• No results found

2. Geological settings

2.3 Structural geology of the Barents Sea

2.3.1 The Bjarmeland Platform

EMOTICON é uma das formas comunicacionais mais utilizadas pelo público juvenil da atualidade, indivíduos que mostram maior facilidade para lidar com as tecnologias e, especial, aquelas relacionadas à internet. São jovens da chamada geração digital, ‘geração internet’, ou ‘geração Y’9

(TAPSCOTT, 2010).

Podemos encontrar diversos estudos que se dedicaram a compreender o uso das imagens como estratégia para comunicar uma ideia, sentimento ou emoção. No meio digital tivemos a popularização do uso dos emoticons. Os emoticons “[...] surgiram por volta de 1980 para expressar os sentimentos daquele que escreve: alegria, raiva, dúvida, etc. Há páginas na internet com verdadeiros glossários desses símbolos, indicando que essa terminologia está em franca evolução”. (FREIRE, 2003, p. 27)

Contrariando o que a maioria das pessoas pensa, o emoticon não é uma criação da era digital, seu antecedente histórico, embora sem a dada nomenclatura, vem de longas datas, ou seja, antecede à criação das tecnologias da própria ciência da computação. A história da comunicação nos mostra, por exemplo, que o uso do número 73 no final de mensagem transcrita, em código Morse10 é a forma abreviada de ‘best regards’ que traduzido para o

português do Brasil denota o significado de ‘abraço’ ou ‘cordialmente’

Vale ressaltar que diferentemente dos ‘emoticons’ e palavras abreviadas da atualidade, a comunicação por meio do Código de Morse configura-se por representação de letras, números e sinais de pontuação através de um sinal codificado enviado intermitentemente. Assim, uma mensagem codificada em Morse pode ser transmitida em pulsos (ou tons) pulsos elétricos, ondas

9 A geração Y é considerada a geração que surgiu na era da informática. É denominada Y devido ao uso

do fone que, quando colocado na orelha, fica em forma de Y.

10 Código morse é um sistema de comunicação representado por letras, números e sinais de pontuação.

Foi desenvolvido por Samuel Morse em 1835, criador do telégrafo elétrico. Devido ao desenvolvimento de tecnologias de informação e comunicação mais avançadas. O uso do referido código está meio obsoleto, porém ainda é empregado em algumas finalidades específicas, incluindo rádio faróis. (CERQUEIRA 2012)

mecânicas; sinais visuais (luzes acendendo e apagando) e ondas eletromagnéticas (sinais de rádio).

Neste contexto, ressaltam-se grandes diferenças no processo da escrita e compreensão, por meio das codificações do Código de Morse e os emoticons das atuais redes sociais, por exemplo. O objetivo, aqui, não é voltado à comparação desses códigos, mas reconhecer a evolução da linguagem.

Assim, observa-se que esta evolução acontece por meio de códigos e abreviações, visto que a ideia de redução de palavras para dinamizar a troca de informações e, conseguintemente, promover a comunicação, não é algo peculiar da era digital, diferentemente de ‘emoticon’, que é uma expressão própria desta geração. Mas o que vem a ser um emoticon?

Emoticon é uma expressão pouco falada, mas muito utilizada principalmente entre os jovens da era digital. É uma palavra que tem sua composição a partir da junção do termo emotion que significa emoção em inglês adicionado ao termo icon que significa ícone, também em inglês. Há algumas formas para se empregar um emoticon, uma delas é memorizar alguns caracteres tipográficos que quando digitalizados configuram uma imagem que corresponde a um estado psicológico e/ou emotivo. Outra forma bem mais prática de empregar emoticon é por meio de ícones ilustrativos que são símbolos ou imagens representativas. Exemplos:

(feliz, alegre);

(triste, infeliz);

(cansado, exausto);

(dúvida, não sabe o que fazer);

(medo, assustado);

(tímido, envergonhado);

(lol, muitas risadas, kkkk);

(indignado).

Neste contexto e, observados os emoticons fica latente a expressividade da internet como algo tremendamente inovador no que concerne, especialmente, à forma de comunicação por meio da escrita. Porém, não por meio de uma escrita qualquer, mas sim de uma escrita criativa que se desvela numa revolução linguística, isso por que os símbolos e imagens em geral configuram representatividades de ideias abstratas.

Na linguagem grafada no ciberespaço, especialmente pelo público juvenil, observa-se que os caracteres, as palavras e sentenças completas, muitas vezes, são substituídos por símbolos e imagens representativos de ideias abstratas, ao mesmo tempo em que tomam forma de uma ‘escrita interpretativa’.

E, neste contexto, há percepção explícita que os jovens, verdadeiramente, se entendem por meio desta forma de comunicação escrita, tecida e revestida de novas modalidades linguísticas e, comum aos que utilizam a internet, fato contrário ao pensamento de McLuhan (2002, p. 97) quando diz: “[...] escrever tende a ser uma espécie de ação separada e especializada, sem muita oportunidade e apelo para a reação”. Será?

Pesquisa, no ciberespaço, mostra que as imagens, como os emoticons, por exemplo, são bem apelativas e causam reações. Vejamos a figura que segue.

