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3 NPA Mine Action in Mozambique review

3.1 Emergency phase – 1993-1995

O grupo dos discentes foi composto pela maioria compreendida na faixa etária de 11 a 14 anos, cerca de 59,0%, e 25,6% encontram se com 17 anos, conforme dados da tabela 21. Há um equilíbrio entre os sexos, sendo 56,7% do sexo feminino e 43,3% do sexo masculino. Este resultado remete à observação da influência social também nestas questões de participação da mulher em igualdade de número, uma vez que, para esta pesquisa, foram selecionado alunos-líder de turma, alunos que exercem liderança nas turmas e alunos que se envolveram em algum tipo de manifestação de violência, como vítima ou como vitimizador.

TABELA 21 - Distribuição dos alunos quanto à idade

Freqüência Porcentagem Porcentagem

10 anos 5 5,6 11 anos 15 16,7 12 anos 14 15,6 13 anos 14 15,6 14 anos 10 11,1 59,0 15 anos 5 5,6 16 anos 4 4,4 17 anos 23 25,6 25,6 Total 90 100,0

Fonte: pesquisa de campo

TABELA 22 - Distribuição dos alunos quanto ao sexo

Freqüência Porcentagem

Feminino 51 56,7

Masculino 39 43,3

Total 90 100,0 Fonte: pesquisa de campo

Quanto à cor da pele 66,7% dos alunos se declararam de pele morena, dados que se mostram proporcionais à totalidade de alunos atendidos pela escola, assim como dos moradores do bairro, 11,1% se declararam de pele negra e 22,2%, de pele branca.

TABELA 23 - Distribuição dos alunos quanto à cor da pele, declarada por eles mesmos

Freqüência Porcentagem Porcentagem

Branca 20 22,2

Morena 60 66,7

Negra 10 11,1 77,8

Total 90 100,0

Os dados da tabela 24 apontam para a maioria dos alunos da categoria analisada pertencerem à sétima série do ensino fundamental. Cerca de 45,6% da amostra estão cursando o sétimo ano do ensino fundamental, percentual que se reduz consideravelmente em relação ao oitavo ano do mesmo curso. Também se pode observar através dos dados apresentados na tabela 23 que os alunos têm elevada distorção idade-série. Estes dados orientam para a necessidade de um trabalho mais específico com esta clientela.

Tabela 24 Distribuição dos alunos quanto à série

Freqüência Porcentagem Quinta série 20 22,2 Sexta série 16 17,8 Sétima série 41 45,6 Oitava série 13 14,4 Total 90 100,0

Fonte: pesquisa de campo

TABELA 25 - Distribuição dos alunos em relação à idade e série em que estudam

Quinta série Sexta série Sétima série Oitava série Total

10 anos 5 5 11 anos 12 3 15 12 anos 3 9 2 14 13 anos 3 11 14 14 anos 2 8 10 15 anos 1 4 5 16 anos 1 2 1 4 17 anos 23 23 Total 20 16 41 13 90

Fonte: pesquisa de campo

A tabela 26 indica o clima de relacionamento entre os alunos da escola. Na opinião dos alunos o relacionamento entre eles é bom: 83,3% dos alunos confirmam esta proposição, porém na opinião de 16,7% dos alunos pesquisados existe problema de mau

relacionamento entre os alunos da escola. Os dados da tabela 26 confrontados, com a freqüência de manifestações de violências no ambiente escolar, tabela 18, observações associadas às declarações, contradizem essa afirmação, pois os dados confirmam a existência de vários conflitos entre os alunos apontando. A incoerência entre a qualificação do clima de relacionamento pelos alunos e a freqüência e gravidade dos fatos violentos sugere que o corpo discente, como a direção, buscam velar a realidade, para “salvar” as aparências.

“Os tipos de violência que acontece aqui na escola são os mais diversos possíveis. Há novidades todos os dias. Os alunos formam grupos pra bater nos colegas, sem motivo aparente, eles acabam descobrindo que bateram porque querem bater. Parece que eles vêem isto em filmes na televisão, talvez em reportagens mesmo, e acabam copiando.” (membro do grupo administrativo)

TABELA 26 - Distribuição dos alunos quanto ao relacionamento com os colegas

Freqüência Porcentagem

Bom 75 83,3

Regular 15 16,7

Total 90 100,0

Fonte: pesquisa de campo

TABELA 27 - Distribuição dos professores quanto a opinião que têm sobre se os alunos se sentem desmotivados em sala de aula.

Freqüência Porcentagem

Nunca 1 5,0

Poucas vezes 14 70,0

Muitas vezes 5 25,0

Total 20 100,0

TABELA 28 - Distribuição dos alunos quanto a freqüência em que ocorrem brigas entre eles, em sala de aula e na escola

Freqüência Porcentagem

Nunca 19 21,1

Poucas vezes 50 55,6

Muitas vezes 21 23,3

Total 90 100,0

Fonte: pesquisa de campo

Através da análise das tabelas 27 e 28, percebe-se que as aulas ministradas não têm despertado muito o interesse dos alunos, 78,9% dos alunos confirmam se sentirem desmotivados durante as aulas e 95% dos professores confirmam que os alunos têm demonstrado desinteresse para com as aulas. Nos relatos dos alunos durante a pesquisa, também se percebe alguns motivos que levam os alunos a se desinteressarem pelas aulas. Este desinteresse tem resultado em um comportamento indisciplinado na sala de aula, muito queixado pelos professores e alunos.

Segundo Vasconcelos (1994, p. 245), a indisciplina é considerada como uma manifestação de coeficientes de poder não adequadamente equacionados, os quais os alunos não conseguindo verbalizá-los manifestam de alguma forma como: querer sair da sala de aula, ficar conversando fora do assunto discutido em aula, não fazer as atividades propostas pelos professores, agredir o colega ou o professor durante a aula, etc..

“Os professores deviam ser mais específicos e os alunos terem mais interesse” (aluno)

“Nas atividades de História e de matemática. Na Matemática a professora tem que fazer a recuperação dos alunos que estão fracos e em História a professora tem que ser mais cautelosa nas explicações das matérias” (aluno)

Analisando os relatos dos alunos também se observa a deficiência no currículo das disciplinas associada à deficiência na capacitação dos professore que os atende. Fato que

aponta para a necessidade de que seja repensado o currículo atualmente desenvolvido pela escola e, que seja oferecido um programa de capacitação continuada para os professores, principalmente considerando a atual rotatividade destes na escola.

Esta pesquisa também confirma as afirmações de Abramovay (1998), sobre a ocorrência nas escolas brasileiras de violências associadas às violências externas. Observam- se, assim, fatores exógenos e endógenos, que interagem entre si, como confirmam Chrispino e Chrispino (2002). Confrontando a literatura existente discutida pelos autores, com os dados demonstrados desta pesquisa, concluiu-se que as manifestações de violências nas escolas são bastante comuns em qualquer parte do mundo.