Desde o seu nascimento, no século XIX, e sua estruturação particularmente na primeira metade do século XX, a Pedagogia Social criou e estabeleceu sua atuação mais especificamente no campo das necessidades humanas, construindo ali sua identidade própria. A inadequada e insuficiente satisfação das necessidades, de acordo com Caliman (2008), propiciaria o surgimento de situações ou categorias de indivíduos em condições de vulnerabilidade social.
Esta realidade parece continuar muito presente e talvez se intensificando nesse primeiro quartel do século XXI. As desigualdades sociais tendem a ser agudizadas, consequentemente aumentando as possibilidades de vulnerabilização social. Parece multiplicarem-se e mesmo se diversificarem os grupos ou segmentos sociais que se aproximam dessa situação, em decorrência da não satisfação ou do atendimento inadequado de suas diversas ordens de necessidades, pela ausência ou tímida presença de políticas públicas corretamente planejadas, organizadas e executadas.
Este estudo oportunizou a percepção dessa realidade, ainda que de forma limitada e parcial. Parece serem cada vez mais numerosos e diversificados os indivíduos ou segmentos sociais que requerem ajuda, apoio, presença solidária. Diversos jovens voluntários atuaram em projetos socioeducativos em meio a esta realidade de risco social, aqui no Distrito Federal (DF). Foi-lhes possível entrar em contato com grupos em situação de risco social e mesmo de exclusão social nas periferias ou nos bolsões de exclusão social no interior do DF, não muito distantes do denominado Plano Piloto.
Alguns depoimentos deram a entender que há de fato um vasto campo de atuação da Pedagogia Social como conjunto de saberes teóricos ou experienciais (TRILLA, 2003), que
se traduzem na prática da Educação Social. Foi possível compreender que existem demandas para essa prática de educação, normalmente de caráter não-formal, realizada mormente fora das paredes escolares.
Ao longo do estudo fortaleceu-se a convicção de que se faz necessário um maior e mais adequado preparo dos jovens estudantes para atuarem positivamente em projetos que abrangem grupos em situação de fragilização social. Do contrário, a presença e atuação amadorísticas, além de pouco contribuir no atendimento das necessidades de grupos ou comunidade nessa situação, podem aprofundar problemas e potencializar riscos sociais. Aqui parece estar um bom desafio para academia, uma demanda para a Pedagogia Social e para a prática da Educação Social que lhe é inerente.
A prática do voluntariado socioeducativo configura-se como uma forma de intervenção social, de interferência na vida e na experiência do dia a dia de pessoas, grupos, segmentos sociais, comunidades, setores de vulnerabilidade social etc. Multiplicam-se as iniciativas para promover a socialização, integração e/ou reintegração social de crianças, adolescentes, jovens e mesmo adultos em situação de risco delinquencial. Isso fortalece a convicção de que é indispensável uma adequada preparação bem como são imprescindíveis processos de formação continuada de sujeitos voluntários, de grupos e instituições que atuam nessa área bastante complexa da educação social.
De outro lado, a ausência desses processos possibilita o risco de, ao invés de contribuir para a necessária transformação social, para a mudança de atitudes e práticas sociais de empoderamento popular, acabar por fortalecer o status quo social, reforçando o modelo de sociedade em que se intensifica a desigualdade social que vai se traduzindo em problemas e situações de insegurança e vulnerabilidade social crescentes. Sem os devidos cuidados, o exercício do voluntariado também pode acabar sendo conduzido como um anestésico social, como uma prática social bastante cômoda e favorável ao paradigma neoliberal pós-moderno de sociedade.
O presente estudo, enfocando o trabalho voluntário em projetos de caráter socioeducativo, também contribui para fazer perceber a ausência quase completa da Pedagogia Social no âmbito dos cursos da instituição de ensino superior onde se efetivou o estudo, excetuando-se sua presença em algumas áreas da pós-graduação. Continua sendo uma ilustre desconhecida. Poder-se-ia generalizar esta constatação para todo o âmbito acadêmico brasileiro? Quiçá seja um tema que mereça ser estudado!
