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4 Knights of the Old Republic

4.2 Interaksjonsformer i spillet

4.2.2 Direkte navigasjon

Entre as ruas com maior número de edificações, no início deste recorte temporal iniciado em 1809, estava a Rua de São Bento com “52 casas, 256 moradores e nove estabelecimentos comerciais”45. Apesar de relevante, apresentamos estes dados como norteadores situacionais, pois nosso discurso é pautado na mutabilidade intrínseca contida na natureza dos eventos, isso se conclui no tempo da materialidade e das ações socioculturais de uso efetivo do edificado.

Já por estas referências dispostas, iniciemos nosso discurso dos objetos que podem vir a ser outro. Contudo, se faz necessário alguns esclarecimentos.

Via de regra, a dualidade rural-urbana esteve presente no cotidiano da maior parte das famílias paulistanas, marcada pela posse de uma casa na cidade além da habitação no meio rural46. O censo populacional no período de 1809 –, tomava por base seis habitantes por residência47.

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Ver. MATOS, 2007, passim. 45

As ruas com mais edificações eram as do Rosário, Direita, do Comércio e São Bento. A do Rosário dispunha de 77 casas, 23 estabelecimentos comerciais. Direita de 39 casas, 16 estabelecimentos comerciais. R. do Comércio, 31 casas, 20 estabelecimentos comerciais. São Bento, citado a supra. Estes dados surgem com o objetivo de facilitar à Câmara o lançamento do imposto predial na Cidade. Cf. FREITAS, 1978, apud TOLEDO, 2003, p.300.

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Cf. MORSE, 1970, p.31. 47

CAMINHOS E CELEBRAÇÕES 45 Convém salientar ainda, no que tange a esfera da cidade como um todo, alguns dados, um tanto quanto curiosos, sobre a destinação destes imóveis. De acordo com a reconstituição do tecido urbano da época, feito por Beatriz Buenos, “50,27% destes eram de aluguel e 36,40% de uso próprio”, coube a nós apreender de sua pesquisa para interpretar a realidade da Rua de São Bento, que os proprietários de maior patrimônio imobiliário de toda a cidade eram: o “Mosteiro de São Bento com 61 imóveis”, frente à própria “Câmara de São Paulo com 10 imóveis” e, em último lugar, a “Ordem de São Francisco, com apenas 01 imóvel”, correspondente ao da própria igreja48.

À luz de tais referências, é possível aferir alguma aproximação à influência que a Rua de São Bento, sob a égide do poderio econômico e psicológico, exercia na esfera social e cultural através do Mosteiro de São Bento, o qual era, inclusive, proprietário de boa parte da envoltória a seu sítio49. O detalhe fugaz que insinuamos neste comentário, refere-se aos hotéis que se instalaram em frente ao Largo de São Bento e serão propositores de mudança, das ações comportamentais, refletida na dinâmica e na cultura urbana.

Se as imagens das ruas nos revelam um ambiente predominantemente residencial, em sua plasticidade, os indícios que acompanham o tempo do uso do edificado não é o mesmo que acompanha o tempo da materialidade. Assim, o evento, que é a sociedade, se adequa aos objetos em questão e, apesar da mutabilidade dos usos, o espaço continua a se comunicar por ares residenciais.

E eis que surge por uma via insuspeita, a questão valorativa – fala-se do valor de mercado – destes edifícios e de suas classificações. Os anúncios publicavam notas sob os seguintes dizeres “uma dita casa de um lanço com uma porta e duas ‘janellas’ de frente, com ‘seo’ respectivo quintal todo murado, esta avaliada pela quantia de 6.0 0$000”50. Nesse breve fragmento, destacamos o “lanço”51 enquanto

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Sobre percentual faltante, entre próprios e alugados, os 13,33% correspondem aos imóveis que estavam fechados ou lotes vazios. Cf. BUENO, 2005, p.68.

49

Boa parte dos imóveis referidos a esta contabilização localizavam-se atrás do Mosteiro, sentido à várzea do Tamanduateí, além de outras fora do perímetro urbano Paulista e inclusive Estadual. Ver. BUENO, 2005.

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Cf. O ESTADO DE S. PAULO, 15 Fev.1891, p.05.

51“Entre as casas térreas havia subtipologias dos lanços, tais como: térreas simplesmente; térrea de uma loja; térrea de um lanço; térrea de dois lanços; térrea de três lanços; térrea de um lanço e uma loja; térrea de dois lanços e uma loja; térrea de uma loja e um corredor; térrea de um lanço e um

CAMINHOS E CELEBRAÇÕES 46 categoria de analise interpretativa da materialidade, a metragem era importante, mas não muito relevante, as residências que tinham maior probabilidade de vir a ser um comércios, eram as que dispunham do maior número de "lanços", assim, a “casa de um lanço”, como referido no jornal, se expressa por dispor de um único cômodo frontal para a rua. De fato, foi a partir desse tipo de termo peculiar, que se possibilitou o entendimento, ainda que de forma incipiente, como se estimar aos moldes da época o valor imóvel; para as residências, representava maior salubridade, ventilação e insolação; para os comércios, acrescia-se a oportunidade criacionista das vitrines.

