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1 Innledning

1.1 Introduksjon

O terceiro capítulo aborda a Urbanização do Complexo Caninho do Céu, estudo de caso escolhido devido a sua repercussão posiiva e referência signiicaiva de projeto urbano. Esse trabalho, através do desenho, com conceitos alternaivos aos modelos convencionais, efeivou a conexão entre a ocupação habitacional e as margens da Represa Billings, área de proteção ambiental, de modo a vincular a população residente à natureza existente e a proporcionar uma qualiicação urbana e ambiental no espaço.

Figura 70 - Urbanização Caninho do Céu. Fonte: Foto da Autora, 2015.

3.1 CONTEXTUALIZAÇÃO

O Complexo do Caninho do Céu situa-se na Zona Sul do Município de São Paulo, no Distrito do Grajaú, subprefeitura Capela do Socorro, à margem esquerda do maior reservatório do Estado, a Represa Billings.

A sub-bacia hidrográica da Billings encontra-se a sudeste da Região Metropolitana de São Paulo e associa-se a Bacia Hidrográica do Alto Tietê. Além disso, é limitada a oeste pela sub-bacia Guarapiranga e ao sul pela Serra do Mar. A Bacia possui 10.814,20 hectares, o que corresponde a 18% da área total de sua sub-bacia hidrográica, que abrange um território de 58.280,32 hectares (SÃO PAULO, 2010).

Figura 71 - Localização do Caninho do Céu. Fonte: São Paulo (município), 2012, p. 86.

Segundo dados de São Paulo (2010), a sub-bacia compreende o município de Rio Grande da Serra e partes dos municípios de Diadema, Ribeirão Pires, Santo André, São Bernardo do Campo e São Paulo. Tem como os principais formadores da sub-bacia Billings o Rio Grande, conhecido também como

seguir demonstra os principais rios da sub-bacia e a localização o Complexo do Caninho do Céu, que se encontra entre o Corpo Central e o Braço do Cocaia.

De acordo com os dados de São Paulo (2010), aproximadamente 863 mil habitantes vivem na sub- bacia, sendo que quase 20% desta população ocupa territórios informais.

Apenas 10% da loresta tropical de São Paulo que um dia cercou a Represa Billings ainda sobrevive. Muitas áreas foram desmatadas pela desordenada urbanização. (WERTHMANN; FRANÇA; DINIZ, 2009).

A região do Braço do Cocaia possui uma alta densidade populacional e um elevado número de moradias precárias. Devido à ocupação desordenada, a área apresenta grandes processos de assoreamento. Já o Corpo Central possui áreas urbanas consolidadas ao norte e forte presença de habitações precárias concentradas no Município de São Paulo, onde se localiza o Caninho do Céu. (Ibidem, 2010).

Figura 72 - Sub-bacia Billings e a localização do Caninho do Céu. Fonte: São Paulo (Estado), 2010, p. 63.

Apesar do território estar a 21 km de distância do centro de São Paulo (SÃO PAULO, 2012), dados do período de elaboração do projeto demonstram que a área abriga mais de 9 mil famílias, contemplando em média 3,44 pessoas por domicílio, o que totaliza aproximadamente 30 mil habitantes na região. Essa população abrange os seguintes loteamentos: Residencial dos Lagos, Caninho do Céu e Gaivotas totalizando 154,38 hectares. (Ibidem, 2012).

A densidade demográica do território é de 190 habitantes por hectare, e é considerada alta se comparada à densidade média de São Paulo, que possui cerca de 70 pessoas por hectare. (WERTHMANN; FRANÇA; DINIZ, 2009).

Dos quase 30 mil moradores da região, mais de 50% são paulistas, cerca de 20% são baianos e quase 9% pernambucanos. A maioria, de acordo com os dados levantados pela empresa COBRAPE16 em 2009, vive com uma renda per capita média de R$310,29 e uma renda média familiar de R$911,45 (valores de 2009). Grande parte desta população trabalha em áreas comerciais, tais quais: lojas, bares, mercearias, lanchonetes, padarias, entre outros ipos de serviços.

