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3 NPA Mine Action in Mozambique review

3.4 Phasing out – 2004-2006

A dislexia pode estar associada a várias outras terminologias como: alexia (supressão

da leitura), afasia (dificuldadades na aquisição da audição, da fala, da leitura e da escrita), agnosia (perda da capacidade de reconhecer objetos), apraxia (incapacidade de realizar movimentos com a finalidade proposta), analfabetismo (incapacidade de ler por falta de oportunidade educacional) e bloqueio secundário da aprendizagem (específico da leitura).

12 Inabilidade ou atraso no desenvolvimento da linguagem escrita, especialmente da cursiva. A caligrafia costuma ser grafada com letras mal desenhadas, borradas ou incompletas, com tendência à letra de fôrma. Há também os erros ortográficos, supressões ou substituições de letras, de sílabas ou de números, e as inversões do sentido direcional de letras e de números (o que se chama de ‘escrita de espelho’).

13 Dificuldades com a linguagem Matemática em diferentes níveis e complexidades. É possível que se evidencie ainda no aprendizado aritmético básico, assim como, na elaboração do pensamento matemático mais complexo. Essas dificuldades podem se manifestar sem que haja inabilidade de leitura. As mais graves são decorrentes da imprecisa percepção de espaço e tempo; na apreensão, coordenação e processamento de fatos matemáticos em sua devida ordem; déficit de atenção – dificuldade de concentrar e de manter concentrada a atenção em objetivo central, para discriminar, compreender e assimilar o foco central de um estímulo. Essa deficiência pode manifestar-se isoladamente ou associada a uma linguagem corporal que caracteriza a hiperatividade ou a hipoatividade.

14 Atividade psicomotora excessiva, com padrões diferenciais de sintomas. A criança ou o jovem hiperativo fala sem parar e nunca espera por nada. Isso porque age sem pensar e sem medir as conseqüências de suas ações. Assim, é comum que tenha muitos hematomas ou cortes na pele. Por outro lado, há um segundo tipo de hiperatividade que apresenta características voltadas para dificuldade de foco de atenção, pois ocorre uma superestimulação nervosa que leva a pessoa a passar de um estímulo a outro, e ela não consegue, então, focar sua atenção em um único tópico. Logo, passa a impressão de que é desligada, sendo que, ao contrário, está ligada a tudo ao mesmo tempo.

15 Nível baixo de atividade psicomotora, com reação lenta a qualquer estímulo. Normalmente, a pessoa parece estar “no mundo da lua” ou “sonhando acordada”. Por falta de concentração, tem memória pobre e comportamento vago, pouca interação social e apatia em sala de aula.

Desde a década de 30, do século passado, quando a dislexia começou a ser estudada, de forma sistemática, surgiram várias teorias tentando explicar a gênese e desenvolvimento do distúrbio. Condemarin e Blomquist (1989) apresentam algumas explicações sobre a natureza dessa disfunção. Entre elas, tem-se a tese de Samuel Orton, entre 1925 e 1930, que levantou a hipótese de uma inadequada instalação da dominância lateral do cérebro. Segundo ele, a escrita em espelho, por exemplo, seria explicada por conflito e pela predominância entre os dois hemisférios, o que seria a mesma explicação para o atraso na linguagem e a gagueira. Para o estudioso, dislexia significava “símbolos invertidos”. Ele recomendou um procedimento corretivo sistemático de tipo visual, auditivo e cinestésico.

Devido ao estudo de Bertil Hallgren, em 1950, com duzentos e setenta disléxicos, chegou-se à conclusão de que a dislexia devia-se a um fator hereditário. Esse fator é resultante de um gene monoíbrido dominante autossômico com manifestação praticamente completa. Essa investigação mostrou que, em 80% dos casos, havia problemas de leitura num ou mais membros da família. Nesse sentido, Shaywitz (2006) alerta que, além de as dificuldades de leitura serem em geral ignoradas nas crianças que vivem em circunstâncias desvantajosas, representa pelo menos 80% de todos os problemas de aprendizagem.

A dislexia trata-se de um dano neurológico mínimo que afeta sutilmente a aprendizagem e a conduta, sem uma diminuição evidente da sua capacidade intelectual geral

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Acreditam-se hoje que essas deficiências podem ser o resultado de variações genéticas, irregularidades bioquímicas, dano perinatal e cerebral (no momento do parto); ou então, de doenças ou lesões originadas nos anos críticos para o desenvolvimento e maturação do sistema nervoso central (SHAYWITZ, 2006).

Na visão neurológica, segundo Shaywitz (2006), podem ocorrer as disfunções congênitas que se refletem na criança desde o nascimento; e a adquirida que é a repentina perda da capacidade de ler. A última afeta principalmente adultos, pois ocorre após uma lesão no lado esquerdo do cérebro (derrame ou tumor). A diferença entre as duas está no momento em que se dá o rompimento dos sistemas neurais no cérebro. Na forma congênita, há uma espécie de queda de energia nas conexões cerebrais durante o desenvolvimento embrionário. Logo, o problema fica nas conexões neurais, confinado a determinado sistema neural utilizado para leitura. Por outro lado, na adquirida, uma lesão bloqueia um sistema neural que já está em funcionamento e pode também estender seu impacto a outros sistemas.

Vale ressaltar que a lesão cerebral mínima é muito confundida com o atraso maturacional, conceito introduzido por Lauretta Bender, em 1957, citada por Condemarin &

Blonquist (1989), que se refere à lentidão no desenvolvimento de certos aspectos neurológicos especializados num contínuo de leve a severo. A estudiosa baseou sua noção de atraso maturacional sobre um conceito de áreas funcionais do cérebro e da personalidade que se desenvolvem de modo congênito de acordo com um padrão reconhecido. Ao contrário da lesão cerebral mínima, não implica defeito estrutural, deficiência ou perda; isto é, a dislexia específica corresponderia a um atraso maturacional, porém somente em relação ao “florescimento” de certas faculdades específicas.

Os educadores devem estar sempre atentos à manifestação do distúrbio em sala de aula. Para que se possa avançar na hipótese do aluno ser disléxico, os profissionais em educação devem investigar se há existência de um familiar próximo que apresente ou tenha apresentado problemas de linguagem ou dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita (CONDEMARIN; BLOMQUIST, 1989, p. 24).

A teoria hormonal é uma possível explicação. A dislexia estaria ligada à produção excessiva de testosterona na fase de gestação. Este excesso de hormônio masculino na gestação de um feto masculino provocaria, então, um aborto natural, ou, por outro lado, provocaria o distúrbio na criança que conseguisse sobreviver.