aqui e, em outra seção, apresentar análise de outra piada e outros gêneros da P.F., todos com o mesmo tema. Pareceu-me mais apropriado unir, em um só capítulo, todos os gêneros com o mesmo tema, das duas propostas, para evitar repetições no texto e para maior enriquecimento das análises.
280 Ver seção 1.2.2 do capítulo 1. 281 Ver seção 1.2.3 do capítulo 1. 282 Ver seção 2.3 do capítulo 2.
Durante o desenvolvimento da P.P., os/as participantes foram avaliando, oralmente e ou por escrito, as diferentes etapas do processo e, no final, fizeram uma avaliação escrita. De acordo com os dados obtidos por meio dessas avaliações, pode-se constatar que a proposta piloto foi avaliada muito positivamente pela maioria dos/as participantes. Contudo, a P.P. teve seus pontos negativos que, de certa forma, configuram os obstáculos que encontramos e problemas que enfrentamos na prática. É por eles que inicio, centrando-me nos principais, ou seja, os que foram apontados por maior número de pessoas, porque eles me mostraram parte do que precisava rever na elaboração da Proposta Final.
Pontos Negativos
Conforme o que foi exposto nas avaliações orais, nos diferentes encontros, e na avaliação final escrita283, os aspectos negativos do trabalho desenvolvido dizem respeito, primeiramente, às piadas
selecionadas para a P.P..
Mesmo tendo explicado, desde o início, que as piadas não haviam sido selecionadas pelo critério “mais engraçadas”, mas, sim, por enfocarem temas diversos, polêmicos e atuais, e serem divulgadas em um site mencionado por vários/as alunos/as, em questionário antes aplicado, como sendo de sua preferência, pode-se ver que essa escolha incomodou muitos/as alunos/as.
Os significados atitudinais construídos pelos/as participantes na expressão de posicionamentos negativos com relação a esse aspecto estão associados aos subsistemas do domínio da atitude:
apreciação e afeto284 (Martin, 1997a, 2000, 2004). Diversos/as alunos/as apreciaram negativamente as
piadas como chatas, horríveis, sem graça, sem humor. Veja alguns exemplos:
(27) “só que as piadas foram horríveis”/ “os textos escolhidos para trabalharmos eram chatos e não tinham nenhuma graça”/ “as piadas eram muito sem graça, algumas nem dava para entender” (M1 - 7ª. C, 29/11/2004; L3, aluno/a 2 - 7ª. A, 24/11/04 – avaliação final da proposta piloto, por escrito)285.
Houve também respostas que indicaram uma visão negativa das piadas com base no campo de significados do afeto286, em que a avaliação está associada à disposição emocional do sujeito falante
para com a pessoa, coisa, acontecimento ou situação avaliada. Essa valoração é atualizada no processo mental afetivo gostei precedido de negação, em:
(28) “O único ponto negativo foi que eu não gostei de algumas piadas” (R, 7ª. A, 24/11/04, avaliação final da proposta piloto, por escrito).
Apesar dessa valoração negativa em relação aos textos escolhidos, considero que isso não prejudicou o trabalho de leitura das piadas, pois as discussões foram ricas e alguns/mas alunos/as
283 A título de exemplificação, escaneei 01 (uma) avaliação final da P.P. de cada turma, e também escaneei as avaliações feitas pelas professoras e pela pesquisadora, as quais estão no anexo 3.1.
284 Ver seção 1.2.3 do capítulo 1.
285 Agrupei neste exemplo dizeres de diversos/as alunos/as com significados semelhantes. A cada barra (/), tem-se a opinião de um/a estudante diferente. Em alguns outros exemplos, esse agrupamento é feito também por turmas, de modo que, em cada exemplo, apresento dizeres de diferentes sujeitos de uma mesma turma.
acharam, inclusive, que o próprio fato de as piadas não serem engraçadas, para eles/as, fez com que refletissem mais sobre elas e lançassem sobre elas um olhar crítico. Veja estas falas:
(29) “como as piadas eram sem graça, isso fazia-nos refletir mais.” (aluno/a 15, 7ª. C, 29/11/04; avaliação final da proposta piloto, por escrito).
(30) M: (...) se a piada fosse engraçada, não dá pra gente analisar, eu penso assim, não dá pra olhar com olhar mais crítico. ( 7ª. C, 21/10/04, avaliação oral do trabalho com piadas).
