• No results found

3 Metode

3.1 Heuristisk evaluering

3.1.1 Om metoden

2015 – contemporâneo). Fonte: SMDU – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, (s/d). Mapa digital da cidade – MDC.

URBANISMO ESPETÁCULO 129

3.2 SINTAXE DA REPRESENTAÇÃO DA VILA MADALENA PELA RUA

ASPICUELTA

Sob a plêiade dos critérios classificatórios que elegeram a Rua Aspicuelta, o dado curioso que perpassa este último campo de análise, refere-se ao “espalhamento humano” que acontece com intensidadeao longo de sua extensão, de aproximadamente 750 metros. O mesmo processo acontece nas demais ruas da Vila Madalena, portanto, não se trata de um movimento isolado ou uma particularidade da rua, mas há uma resignificância do local de passagem, a rua, transformando-se em um ambiente de estar.

3.2.1 O setor habitacional da Rua Aspicuelta

Para além das evidentes qualidades formais que, tanto o bairro quanto a rua apresentam, a parcialidade apreciativa icônica, presente neste contexto, traduz uma inevitável deferência de uma linguagem do setor residencial [Figuras 26 a 29]. Assim sendo, o que se percebe na Rua Aspicuelta, tendo como plano de fundo outros pontos da Vila Madalena, é de que foram atribuídos novos usos às residências, transformando e adaptando-as em estabelecimentos de entretenimento, e na rua há uma forte resistência à verticalização, perceptível em alguns pontos de fundo252..

Figura 26 – Bares da Rua Aspicuelta, entre as

ruas Fradique Coutinho e Fidalga. Fonte: Banco de dados do Autor (2015).

Figura 27 – Loja de aluguel de roupas na Rua

Aspicuelta, entre as ruas Fidalga e Girassol

Fonte: Banco de dados do Autor (2015).

252

Em face do processo ainda em desenvolvimento de adaptação do uso do edificado frente ao originalmente proposto, nos permitiu que a mediação do enredo fosse estabelecida na alternância do presente para o passado, pois ainda estão intimamente ligadas sem transformações abruptas na paisagem. Nota do autor.

URBANISMO ESPETÁCULO 130

Figura 28 – Pizzaria, Casa De Chá e Brechó na

Rua Aspicuelta entre as ruas Girassol e Harmonia. Fonte: Banco de dados do Autor (2015).

Figura 29 – Edifício multifamiliar com térreo

comercial na esquina das ruas: Aspicuelta e Harmonia. Fonte: Banco de dados do Autor (2015).

Para fins de uma tipificação que seja mais fiel possível, as imagens revelam as vicissitudes que corroboram neste pensamento [Figuras 30 a 33]. Desse modo, a documentação reproduz o contexto contemporâneo em que se insere, e com isso, possibilita emergir as considerações a seguir.

Figura 30 – Contraste entre o moderno e o

antigo Rua Aspicuelta, próximo a Rua Harmonia. Fonte: Banco de dados do Autor (2015).

Figura 31 – Edificações contemporâneas na

Rua Aspicuelta, entre as ruas Girassol e Harmonia. Fonte: Banco de dados do Autor (2015).

Figura 32 – Cruzamento entre as ruas

Aspicuelta e Fradique Coutinho. Fonte: Banco de dados do Autor (2015).

Figura 33 - Rua Aspicuelta, entre as ruas

Girassol e Harmonia. Fonte: Banco de dados do Autor (2015).

URBANISMO ESPETÁCULO 131 Essa ênfase na tipificação icônica de uma paisagem residencial na verdade não surpreende, se contemplada à luz do debate das Ruas de Eventos dos períodos anteriores, pois é justamente isso que a torna apreciativa e convidativa ao estar social. E eis que retorna a vinculação entre o que se espera do contemporâneo, em ser moderno, arrojado e vertical, contra a realidade presente: rústica, pitoresca, horizontal e acolhedora.

Sobre os aspectos de predileção do lugar, as imagens aludem a um modo perceptivo amparado pela topofilia, capaz de evocar certos tipos de emoções, haja vista que “os elementos verticais na paisagem evocam o sentido de esforço, um desafio de gravidade, enquanto os elementos horizontais lembram aceitação e descanso”253.

Com efeito, a contextualização deixa intuir, se contemplada pela análise de nossas Ruas de Eventos, que o advento da verticalização é um elemento contrário e, portanto, não aderente à espacialidade do lazer. Elucidativo aqui é justamente o transcurso histórico das vivências sobre os vínculos entre rua, edifício e horizontalidade do ambiente criado.

