4 Analysing the case
4.5 Environments
O disléxico apresenta uma condição (como nascer negro, ter olhos verdes ou cabelos loiros), normalmente, possui o QI acima da média, e não é portador de problemas psíquicos ou neurológicos graves que possam justificar por si só as dificuldades de aprendizagem. Embora seja um problema que persiste até a vida adulta, pode ser atenuado com a ajuda dos profissionais de educação, principalmente dos professores de Língua Portuguesa.
O cuidado com o estudante disléxico envolve atenção individualizada, práticas pedagógicas inovadoras, além de vontade de democratização do ensino por parte do professor. Por outro lado, a família e a comunidade também são cruciais para a viabilização desse processo de emancipação da autonomia dos disléxicos no espaço escolar.
Para tanto, urge que o professor seja informado sobre a dislexia para conhecer como proceder diante do problema. Logo, é preciso política pública que torne esse assunto parte dos currículos de licenciatura tanto nas universidades públicas quanto nas particulares. Na formação inicial, o profissional pode ter a oportunidade de acesso a bibliografias diversas, além de ter um espaço adequado para troca de idéias sobre como agir em sala de aula com alunos que apresentem esse distúrbio. Dessa forma, terão mais possibilidade de diversificar os recursos didáticos em sala de aula, aprender dinâmicas de aprendizagem que não exponham o aluno, projetar slides que estimulem a criatividade por meio de demonstrações práticas. Sugerimos, nesse caso, a inserção, no currículo do curso de Licenciatura, de matéria obrigatória: “Distúrbios causadores de deficiência de aprendizagem”; além de cursos de capacitação permanentes para que os profissionais de educação sejam capazes de perceber os sintomas da dislexia e acompanhar os estudos realizados sobre isso.
Essa política possibilitaria a viabilização do processo de identificação e acompanhamento dos estudantes disléxicos nas escolas. Os profissionais de educação, principalmente os professores e orientadores pedagógicos, sairiam dos cursos de formação inicial com conhecimento básico sobre todos os fenômenos associados à dificuldade de aprendizagem e, em particular, a dislexia.
Os profissionais da educação devem estar direcionados, também, a um ensino voltado para a cultura de inclusão. Nesse aspecto, compreendem-se valores essenciais à vida democrática, tais como: participação, igualdade, respeito aos direitos humanos, respeito à diversidade cultural, liberdade, tolerância, diálogo, reconciliação, solidariedade, desenvolvimento e justiça social. Assim, a escola de ensino médio deve contar com uma política pública capaz de amparar os alunos disléxicos, e deve entendê-los como especiais.
Quanto à inclusão do estudante disléxico, para que ele adquira sua autonomia na realização das tarefas, precisa de um ensino individualizado. Então, colocá-lo numa turma de alunos especiais, seria importante, porém não suficiente para superar o problema. Dessa forma, seria importante o atendimento dos mesmos, para acompanhamento pedagógico, pelos menos duas vezes por semana, em turno contrário em centros de apóio criados para esse fim, na própria escola.
Com uma política pública voltada para o atendimento do disléxico, poder-se-ia agilizar e aprimorar a prestação de serviço. Para isso, seria necessário, também, que se aperfeiçoassem os serviços públicos de atendimento a alunos com dificuldade de aprendizagem. O MEC precisaria fazer parceria com os hospitais públicos do Distrito Federal, preparar os profissionais (equipes multidisciplinares) para que entendam, com profundidade, a dislexia. Assim, teríamos pessoas realmente qualificadas para lidar com o distúrbio e, num sistema de rotatividade dentro das escolas públicas, os profissionais poderiam esclarecer a disfunção junto aos educadores, elaborar o diagnóstico e acompanhar o tratamento do aluno disléxico.
Mas, para que isso seja possível, precisa haver empenho conjunto dos governos Estadual e Federal. Isso porque os profissionais de saúde não são suficientes para atender a demanda nos próprios hospitais públicos. Para isso, seria primordial a contratação de mais profissionais de saúde para o atendimento também nas escolas, tendo vínculo com a Secretaria de Educação. Com essa ação, os alunos seriam encaminhados aos hospitais e teriam prioridade no atendimento, o que não ocorre atualmente.