Em face da presença transitória dessa multiplicidade de usos que o edificado vem a ter, nossa apreensão verte-se sobre o uso da rua que engrossará com vigor à medida que as residências começam a se transformar ou dar lugar aos estabelecimentos e não apenas servindo ao recolhimento do lar, o que de fato é importante para a vitalidade na rua.

Para além de sua diversidade, as transformações vão ocorrendo de gradualmente, desse modo, o uso dos edifícios passa em primeira instancia para o misto, ou seja, residencial e comercial. Constatamos que esta prática foi aderida para a ampliação de renda familiar, sobretudo, após a chegada dos imigrantes, especialmente os italianos. Um novo hábito. Devido às condições precárias dos recém-chegados, não havia outra forma, a não ser envolver a participação da mulher no mercado de trabalho. Ambas as evocações, mulher trabalhando e adequação das residências para uso misto, que asseguram a consistência de nosso discurso, por estes eventos, mesmo se tratando de um recurso analiticamente sensível.

Elucidado este aspecto, voltemos a Rua de São Bento. Os anúncios dos jornais corroboram na exemplificação deste contexto, falo na produção artesanal advinda do lar, como guloseimas e da própria moda, sendo este último produzido e vendido em diversos estabelecimentos, foi de grande importância para que a Rua de São Bento conquistar a afeição do público feminino [Figuras 11 e 12].

corredor; térrea de um lanço e um "sotio"; térrea de dois lanços e um mirante. Entre os sobrados também, a saber: sobrado de um andar; sobrado de um lanço e um andar; sobrado de três lanços e um andar; sobrado de uma loja e um andar; sobrado de duas lojas e um andar; sobrado de três lojas e um andar […] Cf. BUENO, 2005”.

CAMINHOS E CELEBRAÇÕES 47

Figura 11 - Anúncio da Casa Noschese, no Largo

de São Bento. Fonte: Coleção Benedito Lima de Toledo.

Figura 12 - Anúncio fábrica de luvas

personalizadas. Fonte: O ESTADO DE S. PAULO, 07 JUL.1887.

Pelo que sugerem os anúncios acima, da Casa Noschese e da Fábrica de Luvas, aludem à produção industrializada, ainda que em proporções modestas e com maquinário a vapor, indicando não apenas um pioneirismo na cidade, para o setor, mas o advento da modernidade. Isto significava maior agilidade na produção para atender a demanda, que crescia exponencialmente em termos demográficos, e a independência de diversos produtos que não seriam mais obtidos, exclusivamente, por intermédio da importação. As confecções de artigos que mais se destacaram na rua foram: chapéus, coletes (espartilhos), luvas e guarda-chuvas, em geral, voltados ao público feminino.

“Nos anos de 1890, aumentou o número de modistas especializadas para Senhoras, instaladas no Triângulo, todas elas utilizando na frente do nome a forma de tratamento francesa “madame” (abreviada mme.), como […] mme. N. Negri, mme. Charlotte Vincent, mme. Irma Bacsinsky, todos estes na Rua de São Bento”52

.

É intrigante que a Rua de São Bento torna-se, nesse aspecto, convidativa à Dama Paulistana deste período, pois, caminhar por esta rua em busca de objetos de seus desejos particulares, consistia também em ver e ser vista. Desse modo, a rua torna-se, licença poética, “uma vitrine” para o meio social, além da função que subjaz o encontro e nisso consistia a expressão de seu lazer e entretenimento, haja vista que os estabelecimentos eram voltados para ao público masculino.

52

CAMINHOS E CELEBRAÇÕES 48 Se o semblante desta rua apresenta certo grau de heterogeneidade de seus usuários, no que se refere ao gênero, estamos diante do evento que resignifica “eu social” em seus ritmos e descompassos. Cravejada por estes atributos o lazer que se apresenta e se desenvolve na Rua de São Bento não se destina às pessoas comuns, devido à ascensão de amplos processos enobrecedores, mas homens e mulheres da elite paulistana.

O garbo masculino não era encontrado fragmentado, mas estava por toda a cidade, a Rua de São Bento reserva ao homem a maior parte de seus estabelecimentos. Antes de abordarmos especificamente os estabelecimentos de lazer, destacamos ainda na esfera comercial, que a rua também trouxe inovações ao público masculino que, durante as tardes, se encontravam nas tabacarias para apreciar o fumo em meio à prosa [Figura 13].

Figura 13 – A Flor de Habana, tabacaria na Rua

de São Bento. Fonte: O ESTADO DE S. PAULO, 28 AGO.1886.