Além das questões já abordadas, algumas outras dificuldades parecem também desafiar a quem deseja atuar na seara da Pedagogia Social como campo de estudo e de
produção de conhecimentos mediante a prática da Educação Social no conjunto da realidade brasileira.
De acordo com Souza Neto, Silva e Moura (2009) há dificuldades de compreensão quanto utilização do próprio termo educador social, frequentemente envolvido numa aura de precarização e de falta de consistência desse modo de trabalho educativo. Em conseqüência, tem-se certa dificuldade de aceitação dessa nova Teoria de Educação traduzida na prática da Educação Social. A regularização da profissão do Educador Social com a pertinente legislação parece ser outro desafio que requer ser enfrentado, e que pode constituir-se em estímulo motivador para o desenvolvimento dessa área de atuação. Não se faz educação social em profundidade sem a devida formação, sem o reconhecimento profissional, na base da ação voluntária (ou voluntariante).
Os universitários participantes dos projetos de voluntariado socioeducativo referiram- se, por vezes de forma bastante explícita e implicitamente em outros momentos, à necessidade ou importância da presença de certas qualidades ou valores envolvidos nessa forma de educação social. Sensibilidade social, empatia, capacidade de pacienciosa escuta, diálogo respeitoso, processos coletivos, relações humanizadoras, valorização do saber das pessoas e grupos beneficiários envolvidos nos projetos de voluntariado foram alguns requisitos com certa freqüência citados ao longo da pesquisa, como necessários para o adequado desempenho nos projetos de voluntariado socioeducativo.
6 CONCLUSÕES
O estudo realizado com jovens estudantes universitários, de uma instituição privada de ensino superior do Distrito Federal, sobre o tema do voluntariado socioeducativo, apresentou-se significativo, oportuno e revelador, ao investigar mais detalhadamente seu perfil, as motivações mais fortes e recorrentes, além de impactos ou resultados provocados sobre os processos formativos pessoais.
Os motivos denominados ‘instrumentais’ ou ‘utilitaristas’, conectados com algum tipo de benefício relacionado com a trajetória acadêmica ou a carreira profissional apresentam-se bastante importantes para uma parte dos participantes da pesquisa, embora não constituam a motivação preponderante para o comprometimento voluntário. Da mesma forma, fazer a experimentação prática do conhecimento teórico produzido no interior da instituição apresentou-se como razão motivadora de destaque para outros. As motivações altruístas diversas também foram consideradas como fortes razões impulsionadoras para o voluntariado. A possibilidade de contribuir para a mudança social de modo que as necessidades fundamentais dos cidadãos e cidadãs sejam satisfeitas, contribuindo assim para dignificar a existência humana de todas as pessoas, apresentou-se como motivação significativa para a prática do voluntariado universitário.
A investigação também trouxe à luz impactos considerados muito expressivos pelos participantes, que revelaram, nas ‘linhas e entrelinhas’ de suas falas, um elevado nível de satisfação pela participação nesta experiência de ação voluntária realizada com grupos diversos dentro da instituição, assim como em grupos comunitários ou sociais diversos, fora do âmbito da universidade. Todos afirmaram ter sido uma oportunidade muito positiva, valiosa, útil, oportuna, e mesmo necessária, pelas contribuições que trouxe para a vida pessoal dos voluntários e seus processos formativos, bem como na interface viabilizada entre os conhecimentos científicos produzidos e articulados no espaço da academia e os saberes científico-populares produzidos e dados pela práxis da ‘universidade da vida cotidiana’, expressão algumas vezes presente nas falas dos participantes. Que essa experiência possa ser vivenciada por todos os universitários é uma ideia proposta no decorrer da pesquisa, e que entendemos como relevante e oportuna, e a deixamos registrada aqui.
O desenvolvimento desta pesquisa parece apresentar-se como exitosa pelos conhecimentos acadêmicos que puderam ser testados e ‘praticados’, na relação teoria e prática, assim como pelos novos conhecimentos produzidos e de alguma forma compartilhados com a chamada comunidade acadêmica e a população envolvida nos projetos
desenvolvidos nos distintos grupos sociais assistidos. O contato direto e o conseqüente conhecimento provocaram certo grau de sensibilização e o despertar de consciência quanto a distintas questões sociais que afetam sobremaneira o âmbito da satisfação das necessidades básicas das pessoas. E destacou-se como resultado positivo para os estudantes.