Percebe-se assim uma abordagem que se reconhece a importância dos elementos horizontais na busca interpretativa do desenvolvimento urbano que se insere, sobretudo, pelo setor de entretenimento, capaz de catalisar um grande público e, assim, despertar o desejo de residir nas proximidades deste ambiente que

lhe é aprazível [Figura 34 e 35]. Figura 34 - Anúncio de venda. Fonte: FOLHA DE S. PAULO, 23 JAN.1994. Imóveis.p.01

253

Cf. TUAN 1974, p.51. Sobre o contexto em que se insere, o autor toma por base a cidade de Nova York, o que, provavelmente, permite a indagação se tal conceito recai ou até mesmo se é aplicável em outros povos de diferentes culturas, como a metrópole paulistana. Após refletirmos sobre o que é a verticalização para São Paulo, Nova York, Tóquio, Barcelona e o que é para Índia, Roma e Moçambique, acreditamos que sim a realidade da metropole paulista engolfada na cultura da congestão cosmopolita, acreditamos que pode ser aplicado o pensamento na região do centro. Nota do autor.

URBANISMO ESPETÁCULO 132 A argumentação favorece, deste

modo, a valoração do lugar engolfado por um crescente conflito de interesses, entre o econômico e o emocional. Em face dessa díade, observamos a cidade como uma mercadoria, legitimado pela ação social expresso também pelos anúncios: “desculpe Jardins, desculpe Itaim, minha família vai morar na Vila Madalena” em pouco mais de um mês,

Figura 35 - Totalmente Vendido. Fonte:

FOLHA DE S. PAULO, 27 FEV.1994. Imóveis,

p.10.

a publicação se repete, só que desta vez, tarjado com o descritivo: “totalmente vendido”. Marcado por esses atributos, no contexto em que se insere a espetacularização, tem-se a maneira mais contundente de elucidar o desejo por morar em uma zona de lazer. Nesse sentido, fala-se do poderio econômico subsidiando uma carga emocional de um novo pertencimento, que, ao mesmo tempo, se torna excludente aos antigos residentes.

Em meio a tais movimentos, residencial e comercial, surge um elemento de ambiguidade na constância perceptiva, que se alterna entre a apreciação e o incômodo, este último se superpõe ao anterior devido ao vigor das práticas de lazer. Assim, há como discernir nesse processo à negação do lugar que, em paralelo a ação do capital, fornece a abertura para a “especulação imobiliária”.

Com base nestas ponderações, o lugar torna-se convidativo ao ato do passeio, mas não ao de residir, contudo estas questões sobre os incômodos, como ruídos, serão mais bem exemplificadas no tópico: “3.2.2 A Rua Aspicuelta enquanto polo do espetáculo”. Escapando às abstrações racionalmente elaboradas por quem está de visita, a sensação é de encantamento, mas para aqueles que ali vivem o sentimento engendra aceitação e participação, ou então, faz-se cumprir o ditado que diz: “os incomodados que se mudem [!]”.

Pelo que sugere o sentido do dito popular, “mudar ou consentir”, isso sempre caracterizou a história do lugar. Se pensarmos na expedição do padre jesuíta João de Aspicuelta Navarro e companhia, que para a região de Pinheiros confluíam na missão catequizadora da tribo indígena que ali existia, só restavam aos nativos e seus hábitos estas duas opções. Semelhante situação viveram os universitários e os

URBANISMO ESPETÁCULO 133 hippies, em tempos recentes, foram os principais responsáveis pela popularização do lugar, no processo histórico contemporâneo, contudo, tornaram-se excludentes pelo público de mais alta renda que começou a frequentar o lugar, houve a elevação dos preços e, consequentemente, não conseguiram custear esta marca do entretenimento. Atualmente, o processo de seleção dada à especulação imobiliária, ainda apresenta certa resistência, mas gradativamente está excluindo a população de menor renda, tornando o lugar mais elitizado e homogêneo.

Debruçar-se sobre o rol de conceituações acerca da Rua Aspicuelta e da própria Vila Madalena, que emerge em face desse contexto, é necessário retomar as transformações históricas para pleno entendimento da situação contemporânea.

Os loteamentos começaram a ocorrer na década de 1910, pelo português Gonçalo, proprietário das terras, que obteve a aprovação por parte da prefeitura, para a divisão dos lotes, com intuito de comercialização dos terrenos. A divisão era feita a divisão das quadras, em porções homogêneas de 106 por 212 metros, replicante as demais ruas254 [Mapa 05 | Figuras 36 e 37]. Assim sendo, a Rua Aspicuelta em sua fase inicial teve apenas duas edificações em cada quadra, situação que aparentemente não durou muito evidenciada pelos diversos pontos presentes no mapa que indicam as edificações que faziam frente às ruas no levantamento feito pela empresa SARA Brasil em 1930.