16 A COBRAPE é a empresa responsável pelo gerenciamento

do trabalho social da urbanização do Complexo do Caninho do Céu. Os dados do levantamento estão disponíveis no livro Entre o Céu e a água – O caninho do Céu. FRANÇA, E. ; BARDA, M. (org), São Paulo, Primeira edição, 2012.

Figura 73 - Represas Billings e Guarapiranga. Fonte: Foto de André Bonacin. Disponível em:<htp://www.panoramio. com/photo/78547280?source=wapi&referrer=kh.google. com>. Acesso em 30 maio 2015.

Ainda considerando o levantamento realizado pela COBRAPE em 2009, foi possível observar que a população do Complexo é formada em sua maioria por jovens e adultos entre 26 e 59 anos. Com relação ao nível de escolaridade, 25,83% estudaram entre a 1ª e a 4ª série do ensino fundamental, um pouco mais de 31% dos habitantes estudaram entre a 5ª e a 8ª série também do ensino fundamental e 31,57% estudaram até o ensino médio, entre a 1ª e a 3ª série. De acordo com o cadastro, mais de 60% da população encontra-se estudando, entre a 1ª e a 8ª série.

O local possui poucos equipamentos urbanos: apenas duas escolas públicas, sendo uma delas o Centro Educacional Uniicado: Navegantes – CEU, inaugurado em dezembro de 2003 (SÃO PAULO, 2014). O CEU possui 14 ipos de programas educaivos, culturais e de lazer, atende cerca de 3.000 alunos em dois períodos (matuino e vesperino), com idades entre 3 e 15 anos. (WERTHMANN; FRANÇA; DINIZ, 2009).

Com relação aos equipamentos de saúde, a área apresenta apenas uma Unidade Básica de Saúde (UBS) situada ao norte da região, no loteamento Gaivotas. Além disso, os serviços de saúde, fornecidos pelos médicos da prefeitura, também abrangem o complexo. Todavia, para tratamentos especíicos a população necessita percorrer longas viagens, pois os hospitais e clínicas se situam bem distantes da área. (WERTHMANN; FRANÇA; DINIZ, 2009). No local, praicamente não existem áreas de lazer,

Figura 74 - CEU Navegantes. Fonte: Google Earth, 2015.

Figura 75- Ocupação do Complexo do Caninho do Céu. Fonte: São Paulo (Município), 2012, p.111

Figura 76 – Foto aérea Caninho do Céu. Disponível em: <htp:// fotograia.folha.uol.com. br/galerias/32350-represa- billings#foto-478388>. Acesso em 10 set. 2015.

Figura 77 - Vista da Península a parir Represa Billings. Fonte: Foto da autora, 2015.

Figura 78 - Vista da Península a parir Represa Billings. Foto da autora, 2015.

salvo algumas áreas onde se praicam jogos de futebol. (SÃO PAULO, 2012). E, hoje, o trecho em que o parque linear já foi executado.

Esse local é considerado um território informal que possui dois ipos de ocupação: loteamentos irregulares e áreas ípicas de favela. (SÃO PAULO, 2012). A maioria das ediicações é em alvenaria e possui entre 2 e 3 pavimentos. Devido à topograia acidentada do terreno, algumas ediicações se encontram em situação de risco geotécnico, propensas à erosão. Isto ocorre devido às ediicações terem sido construídas em encostas muito íngremes sem tecnologia e metodologia adequada. (Ibidem, 2012).

Apesar das precariedades, o seu posicionamento geográico forma uma península peculiar entrecortada por braços da Represa Billings, que apresentam vantagens do ponto de vista ambiental e paisagísico, tornando-o um local tranquilo e com um visual extraordinário. (ALVIM, 2011).

Histórico de Ocupação