Figura 3. Emoticons: características da linguagem verbal

Fonte: www.google.imagens.com.br. Acesso em: 20 nov.2011. Uma vez utilizadas as emoticons, dentro de um dado contexto, elas passam a ser interpretadas assumindo características da linguagem verbal (expressões faciais, estado emocional etc.). Assim, depreende-se que a afirmação de McLuhan destoa da realidade juvenil na atualidade.

Na Internet, a linguagem tem adquirido pressupostos próprios que, naturalmente, estão caminhando para um novo modelo de comunicação. Os termos dessa área estão sendo explorados, transferidos para o contexto social e divulgados na Rede como uma linguagem global. É uma linguagem que tem modificado, não apenas nossa inter-relação com o mundo, como também nossa percepção da realidade e nossa interação com o espaço/tempo vivido. Contudo, esse devir da linguagem deve ser visto como uma possibilidade de desenvolvimento técnico- científico-cultural, colocado à disposição do usuário da língua para que assim possa ampliar sua competência comunicativa, reconhecendo os lugares da interlocução como espaços de construção de sujeitos verdadeiramente situados[...]. (SANTOS, 2010, p. 16).

Bechara (2003) se reporta a esse usuário da língua denominando-o de “Poliglota da sua própria língua” (p. 14), pois segundo o autor esse sujeito é capaz de decodificar tanto a sua modalidade linguística quanto às outras com as quais ele possa vir a ter contato.

ABREVIATURA é outro atributo ou novas modalidades da escrita, bem presentes nesse novo contexto social, são as abreviações, redução vocabular ou palavras curtas que no ciberespaço, especialmente nas redes sociais interativas, quase sempre aparecem fugindo às regras preconizadas na Norma Culta da Gramática Brasileira.

As gramáticas, em geral, apoucam estudos mais detalhados acerca das abreviações, embora possamos observar com frequência, e isso não é de hoje, o uso das mesmas no cotidiano da escrita, especialmente pelo público juvenil. No entanto, há de se destacar a necessidade de se abreviar certas palavras, sem que se prejudique o ato comunicativo.

Essa prática oportuniza uma comunicação mais rápida na qual se emprega uma parte da palavra para significar um todo. E, segundo Ribeiro (2006) abreviação é parte do vocábulo escrito que indica ou resume uma palavra toda ou ainda, são letras ou sinais que representam uma ou mais palavras.

A abreviatura da palavra também é conhecida como forma reduzida do vocábulo e compreende na redução do vocábulo até um limite, desde que não haja prejuízo ao entendimento, a exemplo disso, dentre muitas outras se apresentam: Moto (abreviação para a palavra motocicleta); fone (abreviação para a palavra telefone); pneu (abreviação para a palavra pneumática).

Podemos também dizer que abreviação é a representação de uma palavra por meio de suas sílabas (geralmente iniciais) ou de letras. Vejamos algumas regras tomando com referência Ribeiro (2006) que em síntese afirma que para se abreviar uma palavra escreve-se a primeira sílaba e a primeira letra da sílaba seguinte, seguidas de ponto final. O autor observa que quando a palavra tem acento gráfico na primeira sílaba, ele deverá ser mantido. Se a segunda sílaba se iniciar por duas consoantes, elas serão mantidas na abreviatura.

Vejamos algumas especificidades acerca de palavras abreviadas no quadro 3, o qual foi elaborado, principalmente, a partir das regras gramaticais, tomando como principal referência Ribeiro (2006):

Quadro 3. Palavras abreviadas que obedecem às regras gramaticais.

PALAVRA ORIGINAL PALAVRA ABREVIADA

Gramática Gram. Numeral Num. Alemão Al. Gênero Gên. Crédito Créd. Construção Constr. Pessoa Pess.

Além dessas regras básicas há ainda, os casos que não obedecem nenhuma regra em particular, são os casos das ‘criações’ de palavras abreviadas que são usadas como ‘saídas estratégicas’ para que haja uma comunicação escrita mais rápida. Fato este, muito observado na atualidade, devido à globalização que atrelada ao avanço tecnológico e o uso da internet faz com que as informações cheguem muito mais rápidas, em grandes números e em curtíssimo espaço de tempo.

Dentro do universo juvenil e, em particular no ciberespaço das redes sociais interativas, são observadas variadas formas de palavras abreviadas, as quais não obedecem às regras gramaticais. Para melhor visualização quanto às formas destas palavras, esta pesquisa optou pela criação de um quadro ilustrativo com as palavras abreviadas mais utilizadas, de acordo com visitas às redes sociais no ciberespaço e adaptação metodológica para coleta e análise de dados no ambiente virtual.

O quadro 4 também foi criado a partir do ‘Questionário de identificação de linguagem na Web’ um questionário com linguagens imagéticas, aplicado aos sujeitos da pesquisa, que possibilitou cumprir um dos objetivos desta pesquisa que é o de averiguar como se configura a linguagem escrita dos jovens universitários.

Quadro 4. Palavras abreviadas que não obedecem às regras gramaticais.

