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Planlegging av utførelsen

In document Industrigulv i betong (sider 104-107)

No início do ano letivo de 2004, entrei em contato, novamente, com as professoras de 5ª a 8ª série, para negociar a/s série/s na/s qual/is faria a observação participante das aulas, para ver como é tratado o humor, e com qual/is professoras. Por uma questão de afinidade, amizade e de disponibilidade, combinei com a profa. Valéria Garcia157 o início das atividades para o dia 08/03/04158, nas duas turmas com as quais ela trabalharia: uma 6ª e uma 7ª série. Nas duas turmas, da mesma forma como fizera com as 03 turmas no 2º. semestre/2003, iniciei o encontro com minha apresentação pessoal, exposição e discussão do meu projeto. Fiz a consulta não apenas sobre a disposição de responderem a um questionário, mas também sobre o desejo de participarem do desenvolvimento da pesquisa, como colaboradores/as, caso a proposta de leitura de gêneros de humor fosse desenvolvida com turmas da série. Novamente, as turmas mostraram-se favoráveis e bastante empolgadas com o que poderíamos fazer juntos.

A única alteração feita no questionário aplicado em 2003 (anexo 2.1), para aplicação em 2004, foi a inserção de mais uma questão, como sendo a de número 1: O que é um texto de humor para você?

Ao responderem ao questionário, muitos/as alunos/as perguntavam se no LDLP usado havia texto humorístico, porque não se lembravam de já ter visto um. Não induzi a resposta, porque acho que é um dado relevante para minha pesquisa eles/as sequer saberem se há humor no LD adotado e até no trabalho em geral na sala de aula.

No fim de março/2004, elaborei também um questionário159 para as 07 (sete) professoras de LP, de 5ª a 8ª série da ESEBA responderem, a fim de sondar o que entendem por humor, se gostam de textos humorísticos, se trabalham com eles e como, se acham que a minha proposta é pertinente, etc. Esse questionário foi entregue a cada uma no dia 07/04/04. Nesse mesmo dia, também entreguei uma cópia de meu projeto para a profa. Valéria Garcia lê-lo individualmente, como ela havia preferido, para posteriormente o discutirmos. Em função de sua defesa de dissertação, ela não pôde fazer essa leitura antes. Eu havia lhe exposto o projeto só oralmente.

Após coletar dados por meio de questionário, li e organizei as respostas obtidas para unir à síntese que já havia feito em 2003. Considero isso fundamental para revisão da agenda de pesquisa e para o conhecimento, mesmo que parcial, dos desejos e necessidades da comunidade envolvida na pesquisa.

157 Os nomes mencionados são fictícios para preservar a identidade dos sujeitos participantes.

158 As aulas, na escola, haviam começado em fevereiro, mas, devido ao fato de essa professora estar afastada para conclusão de seu curso de mestrado, outras professoras foram ministrando as aulas em seu lugar até que ela retornasse. Por não haver professor/a fixo/a para isso, achei melhor aguardar o retorno de Valéria, que se deu no dia 01/03/04. Porém, como ela achou melhor entrar nas salas, inicialmente, sem a minha presença, para que pudesse ter uma idéia geral de como eram as turmas, só iniciei a observação na semana seguinte, em 08/03/04.

É importante destacar que, durante todo o período de observação participante e de intervenção no campo160, os/as alunos/as só se identificavam se quisessem, quando produziam algum material escrito, como: resposta a questionário, à sondagem, a questões de interpretação de textos.

Pelas respostas, pude ver que os/as respondentes, em sua grande maioria, consideravam que a abordagem dos textos humorísticos nos LDLP deixa muito a desejar e que deveriam ser utilizados mais textos de humor em sala de aula, em especial nas aulas de LP. Das 06 (seis) professoras, 05 (cinco) responderam afirmativamente; 01 (uma), não. Eis uma síntese das justificativas:

JUSTIFICATIVAS PARA SIM:

a) “São extremamente interessantes e divertidos. As crianças, os jovens, e porque não os adultos precisam ser alegres. Na alegria, aprendem”;

b) “além de (...) passar muitas informações,(...), é atrativo, os alunos gostam”.

c) “é uma possibilidade para mostrarmos aos alunos como a maioria dos textos humorísticos reproduz a ideologia e o preconceito.”; “é uma forma de expressar que revela ideologias subjacentes.”

JUSTIFICATIVA PARA NÃO:

a) “Em nossa escola já há a utilização de textos de humor. Não há necessidade de mais”.

