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Conforme pode ser observado na Tabela 4.1, segundo os professores, as dificuldades em relação ao ensino da matemática estão ligados, cerca de 32% dos casos, à inexistência de material didático apropriado à EJA, a quantidade de alunos por turma, aos conteúdos previstos para a série em questão, ao tempo de atendimento junto aos alunos e ao ritmo de cada educando, entre outros. Outros aspectos em relação à dificuldade de aprendizagem, cerca de 29% dos casos estão relacionados ao esforço no pensar, à falta de apropriação efetiva dos conteúdos básicos de séries anteriores, que podem contribuir nesse sentido. Outros dados interessantes observados são em relação à motivação desses educandos, cerca de 13% deles, segundo os professores, alegam que aqueles não se interessam e que não vêem sentido nos conteúdos propostos. Provavelmente o desinteresse e a não motivação desses educandos estejam associados às estratégias de ensino desenvolvidas pelos professores. Quando determinados conteúdos são desarticulados de contextos reais, estes tendem a não fazer sentido para quem está na condição de aprendiz, neste caso, os educandos ora citados pelos professores em seus depoimentos. Esta constatação pode, a princípio, induzir o leitor a inferir que as “dificuldades” tanto no ensino quanto na aprendizagem da matemática apresentam-se desvinculadas das reais necessidades das práticas pedagógicas stricto sensu, uma vez que, neste caso, elas aparecem em apenas 13% dos casos. No entanto, o pesquisador entende que a busca da interação e do diálogo, a busca das experiências de cada educando a partir de situações-problema e de práticas pedagógicas diversificadas associadas a contextos reais na perspectiva dos processos de resolução de problemas apontam para uma maior possibilidade no que se refere ao desenvolvimento e a aquisição das habilidades e competências mínimas necessárias ao exercício das atividades acadêmicas, culturais e profissionais.

Tabela4.1: Distribuição dos motivos explicitados pelos professores para justificar as dificuldades e/ou facilidades no ensino da matemática na EJA

PROFESSORES MOTIVOS EXPLICITADOS

%

RELACIONADOS À SITUAÇÃO DIFICULDADE DE ENSINO

- não dá para seguir o conteúdo realmente dado dentro daquela série - Tem que ir bem devagar

- tem que ir parando

- tentar dá o básico para ele dar continuidade. - inexistência de material didático adequado à EJA - salas muito cheias

- necessidade de sentar com o aluno e não está tendo esse tempo - personalização da relação aluno/professor (individualização) - querem uma fórmula pronta

10 32

RELACIONADOS À SITUAÇÃO FACILIDADE DE ENSINO

- é o interesse maior dos alunos da EJA em relação aos alunos do regular. - Interesse no aprendizado

- Várias formas e maneiras diferentes de ensinar

04 13

RELACIONADOS À SITUAÇÃO DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM - eles não conseguem progredir

- abstinência escolar - eles não têm base

- eles não têm pré-requisitos - não gostam de pensar - gostam de decorar tudo

- dependência no processo de resolução de problemas

09 29

MOTIVOS LIGADOS AO TEMPO DE ESTUDO - cronograma semestral

- cronograma anual

03 10

MOTIVOS LIGADOS AO TRABALHO DIFICULDADE - eles chegam muito cansados

01 03

MOTIVOS LIGADOS À MOTIVAÇÃO DIFICULDADE - não gostam de quebrar a cabeça (persistentes) - não vêem sentido nos conteúdos (pra que serve) - eles não têm interesse

04 13

Obs: as porcentagens foram calculadas a partir do total de motivos explicitados e não a partir do número de professores.

Como se observa na Tabela 4.2, 69% das respostas dos professores incidem na categoria que explicita motivos ligados estritamente à situação da vida cotidiana dos educandos. Ou seja, aos aspectos ligados à experiência pessoal e profissional tais como a busca de uma melhor posição social e profissional desses alunos. Por outro lado, é igualmente considerável que 31% dos depoimentos estejam relacionados à ocorrência de motivos vinculados aos aspectos didático-pedagógicos, ou seja, a atividades educativas, funções estas particularmente ligadas à educação básica. Sem dúvida, essas categorias vão além do âmbito do saber operacionalizar o procedimento algorítmico no processo ensino-aprendizagem da matemática na EJA. A socio-cultura e os conhecimentos matemáticos são essenciais para a convivência em uma “sociedade letrada”, e mais, apontam para e reiteram a importância dos aspectos psicossociais a serem respeitados e resguardados no âmbito das perspectivas daqueles que querem e necessitam apropriar-se dos conhecimentos matemáticos.

