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8   OPPSUMMERING OG DISKUSJON AV FUNN

8.2   FORHANDLINGSPOSISJONER:

8.2.1   ASSIMILERENDE TALER

Trata-se de compreender a relação das diversas categorias ou tipos de motivações – internas, altruístas, instrumentais e outras - com a realização de práticas socioeducativas de voluntariado.

Investigar as razões motivadoras que estimulam estudantes universitários para o engajamento em projetos de voluntariado socioeducativo constituiu um segundo objetivo bem delimitado da investigação. Localizar e identificar as diferentes influências, causas ou razões que se constituem como elementos incentivadores e motivadores que impulsionam

jovens universitários a se comprometerem em programas e projetos de cunho socioeducativo, em forma de ação voluntária, no contexto acadêmico atual, constituiu-se uma questão desafiadora.

Entendemos que as motivações constituem um tema fundamental para compreender o ser humano em seu modo de pensar, de situar-se no contexto envolvente, e em sua forma de agir. Os estudos de Maslow (2003)23 estabelecendo a pirâmide dos níveis de necessidades humanas são oportunos para quem deseja aprofundar o assunto.

É possível estabelecer uma conexão entre o tema das necessidades e dos motivos que mobilizam jovens para práticas voluntárias. Poderia se assim argüir: em certo sentido, não seriam determinadas necessidades concretas a serem satisfeitas que estariam como pano de fundo do ato de prestar um serviço, de forma desinteressada e voluntária, a pessoas, grupos, ou organizações sociais? A satisfação de necessidades diversas dos sujeitos voluntários não estaria na base dos diversos motivos apontados como relevantes na presente investigação? Os questionamentos são pertinentes, considerando que vivemos numa época de rupturas, fragmentações, incertezas, volubilidades e liquefações, como bem consideram Bauman (2001, 2007, 2009); Lipovetsky (2005) e outros.

Estas e outras características da modernidade tendem a afetar em intensidades variadas, especialmente os jovens, tocando na questão de suas necessidades a serem satisfeitas, ou mesmo criando novas necessidades que requerem ser atendidas. E a ação voluntária pode constituir um caminho, uma contribuição para isso. A necessidade de sentir- se participante de um coletivo, de perceber-se ligado, de reconhecer-se incluído, de considerar-se sujeito de um processo configura uma situação ou contexto favorável ao engajamento de jovens estudantes em projetos de ação voluntária. Isso perpassou, de forma sutil, nas falas e reações dos estudantes.

De modo geral entende-se que todo comportamento humano acontece como decorrência de determinadas situações, como reação ou resposta a estímulos específicos recebidos. Trata-se na verdade, das energias que impulsionam a atuação humana, das razões motivadoras das decisões, ações e comportamentos humanos, em função do que se deseja e espera obter, de determinados objetivos a alcançar (CHIAVENATO, 1982).

23 Psicólogo estadunidense, estudioso do campo das motivações, tendo criado uma teoria segundo a qual as

necessidades humanas estão organizadas e dispostas em níveis, numa hierarquia de importância e influência. Essa hierarquia de necessidades é representada e visualizada na forma de uma pirâmide, em cuja base estão as necessidades primeiras e mais vitais, como alimentação e vestuário, e no topo as consideradas mais elevadas, relacionadas com a auto-conquista, a realização pessoal e o sucesso.

Também Montana (1999), Vermon (1973) e Angelini (1973) são unânimes em nos ajudar a compreender que todas as ações e comportamentos humanos são desencadeados, impulsionados e sustentados por forças internas que emergem, por energias que movem, dirigem e canalizam os procedimentos na direção do alcance dos objetivos e metas desejados. Uma das questões que se buscou responder: quais foram os principais motivos que os levaram a assumir ações socioeducativas como atuação voluntária? As respostas apresentadas pelos universitários participantes do estudo foram relevantes. Suas falas enfatizaram diversas razões: aperfeiçoamento pessoal, desejo de prestar ajuda e solidariedade aos outros, aprendizagens a serem realizadas através da prática, fortalecer o vínculo entre conhecimentos teóricos e conhecimentos oriundos da experiência prática, o que também é confirmado por recente estudo de Silva (2011). Foram destacadas ainda como motivações importantes a aquisição de experiência profissional, o enriquecimento do currículo, a oportunidade de sensibilização para o compromisso social, para a prática da solidariedade como encontro com a pessoa do outro, o que é retratado por Aranguren (1997), assim como contribuir para a construção de relações de justiça social diminuindo as relações de desigualdade social, conforme também assinala Selli (2002) a partir de recente pesquisa realizada em sua tese doutoral. Alguns estudantes consideram estas razões como motivações muito importantes para o voluntariado.