Processos formativos, seja no contexto familiar, no âmbito escolar ou em outros ambientes sociais, que desenvolvem processos de formação de consciência analítico-crítica mais ampla, podem contribuir para estimular jovens estudantes universitários para programas e projetos de voluntariado que tenham como pano de fundo contribuir para a transformação social da realidade envolvente.
Estas considerações contribuem para assegurar a verificação da hipótese da investigação: os jovens universitários que participam de atividades socioeducativas de associações de trabalhadores, grupos comunitários, ou outras instituições e iniciativas de prestação de serviço à sociedade, tendem a desenvolver maior consciência da importância social e da necessidade de participação em ações e projetos de voluntariado, sentindo-se mais motivados para tanto. Esta participação poderá contribuir para produzir uma nova compreensão de mundo e um novo olhar sobre papel a desempenhar na sociedade. Assim, o comprometimento com programas de voluntariado socioeducativo poderá contribuir para o processo formativo pessoal e profissional do jovem universitário.
A análise e discussão dos dados e informações produzidas pela pesquisa permitem afirmar que a hipótese de trabalho esteve presente ao longo do processo investigativo e se confirmou como adequada e válida. As considerações anteriores expressam o acerto e veracidade da suposição inicial que iluminou a trajetória de estudo seguida.
Da mesma forma acreditamos que a presença contínua e permanente dos objetivos possibilitou boa estruturação e um desenvolvimento conseqüente do projeto de estudo da presença de jovens universitários em programas ou projetos de voluntariado socioeducativo, no decorrer dos seus estudos de graduação. As questões que orientaram a entrevista semiestruturada, a análise da base de dados, seus resultados, bem como a discussão dos mesmos possibilita afirmar que os objetivos da investigação foram em boa medida alcançados. Evidentemente permanecem em aberto diversas questões que emergiram ao longo do percurso. Levantaram-se problemas que ensejam estudos complementares, uma vez que a presente pesquisa não alimenta a pretensão de ter esgotado o tema. Entendemos como muito desejável que outras pesquisas se operem nesse campo, pois nos parece serem ainda reduzidos os estudos nessa área, particularmente no que tange à faixa etária em questão.
O terceiro objetivo da pesquisa enfocou a investigação dos possíveis impactos, resultados, consequências ou contribuições para a pessoa do voluntário, com destaque para os processos formativos pessoais, acadêmicos e profissionais. Sugerem-se outros estudos focalizando, por exemplo, os impactos da prática do voluntariado socioeducativo sobre a sociedade em geral, ou em particular para os grupos ou segmentos beneficiados com estes programas, seu público alvo, bem como as barreiras que impedem o êxito ou reduzem os resultados e contribuições do voluntariado universitário no Brasil.
Outros impactos positivos e contribuições valiosas advindas da prática do voluntariado foram detectados. A experiência de conviver com o outro, de aproximar-se do diferente, a tomada de consciência e o contato com outras realidades sociais e culturais desconhecidas, situadas para além das paredes da academia, o decorrente despertar de sensibilidade social gerando relações respeitosas, regradas pelo exercício da escuta humilde e paciente de novos interlocutores de saberes dados pela cotidianidade da vida, constituem resultados colhidos pelos participantes. Houve mesmo quem se sentisse provocado e desafiado para o comprometimento em processos mais radicais de prática de cidadania, percebendo no voluntariado uma oportunidade fortemente instigadora para tanto.
Também convém observar que o voluntariado parece trazer inoculado em sua prática o vírus da contraditoriedade, de difícil eliminação. É bem verdade que a ação voluntária, operando de forma paliativa, pode contribuir para a perpetuação de situações de exclusão, de continuidade do status quo, por vezes diminuindo mesmo o papel do Estado fazendo o que é de competência do Estado. Outrossim, não cabe aos programas de voluntariado substituir ou diminuir o cumprimento dos deveres e responsabilidades do Estado, como gestor dos tributos pagos pelos cidadãos e que devem ser operados e revertidos em seu benefício, mas contribuir para exigir-lhe programas continuados de políticas públicas de estado, no atendimento das necessidades da população e na solução de seus problemas.