Percebe-se nos discursos desses dois/duas alunos/as, a crença implícita de que, quando o texto é muito engraçado, os/as aluno/as tendem a se voltar apenas para o riso e a não refletir sobre o objeto do riso; o que parece estar associado à crença de que aquilo que ‘não é sério’ não é objeto de estudo/análise em sala de aula.
Mas, mesmo entendendo que a escolha dos textos não prejudicou o trabalho, penso que, sem dúvida, a seleção do material é muito importante e não deve ser desconsiderada. Por outro lado, penso que também é muito difícil conseguir selecionar uma piada, ou outro texto humorístico ou não, que realmente agrade a todos. Sempre há os/as que ficam satisfeitos/as e os/as que não. Essa dificuldade foi destacada pela professora Ana Cristina em sua avaliação oral ao final do encontro em que lemos e discutimos uma das piadas da P.P.:
(31) Profa. Ana Cristina: É assim... eu acho, Cida..., eles sempre pedem pra fazer coisas diferentes. Toda vez que a gente programa uma coisa diferente, o diferente não é mais diferente. Então, o que eu percebo em alguns alunos é que nada que a gente fizer vai satisfazê-los. Então, há aqueles que interagem o tempo todo, tão sempre se propondo a fazer alguma coisa, e aqueles que pode cair o céu aqui, que não vai satisfazê-los. Então, a conclusão que eu chego é assim: a gente consegue agradar alguns, mas não consegue agradar todo mundo. (...) (7ª. C, 1º. Grupo, 07/10/04, avaliação oral do trabalho com piada).
Esse é um problema que, na verdade, é enfrentado pela maioria dos/as professores/as. Zagury (2006: 28), em seu livro O professor refém, comenta: “Não é por acaso que os professores se queixam, cada vez com mais veemência, das dificuldades de motivar, de ter alunos interessados. Torna-se tarefa muito difícil conciliar gostos, propostas e objetivos os mais variados. Chegar ao consenso numa turma pode, por vezes, tornar-se quase impossível”.
Outro aspecto negativo apontado pelos/as alunos/as foi a quantidade de perguntas propostas
para a análise e discussão de cada piada. Ela foi considerada excessiva; o que gerou cansaço e
desmotivação para alguns/mas. Segundo os/as participantes,
(32) “achei que foi muito cansativo, acho que poderia ter mais humor, menos perguntas, mais debates, comparações com outras piadas”/“o único ponto negativo foram as discussões sobre as piadas, que para mim foram meio enjoadas.” (L1, aluno/a 11, 7ª. A, 24/11/2004, avaliação final da P.P., por escrito). (33) “talvez o no de perguntas poderia ter sido menor” (Profa. Ana Cristina, 7ª. C, 02/12/04, avaliação final
da P.P., por escrito287).
Assim como aconteceu na avaliação dos textos selecionados, os significados atitudinais construídos na expressão da avaliação negativa da quantidade de questões também estão associados à
apreciação288 e ao afeto. Nesses dois exemplos acima, a valoração dessa quantidade foi realizada por
meio da apreciação de uma reação negativa a ela, atualizada pelos atributos: muito cansativo, meio
enjoadas, [poderia ter sido] menor. Observa-se que é desejável, para esses sujeitos, que sejam elaboradas menos questões quando da análise das piadas, e que haja mais debate e mais humor.
A valoração negativa da quantidade de perguntas também se deu pelo sistema de afeto, e, nos exemplos abaixo é realizada por meio da negação do processo mental afetivo, em: não gosto, não
gostei:
(34) “Eu não gosto de você ficar fazendo muitas perguntas”/ “A única coisa que eu não gosto é ficar fazendo filosofia da piada. Saber um monte de coisa sobre ela”. “Eu não gostei da elaboração da atividade proposta que são as questões”. (H, LF - 7ª. A, 19/10/04, avaliação oral do trabalho com piadas; R1, 7ª. A, 24/11/04, avaliação final da P.P. por escrito).
Os processos mentais afetivos, de acordo com Butt et al. (2000: 55), “codificam o mundo interior da cognição, percepção, inclinação ou gosto/desgosto (conhecido como afeto)”289. Em todos
os trechos citados no exemplo (34), o/a aluno/a é experienciador de fenômenos que não lhe agradam, que não são desejáveis, quais sejam: “você [a pesquisadora] ficar fazendo muitas perguntas”, “ficar fazendo filosofia da piada. Saber um monte de coisa sobre ela”, “as questões”.