Diversas são as nomenclaturas utilizadas com relação aos incentivos e motivos próprios do indivíduo voluntariante. Soler Javaloy, em sua tese doutoral enfocando a relação entre fatores psicossociais e voluntariado universitário, refere-se a “motivações intrínsecas ou internas”, como sendo “[...] as motivações produzidas pela auto-satisfação [...] de necessidades internas do indivíduo, tais como o desejo de sentir-se bem consigo mesmo” (SOLER JAVALOY, 2007, p. 134). Constituem, pois, motivos energizadores significativos para que jovens universitários se comprometam em forma de ação voluntária, a atuar em projetos socioeducativos diversos. Esse tipo de motivações não somente desempenha uma função estimuladora para entrar em ações de voluntariado, como também contribui para que os mesmos persistam e permaneçam em programas dessa natureza.

A satisfação do desejo de valorização e de reconhecimento do trabalho é uma busca de todo humano. Esse entendimento vem de encontro ao que Maslow (2003) apresenta como as necessidades mais elevadas do ser humano: o de reconhecimento social e de auto-realização a partir do desenvolvimento de todo o potencial pessoal de cada indivíduo.

Os resultados da investigação evidenciam a presença dessa categoria de motivos para a ação voluntária. Diversas manifestações consideram que participar em programas dessa

natureza contribui significativamente no processo de formação pessoal, de realização interior, como forma de se identificar, de configurar melhor sua identidade como sujeito cognocente que vai se construindo e reconstruindo internamente na sua subjetividade. E a relação com o desconhecido, com o diferente do outro, possibilita romper as trincheiras de defesa e proteção dos egocentrismos arraigados, em conseqüência das relações excessivamente autocentradas, resultantes dos processos de individualização extremada, estimulados pela sociedade da modernidade. A auto e a heteroestima podem ser fortalecidas pelas práticas voluntárias em que o estudante se envolve em maior profundidade, pois o colocam em contato com demandas existenciais, com necessidades sociais bem concretas do outro, de quem não faz parte do círculo de relações do dia a dia acadêmico, manifestas nas pessoas ou grupos com os quais se compromete interagir. Isso é percebido pelos participantes quando reconhecem a necessidade de abrir o olhar para além das preocupações de seu mundo pessoal e estreito, saindo ao encontro da necessidade alheia que lhe afeta a sensibilidade podendo influenciar seu modo de ser, de pensar e agir. Reconhecem que esse ‘sair de si’ proporciona certo estado de bem-estar, conforto e satisfação para o indivíduo.

Nesse sentido, segundo MPDL24, uma das categorias fundamentais de motivações que estimulam a participação em atividades de voluntariado são as chamadas “motivações orientadas para a auto-realização, que são as motivações relacionadas com o desenvolvimento e a auto-estima pessoal, advindas da realização de atividades voluntárias em algum grupo de pertença” (ALBERT; DIÉGUEZ, 1999, p. 10). Isso é confirmado pela análise dos dados obtidos na entrevistas realizadas. A convicção de que a participação em projetos sociais e educativos pode contribuir para a realização e satisfação pessoal, considerada como muito importante, contribuindo para agregar compreensões, conhecimentos, saberes de significado é fator que estimula para esta participação. A necessidade da busca de identidade, de sentido mais profundo para a própria existência constitui-se razão motivadora para o envolvimento em ações de voluntariado.

Da mesma forma Garcia Roca (1998), tratando das grandes categorias de motivações, identifica uma primeira que, segundo ele, atende as necessidades do próprio voluntário, de caráter interno, subjetivista, ou também denominadas de motivações intrínsecas, no que se alinha com os autores mencionados. Também aponta um segundo tipo de motivação, que responde às exigências de outras pessoas, que denomina de motivos altruístas.