Tabela 4.2 Estratégias utilizadas pelos professores para selecionar os conteúdos a serem trabalhados com

seu(a)s aluno(a)s

PROFESSORES

MOTIVOS EXPLICITADOS

%

RELACIONADOS À SITUAÇÃO: NECESSIDADE PARA A VIDA para a vida deles (/

passar num concurso

Que vai dar um emprego melhor Que propiciar uma vida melhor. Na necessidade e na vida cotidiana

Naqueles conteúdos que realmente eles vão utilizar no seu dia-a-dia fazer um concurso

no cotidiano dos alunos

09 69

RELACIONADOS À SITUAÇÃO: DIDÁTICO PEDAGÓGICO/ ENSINO seleção daquilo que eles têm de conteúdo pré-adquirido. (conhecimentos prévios) me baseio em livros didáticos

Em conteúdos que eles vão precisar ao longo de seus estudos - Nos conteúdos mínimos exigidos para a série

04 31

Obs: as porcentagens foram calculadas a partir do total de motivos explicitados e não a partir do número de professores.

Como se pode verificar na Tabela 4.3, em relação ao grau de conhecimento da Proposta Curricular de Matemática do 2º Segmento do Ensino Fundamental (5ª a 8ª

séries ) da Educação de Jovens e Adultos, 43% dos professores conhecem mas não aplicam, 14,5% têm conhecimento parcial e 14,5% não têm conhecimento algum deste documento. O pesquisador entende que estes depoimentos são preocupantes e que no processo de formação inicial e continuada desses professores - momentos de coordenação pedagógica na unidade escolar - possivelmente ocorreram limitações quanto à discussão e construção de um currículo para a EJA. Percebe-se, neste caso, que são dados significativos e preocupantes face aos novos desafios que o mundo globalizado impõe à busca de estratégias que propiciem uma formação que contemple às novas exigências da sociedade contemporânea, exigências estas fundadas nos princípios das habilidades e competências mínimas necessárias ao exercício da cidadania. Neste sentido, o ato de conhecer, mas não aplicar e conhecer parcialmente e o não ter conhecimento em relação a esse referencial didático-pedagógico implica em atividades e práticas pedagógicas limitadas no exercício docente. No entanto, um dado importante mas não satisfatório é o fato de 28,5% desses professores terem conhecimento em relação ao currículo de matemática voltado à EJA. Percebe-se, neste caso, a dificuldade desse grupo de professores que tem conhecimento em relação a proposta curricular de matemática da EJA de criar as condições necessárias para uma discussão e sistematização de um currículo que atenda aos propósitos dos atores sociais da unidade escolar. Estas dificuldades possivelmente estejam relacionadas a resistências quanto a concepção, desarticulação da coordenação pedagógica, material didático, momento adequado para o exercício dessa reflexão teórica entre outros.

Tabela 4.3 Nível de conhecimento dos professores em relação à Proposta Curricular de Matemática do

2º Segmento do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries ) da Educação de Jovens e Adultos

PROFESSORES

MOTIVOS EXPLICITADOS

%

RELACIONADOS À SITUAÇÃO: CONHECIMENTO INTEGRAL SIM

conheço

02 28,5

RELACIONADOS À SITUAÇÃO: CONHECE MAS NÃO SE APLICA NA

ÍNTEGRA

conheço, mas não aplica no dia-a-dia na EJA elas se baseiam mais para o ensino regular.

Precisaria ter uma nova estrutura, um ensino direcionado especificamente para a EJA.

03 43

RELACIONADOS À SITUAÇÃO: CONHECIMENTO PARCIAL

Ah eu conheço, mas não vou falar que eu conheço plenamente, ai eu estaria mentindo

01 14,5

RELACIONADOS À SITUAÇÃO: NÃO TEM CONHECIMENTO ALGUM - Como assim, você está falando.... intervenção do pesquisador , dos PCNs da EJA. Olha porque a gente, os parâmetros curriculares da EJA, não tem assim um separado porque a gente usa aqueles parâmetros curriculares do coisa né ( do ensino regular, grifo nosso). Esta fala expressa o desconhecimento do(a) docente em relação à Proposta Curricular de Matemática do Segundo Segmento da EJA.

01 14,5

Obs: as porcentagens foram calculadas a partir do total de motivos explicitados e não a partir do número de professores.