Contrariamente à avaliação desses/as sujeitos, uma das professoras considerou que a quantidade de perguntas facilitou a compreensão para alguns/mas:
(35) “Mesmo que os alunos tenham considerado as piadas sem graça e as atividades cansativas, em função do número de perguntas, acho que foi positivo, porque alguns alunos demoram um pouco mais para compreender e interpretar o texto. A seqüência das perguntas possibilitou a esses alunos uma maior facilidade de compreensão.” (Profa. Valéria, 7ª. A, 02/12/04, avaliação final da proposta piloto, por escrito290).
A sua avaliação/apreciação positiva dessa quantidade é atualizada, neste exemplo, pelo atributo “positivo” e pela escolha do processo “possibilitou” que implica também um julgamento positivo do que foi feito.
O argumento usado pela professora Valéria vem muito ao encontro do que objetivei quando elaborei e organizei as diversas questões. Tentei, de alguma forma, facilitar a compreensão do texto pelos/as alunos/as. Mas, mesmo que realmente tenha facilitado-a para alguns/mas, a avaliação negativa deste aspecto foi muito importante. A partir dela, pude refletir e perceber que ainda estava (ou estou?), talvez, com uma visão equivocada de que deveria explorar tudo que fosse possível em um texto ao discuti-lo com os/as alunos/as. Isso acabou se refletindo no número de questões apresentadas a eles/as.
288 Ver seção 1.2.3 do capítulo 1.
289 Sobre esse tipo de processos e sobre os demais, e participantes a eles associados, ver seção 1.2.2 do capítulo 1. 290 Ver avaliação completa no anexo 3.1.
Vejo o quanto é difícil colocar em prática o que vemos na teoria. Sei que “quantidade não é sinônimo de qualidade”, mas, em momentos como esse, ainda me vejo, infelizmente, como se presa a uma tradição que eu mesma combato. A impressão que tenho é a de que, ao planejar, imaginei ter que atentar para tudo que fosse relativo a aspectos da teoria, ao discutir as piadas. Isso foi um engano!
Em minhas reflexões sobre essa prática, considerei que a inexperiência com o trabalho etnográfico às vezes falou mais alto que minha experiência como docente. Com medo de errar, errava! Felizmente, nossas falhas podem ser revistas e podemos tentar evitá-las posteriormente. Às vezes não conseguimos, mas precisamos tentar.
Um terceiro e último aspecto que predominou nas avaliações como ponto negativo da P.P. foi
a qualidade e a quantidade da participação dos/as alunos/as nas discussões sobre os textos. Na
opinião dos/as alunos/as, elas também deixaram a desejar e essa avaliação foi expressa por meio de
julgamentos. De acordo com White (2004: 187), o julgamento é o campo de significados da Teoria da Valoração “por meio dos quais construímos nossas posições em relação ao comportamento humano – aprovação/condenação desse comportamento através de referências à aceitabilidade e às normas sociais, avaliações do caráter de alguém, ou do quanto essa pessoa se aproxima das expectativas e exigências sociais”291.
Os julgamentos negativos sobre a qualidade e quantidade da participação foram com respeito à
estima social292. Esse tipo de julgamento pode estar ligado à normalidade, à capacidade e tenacidade
(cf. White, op. cit.) e envolve avaliações que podem levar o indivíduo a ser elevado ou rebaixado na estima de sua comunidade, mas que não possuem implicações legais ou morais.
Esses julgamentos foram observados não só na avaliação final da P.P. (exemplo 36) como também em um dos encontros destinados à leitura e análise oral de duas piadas (exemplo 38) e em encontros em que socializamos as respostas escritas, elaboradas em grupos, a questões sobre as piadas (exemplo 37):
(36) “eu acho que a participação da maioria ainda é muito pequena. (...) O que falta ainda é uma certa maturidade do grupo de aproveitar melhor esse momento”/ “negativos, a participação dos alunos”. (Profa. Ana Cristina, aluno/a 18 - 7ª C, 24/11/04 – avaliação final da P.P., por escrito293)
(37) Profa. Valéria: (...) eu acho que faltou um pouco mais de envolvimento, a opinião de vocês a respeito das piadas que vocês não responderam às questões. Porque vocês conheciam as outras piadas, mas eu acho que vocês falaram pouco. Poderiam ter feito um debate, porque eu tenho certeza que do momento que vocês responderam, eu tenho certeza que uma ou outra resposta poderia ter algo diferente. (...) E eu acho que vocês têm uma capacidade muito maior de participação, e poderiam ter participado mais em ... Mas eu acho, de uma maneira geral, eu daria... nota 8. (7ª A, 18/11/04, avaliação oral da atividade de interpretação das piadas por escrito e em grupo e socialização das respostas)
(38) PESQ: (...). Hoje eu observei uma fala muito centralizada na L1, os outros se apoiando nessa fala da L1. Eu achei muito positivo o colega que, até então, pouco tinha falado, e hoje participou bastante. Mas, eu notei assim... muitos alunos que antes participavam, hoje estavam assim muito no oba, oba. Eu sei que cada dia a gente tem uma disposição diferente. Só que vocês não podem confundir que esse momento é um momento