24 MPDL é a sigla de uma organização não governamental española, chamada Movimiento por la Paz, el

Soler Javaloy (2007) também se refere a uma segunda categoria de motivos, que denomina de motivações extrínsecas ou heterocentradas. Fonseca (2001) alude a motivações de caráter ético, enquanto que Albert e Diéguez (2000) tratam de motivações que se orientam para a ação para os outros, atendendo as exigências e necessidades de outras pessoas. Segundo a concepção dos autores referidos, trata-se de prestar ajuda e serviço aos outros, sem esperar compensações ou recompensas imediatas de qualquer natureza, compreensão implícita na concepção de voluntariado. Essa compreensão emergiu na fala dos participantes da pesquisa: “sempre tive desejo de contribuir com as pessoas” (Araci); “gosto de ajudar as pessoas” (Jandira); “a gente vai convivendo com as pessoas” (Yara); “gostei de trabalhar com aquelas mulheres trabalhadoras” (Içara); “primeiro, por querer conhecer a história deles” (Piatã).

Como já referido anteriormente, essa categoria motivacional compreende ou supõe o desenvolvimento da atitude ou capacidade de sensibilização para os problemas e necessidades das outras pessoas ou grupos sociais. Isso se constituiu um desafio para os participantes da investigação.

O próprio termo altruísmo25 traduz essa capacidade e vontade do ser humano de abrir- se à existência do outro, às suas necessidades, despertando-lhe a sensibilidade para esse alter, sendo-lhe próximo, solidário, interagindo com ele para aliviá-lo, auxiliá-lo, completá-lo. Essa ideia mereceu destaque para diversos pesquisados. O envolvimento no voluntariado com a ideia da retribuição por um benefício recebido não se confirmou nos depoimentos colhidos; porém, desejo de contribuir para fazer a diferença na sociedade, a crença no sentido e valor da causa social, da prestação de serviço em benefício de outros, sim, foi ressaltada algumas vezes. Isso evidencia, em certa medida, a tese de Soler Javaloy (2007, p. 135), segundo a qual, ao longo desenvolvimento da ação voluntária, as motivações heterocentradas ou altruístas tenderiam a se fortalecer em detrimento dos motivos centrados no indivíduo, que se enfraqueceriam nesse processo, mesmo numa sociedade fortemente estimuladora do consumo.

A exasperação do consumo é um dos elementos constitutivos do modelo social capitalista contemporâneo, interferindo de forma direta e intensa no comportamento infantil,

25

Termo cunhado em 1831, pelo filósofo francês Augusto Comte, a partir de ‘autrui’ (relativo aos outros), para caracterizar o conjunto das disposições humanas de caráterindividual e coletivo que inclinam os seres humanos a dedicarem-se aos outros. Esse conceito contrapõe-se,portanto, aoegoísmo, que são as inclinações específica e exclusivamente individuais, quer sejam pessoais ou coletivas. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Altru%C3%ADsmo>. Acesso em: 17 mar. 2012.

no desenvolvimento dos jovens, na educação, na formação de princípios e valores, segundo Baudrillard (2005), Lipovetsky (2005), entre outros.

Os mass media26

e os self media27, embora prestem enormes serviços e adquiram importância social cada vez maior, também contribuem para a produção de posturas de ingenuidade e submissão, criando e fortalecendo a “relação de dependência do círculo da globalização” (SANTOS e GROSSI, 2007, p. 10), induzindo ao consumismo sustentador do mercado, estimulando comportamentos egocentrados e atitudes marcadamente individualistas.

No entanto, a categoria de motivações de viés altruísta está assentada em valores ou princípios interiorizados, que vêm de dentro do indivíduo, e que diferem por inteiro dos princípios consumistas que caracterizam e dirigem o modus vivendi da modernidade. Sua finalidade é ajudar os outros, isto é, prestar cooperação a quem necessita.

As ações de voluntariado socioeducativo podem apresentar-se como oportunidades de atuação em espaços de ausência das instâncias formais de educação, criando relações de apoio e auxilio a setores ou grupos de indivíduos cujas necessidades básicas não são atendidas satisfatoriamente. As consequências resultantes do insuficiente atendimento das necessidades primeiras do indivíduo, particularmente na fase adoloscencial e juvenil, constitui tema aprofundado por Caliman (2008). Acredita-se que esses programas de voluntariado têm o potencial de se constituírem em circunstâncias favoráveis de educação social, e dessa forma contribuir para a satisfação das necessidades fundamentais não realizadas.