O papel da escola deve estar integrado à família e aos profissionais de saúde e de educação como psicopedagogo, psicólogo, fonoaudiólogo, neurologista etc. Desse modo, o
disléxico pode progredir na escolaridade independentemente de suas dificuldades na leitura e na escrita. Além do tratamento fora da escola, os professores de Português, em especial, precisam dar mais importância às idéias dos alunos com dislexia do que aos erros de ortografia, evitando descontar por erros meramente gramaticais, visto que a intenção comunicativa funda o uso da língua e não a morfologia ou a gramática, sem um contexto histórico da vida do aluno.
Além disso, o docente, em sala de aula, precisa motivar os disléxicos. Deve, então, destacar os aspectos positivos nos trabalhos e provas realizados para incentivar esses alunos e mostrar-lhes que são capazes de se organizarem e progredirem constantemente. Percebe- se, também, que o professor deve evitar que o aluno disléxico tenha de ler em público e dar a entender ao estudante disléxico que será feito o possível para ajudá-lo, dar-lhe atenção especial individualizada e estimulá-lo a perguntar em caso de dúvida. A escola precisa valorizar todo esforço e interesse demonstrado pelo aluno e respeitar seu ritmo de aprendizagem.
Em caso de diagnóstico concluído, o professor deve estar atento ao planejar suas aulas, para que o disléxico tenha cada vez mais autonomia. O docente terá que adotar práticas pedagógicas diferenciadas como, por exemplo, ensinar a resumir as idéias, permitir o uso de meios informáticos e de corretores, usar materiais que permitem visualizações (figuras, gráficos, ilustrações, filmes) para que os estudantes disléxicos possam acompanhar o texto impresso. Além disso, deve evitar a utilização de testes de múltipla escolha, pois descontextualizam as informações e reduzem o tempo de execução, tornando-se muito difíceis para o disléxico.
As avaliações precisam ser diversificadas. Os profissionais de educação devem propor outras experiências que possam contribuir para o alcance dos objetivos previstos, além das provas convencionais, que devem ser orais sempre que possível. Caso não sejam, é importante que haja tempo maior disponível para a realização da prova e um ledor (ou tutor). Também, para que a avaliação se torne mais justa, será importante que o professor, ao final da avaliação, retome a prova com o aluno para verificar oralmente o que ele quis expressar com o que escreveu, para não ser injusto com ele. Em sala de aula, é aconselhável que a escola permita o uso de gravador, tabuada, máquina de calcular e, principalmente, os recursos da informática como já é feito em vários países, como por exemplo, na Inglaterra.
O computador facilita a vida do disléxico, especialmente, porque é autocorretivo. Já existe o leitor eletrônico vendido na ABD – DELTA TALK (www.micropower.com.br), que lê textos e planilhas, facilitando a conferência dos dados. Nele são incluídas três vozes
diferentes. Assim, o programa de computador lê o texto digitado com voz humana. Números, datas, abreviações e medidas são convertidos em fonemas e lidos com estilo e entonação determinados automaticamente por meio de análises lingüísticas do texto, o que possibilita um melhor desempenho do disléxico, já que seu maior problema é o de decodificação das palavras durante a leitura. As pessoas consideradas “normais”, no aspecto de ensino-aprendizagem, automatizam o reconhecimento das palavras, mas o disléxico não o faz, exigindo, assim, maior esforço durante o processo de leitura.
Propomos, a partir do resultado da pesquisa, uma política pública que assegure a igualdade de oportunidades para os estudantes disléxicos das escolas públicas do DF, especialmente no ensino médio. Esses alunos estarão próximos do vestibular e de entrar no mercado de trabalho; logo, em termos de conteúdo, independentemente do distúrbio, concorrerão em igualdade de condições com seus pares. Com uma política específica no DF, a escola poderia garantir condições adequadas para acompanhamento e desenvolvimento dos alunos com dislexia, assegurando a eles a plena integração à vida escolar para a garantia de formação de cidadãos plenos.
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APÊNDICE A - Questionário destinado aos professores de Língua
Portuguesa
Prezado professor (a):
Esta pesquisa visa obter mais informações sobre como é realizado o
diagnóstico e como são conduzidas as práticas pedagógicas aos alunos
disléxicos, nas escolas públicas de Ensino Médio, do Distrito Federal. O
questionário poderá revelar a realidade desses alunos e levar a uma
possível mudança no amparo legal. As informações solicitadas neste
questionário serão utilizadas em pesquisa científica. Sua contribuição é
muito importante para o desenvolvimento do estudo em questão.
Agradeço a colaboração!
Elizete Cristina de Souza (Mestranda em Educação, na Universidade Católica de Brasília)
• POR FAVOR, ASSINALE SEMPRE UMA ÚNICA ALTERNATIVA QUE MAIS
SE APROXIME DE SEU CASO.
