6.4 Lastkombinasjoner
6.5.1 Dimensjonering av gulvkonstruksjonen
Esta pesquisa foi praticamente toda desenvolvida na Escola de Educação Básica da Universidade Federal de Uberlândia, de agora em diante ESEBA147. Durante um mês apenas, alguns dados foram também coletados em outra escola, em Lisboa, Portugal: Escola EB 2+3 Eugénio dos Santos. Assim sendo, passo a descrever esses dois contextos.
A ESEBA, quando criada, em março de 1977, era uma escola-benefício, ou seja, destinada a atender apenas filhos/as de funcionários/as da UFU. Em 30 de agosto de 1983 teve seu nome mudado para o atual e passou à condição de Colégio de Aplicação, a exemplo de outras quinze escolas existentes em outras universidades federais brasileiras na época.
A partir de 1988, por determinação governamental, a ESEBA deixou de ser uma escola- benefício e passou a ser uma escola pública aberta a todos. Foi instituído, então, o sorteio público de vagas, previsto em edital público, como a forma de seleção para ingresso de alunos/as, com idade a partir de 04 anos, do 1º. período da Educação Infantil a 8ª série do Ensino Fundamental. Isso mudou totalmente o perfil dos/as estudantes da escola, o qual passou a ser bastante heterogêneo,
147 Até agosto de 1983 a escola tinha o nome de ‘Nossa Casinha’. Esta informação e todas as outras referentes à história da escola foram obtidas no seu site: http://www.eseba.ufu.br/a_escola.php?tipo=historia.
principalmente em termos de classe socioeconômica. Antes, pode-se dizer que a escola tinha um público considerado elitizado; contudo, em função dessas mudanças, seu quadro passou a ser composto por alunos/as das diferentes classes sociais e oriundos/as de diferentes instituições escolares: particular, estadual, municipal.
A forma de contratação do corpo docente também foi alterada. Instituiu-se o concurso público para ingresso de professores/as efetivos/as na escola, que deveriam, no mínimo, ser especialistas em suas respectivas áreas, o que provocou uma mudança no perfil dos docentes da instituição, principalmente em termos de qualificação. Algum tempo depois, foi instituído ainda o processo seletivo simplificado para contratação de professores/as substitutos/as, uma vez que o governo deixou, por um bom tempo, de liberar contratações efetivas, por questões ditas financeiras148.
Os docentes efetivos da ESEBA trabalham em regime de dedicação exclusiva, 40 horas, ministrando, no máximo, 15 horas/aula semanais, e procuram desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão. Esse é um dos grandes diferenciais da instituição em relação às outras escolas públicas das redes estadual e municipal. O trecho abaixo, retirado da página eletrônica da escola (www.eseba.ufu.br), corrobora essa afirmação:
A Escola de Educação Básica da UFU tem sido considerada como referência de ensino-pesquisa e extensão, em nossa cidade e região. Isso se deve principalmente à qualificação de seu corpo docente que é orientado a perseguir os princípios de uma Universidade Pública que são o de oferecer ensino de qualidade e, com base nesta prática, realizar pesquisas científicas e estender seus resultados à comunidade e/ ou região onde se localiza.
Atualmente, além de atender à clientela de alunos do 1º período do Ensino Infantil até a 8ª série do Ensino Fundamental, a ESEBA possui curso supletivo de Ensino Fundamental e Médio, também aberto a toda a comunidade.
A escola dispõe de uma estrutura física privilegiada e de salas com um número máximo de 30 alunos/as. Fazem parte dessa estrutura: salas separadas para professores/as de cada conteúdo curricular; sala de atendimento aos/às alunos/as (Caro Aluno); laboratório de informática (o LIE), que atende toda a ESEBA, com aulas que fazem parte da grade curricular de 1ª a 5ª série e como disciplina de enriquecimento de currículo a partir da 6ª série até a educação de Jovens e Adultos149; laboratório de informática para uso de professores/as; salas-ambiente para o ensino de língua estrangeira (inglês, francês ou espanhol); salas especiais para aulas de artes, música; biblioteca com amplo acervo e com salas especiais para leitura, contação de histórias e pesquisa; consultório dentário; laboratórios de História, Ciências e Geografia; uma brinquedoteca; quadra coberta; sala de vídeo, etc.
148 Não vou entrar em detalhes quanto à questão da crise na educação brasileira neste momento, por fugir ao escopo deste capítulo.
149 No LIE também se desenvolvem atividades de extensão com a comunidade, como a participação no Projeto Atividades Físicas e Recreativas Para a Terceira Idade - AFRID – com aulas semanais de informática para a 3ª idade
Com relação à área de Língua Portuguesa e Literatura Infanto-Juvenil, especificamente, ela conta com um quadro de 11 professoras. Dessas 11, 03 são especialistas, 04 são mestres em Lingüística, 02 são doutoras: uma em Língua Portuguesa e outra em Literatura, e 02 estão liberadas integralmente para cursar doutorado150.
