4. Methodology
4.3 Petrophysical analysis
O presente estudo caracteriza-se como qualitativo, descritivo e exploratório. A pesquisa qualitativa apresenta, segundo Ludke e André (1986), as seguintes especificidades:
• Tem o ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. Na pesquisa qualitativa é de fundamental importância o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente ou situação investigada.
• O “significado” que as pessoas dão as coisas e a vida são focos de atenção especial do pesquisador. Há uma tentativa de captar a “perspectiva dos participantes”, ou seja, a maneira como informantes encaram as questões que estão sendo focalizadas.
• Os dados coletados são predominantemente descritivos. Descrições de pessoas, situações, acontecimentos, transcrições de entrevistas e depoimentos, fotografias, desenhos e extratos de vários tipos de documentos.
• A preocupação com o processo é muito maior do que com o produto. O interesse do pesquisador deve centrar-se em verificar
como se manifesta o problema estudado nas atividades, nos procedimentos e nas interações cotidianas.
• A análise de dados tende a seguir um processo indutivo. Não há preocupação em encontrar evidências que comprovam hipóteses definidas antes do início do estudo. È a partir da coleta de dados que se vai delimitando o foco de forma mais direta e específica (p. 11-13).
A abordagem qualitativa justifica-se, segundo Godoy (1995), quando o pesquisador busca o entendimento de um fenômeno social e sua complexidade, por meio de uma inserção no contexto do objeto de estudo onde se relacionam pessoas, fatos e interações sociais. Segundo Denzin e Lincom (apud TURATO, 2003), os pesquisadores qualitativistas “estudam as coisas em seu “setting” natural, tentando dar sentido ou interpretar fenômenos em termos das significações que as pessoas trazem para eles” (p. 41). Visa também mapear a dimensão real do fenômeno na perspectiva dos participantes sob os aspectos de importância e impacto do tema tratado, em relação ao estágio em que se encontram as informações disponíveis na busca de clarificar ou modificar conceitos já estabelecidos.
Lakatos e Marconi (1991) assinalam que, em estudos exploratórios, são empregados geralmente procedimentos sistemáticos, seja para a obtenção de observações empíricas, seja para a análise de dados (ou ambas). No presente trabalho, utilizaram-se entrevistas para a coleta de dados, por reconhecer a palavra como reveladora e símbolo de comunicação por excelência. Vários pesquisadores reconhecem a particularidade da comunicação verbal como forma privilegiada de interação, entre eles, Bakhtin (apud MINAYO, 1993, p.113) para quem “a palavra é o modo mais puro e sensível de relação social”.
Nesse sentido, a pesquisa teve como objetivo abordar o fenômeno da inclusão dos alunos superdotados a partir da investigação das percepções de inclusão educacional de alunos superdotados e seus professores, além dos desdobramentos destas percepções nas ações pedagógicas desenvolvidas em escolas regulares.
3.2 Participantes
A amostra foi constituída por 20 alunos superdotados que participam do Programa de Atendimento ao Aluno Superdotado da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal e seus 20 professores de ensino regular (N=40).
Os alunos entrevistados situaram-se na faixa etária de 8 a 10 anos e cursavam as 3a e 4a séries do Ensino Fundamental (4º e 5º anos). Desses alunos observou-se a existência de faixa etária antecipada em virtude dos casos de aceleração - antecipação da série em relação à idade cronológica esperada - comum na clientela pesquisada. Os 20 alunos participantes foram selecionados de forma aleatória, entre todos aqueles de 3ª e 4ª séries (4º e 5º anos) de uma Região Administrativa do Distrito Federal que freqüentavam o Programa de Atendimento ao Aluno Superdotado por período superior a um ano.
Entre os participantes 16 (80%) eram do sexo masculino e quatro (20%) do sexo feminino. Deste total, nove estudavam em escolas particulares e 11 em escolas da rede pública de ensino. Os participantes de escola particulares na coleta de dados estão identificados com as iniciais APr (alunos particulares) e os participantes da escola pública estão identificados com as iniciais APb ( alunos públicos). Em relação à escolaridade, seis (30 %) alunos cursavam a 3ª série / 4 º ano e 14 (70%) estavam matriculados na 4ª série / 5º ano. Seis (30%) deles mencionaram terem sido acelerados em séries iniciais. Como pode ser observado na Tabela 1, o tempo de permanência nas escolas onde estudavam por ocasião em que os dados foram coletados variou entre seis meses e seis anos.
O tempo de participação no Programa de Atendimento Pedagógico ao Aluno Superdotado situou-se entre um e seis anos (M = 3,3). Dois alunos (10%) informaram participar do programa há um ano; quatro (20%) há dois anos; sete (35%) há três anos; cinco (25%) há quatro anos; um (5%) há cinco anos e um (5%) há seis anos.
A Tabela 1 apresenta a síntese dos dados dos alunos entrevistados com referência a gênero, idade, escolaridade, escolarização, tempo na escola atual e tempo de participação no Programa de Atendimento ao Aluno Superdotado.
