Conforme se observa na tabela 2 o corpo docente da Escola é composto em sua maioria, de professoras do sexo feminino. Conforme a tabela 3, cerca de 80%, com idade mediana variando entre 30 e 40 anos, conforme a tabela. 2.
TABELA 2 - Distribuição dos professores quanto à idade
Freqüência Porcentagem
Até 30 anos 3 15,0
31 a 40 anos 14 70,0
41 a 50 anos 3 15,0
Total 20 100,0 Fonte: pesquisa de campo
TABELA 3 - Distribuição dos professores quanto ao sexo
Frequência Porcentagem
Masculino 4 20,0
Feminino 16 80,0
Total 20 100,0 Fonte: pesquisa de campo
que atuam e cerca de 55% possuem experiência compreendida ente seis a dez anos de efetivo exercício no magistério, fato que se considera bastante positivo em relação ao cumprimento das atividades profissionais, principalmente com o trabalho com adolescente, faixa etária atendida pela escola.
Conforme dados apresentados na tabela 4, o nível de relacionamento entre os professores (pares) é bom na opinião de 100% dos respondentes, o mesmo em relação ao relacionamento entre professores e alunos, dado também declarado pelos alunos em relação ao seu relacionamento com os professores. Porém através dos relatos dos membros do grupo administrativo, observamos haver uma contradição quanto ao bom relacionamento entre professores e alunos, pois os mesmos afirmam que o clima de sala de aula é desorganizado e atribuem a esta desorganização o surgimento de manifestações de violências no ambiente. Também foi observado através de visitas às salas de aula que num ambiente de sala de aula desorganizado a relação professor-aluno fica bastante prejudicada. Em nenhum dos casos, foi apresentada a resposta ótimo, nível desejável por uma instituição educacional que prima pelas relações humanas na formação do ser capaz de amar o seu próximo e valorizar a presença do outro no seu convívio diário. Dá-se a impressão de haver um esfriamento nas relações estabelecidas na instituição, que pode ser provocada pela falta de intervalo de recreio, momento em que essas relações poderiam ser fortalecidas, e pela falta de reuniões mais freqüentes que possibilitassem o encontro destes elementos.
TABELA 4 - Distribuição dos professores quanto ao relacionamento com os colegas de trabalho e relacionamento com os alunos
Freqüência Porcentagem
Entre pares (professor – professor) Bom 20 100,0
Entre professores e alunos Bom 20 100,0
Fonte: pesquisa de campo
que agem com os alunos de forma diferenciada. Cerca de 65% dos respondentes confirmam essa afirmativa, dados também confirmados pelos alunos, grupo em que esta porcentagem se eleva para 92,2%, conforme se observa através dos dados da tabela 6. Estas diferenças de atitudes com os alunos podem resultar num comportamento de insegurança por parte dos alunos diante de alguns professores, conforme relatam os alunos, pois, segundo estes, nunca sabem se seus professores aceitarão, da mesma maneira, sua forma de agir diante de determinada situação.
TABELA 5 - Distribuição dos professores quanto à percepção de diferenças de normas estabelecidas pelo respondente em sala de aula e as dos seus colegas
Freqüência Porcentagem Muitas vezes 5 25,0 Algumas vezes 13 65,0 Nenhuma vez 1 5,0 Não sei 1 5,0 Total 20 100,0
Fonte: pesquisa de campo
TABELA 6 - Distribuição dos alunos quanto à opinião que têm sobre a existência de diferença de atitudes de seus professores em sala de aula
Frequência Porcentagem
Sim 83 92,2
Não 7 7,8 Total 90 100,0 Fonte: pesquisa de campo
Segundo dados apresentados na tabela 7, observa-se que, na opinião dos professores, a participação da família na escola é boa. Na opinião de 55% dos respondentes os pais participam de todas as atividades desenvolvidas pela escola, porém percebe-se que ainda há um número considerável de pais que somente comparecem à escola para receber os
boletins com as notas de seus filhos, ou seja, cuja preocupação se restringe ao rendimento escolar. Cerca de 45% dos pais se encontram nesta situação, dados também confirmados na opinião dos alunos, conforme tabela 8.
TABELA 7 - Distribuição dos professores quanto à opinião sobre a participação da família na escola
Frequência Porcentagem
Reuniões de pais 9 45,0
Sempre 11 55,0
Total 20 100,0
Fonte: pesquisa de campo
TABELA 8 - Distribuição dos alunos quanto ao tipo de atividades de que os pais mais participam na escola
Freqüência Porcentagem
Nenhuma 13 14,4
Receber boletins 52 57,8
Colegiado 8 8,9
Quando vai mal na escola 3 3,3
Festas 6 6,7
Quando são chamados pela escola 8 8,9
Total 90 100,0
Fonte: pesquisa de campo
Quanto à relação estabelecida entre professor aluno dentro da sala de aula, percebe-se que os professores têm consciência da necessidade da interação entre estes dois atores do processo de ensino aprendizagem. Na opinião de 95% dos professores há existência de confronto entre alunos e docentes na sala de aula, embora na opinião de 80% dos respondentes o sentimento de incompreensão é percebido poucas vezes, fato também confirmado por 71,15% do grupo dos discentes, apesar de que 28,95% dos alunos ainda afirmam que seus professores não os compreendem.
Os dados apresentados na tabela 9 apresentam a opinião dos alunos quanto à freqüência de confrontos entre professor e alunos, confirmando ser bastante elevado, cerca de 87,8%, sendo que 17,8% afirmam que estes são freqüentes, dados confirmados também pela tabela 10.