O voluntariado pode constituir-se um rico e significativo aprendizado da solidariedade, conforme refere Perrenoud (idem), como oportunidade de formação e de preparo para a prática da cidadania em vista das necessárias transformações sociais, e que acreditamos deva ser uma de suas principais funções. Nesse sentido, alguns questionamentos parecem imprescindíveis, e que poderiam constituir-se em problematização para outra investigação oportuna e pertinente. O trabalho voluntário no Brasil até que ponto favorece iniciativas coletivas e movimentos associativos e promove a transformação das relações sociais na luta pela igualdade, justiça e solidariedade? Até que ponto contribui para o
fortalecimento e perpetuação de práticas clientelistas e de exclusão social, acentuando a já considerada gritante desigualdade social?
A prática voluntária pode constituir-se em obra de enorme valor e assistência à sociedade, de fortalecimento da cidadania e de promoção de serviços solidários, compreendendo a “solidariedade como encontro”, como infere Aranguren (1997). Assim, é mister compreender essa forma de intervenção social de forma crítico-política, de modo a exercer a vigilância sobre os objetivos que perpassam tais ações, assim como as concepções políticas relativas à visão de pessoa, de mundo e de sociedade pautadas nessa modalidade de interferência social.
Por ser uma prática que se reveste de contradições dentro da sociedade, uma tarefa desafiadora parece colocar-se para o voluntariado: desvendar a complexidade dos processos sociais; uma ideia simples é uma ideia simplificada, mas não simplista. Corroborando Albert e Diéguez (2000) as problemáticas sociais contemporâneas apresentam-se em forma de teia de aranha: sua contextura é constituída de uma multiversidade de fatores e elementos. Assim, viver e mover-se numa sociedade de complexidade crescente, munido de adequada informação e conhecimento, parece constituir um requisito indispensável à prática do voluntariado hoje. E mais. A ação voluntária demanda o sentido de reciprocidade, não se pautando simplesmente pelo assistenciar o outro, prestar-lhe auxílio e apoio, mas contribuindo para o desenvolvimento de ambos, embora sob aportes distintos. A estima do outro além de requerer a acolhida, também supõe retorno semelhante. É um movimento ou via de mão dupla.
A pesquisa também acabou revelando uma situação que se coloca como incômoda e desconfortável para a universidade. O número de universitários que se envolvem em projetos sociais de viés educativo-formativo, parece não ser tão significativo no conjunto da instituição. Evidencia-se como bastante reduzido o público estudantil envolvido em projetos de voluntariado. É o que se pôde deduzir de algumas falas dos próprios participantes do estudo, assim como também das impressões deixadas pelos setores que tratam da questão dentro da instituição ou pelos projetos de extensão que atuam com o voluntariado.
A reduzida adesão a programas dessa natureza, também constatada pelo estudo de Silva (2011), deveria colocar-se como inquietação para docentes e discentes. Que motivos explicariam o acentuado absenteísmo? Estaria ele relacionado com a pouca visibilidade dos projetos de voluntariado, embasada na divulgação considerada insuficiente? Estariam faltando processos de estimulação e incentivo mais diretos, explícitos e eficazes dentro da universidade? Ou teria a ver com o desconhecimento dos programas ou projetos de
voluntariado possibilitados pela instituição, seja no âmbito da Pró-Reitoria de Extensão, ou mesmo dos cursos, provocando o desinteresse em participar? A falta de tempo em vista da necessidade de trabalhar, entre outras razões para custear seus estudos, também seria uma razão para explicar essa ausência? Ou haveria que considerar ainda prováveis outras causas mais profundas para essa omissão?