Atualmente, todas as professoras atuantes – com exceção da coordenadora da área151 - estão com um total de 10horas/aula, semanais, pela manhã, e, à tarde, dedicam-se a plantões, aulas de dependência, planejamento em conjunto, reuniões pedagógicas e administrativas, atendimento a pais etc.
Os objetivos dessa área, conforme consta no site e no Projeto Político Pedagógico da ESEBA, são:
a) propiciar condições para que os profissionais da Área de Português desenvolvam projetos de ensino, pesquisa e extensão; b) servir como campo de estágio para alunos do 3o grau; c) possibilitar ao aluno a utilização da linguagem na escuta e produção de
textos orais e na leitura e produção de textos escritos de modo a atender as múltiplas demandas sociais, responder a diferentes propósitos comunicativos e expressivos; d) possibilitar ao aluno reconhecer e valorizar a linguagem de seu grupo social como instrumento adequado e eficiente na comunicação cotidiana na elaboração artística e mesmo nas interações com pessoas de outros grupos sociais que se expressem por meio de outras variedades.
A Escola do Ensino Básico dos 2º e 3º ciclos de Eugénio dos Santos (Escola EB 2+3 Eugénio dos Santos)152, por sua vez, foi criada em agosto de 1948, com o nome de Escola Técnica Elementar de Eugénio dos Santos, e inaugurada em seis de janeiro de 1951. Ela recebeu seu nome atual somente em 1993, quando passou a atender também a alunos/as do 3º ciclo.
Nesta escola, não há salas de professores/as separadas por conteúdo como na ESEBA/Brasil; há uma única sala para todos/as os/as professores/as do turno. As aulas, conforme me informou a professora MJ, são de 45 minutos cada e a maioria das disciplinas são ministradas em blocos de 90 minutos, ou seja, duas aulas seguidas. Após os primeiros 90 minutos, há um intervalo de 15 minutos, e após os 90 minutos seguintes, há um intervalo de 10 minutos. No turno da manhã, são ministradas 06 (seis) aulas por dia, das 8h15min às 13h10min.
Os/as professores/as desta escola em Lisboa também trabalham em regime de 40 horas, como os/as da ESEBA. Porém, a sua carga horária semanal é, em média, de 22 horas/aula. O número de alunos/as por turma, como na ESEBA, é considerado pequeno se comparado ao número nas escolas estaduais de Uberlândia. Na Eugénio dos Santos, as turmas têm de 26 a 28 alunos/as, no geral. Há
150 Uma está cursando doutorado na área de Literatura, na Universidade de São Paulo (USP), e a outra – que sou eu -, na área de Lingüística, na Universidade de Brasília (UnB). Apesar de estar atuando como docente desta área na ESEBA ,há 10 anos, continuo na classe dos Assistentes Administrativos da UFU, como quando ingressei na universidade em janeiro de 1988. Piada? Não. Triste verdade!
151 A professora que desempenha também a função de coordenadora da área assume, geralmente, 5 horas/aula semanais. 152 Ver informações sobre a escola em: http://alvalade.no.sapo.pt/eugenio.htm.
algumas turmas, consideradas ‘especiais’153 em que o número de alunos/as ainda é menor. O 8º ano A, por exemplo, em que observei aulas, é considerado especial e tem apenas 20 alunos/as porque na turma há uma aluna que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e precisa estar em um grupo menor, inclusive para que a professora possa lhe dar uma maior atenção.
Com relação ao espaço da sala de aula, chamou-me a atenção na escola portuguesa a sua organização e arquitetura. Diferente das salas de aula da ESEBA, nessa escola não há lugares individuais. Nas salas há 15 mesas com duas cadeiras em cada uma, num total de 30 cadeiras. Dessa forma, os/as alunos/as sentam-se, em geral, em pares. A mesa da professora fica dois degraus acima do nível da sala e, ao lado dela, há uma outra mesa com um computador. Em todas as salas de aula, há um desse equipamento.
A escola portuguesa fica localizada em Alvalade, Lisboa, uma das regiões nobres da cidade. Em função disso, segundo a professora MJ, sua clientela é pertencente às classes socioeconômicas média e média alta. Nela, os/as alunos/as do 8º ano têm aula de: português, educação visual, francês, ciências naturais, história, físico-química, inglês, matemática e geografia. Durante a semana, eles/as têm também um horário destinado a ‘Estudo Acompanhado’ e a ‘Área de Projeto’. Das 30 (trinta) aulas semanais, 04 (quatro) são de Português.
Essas informações referentes às duas escolas contribuem para que se tenha uma visão geral dos contextos onde a pesquisa foi desenvolvida e do perfil dos/as profissionais docentes. De certa forma, tem-se também uma noção da composição do corpo discente.
Na próxima seção, procuro estabelecer uma relação mais direta entre a metodologia adotada e a minha pesquisa.