Essa possibilidade está presente nos resultados da investigação realizada. A expressão da vontade de ajudar a outros, a quem precisa, aos mais necessitados, aos grupos assistidos pelas ações voluntárias que sofrem por não terem seus direitos reconhecidos e respeitados e que não têm vida digna, perpassa as falas de praticamente todos os participantes do estudo. Há uma razoável percepção de que os mecanismos regulares e formais de orientação, formação, ensino e aprendizagem, de fato não estão à disposição de todos em iguais oportunidades. Certa clareza quanto a essa visão da realidade e o desejo de contribuir para

26 Denominação dada aos meios de comunicação de massa, de ampla difusão, caracterizados pelo fluxo unívoco

e unilinear da comunicação (emissor-receptor), sem a interatividade, representados especialmente pela televisão, o rádio, a imprensa escrita, cinema e outros.

27 Refere-se às formas ou meios de comunicação que se caracterizam pelo fluxo de comunicação biunívoco,

conferindo importância maior ao receptor, fazendo com que a interatividade desempenhe um papel de importância progressiva. Nesse estágio da comunicação a interface é algo próprio e essencial dos self media, possibilitando a interatividade entre o individuo e o computador, mediante a internet e os multimeios on e off- line, inaugurando a chamada ‘era digital’. Disponível em: <http://www.citi.pt/estudos_multi/ana_cristina_camara/mass_media.html>. Acesso em: 17 mar. 2012.

melhorar a sociedade são fatores que desempenharam um papel consideravelmente motivador em alguns casos, para a participação na ação voluntária, como se pode auferir nesta fala: “[...] não adianta estudar e terminar o seu curso em três pou quatro anos, depois fazer mestrado e doutorado, sem você pensar nenhuma vez com o que você poderia contribuir com a sociedade”(Ubiratã).

O desejo altruístico de ajudar o outro, fazer o bem e ser solidário, em determinadas situações, pode fundamentar-se na compreensão do voluntariado apenas como colaboração para a redução de carências e injustiças oriundas da organização da sociedade, numa função apenas de suplência, como alerta Sberga (2001), sem alterar o modelo social, como tem ocorrido ao longo de grande parte da história da prática do voluntariado no Brasil, quanto em outros países americanos como também do continente europeu. É de se esperar que o idealismo altruísta da prática do voluntariado também produza mudanças significativas nas pessoas, a começar pelos próprios voluntários, questão a que se retornará um pouco mais adiante, na discussão dos impactos, e particularmente contribua na transformação da sociedade, pautada em efetivas relações de justiça social, de produção e distribuição equitativa de recursos e oportunidades, assim como a participação ativa e democrática dos cidadãos no gerenciamento e controle dos mesmos.

A utopia de uma nova sociedade, anteriormente caracterizada em alguns de seus traços identificadores, também está presente como elemento motivador em depoimentos de vários estudantes, que, a partir das ações de voluntariado desenvolvidas, percebem o quanto é profundo o fosso existente na sociedade, separando ricos cada vez mais ricos à custa de pobres cada vez mais numerosos e mais pobres. Sentir-se motivado a assumir projetos de voluntariado como oportunidade de ajudar a construir processos de transformação do atual modelo de sociedade foi manifesto em algumas falas. Constitui razão para o envolvimento em projetos dessa natureza, embora em alguns momentos isso seja expresso de maneira não tão explícita.

Ao fazer a análise das opiniões dos participantes sobre os motivos que os levaram a comprometer-se com projetos de trabalho voluntário, ainda outras razões estimuladoras foram apontadas, entre elas as que alguns autores denominam de motivações utilitaristas. Fonseca (2001, p. 20) emprega a expressão ‘motivações instrumentais’, associando o conceito à questão da obtenção de recompensas diversas pelos voluntários no decorrer do serviço prestado.