Tabela 1. Síntese dos dados dos alunos entrevistados VARIÁVEL f % Gênero Masculino 16 80 Feminino 4 20 Idade 8 anos 5 25 9 anos 7 35 10 anos 8 40
Escolaridade 3ª série / 4º ano 6 30 4ª série/ 5º ano 14 70 Escolarização Normal 14 70 Acelerado em alguma série 6 30 Tempo na escola atual 6 meses a 1 ano 3 15 2 anos a 3 anos 10 50 4 anos a 6 anos 7 35 Tempo de participação no Programa
de Atendimento 1 ano 2 10 2 anos 4 20 3 anos 7 35 4 anos 5 25 5 anos 1 5 6 anos 1 5 Fonte: A autora
Participaram também do estudo 20 professores de salas aula regular freqüentadas pelos alunos com altas habilidades que constituíram a amostra. Dentre eles, três (15%) eram do sexo masculino, sendo dois de escolas particulares e um de escola pública, enquanto que 17 (85%) eram do sexo feminino, sendo oito de escolas particulares e 12 de escolas públicas. Os participantes da escola particulares na coleta de dados estão identificados com as iniciais PPr. (professores de escolas particulares) e os participantes da escola pública estarão identificados com as iniciais PPb. (professores de escolas públicas).
Como pode ser observado na Tabela 2 a idade dos professores pesquisados situou-se entre 20 e 58 anos. Em relação à formação dos professores, observou-se que um (5%) dos entrevistados cursava o Mestrado na área da Educação, seis (30%) afirmaram ter Especialização completa, sendo três em Psicopedagogia (17%), um em Letras (5%), dois em Matemática (10%) e dois com Especialização incompleta em História. Onze (55%) professores informaram ter Graduação completa em sua formação acadêmica.
Dos professores entrevistados, cinco lecionavam na 3ª série / 4º ano (25%) e 15 na 4ª série / 5º ano (75%). A carga horária dos professores variava entre 24 e 55 horas por semana. Quanto à distribuição da carga horária, dez professores trabalhavam 40 horas semanais, sendo estas distribuídas entre regência (24h) e em atividades de coordenação pedagógica (16 horas). Seis professores de escolas particulares trabalhavam 24 horas semanais em regência de classe, dois com 36 horas semanais de regência e quatro horas semanais em coordenação pedagógica e dois professores com carga horária de 55 horas semanais de regência, distribuídas em três turnos.
O tempo de atuação dos professores pesquisados nas escolas variou de um mês a quinze anos, com tempo médio evidenciado de 6,7 anos. Doze (60%) professores tinham entre um mês e cinco anos de magistério na escola; cinco professores (25%) informaram que atuavam entre seis e dez anos; três professores (15%) entre onze e quinze anos de exercício efetivo na mesma escola.
Três professores (15%) informaram ter indicado, em algum momento de sua prática pedagógica, alunos ao Programa de Atendimento ao Aluno Superdotado da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal, enquanto que 17 (85%) revelaram que não ter indicado alunos para a participação do Programa.
Entre os 20 professores, 14 (70%) revelaram que não haviam participado de formação e cursos na área da superdotação, enquanto que os demais informaram ter participado de cursos de curta duração ou assistido a palestras sobre a temática da superdotação/altas habilidades.
A Tabela 2 apresenta a síntese dos dados dos professores entrevistados com referência a gênero, idade, formação, regência, tempo de magistério, tempo de atuação na escola, indicação de alunos ao Programa de Atendimento e participação em cursos na área da superdotação.
Tabela 2: Síntese dos dados dos professores entrevistados VARIÁVEL f % Gênero Masculino 3 15 Feminino 17 85 Idade 20 a 30 anos 4 20 31 a 40 anos 10 50 41 a 50 anos 5 25 51 a 60 anos 1 5 Formação Mestrado Incompleto 1 5
Especialização 6 30
Especialização
Incompleta 2 10
Graduação 11 55
Regência 3ª série/ 4º ano 5 25 4ª série/5º ano 15 75 Tempo de magistério 1 a 5 anos 1 5
6 a 10 anos 7 35 11 a 15 anos 5 25 16 a 20 anos 2 10 21 a 25 anos 2 10 25 a 30 anos 3 15 Tempo de atuação na escola 1 mês a 5 anos 12 60 6 a 10 anos 5 25 11 a 15 anos 3 15 Indicação de alunos para programas de
superdotados Sim 3 15
Não 17 85
Participação em cursos na área da
superdotação Sim 6 30
Não 14 70
Fonte: A autora
3.3 Instrumentos
Utilizou-se a entrevista semi-estruturada como instrumento para a coleta de dados. O roteiro utilizado dividia-se em duas seções. A seção I objetivou levantar informações dos participantes, em relação aos dados pessoais e profissionais, enquanto que a seção II objetivou mapear as concepções dos participantes em relação à inclusão educacional de alunos superdotados, as ações pedagógicas dos professores de classe comum em relação aos alunos superdotados, bem como os fatores facilitadores e inibidores à inclusão educacional de alunos
com altas habilidades/superdotação, na perspectiva de professores e alunos participantes da pesquisa (APÊNDICES A,B,C,D).