1. Qual o seu gênero?
( ) feminino ( ) masculino
2. Quando se graduou?
3. Você se formou em faculdade ( ) pública ( ) privada
4. No seu curso de graduação foi abordado o tema da dislexia, em alguma disciplina? ( ) sim ( ) não
5. As informações sobre o distúrbio da dislexia foram obtidas: (SE FOR O CASO, ASSINALE MAIS DE UMA ALTERNATIVA)
( ) No curso de graduação.
( ) Por meio de cursos de educação continuada.
( ) Junto à coordenação pedagógica e/ou orientação educacional da escola. ( ) Por meio da leitura de textos sobre o tema.
( ) Nunca tive informações sobre o tema.
6. Você já detectou algum aluno com sintomas de dislexia, em sala de aula, no ensino médio?
( ) sim ( ) não
7. Você considera o aluno disléxico
( ) um aluno normal ( ) um aluno especial ( ) um aluno doente
8. Qual a maior dificuldade que você reconhece no aluno disléxico? ( ) leitura ( ) escrita ( ) leitura e escrita ( ) não percebe nenhuma dificuldade
9. Quando há a suspeita de um aluno ser portador de dislexia e é encaminhado para a realização do diagnóstico, você recebe sempre retorno do diagnóstico e do possível tratamento ao qual o aluno considerado disléxico deve ser submetido?
( ) sim ( ) não ( ) desconheço tal situação
10. Mesmo se você não obtiver retorno do diagnóstico e do tratamento dos alunos com dificuldade de aprendizagem encaminhados à orientação pedagógica, você continua encaminhando outros estudantes a esse setor?
11. A reação dos pais a respeito de uma suspeita de dislexia comunicada pela escola é ( ) tranqüila. ( ) apreensiva. ( ) agressiva. ( ) apática.
12. Você diferencia as práticas pedagógicas ao aluno portador de dislexia ou que apresente sintomas do distúrbio?
( ) sim ( ) não ( ) às vezes
13. A escola favorece as práticas pedagógicas direcionadas aos alunos disléxicos ou com sintomas de dislexia?
( ) sim ( ) não ( ) desconheço tal situação
10. Existem barreiras para implementação de práticas pedagógicas que favoreçam a aprendizagem de alunos disléxicos?
( ) sim ( ) não ( ) desconheço tal situação
11. Há distinção no modo e tempo de avaliação desses alunos? ( ) sim ( ) não ( ) às vezes
APÊNDICE B - Roteiro de entrevista destinado aos orientadores
pedagógicos
1. Os professores de Língua Portuguesa do ensino médio costumam encaminhar alunos com suspeita de dislexia a este setor?
2. Qual número de alunos com possível dislexia que é encaminhado para o setor de orientação educacional (SOE) a cada ano, no ensino médio?
3. Existem casos de adolescentes disléxicos no ensino médio, em que a dislexia não havia sido diagnosticada no ensino fundamental?
4. Como é realizado o processo de encaminhamento desses alunos e o diagnóstico? 5. Sua escola tem equipamentos e profissionais capacitados para fazer o diagnóstico? 6. Caso não, como é realizado?
7. Em quanto tempo o diagnóstico fica pronto? 8. Geralmente, o diagnóstico é efetivado?
9. Como costuma ser a reação dos pais a respeito de uma suspeita de dislexia, comunicada pela escola?
10. Qual a importância dos pais para a superação do distúrbio?
APÊNDICE C - Roteiro de entrevista destinado aos psicopedagogos,
fonoaudiólogos e neurologistas
1. Qual o número de alunos adolescentes do ensino médio, com possível dislexia, que é encaminhado a esta instituição anualmente?
2. Existem casos de adolescentes disléxicos no ensino médio, em que a dislexia não havia sido diagnosticada no ensino fundamental?
3. Como é realizado o processo de encaminhamento desses alunos e o diagnóstico? 4. Os estudantes da rede pública de ensino têm prioridade no atendimento?
5. Os pais precisam de encaminhamento da escola para marcar consulta nesta instituição?
6. Esta instituição tem equipamentos e profissionais capacitados para fazer o diagnóstico?
7. Descreva como o diagnóstico é realizado? 8. Em quanto tempo o diagnóstico fica pronto? 9. Geralmente, o diagnóstico é efetivado?
10. Como costuma ser a reação dos pais quando são informados que o filho é disléxico? 11. Qual a importância dos pais para a superação do distúrbio?