A partir do conhecimento de cada professor em relação à Proposta Curricular de Matemática da Educação de Jovens e Adultos procurou-se verificar como esses trabalham os componentes conhecimentos prévios, experiência pessoal do aluno, resolução de problemas, competências básicas, conteúdos e formas de tratamento dos conteúdos previstos na sala de aula. Como se pode observar na Tabela 4.4, a ênfase maior é dada aos procedimentos didático-pedagógicos, 42%. Na fala dos professores verifica-se a preocupação em relação à necessidade da apropriação das técnicas relativas aos procedimentos algoritmos, aos conceitos matemáticos e ao estabelecimento de relações com o cotidiano dos alunos. Outro dado importante é a preocupação por parte dos professores quanto ao desenvolvimento de atividades que contemplem o contexto do educando, cerca de 25% desses trabalham nessa perspectiva.

Tabela 4.4 Nível de conhecimento dos professores em relação aos conteúdos conhecimentos prévios,

experiência pessoal do aluno, resolução de problemas, competências básicas, formas de tratamento e dos conteúdos previstos.

PROFESSORES MOTIVOS EXPLICITADOS

%

RELACIONADOS À SITUAÇÃO: DIDÁTICO PEDAGÓGICO

fazer de maneira mais simples, com mais paciência, com mais cuidado.

eu procuro fazer um diagnóstico com os alunos daquilo que eles têm de conhecimento anterior e em cima disso, eu vou trabalhando com eles dentro da sala de aula. eu vou trabalhar agora na parte de geometria, vou introduzir numa aula que é separada para não ficar tão chata, ficar só trabalhando números naturais, pra poder dar mais motivação, mais interesse, pra vê se eles se animam mais.

nós temos muitos pedreiros, senhoras que costuram coisas, então por exemplo; na estatística eu estou mostrando medidas de comprimento, aonde eles podem usar, como é que eles vão usar, estamos começando, eu até comecei essa semana. Dou a parte de teoria e vou começar, vou pedir a eles para que faça uma pequena planta da casa deles , assim, simples. O trabalho vai ser em cima disso. Pedirei a eles para medir como se eles fossem fazer o ladrilho da casa deles. Quanto que eles iriam gastar. Quero mostrar nisso que a gente ta trazendo o quê? A importância dos números decimais, fracionários para o seu dia-a-dia. Nas outras aulas vou estar trabalhando o número decimal, como se faz as contas. Nessa aula, que vai ser o trabalho deles que é o projeto que nós vamos está desenvolvendo, visa mostrar onde eles poderão usar realmente aquilo né.

05 42

RELACIONADOS À SITUAÇÃO: CONHECE, MAS NÃO APLICA É muito difícil trabalhar esses conteúdos com os alunos da EJA, é uma realidade totalmente assim... quem programou esses parâmetros curriculares não tem a realidade do que acontece em sala de aula.

É uma realidade totalmente distorcida, na teoria ele é muito bonito, mas, na prática não funciona porque não tem como trabalhar.

Nós temos que trabalhar com temas transversais, você dá um tema, se a pessoa quebra um braço, você vai trabalhar sua sala de aula toda com a questão do braço quebrado, então, são coisas que não se encaixam na realidade de uma pessoa que não tem pré-requisito, porque não existe pré-requisito contínuo, eles não têm um pré- requisito contínuo.

Sinceramente, essa proposta que a EJA dá eu não sigo. Primeiro tem que trabalhar com o professor.O professor tem que ter preparo para chegar nesse ponto. Eu sou professor, sou professor de conteúdo. Sei dar o conteúdo. Agora entrar nessa parte , seria parte diferente, seria parte do educador. Coisa que na Fundação ( Secretaria de Educação do DF) eu não tenho papel de educador. Eu não sei educar uma pessoa de 30,40 anos. Como educar? Como atingir? Como fazer efeito né? Falar todo mundo fala, dão umas dicas, faz isso, faz aquilo, mas falar daquela maneira para ter um efeito mais significativo eu não consigo não.

04 33

RELACIONADOS À SITUAÇÃO: NO CONTEXTO DO ALUNO(A) o mais próximo da realidade deles

fazer o mais próximo possível da realidade deles”.

a gente pega as experiências que eles têm, até porque se trata de um cliente com idade mais avançada, então, as experiências deles servem pra gente dentro de sala de aula.

03 25

Obs: as porcentagens foram calculadas a partir do total de motivos explicitados e não a partir do número de professores.