Considerando que os professores são os principais responsáveis pela formação dos alunos, estes dados são preocupantes, pois se percebe uma falta de “controle” dos docentes sobre os discentes, incluindo falta de respeito dos discentes para com os docentes, ou seria deficiências na formação destes?
“A gente perde a metade da aula por causa das brigas entre os professores e os alunos” (aluno)
“Eu acho que devia ter mais disciplina na sala de aula, que os professores deveria falar com mais educação, porque do jeito que eles tratam os alunos não é bom. Os alunos têm medo, mas continuam do mesmo jeito” (aluno)
“Não precisa nem ser atividades diversificadas. Eu acho que precisa de diálogo e compreensão de ambas as partes”. (aluno)
“Ter mais calma, saber ouvir e falar, não partir para uma agressão só por uma contradição à toa”. (aluno)
TABELA 9 - Distribuição dos professores quanto à freqüência de confrontos entre alunos e professores na sala de aula
Freqüência Porcentagem
Nunca 1 5,0
Poucas vezes 15 75,0
Muitas vezes 4 20,0
Total 20 100,0
TABELA 10 - Distribuição dos alunos quanto à existência de confrontos entre alunos e professores na sala de aula
Freqüência Porcentagem
Nunca 11 12,2
Poucas vezes 63 70,0
Muitas vezes 16 17,8
Total 90 100,0
Fonte: pesquisa de campo
Estes dados remetem às considerações apresentadas por Gomes (1994, p.94). O paradigma do conflito enfatiza as tensões e oposições entre professores e estudantes no ambiente escolar, onde a escola é vista como uma instituição que impõe certos valores e padrões culturais ao alunado. Já o paradigma do consenso enfatiza os valores comuns e a cooperação entre professores e alunos, de modo que a escola funcione como elemento de integração e continuidade entre gerações. Aparentemente o primeiro tem maior poder explicativo das relações na escola pesquisada, sugerindo que ambos os paradigmas captaram aspectos que coexistem na realidade.
Confrontando os dados apresentados nas tabelas 7 e 8, percebe-se que a escola ainda não se encontra preparada para uma convivência de integração. A presença do conflito, que, segundo Chrispino e Chrispino (2002, p. 39), é positiva, quando considerado inerente ao processo de crescimento dos indivíduos e suas relações sociais, torna-se negativa talvez pela falta de sensibilidade ou preparo dos docentes ao lidar com estas questões no ambiente educacional.
Segundo Chrispino e Chrispino (2002, p. 39), o conflito é inevitável e não se devem suprimir seus motivos, porque ele possui inúmeras vantagens que são dificilmente percebidas por aqueles que vêem nele algo a ser evitado. Para os autores os conflitos são positivos porque são resultantes da interação entre os seres humanos. Ao que parece, os professores não estão acostumados a atuar sobre os conflitos de maneira preventiva. Outro fator, segundo a opinião dos
autores, estaria ligado à idéia equivocada sobre a natureza do conflito, na maioria das vezes interpretada como o oposto da ordem (paz, harmonia e tranqüilidade), sendo considerado como violento e ostensivo. Segundo os autores, devido a este entendimento, não se presta atenção aos antagonismos até que se manifestem abertamente, inclusive sob a forma de violência. Nesta pesquisa tais considerações podem ser confirmadas.
Através da análise da tabela 11 percebe-se que o grupo dos docentes às vezes se confunde ao classificarem conflitos versos manifestações de violências. Porém observa-se que algumas situações são apontadas com mais ênfase.
TABELA 11 - Situações que ocorrem no cotidiano da escola e que são consideradas pelo grupo de docentes e discentes como conflitos e como violências. (resposta à questão: O que você qualifica como conflitos e o que qualifica como violências?) -respondentes: vinte professores e 90 alunos.
Conflitos Violências
Agressão verbal Agressão física
Assédio sexual Agressão verbal
Brigas entre alunos Ameaças
Desprezar/ridicularizar Assédio sexual
Desrespeito Atentado ao Pudor
Discussões (bate boca) Depredação
Divergência de opinião Desmotivação
Gestos obscenos Desprezo
Hostilidade Desrespeito
Ignorar Discussões com palavras agressivas
Imposição de idéias Insultos
Indisciplina Intimidação
Insultos Marginalização
Intimidação Medo
Marginalização Não expressar corretamente
Não saber ouvir Perseguição
Não saber relacionar-se com o grupo Pobreza
Provocação Ridicularização
Ridicularização
O problema da indisciplina em sala de aula acompanha os confrontos entre professor e alunos e alunos e alunos como pode ser observado através dos dados apresentados na tabela 12. Cinqüenta e cinco por cento dos respondentes afirmam haver muita indisciplina durante as aulas, fato que interfere no desenvolvimento das práticas pedagógicas previstas, prejudicando o processo de ensino-aprendizagem dos alunos e propiciando o surgimento de manifestações de violência entre os alunos:
“Há uma agressividade na sala de aula, os alunos conversam de forma agressiva com o professor, parece que eles têm uma bomba, uma coisa explodindo dentro deles”. (membro do grupo administrativo)
TABELA 12 - Distribuição dos professores quanto à opinião sobre a indisciplina em sala de aula
Frequência Porcentagem
Poucas vezes 9 45,0
Muitas vezes 11 55,0
Total 20 100,0
Fonte: pesquisa de campo