Nessa mesma linha, Paley (1978, apud DEL CONT, 2008, p. 51), tratando do princípio da utilidade ao referir-se ao comportamento humano, considera que haveria uma

tendência natural no ser humano para ações que são causadoras de benefícios. Defende de forma incisiva a ideia de que o que motiva a ação do indivíduo é a disposição natural para a promoção do beneficio pessoal. Pela própria natureza, o homem normalmente agiria movido pelo desejo do favorecimento próprio, procurando perceber essa ‘utilidade’ da atividade voluntária.

A necessidade do registro no currículo acadêmico de um número de horas de prática de voluntariado, em programas efetivados dentro ou fora da universidade, seria uma motivação dessa natureza, uma busca de compensação pessoal. De fato, é um motivo de razoável importância, na expressão de alguns dos participantes, embora não tenha sido uma razão muito determinante para o envolvimento no voluntariado. Pode-se afirmar que essa exigência acadêmica, de um lado, propicia a oportunidade de realização de experiência prática, de contato e convivência com algum outro grupo social fora da sala de aula, seja dentro do âmbito da universidade ou em alguma comunidade no seu entorno, é algo que de modo geral é considerado muito enriquecedor. Doutro lado, pode-se considerar que de alguma forma essa ‘obrigação’ poderia esvaziar o sentido mais profundo da razão de ser, da concepção de voluntariado, pois que já não seria uma iniciativa tão voluntária, mas uma necessidade a ser atendida pelo estudante. Eis uma questão que carece de maior aprofundamento.

A experiência em sua área de formação constitui uma motivação repetidamente apontada. A prática em projetos de voluntariado apresenta-se como oportunidade muito importante para o aprimoramento de sua formação e preparo profissional, possibilidade de testar e praticar conhecimentos teóricos trabalhados em sala de aula, o que também constitui um passo ou etapa de relevância para o preparo profissional.

Nogueira (2000), referindo-se às práticas de extensão, considera que as atividades extensionistas possibilitam ao estudante compreender melhor que a aquisição de conhecimentos e a realização de aprendizagens não acontecem apenas no espaço convencional, entre as quatro paredes da sala de aula, mediatizada pela presença do professor. Esta percepção da autora também é possível aplicar ao voluntariado, considerando que as atividades extensionistas são de caráter voluntário, e as atividades de voluntariado, realizadas dentro ou fora do espaço da academia, mormente se caracterizam como atividades de extensionalidade. Os resultados da pesquisa traduzem essa compreensão mais ampla de aprendizagem e de produção de conhecimentos significativos quanto aos espaços, situações e oportunidades de sua realização. Os estudantes enfatizaram em suas falas o valor da possibilidade da prática experiencial da teoria trabalhada na universidade.

Fazer uma aplicação prática dos conhecimentos teóricos de sala de aula foi uma das razões motivadoras destacadas. A propósito, um questionamento surge aqui: para os universitários em geral, o voluntariado é entendido de fato como ocasião importante para qualificar-se em vista de futuro exercício profissional? A interrogação se coloca considerando ser bastante diminuto o número de estudantes que efetivamente participam de projetos de voluntariado socioeducativo, segundo estima a própria Diretoria de Programas Comunitários da instituição. Nesse sentido, pois, parece pertinente a interrogação.

A Constituição Federal de 1988 e a LDBEN de 1986 estabelecem como finalidades básicas da educação o pleno desenvolvimento do educando, o preparo para a prática da cidadania e a qualificação para o desempenho adequado no trabalho. Cabe, pois, às instituições de ensino superior contribuir com a formação de sujeitos autônomos, desenvolvendo-lhes habilidades e competências para o exercício da cidadania e o desempenho no trabalho (BRASIL, 2008). No discurso dos entrevistados transparece o desejo e a necessidade de preparar-se melhor para o ingresso no mercado de trabalho, considerando a presença no voluntariado como treinamento, como oportunidade para tanto, o que serviu como razão motivadora para essa participação.

De fato, ter no currículo horas de voluntariado desenvolvidas, atualmente adquire uma importância maior no atual contexto social. Com a ampliação do discurso da responsabilidade social, tão caro ao setor empresarial, de fato muitas empresas têm estimulado e até mesmo posto como exigência, ou fator de preferência na hora de contratar. Diversos participantes do estudo manifestaram que esse fator também constitui uma razão porque realizar projetos de voluntariado. Entendem que isso de fato pode representar uma