Observe o depoimento de um dos professores:

nós temos muitos pedreiros, senhoras que costuram coisas, então por exemplo; na estatística eu estou mostrando medidas de comprimento, aonde eles podem usar, como é que eles vão usar, estamos começando, eu até comecei essa semana. Dou a parte de teoria e vou começar, vou pedir a eles para que faça uma pequena planta da casa deles , assim, simples. O trabalho vai ser em cima disso. Pedirei a eles para medir como se eles fossem fazer o ladrilho da casa deles. Quanto que eles iriam gastar”.

Afirmações como estas ajudam a vislumbrar um caminho que nós, enquanto pesquisadores estamos percorrendo na busca de alternativas que possam atender às novas demandas educacionais, particularmente a essa modalidade de ensino, a EJA. No entanto, um percentual significativo, cerca de 33%, conhecem a proposta curricular mas não aplicam em sala de aula. O pesquisador percebeu que nos depoimentos não foram dadas nenhuma ênfase em relação aos processos de resolução de problemas. Veja a fala de um dos professores em relação a esta situação.

“Sinceramente, essa proposta que a EJA dá eu não sigo. Primeiro tem que trabalhar com o professor.O professor tem que ter preparo para chegar nesse ponto. Eu sou professor, sou professor de conteúdo. Sei dar o conteúdo. Agora entrar nessa parte , seria parte diferente, seria parte do educador. Coisa que na Fundação ( Secretaria de Educação do DF) eu não tenho papel de educador. Eu não sei educar uma pessoa de 30,40 anos. Como educar? Como atingir? Como fazer efeito né? Falar todo mundo fala, dão umas dicas, faz isso, faz aquilo, mas falar daquela maneira para ter um efeito mais significativo eu não consigo não”. Afirmação como esta aponta para a necessidade de uma ampla discussão, a partir de interlocução, da interação e integração entre especialistas, coordenadores e os professores por meio de atividades de formação continuada no local de trabalho entre esses profissionais que atuam nessa modalidade de ensino. O pesquisador entende que se faz necessário estruturar atividades de formação continuada em contextos reais desse público e em resolução de problemas nos espaços de coordenação pedagógica que viabilize a reflexão crítica das práticas pedagógicas que estão sendo desenvolvidas pelos professores na sala de aula da EJA.

Antes de entrarmos no processo de reflexão acerca do objeto de estudo desta pesquisa, faz-se necessário verificar, a partir da fala dos professores, o grau de importância que eles atribuem à Matemática na formação de seus alunos hoje.

Como se pode observar na Tabela 4.5 percebe-se uma nítida tendência dos professores em atribuir à Matemática uma substancial importância quanto aos seus vínculos com os aspectos sociais e aos profissionais como ferramenta para o desenvolvimento de habilidades, competências e exercício do raciocino lógico- matemático.

Tabela 4.5 Grau de importância que os professores atribuem à Matemática na formação do aluno hoje.

PROFESSORES

MOTIVOS EXPLICITADOS

%

RELACIONADOS À SITUAÇÃO: IMPORTÂNCIA PARA A VIDA A vida dele necessita daquele conhecimento.

- A matemática é como uma matéria, é importantíssima, porque é a base, você já levanta no seu dia- a-dia e pela manhã já está pensando na matemática.

Hoje em dia o aluno precisa da matemática para vários lugares. É fundamental para a vida deles.

04 37

RELACIONADOS À SITUAÇÃO: IMPORTÂNCIA DIDÁTICA PEDAGÓGICO/ APRENDIZAGEM

O grau de importância que eu vejo é a parte lógica. Desenvolver o raciocínio lógico

Fazer o aluno pensar, essa parte é importante.

Eu atribuo como essencial, o intuito da matemática é desenvolver o raciocínio, elevar o intelecto. E para vários outros conteúdos

05 45

RELACIONADOS À SITUAÇÃO: IMPORTÂNCIA RELACIONADA FORMAÇÃO

PROFISSIONAL

- É importante para o emprego dele.

- Quando ele vai trabalhar, na prática quando você vai contratar alguns alunos é super importante que ele tenha a matemática em mente, principalmente a parte da matemática financeira.

02 18

Obs: as porcentagens foram calculadas a partir do total de motivos explicitados e não a partir do número de professores.