Segundo suas respostas à questão “(9a) Se sim, em que você acha que o trabalho com esse tipo de texto pode contribuir na formação do/a aluno/a e no ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa?”161, o trabalho com esses textos pode trazer contribuições à formação do/a aluno/a e ao ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa:

a) “desenvolve o raciocínio, a reflexão, o senso crítico, o bom humor e a escrita”;

b) “é um tipo de texto que está presente em vários meios de comunicação; são críticos; ou seja, retratam temas polêmicos da sociedade; os alunos se interessam, o que motiva a leitura”;

c) “observar as múltiplas interpretações que surgem dentro do contexto social (sala de aula). (...)descontrai e, muitas vezes, aproxima os alunos inibidos, colocando-os em parceria com os demais”;

d) “A contribuição se dá no aumento da competência comunicativa do aluno. (...) faz-se necessário trabalhar com esse tipo de texto, porque ele veicula na sociedade,... é um gênero discursivo”.

Na pergunta em que investigo a opinião das professoras e dos/as alunos acerca do desenvolvimento de minha pesquisa na ESEBA162, das 06 professoras, 05 responderam que a proposta deveria ser “SIM/LÓGICO” desenvolvida na escola163, e dos 122 alunos/as das turmas de 2003 e 2004, 116 responderam “sim”, 03 responderam “não”, 02 deixaram em branco e 01 disse que não fazia diferença. Aqui eu buscava ter uma noção de como a minha proposta poderia ser recebida pelos/as estudantes e professoras, para saber, inclusive, se valeria prosseguir nesse intento. Essas respostas foram justificadas assim pelas professoras:

a) “Ainda não havia pensado nisto, mas pode ser muito bom. Certamente, os/as alunos/as irão gostar (...); b) “os alunos percebem, através da leitura destes textos, que estes textos têm uma função social importante, (...) muitas verdades são reveladas”;

160 Ver mais adiante sobre desenvolvimento de duas propostas de leitura e análise crítica de gêneros do humor: a Piloto e a Final.

161 Uma professora deixou em branco.

162 Essa sondagem junto às professoras sobre o desenvolvimento da proposta na escola havia sido feita apenas oralmente em 2003.

c)”todas as atividades que possibilitem outras leituras são fundamentais para (...) que o aluno, a partir da leitura de um texto, produza o seu próprio texto”;

e) “seria importantíssimo, principalmente, porque pode-se perceber que há uma “carência”, isto é, esse tipo de texto não tem sido explorado de forma produtiva, (...)pelos manuais didáticos”.

Quanto às justificativas dos/as alunos/as, elas giraram em torno de a proposta poder agradar a todos/as, provocar uma melhoria na questão da disciplina, alterar a rotina da sala de aula, tornando as aulas mais dinâmicas, os/as estudantes mais participativos, como nos exemplos a seguir164:

a) “o comportamento iria melhorar”/ “seria interessante e incentivaria a pessoa a ler bem mais’;

b) “só de sair de sala, já se torna uma melhor aula, menos monótona e brutalmente uma normal chatice. Há uma melhor integração e participação do grupo”/ “podemos ficar fazendo outra coisa além de ficar sentado, calado, de cabeça baixa, copiando conteúdo e ouvindo explicação”/“quem sabe gostaríamos mais de Português”/“às vezes possamos até aprender e melhorar nosso rendimento escolar”;

c) “eu aposto que é uma forma muito eficaz de ensino, além do que aposto que todos adorariam”/ “podemos nos divertir e levar essa diversão para fora da escola”/ “iria ser uma revolução na forma de ensinar e aprender”.

Essas respostas, em linhas gerais, mostraram que a comunidade participante também tem interesse na pesquisa, e sinalizaram uma boa aceitação da proposta, o que é fundamental tendo em vista os pressupostos da metodologia adotada. Contrariamente a essas respostas, destaco a opinião de um/a aluno/a que respondeu indiferentemente à mesma questão:

“Para mim não faz diferença, pois geralmente quando analisamos esses textos para depois fazermos atividades, o ambiente fica muito chato; acredito que usar os textos humorísticos para o ensino tira toda a graça dele”.

Entendo que essa resposta, mesmo sendo ‘negativa’, não deve ser, de forma alguma, desconsiderada, pois ela é para mim um alerta e demonstra que é preciso ter cuidado ao selecionar os textos, pois, ao que tudo indica, o humor, para os/as alunos/as, tem relação direta com o riso. É preciso também ter cautela e encaminhar uma discussão sobre essa relação direta, ou não, com o riso entendido por eles/as, na maioria das vezes, como gargalhada. Outrossim, chama a atenção para o risco de se cair na armadilha de utilizar o texto humorístico como pano de fundo apenas para ensino gramatical, especialmente numa perspectiva prescritiva.