O presente estudo possibilitou entender a prática do voluntariado universitário como um processo abrangente, um tecido contínuo e estruturado, corroborando nesse sentido a percepção de Sousa (2011), que concebe o voluntariado não simplesmente como resposta a eventos e emergências, como algo episódico, mas sim como deliberação devidamente pensada e que supõe e requer continuidade da ação interativa com a comunidade ou grupo social envolvido. O salutar senso científico sugere a consecução de processos de práticas seqüenciadas e articuladas, no lugar de acontecimentos desconexos ou momentos fragmentados de ação voluntária onde não raro podem predominar a espontaneísmo e a improvisação.
Outra consideração que parece pertinente refere-se à necessidade de criar o que se poderia denominar de ‘cultura do voluntariado’, acreditando-se na hipótese de sua inexistência na sociedade brasileira. A cultura, o costume, a consciência, a sensibilidade social que convida ou mesmo convoca para a prestação continuada de serviços de voluntariado tende a se ampliar e fortalecer em outros países, sobretudo na Europa e também na América, porém talvez não seja tão seguro afirmar o mesmo em relação ao Brasil. Certamente concretizam-se infindas ações ou atividades de voluntariado protagonizadas por jovens, estudantes universitários e outros segmentos. Ousamos, porém, interpor um questionamento: até que ponto estas práticas estão articuladas em projetos e programas mais abrangentes, bem estruturados, incluindo uma política mais incisiva de médio e longo prazo de promoção para engajamento voluntário, abrangendo desde processos de sensibilização, preparação e capacitação, acompanhamento até a avaliação e oportuno replanejamento? Este parece ser um desafio de bom tamanho para a universidade, dentro da dimensão da extensionalidade, como forma de explicitar e visibilizar sua missão de formadora e promotora da cidadania e da justiça social. Assim sendo, o voluntariado pode constituir-se de fato como instância de educação para a cidadania.
De acordo com a pesquisa realizada, parece haver uma tendência para o exercício do voluntariado se dar mais em função de oportunidades proporcionadas pela universidade, como exigência curricular. Ou ainda, em certos casos, pelo fato de o estudante estar na academia, ele pode considerar conveniente aproveitar esta oportunidade de prestação de
serviço ao próximo, em vista das possibilidades e vantagens profissionais que dali podem advir. As atividades de voluntariado, com alguma freqüência, também podem estar assumindo estas outras feições: constituírem-se como atividades ou ações individuais e isoladas, desconectadas, desarticuladas de um programa bem estruturado com objetivos bem definidos, algo supostamente inexistente em não raros casos. Acrescente-se, porém, que o estudo também verificou a existência de práticas de voluntariado que se contrapõem ao modelo acima caracterizado, embora sua ocorrência tenda a se verificar ainda em menor intensidade.
Nesse sentido, considerável número de ações de voluntariado acaba se identificando mesmo como eventos que acontecem durante alguns poucos semestres no período da graduação e tendem a passar, sendo considerados em geral bons e saudosos momentos, boas experiências de aprendizagens muito válidas, no entanto, seus efeitos tendem a se esvair, ante a oportunidade e necessidade da profissão, do desejo de proventos substanciosos, do estabelecer-se na vida, de acordo com os convidativos reclamos e ditames do mercado. Saindo do campo do voluntariado extensionista, ligado à extensão universitária, é possível que se apresente um vazio ainda mais expressivo em termos de processos articulados de voluntariado estudantil e juvenil. Esse quadro configura-se, pois, um desafio a enfrentar, uma problemática a investigar. Na leitura das entrelinhas de algumas das entrevistas pode-se perceber certa preocupação com esta questão.
Diante disso, caberia uma proposta prática: ampliar os interesses de investigação das instituições de ensino superior com a inclusão de estudos sobre as práticas de voluntariado que estão em difusão, possibilitando o acesso a conhecimentos sistematizados existentes e a produzir, e ampliando sua abrangência e significação. Nessa linha, há iniciativas exemplares acontecendo em diversos países e que poderiam servir de inspiração para despertar instituições sociais diversas, de modo particular, instituições que atuam na educação adoloscencial e juvenil, incluindo as instâncias de ensino superior, a se debruçarem sobre a temática.