1 INNLEDNING
1.1 PROBLEMSTILLING: OVERORDNEDE SPØRSMÅL
Em se tratando de comportamento humano, constitui tarefa não muito simples fazer a separação de categorias de motivação, pois na prática, de modo geral, elas ocorrem muito juntas, ‘misturadas’, com predominância de alguma sobre outras, na verdade não se encontrando nenhum tipo de motivação em estado puro, como talvez se pudesse ensejar.
Trata-se de perceber as razões de ordem mais prática, das motivações em vista de benefícios concretos materiais ou de interesse mais imediato que também se fazem presentes no envolvimento de jovens universitários em projetos socioeducativos na forma de atuação voluntária.
Nessa linha, as falas de alguns participantes do estudo revelam como fontes motivadoras a oportunidade de obtenção de novos conhecimentos e aprendizagens, novas ideias e compreensões. Também consideram a satisfação de algum desafio intelectual, o exercitar de novas habilidades pedagógicas, ter a possibilidade de fazer a experimentação prática de conteúdos e conhecimentos adquiridos em sala de aula, como formas de motivação para o envolvimento em ações de voluntariado, como se pode ver.
[...] estou cursando licenciatura em Letras – Língua Inglesa – então é uma oportunidade de eu colocar em prática esse conhecimento, ter essa prática de ensino de língua inglesa. Como é a área em que quero atuar, foi uma primeira oportunidade de estar tendo esse primeiro contato da prática em si. É um exercício que faz aprender. [...] E a motivação é essa (Acauã).
No caso até que toda essa questão mesmo de ser curiosa, de querer conhecer mais, de querer ter visões de outras realidades, para mim é uma motivação e eu entrei no projeto [...]. No grupo desenvolvemos ações de formação política, social e religiosa. Bom, lá temos a possibilidade de desenvolver habilidades diversas, como performances teatrais, linguagem oral e escrita e outras atividades criativas (Maíra).
Aprender novas práticas de trabalho com grupos diversos, adquirir um mínimo de experiência de trabalho com grupos diversos, seja de crianças, jovens ou adultos, como forma de preparo para um melhor exercício profissional posterior constitui motivação para o voluntariado universitário. Nessa busca apresenta-se a questão da distância entre a academia e a realidade envolvente, da separação dos conhecimentos passados em sala de aula e os conhecimentos que circulam na comunidade externa, do hiato entre a teoria e a prática, problema que continua sem ser resolvido de forma satisfatória. É o que parecem afirmar os depoimentos seguintes.
Eu queria muito já um projeto para trabalhar com crianças, né, um projeto voluntário que pudesse ter contato no curso de Pedagogia, mas aí eu entrei num projeto de alfabetização de jovens e adultos. [...] Eu queria muito esse primeiro contato. Existe dicotomia grande na profissão, entre o teórico e o prático e eu queria ver na pele como funciona antes de entrar na sala de aula, ter já uma bagagem ampla quando eu chegar lá em sala de aula (Juacema).
Outra motivação forte é de poder vir a trabalhar posteriormente na área da docência, de repente vir a exercer também, vir a lecionar [...] isso já me traz um ensinamento muito grande de como lidar coma sala de aula, com alunos. Isso já me traz uma bagagem muito
grande de como lidar com esse ambiente, e de repente me vincular a outros trabalhos voluntários (Jandira).
A obtenção de algum benefício ou vantagem no sentido de melhorar o currículo acadêmico, ou motivações relacionadas com o alcance de vantagens para a carreira e a trajetória profissional também continuam presentes. A possibilidade de poder definir uma profissão ou de melhorar a carreira profissional motiva para a participação em programas de natureza voluntária, segundo estes depoimentos.
Quando eu recebi o email com a divulgação do projeto, a primeira coisa que veio na minha mente foi ter experiência na área em que estudo e pensando no futuro profissional, porque até então não tinha experiência de nada em relação à educação, em relação à escola. A minha primeira motivação foi ter experiência na área (Saíra).
Lá no projeto eu criei muitos laços, eu aprendi muita coisa e assim que o curso que hoje eu faço tem a ver com isso, pela caminhada que tinha no projeto, pelos conhecimentos, então aquilo ali ajudou para que eu escolhesse melhor e redefinisse bem meu curso, e hoje permaneço nele por tudo que aprendi (Jurema).
Entre os variados motivos considerados como instrumentais ou utilitaristas coloca-se também a preocupação com a exigência curricular de determinado número de horas de participação efetiva em algum projeto de trabalho voluntário, para a obtenção do grau de conclusão do curso. Esta exigência do Ministério da Educação (MEC) para os que ingressam na universidade também desperta certo interesse e estimula universitários a participar de projetos extensionistas diversos desenvolvendo atividades de voluntariado. É o que se pode depreender dos testemunhos a seguir.
Primeiramente foi a necessidade das horas de atividades complementares de extensão que tinha como obrigação no currículo e eu procurei saber quais tipos de projeto eu poderia participar para complementar essas horas. Fiquei sabendo por uma colega que tinha essas atividades complementares na extensão, uma delas na comunidade educativa em que trabalho diretamente com educação, com o enfoque nas áreas sociais (Ceci). Eu entrei no projeto por causa das horas que estava precisando, daí resolvi entrar. [...] Esse foi o primeiro motivo, as horas do currículo (Mariú).
A exigência de um certo número de horas de trabalho voluntário de extensão nos cursos pode ter pesado, sim, mas não foi o motivo principal; veio como conseqüência (Juacema).
É necessário frisar que, ao contrário do que ventila o senso comum, este requisito acadêmico não constitui uma razão prioritária de ingresso em projetos de voluntariado. Foi apontada algumas vezes como motivação primeira, porém não chegando a alcançar a terça
parte dos entrevistados. Constata-se que, para os entrevistados, em geral, parece não haver grande diferenciação entre realização de atividades complementares de extensão e participação em projetos de trabalho de voluntariado socioeducativo.
Como já visto anteriormente, uma diversidade de outros motivos são significativamente mobilizadores para mais de setenta por cento dos pesquisados, quando se trata de decidir pelo envolvimento voluntário em algum projeto socioeducativo.
Como vimos, as motivações de tipo utilitarista se manifestam através dos seguintes itens: a obtenção de conhecimentos e aprendizagens úteis, aquisição de novas práticas de trabalho com grupos sociais diversos, a obtenção de algum tipo de benefício curricular em futuro proveito profissional.