A aplicação dos questionários em 2004, como já mencionado, foi feita durante o período de

observação participante. Nos 02 meses iniciais dessa observação de aulas, na 7ª. A e 6ª. C, em que assisti a 14 aulas de 50 minutos, na 6ª. C, e a 15, na 7ª. A, num total de 29 aulas, não houve nenhum trabalho com GH. Isso me fez ficar cada vez mais incomodada, angustiada, desanimada e com a sensação de que estava “perdendo meu tempo”. O que fazer? Sem dúvida, era momento de dar uma pausa nas observações e procurar uma forma de tentar preencher algumas lacunas quanto ao que fora respondido nos questionários. Iniciei, então, a preparação para realizar algumas entrevistas com professoras e alunos/as. De 17/05 a 31/05, entrevistei 03 professoras e 09 alunos/as. As entrevistas

foram semi-estruturadas e realizadas na sala destinada à pesquisa, no interior da biblioteca da escola. O roteiro para entrevista com alunos/as resumiu-se a duas questões para nortear o diálogo. São elas:

1. Para ser um texto humorístico, para você, é preciso que ele seja engraçado, provoque o riso?

2.Qual a sua opinião sobre as atividades propostas nos livros didáticos referentes aos textos humorísticos?

As entrevistas165 foram gravadas em áudio e transcritas sem a preocupação com o registro minucioso acerca de falas sobrepostas, silêncios, entonações etc., pois o que me interessava era o seu conteúdo informacional.

A seguir, apresento trechos das entrevistas com uma aluna e com duas professoras para ilustrar esta parte do trabalho de campo e para representar a opinião dos/as participantes.

(2) PESQ166: (...) eu vi seu questionário e (...) queria (...) saber um pouquinho mais o que você acha sobre o humor e sobre o humor nos livros didáticos que vocês estudam. Então, como você acabou de dizer, o Oficina de Textos167 na 5ª série, vocês não usaram, né? Então, vocês devem ter usado o Linguagem

Nova168.

G: Hum hum!

PESQ: (...) P.56, tem esse outro aqui. Você se lembra de ter trabalhado? G: Esse sim.

(...)

PESQ: aqui falava de o homem ser comunicativo ou não, mostra uma caricatura, né? Você acha que, quando isso aqui foi trabalhado, (...) o trabalho foi bom, se vocês gostaram, se foi produtivo ou não?

G: Porque na hora que a gente tava estudando esse desenho, a professora preferia que a gente escrevesse mais e não, sabe, trabalhasse muito o humor.

PESQ: (...) Vocês não discutiam muito, mas só escreviam? Você acha que se tivesse discutido, teria sido melhor?

G: hum rum.! PESQ: Por quê?

((a aluna só mexeu com os ombros, sinalizando que não sabia)) (...)

PESQ: E você acha que no livro tem esse tipo de humor que faz rir?

G: não. (...) Muito poucas vezes que a gente tem alguma coisa que faça rir mesmo. Texto didático. (...) Naquela página de pensar, às vezes, aparece. (...)Trabalhava mais, assim, só o que tá pedindo no enunciado. (...) Eu achava muito super ótimo, sabe, porque quase nunca você vê isso. (...)

PESQ: E, era engraçado? Vocês achavam engraçado? G: Os engraçados ela não discutia, só com os não engraçados.

(...)PESQ: E no geral, Graziela, dar esse tipo de texto na sala de aula é uma coisa boa? G: É. (...)Eu acho que deveria ter maior tempo pra isso.... Tinha que ser diferente. PESQ:Você tem alguma sugestão?

G: Trabalhar mais com texto humorístico. (Trecho da transcrição da entrevista com a aluna G, da 6ª série “A”, em 17/05/04).

Neste trecho destaquei as partes que nos dão as pistas de como acontece o trabalho com o humor presente no LDLP e de como, na opinião da aluna, ele deveria ser.

Para as entrevistas com as professoras, organizei um roteiro apenas com tópicos concernentes aos pressupostos da metodologia adotada que considerava importante ressaltar durante nossa conversa

165 Devido à extensão do material resultante da transcrição das entrevistas realizadas ao longo da pesquisa de campo não anexei as transcrições à tese. Todavia, transcrevi trechos de entrevistas sempre que me pareceu necessário em diferentes capítulos da tese.