PALAVRA ABREVIADA PALAVRA ORIGINAL - EXPRESSÃO

Msg Mensagem

Flw Falou

Fnds Final de semana (expressão

completa) Ñ Não (ilustrativo) Naum Não Dpois Depois Enqto Enquanto Fmz Firmeza Hs Horas Jg Jogo Jgr Jogar

Ksa Casa (uso da letra K para

indicar o fonema da sílaba Ca)

Net Internet

Q Que

Tc Teclar

Tdb Tudo bem

Sabe-se que essa forma de abreviar as palavras na atualidade não contempla a norma culta, mas notadamente, tem adesão por grande parte do público que utiliza a internet no ciberespaço e/ou utiliza outras tecnologias como as dos aparelhos de celulares. Como exemplos têm-se: mensagem via torpedo, conversa em redes sociais interativas, o bate-papo virtual, chat, dentre outras.

Ainda encontram-se outras formas de comunicação no ambiente virtual: os sons, as onomatopeias e as chamadas ‘caracteretas’ (caracteres + caretas) que são símbolos construídos a partir dos caracteres ASCII11 do teclado, com a

finalidade de representar graficamente emoções. Segundo Karasinski (2009) ASCII é um código proposto por Robert W. Bemer e teve como objetivo padronizar os códigos para caracteres alfanuméricos (letras, sinais, números e

11 ASCII (sigla para “American Standard Code for Information Interchange” (Código Padrão Norte-

acentos) para que computadores de diferentes fabricantes promovessem a mesma interpretação. Esse sistema foi desenvolvido a partir de 1960 e, grande parte das codificações modernas nos meios digital e eletrônico herdaram o código ASCII como base. Sobre isso temos, dentre outros:

= sorriso. Essa imagem construída com caracteres configura um sorriso e tem por objetivo passar mensagem de estado de felicidade. O sujeito comunica que está feliz.

= tristeza. Essa imagem construída com caracteres tem por objetivo passar mensagem de estado de felicidade. A imagem simboliza estado de tristeza.

= tristeza. Esta imagem construída com caracteres tem por objetivo passar mensagem de estado de infelicidade. A imagem simboliza estado de tristeza ou ainda, que tal pessoa está chorando.

= confuso ou careta. Essa imagem construída com caracteres tem por objetivo passar mensagem de estado de confusão mental ou psicológica. A imagem simboliza estado de confusão.

= Essa imagem construída com caracteres tem por objetivo passar mensagem de estado de confusão mental ou psicológica. A imagem simboliza estado de confusão ou ainda, que tal pessoa ou situação é careta.

A simbologia que se desenvolveu com o uso da linguagem no meio eletrônico permitiu configurar uma nova forma de relação entre os sujeitos da comunicação no ciberespaço. Não é mais necessária uma resposta tradicional a uma mensagem, um simples clique em um ícone ou a adição de uma caractereta, um emoticon, ou a repetição de uma letra, já forma o enlace comunicativo e se estabelece a interação entre os sujeitos.

Observa-se que também neste contexto o processo comunicacional permanece inalterado, pois segundo Koch e Travaglia, (1989) este processo

ocorre quando o emissor emite uma mensagem ao receptor e para isso utiliza um canal pelo qual a mensagem chega ao receptor que a interpreta e, a partir de então, dá o feedback ou resposta.

Sem dúvida, a internet mediada pelos recursos tecnológicos presentes no ciberespaço abri diferentes canais comunicativos que permitem um novo conjunto de possibilidades em que a comunicação e a interação entre os interlocutores fluem naturalmente, ou seja, de forma espontânea. Nesse ambiente, os indivíduos podem ser autores e coautores de discursos por meio das diferentes formas de linguagens que oportunizam a captação, transmissão e distribuição das informações, ideias etc.

Essas novas formas de linguagens, como as emoticons e as caracteretas constituem unidades de sentido e têm função comunicativa reconhecível e reconhecida no ambiente virtual, visto que as respectivas leituras, a partir deste tipo de escrita, promovem imersões e trocas discursivas, especialmente entre os jovens. Porém, como em todo processo de evolução, há um rompimento com o padrão anteriormente estabelecido e, a nova geração, nascida sob a égide desse momento tecnológico se insere nesse meio, absorvendo estas diferentes formas de linguagens comunicacionais.

Para o público juvenil essas diferentes formas de linguagens, as apresentadas no ciberespaço, são absorvidas como a própria língua materna, ou seja, como aquela que se domina melhor, como a língua que se estabelece independente de fatores linguísticos, gramaticais. Isso significa dizer que essas diferentes linguagens são adquiridas de forma espontânea, por meio da interação entre os indivíduos e com o meio envolvente.

Assim, como é observado na absorção da língua materna, as novas linguagens com suas diferentes formas de escrita apresentadas na web se estabelecem no universo juvenil sem intervenções pedagógicas e/ou linguísticas conscientes. Enquanto que a geração anterior se relaciona com essas linguagens como se estivesse realizando a aquisição de uma nova língua ou forma de comunicação.

CAPÍTULO III