291 Ver seção 1.2.3, do capítulo 1. 292 Ver seção 1.2.3, capítulo 1.
pra oba, oba. Sair do espaço da sala de aula não significa oba, oba. (7ª. A, 2º. Grupo, 26/10/04, avaliação oral do trabalho com piadas).
Nesses exemplos, como se pode ver, os valores negativos em termos de estima social são vistos como disfuncionais ou inapropriados, ou algo que deve ser desencorajado (cf. White, 2004: 187). Julga-se que os/as alunos/as poderiam ter participado mais do que participaram; que, algumas vezes, a participação é centrada na figura de um/a só aluno/a ou de poucos/as, deixando implícito que o desejável é a participação da maioria. Julga-se ainda que eles/as não têm maturidade para aproveitar melhor o momento de discussão e exposição de idéias e que eles/as poderiam tê-lo aproveitado melhor; que os/as alunos/as consideram que apenas o espaço convencional da sala de aula é destinado às atividades de ensino e aprendizagem, os demais são para recreação; e julga-se também que eles/as têm uma capacidade muito maior de participação do que aquela demonstrada durante alguns encontros.
Esses foram, então, os pontos negativos mais destacados no discurso dos/as participantes do desenvolvimento da P.P.. Esses pontos colocam em evidência os principais problemas e obstáculos que enfrentamos: a seleção de textos que agradassem aos/às alunos/as, a quantidade de questões para
análise dos textos, e a qualidade e quantidade da participação dos/as alunos/as nas discussões sobre os textos. Tais problemas e obstáculos levaram-nos a buscar outras alternativas de trabalho, quando da elaboração e desenvolvimento da P.F., como, por exemplo: atribuir aos/as alunos/as a escolha de GHs; propor que os/as alunos/as elaborem questões para análise de alguns GHs; e propor que os/as próprios alunos/as elaborem análise escrita com apresentação oral de GHs.
A seguir, passo a discorrer sobre os pontos positivos da P.P., conforme as avaliações.
Pontos Positivos
O desenvolvimento dessa proposta piloto de leitura do gênero piada foi considerado muito positivo pelos sujeitos envolvidos na pesquisa, por diversos motivos. Dentre eles, vou ressaltar os que mais se destacam nas avaliações, ilustrando-os com trechos extraídos delas.
Um dos motivos apresentados para a validade e pertinência da proposta é o fato de ela tomar
como objeto um gênero raramente abordado em sala de aula e de que os/as alunos/as gostam.
Esse gênero é apreciado pelas professoras e alunos/as como agradável, interessante, bom de se
trabalhar, engraçado, motivador, pouco utilizado nas aulas, que apresenta críticas a problemas
sociais e leva o/a leitor a refletir sobre o mundo, como nos trechos:
(39) “A proposta é muito interessante e pode contribuir para o ensino da leitura desse gênero discursivo, tendo em vista que essa modalidade textual é muito pouco utilizada nas aulas de Língua Portuguesa. Além disso, o material didático usado pelos professores não veicula atividades de leitura a respeito do texto humorístico.” (Profa. Valéria, 7ª. A, 02/12/04, avaliação final da proposta piloto, por escrito).
(40) “Eu acho que a atividade é excelente porque é um tipo de texto que eles gostam. Já em outras oportunidades eu pude perceber que o texto humorístico, esse tipo de texto, ele é bom de trabalhar, porque ele é engraçado. [...]”; “o gênero piada motivou a participação dos alunos (Profa. Ana Cristina, 7ª. C, 07/10/04, avaliação oral do trabalho com a piada 1; 02/12/04, avaliação final da P.P., por escrito)