2 A framework, Elements of Organisations
2.1 What could we expect to find according to theory?
Segundo Cândido (1976, p.124), os grupos sociais exigem de seus indivíduos certos padrões ideais, em função dos quais estes devem ajustar o seu comportamento. Esclarece que a Escola, ao estabelecer suas regras, leva em conta os valores gerais da comunidade, associando-os aos seus próprios valores, o que remete à necessidade de se conhecer a comunidade a qual pertencem antes de estabelecer suas normas e regras.
necessidade e buscam fazê-lo, junto às famílias de seus alunos e através da busca de integração com os demais segmentos da comunidade.
“É impossível trabalhar o aluno sem a família. Quando a gente está conhecendo a família do aluno a gentes passa a conhecer a realidade e a coisa fica mais fácil de ser trabalhada”. (membro do grupo administrativo)
Segundo Gomes (1994, p. 101), não há como negar que o trabalho escolar sem a cooperação entre alunos e professores, no contexto de sala de aula, é dificultado. O autor afirma que a existência de conflitos, vistos sob um prisma negativo, em potencial na escola, aponta para a existência de falhas na sua estrutura que precisam ser investigadas e analisadas, para então serem elaboradas propostas educativas de intervenção. A mesma opinião observa- se em Chrispino e Chrispino (2002, p. 18), ao apontar para a necessidade de a escola buscar investigar nas suas práticas comuns, as causas das violências, sugerindo um modelo de exercício extraído da experiência chilena. Os autores também propõem um programa de avaliação de violência escolar (Gaustad), como uma ferramenta para entender o problema da violência e orientar decisões a serem tomadas com o estabelecimento de prioridades. Essas observações podem ajudar a interpretar os dados das tabelas 12 e 13.
TABELA 13 - Distribuição dos professores quanto à opinião sobre o nível de desrespeito dos alunos às normas escolares:
Frequência Porcentagem
Pouco 12 60,0
Muito 8 40,0
Total 20 100,0
Fonte: pesquisa de campo
Apesar de apenas 40% dos professores participantes da pesquisa afirmarem que muitos alunos desrespeitam com freqüência as normas escolares, conforme dados da tabela 13, sessenta por cento reconhecem que este fato ocorre na escola, transparecendo um certo
descuido com relação ao estabelecimento de normas necessárias ao bom desenvolvimento das aulas, ou ainda uma certa permissividade da escola em relação a certos atos praticados pelos alunos, que, embora não aceitos, não são considerados como desrespeito às normas escolares, ou, ainda, os dados demonstram desconhecimento, por parte dos professores, das normas disciplinares estabelecidas pela Escola e das presentes no Regimento da Escola. A mesma opinião se observa por parte dos alunos, denunciando um certo desconhecimento também por parte destes com relação às normas de boa conduta em sala de aula, conforme se observa através dos dados da tabela 14.
TABELA 14 - Distribuição dos alunos quando ao desrespeito às normas escolares
Freqüência Porcentagem
Nunca 7 7,8
Poucas vezes 55 61,1
Muitas vezes 28 31,1
Total 90 100,0
Fonte: pesquisa de campo
Segundo ABRAMOVAY; RUA (2002, p. 140), as normas escolares são seguidas para lidar ou inibir a violência, porém Rego (1996, p. 85) considera que a indisciplina no meio educacional é considerada como um comportamento intransigente, um sinal de rebeldia, ou ainda bagunça, comportamento similar ao chamado de incivilidades na classificação das violências nas escolas. Assim sendo, a falta do estabelecimento de normas escolares ou o desconhecimento desta aparece como um fator colaborador para a existência das manifestações de violências na escola. Quando entrevistados, os respondentes concordaram que as regras são indispensáveis para a constituição da ordem na escola e em sala de aula, porém não se percebe a conscientização destas por parte dos educandos e mesmo do corpo docente.
o corpo escolar em geral, emerge das formas de contestação da própria ordem escolar, que se manifestam como incivilidades ou como comportamento de rejeição. Estes comportamentos aparecem classificado como indisciplina na sala de aula.