166 Utilizarei a abreviatura ‘PESQ’ para indicar ‘pesquisadora’ e uma letra, correspondente à inicial do nome do/a entrevistado/a, para identificá-lo/a.

167 Um dos livros didáticos adotados na ESEBA. 168 Idem nota anterior.

(ver anexo 2.3). Os trechos reproduzidos a seguir são das entrevistas feitas com Elisângela Diniz, em 17/05/04, e com Ana Cristina, feita em 24/05/04. A professora Elisângela é doutora em Língua Portuguesa pela UNESP/Araraquara, professora de duas turmas de 8ª série, em 2004. Ela retornou à ESEBA no mês de março, após licença de 04 anos para doutoramento. A professora Ana Cristina é mestre em Lingüística pela Universidade Federal de Uberlândia e professora de duas turmas de 7ª série em 2004.

(3) PESQ: (...)basicamente eu queria ver com você se você tem trabalhado humor na sala de aula, de algum livro didático, e se tem, como.

Profa. Elisângela: É, Cida (...) eu fiquei quatro anos fora da sala de aula, eu voltei agora, nesse ano, sinceramente eu trabalhei um tempo só de humor, bem pequeno, que é uma Tirinha da Mafalda e foi só um, até o momento. E foi assim... (...) esse texto que eu trabalhei da Mafalda, (...) ele faz isso [encarar os fatos], de uma forma leve e engraçada. (...) pra o aluno do ensino fundamental, eu considero que a tirinha, essa que eu trabalhei, ela é leve (...) porque ela tem os desenhos e eu senti que essa leveza veio porque, pelo desenho, (...) o aluno consegue fazer uma reflexão. (...) eu considerei ela leve, não tanto engraçada. (...) muitas vezes o texto que a gente encontra no livro didático não faz ninguém rir.

PESQ: Às vezes o objetivo é muito mais refletir, é a crítica.... do que rir ((ininteligível)).

Profa. Elisângela : (...) crítica e reflexão. Então nem sempre ele faz rir. Ele é... é implícito, está implícito que deveria fazer rir, mas a gente não ri.

PESQ: E os alunos, no seu entendimento, eles aceitam como sendo de humor, quando não faz rir?

Profa. Elisângela: Então, isso é interessante (...) eu falei que a Tirinha da Mafalda era um texto de humor (...). E aí (...) o M., ele é muito crítico, ele falou: “Ah! Não achei graça nenhuma, aliás, isso aqui é de chorar, porque o mundo está doente!” (...). Então eu expliquei pra ele, que (...) o humor é uma disposição de espírito. Então, quer dizer, eu tentei mostrar pelo desenho (...) como era engraçadinho, bonitinho! Ele falou: “Mas isso não é engraçado”. (...)

PESQ: (...) no geral, (...), o que você acha dessa proposta de trabalho com o humor na sala de aula?

Profa. Elisângela: é muito pertinente. Inclusive eu não sei se respondi no questionário, mas eu vejo o texto de humor como mais um recurso importante, (...) ele trabalha crítica, reflexão, e ele faz com que o aluno pense, é o que falta pro nosso aluno, né? A gente entrega tudo pronto (...) nós não fazemos com que nosso aluno pense. (...) é papel do professor trabalhar com o humor (...) é uma falta não fazer que o aluno perceba a ironia. Então, isso eu acho muito importante (...) é importante, também, trabalhar para o ideal da educação. Eu penso, assim, que de pilha nós não vamos conseguir, mas eu acho seu trabalho muito bom por causa disso. Nossa responsabilidade é que o aluno tenha a capacidade de refletir em cima de um texto, que deixe implícito isso, emanado ou qualquer coisa assim. (...) (Trecho da transcrição da entrevista com a professora Elisângela Diniz, em 17/05/04).

(4) Profª. Ana Cristina: (...) eu acho é que eles participam mais, né Cida, quando a gente usa um material diversificado, eles participam mais. O que eu percebo inclusive, eu acho que é falta mesmo da gente trabalhar desde as primeiras séries esse tipo de texto. Então quando a gente trabalha ((ininteligível)) essa atividade, eles têm dificuldade e uma certa rejeição.

[...]

PESQ: E o que você acha por exemplo da inserção de texto humorístico no trabalho com tópicos gramaticais?

Profª. Ana Cristina: Cida, eu acho que é interessante, mas desde que a gente observe isso na construção desse texto, sabe? Ou você entra com outro trabalho. Eu acho assim que é muito interessante trabalhar pra discutir, ver o efeito de sentido mesmo, né? A gente fica muito preso....((ininteligível)), na verdade mudou o jeito de ensinar, mas o que que isso tem a ver na construção de texto? O que que implica, né?