Cerca de 37% desses professores atribuem à Matemática questões vinculadas a contextos do cotidiano. Posturas, visões como essas são frutos de uma concepção inovadora no que diz respeito aos novos paradigmas na Educação Matemática. É nessa perspectiva que D’Ambrósio aponta caminhos para o exercício de práticas pedagógicas que valorizem os conhecimentos prévios dos alunos. Para o autor (1998, p.14), “ a

Matemática tem raízes profundas em nossos sistemas culturais e como tal possui muito valor. [...]” . Esta afirmação do autor nos remete a uma perspectiva inovadora de paradigma da Educação Matemática pois perpassa à concepção ainda predominante na Matemática desenvolvida ainda hoje em sala de aula. A fala do professor expressa bem esse aspecto predominante:

“deveria sentar uma equipe de professores que trabalham na área de matemática e refazer todo o programa de matemática. Porque o programa é arcaico, tem muito tempo né, tanto que em livros que eu estudei no segundo grau eu até utilizo para dar aulas para os meus alunos e os colégios cobram, só muda a capa, o conteúdo é o mesmo.”

O depoimento acima aponta para necessidade de uma reestruturação do ensino da matemática nessa modalidade de ensino. Os professores estão sentindo a necessidade de rediscutir o currículo aplicado hoje, seus conteúdos programáticos e o exercício das práticas pedagógicas desenvolvidas em sala de aula junto aos alunos da Educação de Jovens e Adultos.

Outro aspecto que nos chamou a atenção é quanto ao grau de importância que os professores atribuíram à Matemática no que no diz respeito à ferramenta para o exercício no mundo do trabalho. Cerca de 18% dos depoimentos dos professores destacaram a importância da Matemática como meio para responder aos desafios e as novas exigências da sociedade contemporânea. O pesquisador considera este percentual de 18% expresso pelos relatos dos participantes muito aquém das perspectivas e dos desafios relacionados à matemática como elemento fundamental para a formação geral dos educandos, em especial, os da EJA.

Outro fator que é bastante relevante, segundo 45% dos depoimentos dos professores, é o aspecto didático-pedagógico, ou seja, o educando deve se apropriar da Matemática para o desenvolvimento bio-psicossocial e, consequentemente, para o seu itinerário formativo. O desenvolvimento lógico-matemático, o raciocínio, à abstração, a

apropriação de conceitos matemáticos contribuem substancialmente para o enfrentamento de diversos aspectos impostos no mundo globalizado.

Como se pode verificar na Tabela 4.6, 43% dos depoimentos dos professores revela uma preocupação em relação ao desenvolvimento cognitivo dos educandos quanto à capacidade destes na resolução de problemas. Outro fator que deve ser considerado é quanto à questão do ensino, ou seja, o professor(a) deve estar atento(a) quanto aos conhecimentos prévios do alunos, aos conteúdos mínimos exigidos e ao ritmo de cada educando, 21% desses profissionais salientaram essas preocupações.

Considerando a Matemática como uma área do conhecimento viva, em permanente processo de interação com os saberes e contextos, 36% dos depoimentos dos professore(a)s apontaram que a capacidade de resolver problemas está ligada ao cotidiano dos educandos, às relações que se estabelecem no dia-a-dia, aos aspectos socioculturais desses indivíduos – e portanto, com pouca participação da escola.

Ora, considerando o ensino da matemática por meio da didática de resolução de problemas abertos, no contexto da EJA, emerge práticas educativas de dimensões críticas suscitadas pela emergência das demandas sociais desse público, como se pode verificar nos depoimentos expressos na tabela acima. Assim sendo, faz-se necessário a promoção de atividades educativas que possibilitem a elevação do nível de escolaridade e o acesso aos bens culturais como direito do educando e dever do Estado. Dessa forma, corroborando com Saviani (1991, p. 21), diz, é fundamental “a identificação de elementos culturais que precisam ser assimilados e a descoberta de formas adequadas de desenvolvimento do trabalho”.

Essa perspectiva exigirá dos educadores matemáticos a diversificação de conteúdos, a re-significação desse conhecimento, a organização de discussões em sala

de aula que propiciem a institucionalização dos conhecimentos matemáticos compatíveis com as demandas da sociedade contemporânea.

Tabela 4.6 Motivos explicitados pelos professores para justificar no contexto da formação geral do

estudante o nível de importância em relação à capacidade de resolver problemas de Matemática. PROFESSORES

MOTIVOS EXPLICITADOS

%

RELACIONADOS À SITUAÇÃO: NECESSIDADE PARA A VIDA - para a vida deles

- Na necessidade e na vida cotidiana