O grupo de docentes afirma que a indisciplina é um dos maiores problemas enfrentados pela escola e aponta a falta da presença da família na educação dos alunos, afirmando que a família não impõe limites:
“Os alunos chegam pra nós sem regras e sem limites, ele chega na escola com deficiências na sua disciplina, nas suas regras de boa convivência”. (professor)
Isto aponta para a necessidade da escola rever suas normas ou construí-las de forma conjunta com o corpo discente, de forma a possibilitar um clima propício ao bom desenvolvimento das atividades escolares.
Percebe-se, através dos dados da tabela 15, que a opinião dos professores diverge em relação à freqüência com que aos alunos se insultam na sala de aula, porém na tabela 16 pode-se perceber que, na opinião dos alunos, os insultos são freqüentes. Cerca de 28,9% dos respondentes afirma essa existência com maior freqüência. Como conseqüência, estes insultos trazem outras manifestações de violências na escola, pois estes alunos que se ofendem dentro da sala de aula quando saem da escola procuram se agredir fisicamente, fato que nem sempre se concretiza pela presença da polícia na saída dos alunos.
TABELA 15 - Distribuição dos professores quanto à opinião sobre a freqüência que os alunos se insultam
Frequência Porcentagem
Poucas vezes 10 50,0
Muitas vezes 10 50,0
Total 20 100,0
TABELA 16 - Distribuição dos alunos quanto à freqüência de insultos entre alunos em sala de aula Freqüência Porcentagem Nunca 9 10,0 Poucas vezes 55 61,1 Muitas vezes 26 28,9 Total 90 100,0
Fonte: pesquisa de campo
Através das tabelas 17 e 18 confirma-se a presença de manifestações de violência na escola, apresentada sob uma de suas formas mais graves, a agressão física, 95,0% dos respondentes do corpo docente confirmam, bem como 78,9% dos discentes. A violência física que, segundo a perspectiva marxista, é classificada como violência direta, porque atinge diretamente o corpo de quem sofre (CANDAU, 1999, p.19), ainda é apontada como muito freqüente no ambiente escolar, havendo uma aproximação entre a percepção dos professores e dos alunos quanto à maior incidência deste tipo de manifestação entre os alunos, conforme se observa nas tabelas indicadas.
Esta face da violência também é analisada por Michaud (2001, p.5), quando o autor faz uma abordagem da violência como danos a pessoa. Porém Velho (2000, p.11-14), considera a violência como o modo mais agudo de revelar o total desrespeito e desconsideração pelo outro. Os atores da escola parecem não aceitar a realidade presente na Escola, apesar destas poderem ser confirmadas através da análise das tabelas abaixo.
A maior participação do professor foi esclarecida por entrevistados, como o seguinte:
TABELA 17 - Distribuição dos professores quanto à freqüência com que os alunos se agridem fisicamente na escola
Freqüência Porcentagem
Nunca 1 5,0
Poucas vezes 15 75,0
Muitas vezes 4 20,0
Total 20 100,0
Fonte: pesquisa de campo
TABELA 18 - Distribuição dos alunos quanto à freqüência das brigas entre eles em sala de aula e na escola Freqüência Porcentagem Nunca 19 21,1 Poucas vezes 50 55,6 Muitas vezes 21 23,3 Total 90 100,0
Fonte: pesquisa de campo
“Eu tenho uma turma que a gente considera que tem um número maior de alunos ditos indisciplinados. Então eu penso que a chave para a solução desse problema é o comprometimento do professor também”. (membro do grupo administrativo)
Gomes (1994, p.101) afirma que se faz necessário que o trabalho escolar seja cooperativo, porém percebe-se, através dos relatos feitos pelos atores, que o trabalho realizado pela escola ainda conta com pouca participação da comunidade, embora todos demonstrem ter consciência da importância da participação coletiva:
“Eu considero a participação da família a mola propulsora da aprendizagem. Nós, educadores, temos uma influência muito grande sobre os alunos. Muitas vezes a gente consegue coisas com eles que os pais tentam há anos e anos e não conseguem, porém é importante que a família esteja junto conosco, nos apoiando”. (membro do grupo administrativo)
“Eu acho que devia ser feito assim um trabalho maior juntamente com toda a família, abrangendo toda a comunidade”. (membro do grupo administrativo)