[...]

Profª. Ana Cristina: (...) Mas, eu acho que não é um texto que tenha um lugar/um lugar como os outros textos têm não.

PESQ: E como você vê? Você acha que seria interessante eles terem lugar?

Profª. Ana Cristina: Eu acho assim que a gente... Eu acho assim que a partir do momento que nós decidirmos por um texto, o trabalho com texto, todos têm que ter um lugar. Eu acho assim como os outros textos, como a receita, que nós trabalhamos pra/ pra analisar a questão do subjuntivo (...). Então eu acho que é trabalhar com os outros textos também, né, como objeto de estudo, porque não circula aqui somente, ele está nas páginas de jornais, ele está na televisão.

[...]

Profª. Ana Cristina: Eu acho importante esse tipo de pesquisa principalmente, pra suscitar discussão, sabe? (Trecho da transcrição da entrevista com a professora Ana Cristina, em 24/05/04).

Nestes trechos também destaquei as partes que nos dão as pistas de como acontece o trabalho com o humor, do que a professora pensa sobre o humor no LDLP e de sua opinião sobre a minha proposta de pesquisa.

Durante esse período de pausa nas observações nas turmas da profa. Valéria, também conversei com a professora das duas outras 7as séries, Ana Cristina, a qual entrevistei, e ela me informou que ia desenvolver, em conjunto com a professora Valéria, um trabalho sobre charges. Imediatamente, pedi-lhe para acompanhá-lo e conversamos sobre a possibilidade de eu observar as aulas também nesta turma e desenvolver parte de minha pesquisa com ela. A professora sentiu-se da mesma forma entusiasmada. Foi um alívio! Finalmente poderia observar aulas em que um gênero do humor estivesse presente!

Essa possibilidade me fez tomar uma nova decisão no encaminhamento da pesquisa. Não havia por que continuar observando aulas em duas sétimas e em uma sexta. Assim, optei por fazer isso apenas com as turmas de sétima, uma de cada professora, e conversei com Valéria Garcia sobre o que combinara com Ana Cristina e sobre as reflexões que havia feito. Acordamos, então, que eu continuaria o trabalho somente com as sétimas. Logo em seguida, encontrei-me com a turma de 6ª série para conversarmos sobre os novos caminhos da pesquisa, para agradecer aos/as alunos/as a participação e para me despedir deles/as.

Tendo em vista a nova parceria com a professora Ana Cristina, perguntei-lhe se ela gostaria de ler todo o meu projeto e se gostaria de fazê-lo em conjunto ou individualmente. Ela preferiu lê-lo sozinha para depois discutirmos juntamente com a profa. Valéria Garcia, que ainda não havia terminado de ler o meu texto.

Em 31/05, tive o primeiro encontro com a 7ª. C, turma da professora Ana Cristina. Procedi da mesma forma que nos primeiros encontros com as outras turmas. Neste dia, os/as alunos/as começaram a apresentar um trabalho de leitura de charges que haviam feito em grupo169. Segundo a professora, primeiramente, ela pediu aos/às alunos/as que escolhessem uma charge impressa em jornal ou revista170, lessem-na e anotassem: o assunto focalizado na charge, os elementos que a compõem, a visão crítica veiculada e a fonte de onde ela foi retirada. Em 01/06/04, a profa. Valéria Garcia também iniciou o mesmo trabalho com a 7ª. A. Só nesta data, então, retornei à observação participante nesta turma.

No anexo 2.5, apresento duas cópias dos trabalhos, uma de cada turma, para ilustrar o resultado da leitura das charges feita pelos/as alunos/as. No final da aula, a professora teceu alguns

169 A professora e os/as alunos/as já haviam ido ao Laboratório de Informática acessar sites contendo charges, as quais discutiram em conjunto, e haviam feito, em grupo, o trabalho de leitura de charges, retiradas de fontes diversas que começaram a apresentar neste encontro, em 31/05/04.

170 No anexo 2.4, apresento uma charge selecionada por um/a aluno/a da 7ª. C, apresentada em 31/05/04, e uma por um/a aluno/a da 7ª. A, apresentada em 01/06/04.

comentários conclusivos acerca do estudo das charges. Segundo ela, os temas predominantes nas charges apresentadas pelos/as alunos/as foram política e economia.

Na minha opinião, essa iniciativa de começar um trabalho de leitura de gêneros do humor foi extremamente positiva para todos os sujeitos envolvidos e para minha pesquisa também. Isso porque

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