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Samfunnsfagundervisningen og læringsutbytte

Para os discursos separados nesse grupo, percebe-se baixa influência ou ausência completa de dominação masculina. Sair para beber é considerado extremamente normal, habitual, ao ponto de causar estranheza para as entrevistadas a realização do questionamento (com um toque do discurso feminista militante contemporâneo).

As falas das participantes Laís, Jéssica e Fernanda identificam com clareza as situações em que a dominação masculina se torna latente e suas ações para lidar com elas.

Eu acho que é uma liberdade para a mulher que não deve ser tão exaltada, por que é um direito a gente sair e não é um privilégio, tá aqui convivendo com homens e bebendo com homens e até como homens (risos). É um exagero celebrar essa democracia aqui entre homens e mulheres, é só olhar em volta e ver tem quase o mesmo número de homens e mulheres e nenhuma diferença, os dois gêneros bebendo cerveja, rindo e se divertindo. É que nos tempos de hoje isso não é nada demais, hoje as mulheres fazem o que elas quiserem, a maioria delas claro, ah então eu acho que isso não é nada (LAÍS).

O discurso da informante Laís já não reconhece o que, para Bourdieu (2003), é a permanência do homem dominando os espaços públicos e as áreas de poder da sociedade. Ao sugerir que não se deve exaltar a presença feminina, existe a quebra da celebração da presença da mulher no bar na tentativa de construir uma espécie de normalidade para esse cenário.

Não me afeta porque tipo não é algo que me incomoda entendeu, tipo se no meu dia a dia não me incomoda a não ser que aconteça algo comigo, digamos assim ó, eu tô sentada e o Jackson [marido] me pede pra levantar e pegar uma cerveja pra ele eu já pergunto se ele tá com a bunda colada (risos). Entendeu, mas eu já casei com ele por ele não ser esse tipo de homem né, ele é o tipo de homem que pega pra nós dois ne. Existe homens e homens, ele já entendeu que é tudo dividido, a casa, as contas, cuidar do cachorro, manutenção do carro, a dai vai da mulher saber escolher qual que ne se pareça mais com ela e eu casei com ele exatamente por isso, por ele não ter essa diferença (JESSICA).

O trecho do discurso da informante Jéssica contraria a noção presente em Attfield (2000), que é permitido para as mulheres apenas o papel de boas mães e donas de casa. Para o autor, a responsabilidade da mulher é somente abastecer a família. A divisão de tarefas do lar mencionado pela entrevistada pode ser indício de uma nova definição de papéis entre gênero nos diversos campos sociais.

Cara eu já fui pro bar de chinelo e calção do grêmio na praia (risos) o Paulo [marido] adora essa minha praticidade, ele também só coloca uma camiseta e uma bermuda e sai, claro, as vezes me visto bem de menininha, blogueirinha e tudo mais, com meu óculos de hipster, mas perder tempo de estar no bar para se arrumar (risos) não né... quando pinta a situação de ir beber eu saio de onde estou e já vou, esses dias estava na FADERGS e tinha prova, depois já deu a ideia com as gurias e fomos ali no Pedrini... sei lá como acontece, é mais ou menos assim, pega e vai (risos) (FERNANDA).

Alinhado com Fischer e Arnold (1990), em seu estudo sobre presentes de natal, mulheres que ocupam posições igualitárias perante o comportamento masculino tendem a se envolverem menos com atividades tidas como femininas. A informante Fernanda apresenta, em seu discurso, uma comparação direta entre a atitude de homens e mulheres quando questionada sobre como se dá a atividade de sair para beber. Essa normalidade em ter comportamentos igualitários entre gêneros em situações cotidianas é que dá sentido ao discurso emancipatório do grupo.

Todos somos só pessoas que são bem parecidas na verdade. Quis criticar essa coisa de que para ser homem tem que dirigir, beber cerveja, jogar futebol, essa bobagem sabe. Para ser mulher tem que cozinhar, se maquiar, estar sempre bem arrumada, fazer unhas e tal. É esse tipo de conversa que separa homens e mulheres, sempre deixando a mulher dentro de casa cuidando dos filhos, pensamento antigo, hoje se quiser eu saio pro boteco (risos) sem ficar quatro horas me arrumando na frente do espelho, na verdade, eu nem lembro se alguma vez eu já fiquei me arrumando tanto tempo (risos). Minha mãe quando me vê vestida de menina até fica espantada (risos) (LAÍS).

O homem pagar diversas vezes também me incomoda ele sair comigo e pagar sempre me incomoda. Mas é aquilo que eu te falo né, é a questão cultural entendeu. Continua aquela coisa onde o homem tem que pagar a conta, mas abrir a porta do carro nem pensar (risos). Puxar a po##a da cadeira pra sentar também não (risos) (JÉSSICA).

A afirmação presente no discurso das participantes Laís e Jéssica apresenta um contraponto ao que Bourdieu (2003) considera como a condição de manter juntas a totalidade dos lugares e das formas nas quais se exerce a dominação masculina. Este fato interrompe com as diferentes escalas onde é possível vê-la ao apontar como habitual sair e frequentar espaços públicos sem grandes reflexões.

Por meio dessa segmentação, é possível analisar o comportamento feminino frente à percepção de dominação masculina proposta por Bourdieu e, também, o nível de consideração para a atividade de sair para beber. As duas dimensões analisadas correspondem ao que Askegaard, Kjeldgaard e Arnould (2009) chamam de habitus, um sistema estruturante de significados de consumo no qual o agente individual é influenciado, ao mesmo que representa o sistema como um todo.