Embora os gestores explicitem a consciência da necessidade de um trabalho conjunto e integrado dentro da escola, para combater as violências, através dos relatos dos entrevistados se observa que isso realmente não acontece na prática cotidiana da escola. Em conseqüência, os índices de manifestações de violências na escola ainda são constrangedores, como afirmam alguns dos entrevistados, como a seguir:
“Esse trabalho é feito pelo supervisor D., ele está sempre nas salas, falando com os alunos. Ele é que sempre fez esse trabalho com os alunos”. (membro do grupo administrativo)
Segundo Chrispino e Chrispino (2002, p. 13), a escola não está preparada para lidar com a massificação e com a existência de alunos diferentes e divergentes. Esta afirmação pode ser confirmada através dos depoimentos dos atores da comunidade escolar, apontando para a necessidade de que este assunto, como sugerem os autores, seja incluído com urgência na pauta de prioridades educacionais pelos decisores educacionais, inclusive das políticas públicas:
“Eu confesso que há um constrangimento muito grande quando acontece algum ato de violência entre os alunos. A gente fica com medo de agir, pois não sabemos até onde podemos ir, até onde podemos acudir, até onde podemos interferir com esses alunos. Acho a situação muito delicada, de repente a gente pode estar ultrapassando um limite”. (membro do grupo administrativo)
Esta dificuldade em trabalhar os conflitos na sala de aula pode ser confirmada através dos relatos dos professores e através da análise da tabela 19, onde 75% do corpo docente demonstram ter algum tipo de dificuldade em lidar com o conflito na sala de aula. Eles afirmam que, quando este acontece, conforme indicado pela tabela 20, cerca de 85% procuram evitar a situação ou pedem ajuda aos supervisores para resolvê-los. Esta ajuda muitas vezes, conforme relatos, é a retirada dos alunos em conflito da sala de aula, ou até mesmo a solicitação de sua suspensão das aulas até que se resolva o caso com a presença dos pais e até mesmo do Conselho Tutelar.
TABELA 19 - Distribuição dos professores quanto ao seu sentimento quando se defrontam com um conflito em sala de aula (sentem-se agoniados e tentam evitar a situação)
Freqüência Porcentagem
Nunca 5 25,0
Algumas vezes 10 50,0
Muitas vezes 5 25,0
Total 20 100,0
Fonte: pesquisa de campo
TABELA 20 - Distribuição dos professores quanto ao comportamento quando está em situação de conflito (pede ajuda)
Freqüência Porcentagem
Nunca 3 15,0
Algumas vezes 10 50,0
Muitas vezes 7 35,0
Total 20 100,0
Fonte: pesquisa de campo
Do lado dos alunos, a visão pode ser sintetizada pelos textos de dois depoimentos:
“Os meninos ficam pirraçando a gente, aí acontece briga, começa a discussão. A gente chama a professora para ajudar a parar a briga, ela só fala assim que a gente está parecendo criança: ‘- nem menino de primeiro e segundo ano agem igual a vocês”. (aluno-líder)
“Alguns interferem, outros não. Alguns ajudam com um conselho, explicando na sala de aula, assim ajuda. Mas se for num caso de tirar pra conversar, assim não ajudam. Quando os alunos começam a discutir coloca pra fora da sala. Se tiver dois
alunos brigando na sala, chamam o supervisor”. (aluno-líder)
Através da análise dos diversos depoimentos dos atores da escola e da comunidade vemos que as causas apontadas como desencadeadoras das manifestações de violências na escola são externas. Também percebe-se a total falta de preparo dos agentes educacionais para lidar com questão destas manifestações em sala de aula e na escola. Estas observações apontam para a necessidade urgente de adoção de programas de combate e
erradicação das violências na escola através de parcerias escola-comunidade-órgãos governamentais e não-governamentais.
Percebe-se também através da análise dos discursos em nível de sistema que também este se encontra despreparado para essa intervenção junto às escolas, o que sugere que se busque através de instituições especializadas parceria e apoio técnico para um trabalho de capacitação de todos os agentes educacionais em nível micro e em nível macro. Assim sendo propõe-se uma ação globalizada voltada para erradicação deste problema.