2 Teori
2.3 Innlevelse
2.3.4 Innflytelse
O projeto do Caninho do Céu inicia sua trajetória em 1995, a parir da ação civil pública que colocava a Prefeitura e o Estado de São Paulo, através da SABESP, como réus do processo, sendo que a ordem do judiciário era a remoção de cerca de dez mil famílias (BOLDARINI17, 2015). Como já comentado, a Secretaria de Habitação de São Paulo inicia uma negociação com o Ministério Público, e juntos elaboram as diretrizes como alternaivas para a intervenção do Complexo, visando a recuperação ambiental e urbana através da realização de um projeto de urbanização integrada. (SÃO PAULO, 2012).
Com as diretrizes deinidas, o Consórcio JNS-Hagaplan, através do processo de licitação, passa a desenvolver o estudo e diagnósico ísico, territorial e ambiental do local, bem como as propostas preliminares de projetos e obras e o projeto básico de adequação urbanísica, habitacional e ambiental da área. (JNS-HAGAPLAN, 2008).
O desenvolvimento do projeto básico pretendia minimizar o número de remoções, fazer uma revegetação da área, melhorar a infraestrutura através da implantação de redes de água, esgoto, drenagem e coleta de lixo, incenivar o esporte, lazer e o turismo do local por meio de um parque, bem como facilitar o acesso à região com o alargamento e pavimentação de vias. Ademais, pretendia 17 Informações fornecidas pelo arquiteto e urbanista
Marcos Boldarini, autor do projeto Caninho do Céu, por meio de entrevista realizada em 10 de setembro de 2015.
e hortas comunitárias. (JNS-HAGAPLAN, 2008).
Para Mota (2013), devido à necessidade de remoções na área, é indispensável realizar um projeto social integrado ao projeto básico e ao planejamento das obras. Este trabalho, no Caninho do Céu, foi gerenciado pela Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimentos - COBRAPE.
Conforme explica Madureira (2012), assistente social da SEHAB há mais de 35 anos, nessa etapa do processo uma equipe de assistentes sociais necessita ideniicar as lideranças da comunidade, de forma a organizar as reuniões, apresentar e discuir o projeto com os moradores, bem como acompanhar o cronograma de obras a im de cuidar das famílias que serão afetadas na remoção. “(...) cabe à equipe social garanir a paricipação da comunidade afetada em todas as etapas do trabalho de urbanização do bairro”. (MADUREIRA, 2012, p. 128).
Para a assistente social, as boas lideranças são essenciais para o êxito da urbanização. Geralmente são necessárias entre dez e quinze reuniões com a comunidade, para que todas as dúvidas sejam sanadas. Outro objeivo das reuniões é caivar a população e ideniicar os problemas que não foram percebidos pelos técnicos. (Ibidem, 2012).
A equipe técnica também deve ser apresentada à comunidade, pois irá trabalhar na área e para tanto precisa criar certa ainidade com os moradores. A parir desse processo é possível realizar o cadastro de todas as famílias, assim como fazer a pesquisa socioeconômica e obter informações gerais sobre a ausência dos serviços básicos de infraestrutura e as necessidades dos equipamentos urbanos na região. (Ibidem, 2012).
A parir do projeto básico a SEHAB abriu uma concorrência pública para a contratação das obras. A empresa vencedora foi o Consórcio Schahin Engenharia e Carioca Chrisian Nielsen Engenharia. Nesse momento, o escritório Boldarini Arquitetura e Urbanismo foi convidado pela empresa ganhadora a executar o detalhamento execuivo do projeto parque. (MOTA, 2013).
Na entrevista realizada em 10 de setembro, Boldarini (2015) explica que entrou na fase de detalhamento do projeto básico, em que já exisia uma série de concepções deinidas, mas que o escritório contribuiu sugerindo algumas mudanças, como um trabalho especíico nas secções das
vias, em que foi proposto o emprego de outros ipos de materiais e sistemas de drenagem. Sugeriu também as modiicações na coniguração do espaço público, em que a equipe técnica trabalhou junto à frente de obras e a equipe do social na revisão e reinamento do projeto.
Conforme explana o urbanista, a revisão do projeto aconteceu antes da promulgação da Lei especíica da Billings. Assim, após receber o convite para a execução do projeto execuivo, o escritório optou por elaborar uma abordagem técnica de reconhecimento da área, trabalhando com cartograias, visitas e tudo o que era possível para compreender se as soluções deinidas no projeto básico deveriam ser manidas ou revisadas. Todas as considerações e modiicações eram passadas para a aprovação da prefeitura. (BOLDARINI, 2015).
O projeto se deu um pouco nessa construção, um detalhamento, uma compreensão técnica que não observava critérios normaivos de legislação, então, não removia os 50 metros da orla da represa e das nascentes. Um trabalho técnico que lidava com a condição de resiliência, onde eu consigo qualiicar e restaurar uma condição mais adequada para aquele padrão de ocupação, buscando, sempre, um número que consituísse alguma equivalência daquilo que se pretendia com as áreas permeáveis. Assim, temos no Caninho do Céu faixas de 10 ou 15 metros de remoção
e faixas que extrapolam os 50 metros da borda da represa. (BOLDARINI18, 2015).
Os técnicos, a parir das análises das condições de relevo, linhas d’água, remanescentes de vegetação, caracterísicas sociais, ísicas e ambientais do lugar, sistemaizam as informações e adicionam os dados alusivos as outras disciplinas:
O trabalho é feito sobre a intermediação e diálogo com os demais técnicos, acho importante frisar isso, porque não dá para ser um trabalho separado. A drenagem te informa necessidades, o esgoto coloca demandas, o sistema viário, tem geometria e suas limitações, o que pode fazer com que uma rua se deina como viela ou escada. Uma série de questões que estão colocadas, e uma ordem de prioridade que você deve eleger, sempre, compreendendo uma visão de transformação do bairro para uma condição mais adequada. Acho que essa é a grande contribuição que a gente pode dar. (BOLDARINI, 2015).
Conforme Boldarini (2015) explana, o maior desaio do projeto foi intervir em uma área ambientalmente frágil de grande densidade ocupacional, que apresenta um extenso território e que possui acesso direto ao reservatório de água que abastece mais de dois milhões de pessoas.
18 Informações fornecidas pelo arquiteto e urbanista
Marcos Boldarini, autor do projeto Caninho do Céu, por meio de entrevista realizada em 10 de setembro de 2015.
Devido à diiculdade de leitura do terreno por causa da densidade ocupacional, o escritório adotou como método de trabalho a elaboração de um planejamento de acordo com as informações possíveis referentes ao terreno, hidrologia, vegetação e as possíveis ediicações remanescentes. Conforme o andamento das obras, as desapropriações e remoções aconteciam, o terreno era estudado novamente e muitas vezes eram necessárias adaptações no projeto preliminar para o desenvolvimento do projeto execuivo, que era elaborado simultaneamente às obras. (BOLDARINI, 2015).