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3 Metode

3.1 Heuristisk evaluering

3.1.3 Valg av heuristikker

Deixamo-nos impregnar pelo lapso temporal. Desde a colonização jesuíta, em 1554, até o ano de 1847, quando então é concluída a primeira planta cadastral de imóveis, durante 293 anos pouco se sabe sobre a localização dos estabelecimentos, mas o que de fato se reconhece é que na estrutura da Vila houve mínimas alterações.

No tecido urbano paulistano, percebe-se inicialmente que os caminhos são planejados para se adequar a geografia local, posteriormente, devido ao posicionamento das igrejas, detinham a finalidade de conectá-las e suportar as procissões sob seu leito. Isso influenciava diretamente nas disposições formais das vias e por meio de um processo semelhante ao da seleção natural, elegia quais vias seriam as mais significativas. De acordo com Joseph Rykwert a questão do uso das ruas e o planejamento das cidades para fins religiosos se consolidaram a partir do breve reinado do Papa Sixto V (de 1585 a 1590), onde o mesmo executou o chamado “Grandioso Plano de Roma”, em velocidade e divulgação sem precedentes.

“O projeto ligava as principais igrejas e monumentos da cidade por meio de ruas largas e retas [...], de modo que constituíssem pontos focais na paisagem e marcas de referência que os peregrinos pudessem identificar com facilidade. O Papa queria que tais pontos organizassem o movimento, especialmente o percurso das procissões entre as basílicas mais importantes. Mas essas ruas também tinham que ser locais de passeio” 19

.

À luz dessa referência, na cidade de São Paulo quando se analisam as datas construtivas das igrejas: Carmo (1592), São Bento (1598) e São Francisco (1639), que compõe os vértices do triângulo histórico central, observamos uma tentativa semelhante e isso nos permite deduzir algumas considerações, ainda que de caráter especulativo, sobre o planejamento das ruas e as referências urbanísticas destes primeiros tempos com a certeza de uma de suas finalidades, a procissão, destinada ao lazer.

Para além das evocações deferências à pluralidade dos tipos viários existentes nas mais diversas cidades, as características apreciativas icônicas da paisagem das ruas paulistana, das quais iniciamos nossa apreensão, foram

19

CAMINHOS E CELEBRAÇÕES 32 descritas em 1822, após o Grito do Ipiranga. “Faltava pouco para o pôr do sol quando D. Pedro entrou em São Paulo, saudado pelos sinos das igrejas e pelos escassos moradores que se aglomeravam em ruas de terra batida20”. A cidade que hospedou o Imperador tinha dimensões acanhadas de uma “pequena cidade, quase aldeia” com “vinte e oito ruas, dez travessas, sete pátios, seis becos e, mil oitocentos e sessenta e seis casas”21 [Mapa 1].

Mapa 1 – Ilustração do “Triângulo Histórico Central”, formado pelas ruas: Direita, São Bento e Rosário (atual XV de Novembro); bem como pelas igrejas: Carmo, São Bento e São Francisco. Fonte:

BRESSER, [1844 –

1847].

Marcado por tal alusão, o comentário aponta imaginariamente para um cenário rústico e ectomorfo22 que assim permaneceu por pouco mais de três séculos. A concepção sobre a melhoria das vias com o calçamento é algo relativamente recente na história das cidades, que se deu pelos novos meios de transporte. Por sua vez, o evento que aqui se faz presente, transforma o “eu social” na construção de um novo pensar, onde o meio transporte iria habitar, com isso resignificamos o mesmo espaço enquanto categorias distintas, sendo: o local do pedestre (calçada), e o local do veículo (rua). Essa combinação que ressaltamos se faz apropriada pela maneira com que converge o recolhimento físico do transeunte bem como sua interação com o eixo viário e, desse modo, isso incide a relação com o edificado porvir.

20 Cf. GOMES, 2010, p.39 – grifo nosso. 21

Cf. FREITAS, 1822, apud GOMES, 2010, p.103. 22

Tal definição conceitual é extraída da teoria linguistica e psicanalítica, que conduz a um regozijo à topofilia com a forma de interpretar a cidade enquanto um ser: “retraído, tímido, introspectivo e sério”. Ver. TUAN, 1974, p.76.

CAMINHOS E CELEBRAÇÕES 33 Operacionalizado de forma situacional algumas características do território modificado pelo tempo regressivo-progressivo, nosso intuito agora é de enfrentar a questão de como apreender analiticamente os atributos das ruas que desenvolveram atividades voltadas para lazer. Nestas práticas antropogênicas de entretenimento, nosso “caminhar” pelas ruas – também entendido como revisão bibliográfica e historiográfica – busca refletir sobre as vivências socioculturais e suas concepções do que era o lazer para uma sociedade essencialmente agrária, enquanto se mostra contraditória e reveladora de possibilidades ao transitar para fase industrial.

Nesse sentido, a representação das mediada pelas ruas que tornam o vivido a ser celebrado pelo encontro presente, realçamos aqui a “realidade descrita”. Elegemos para fins heurísticos duas entre tantas evidências que sagram e melhor justificam a Rua de São Bento, como a primeira Rua de Eventos da cidade de São Paulo [Mapa 2], sendo a primeira, o texto “Rua de São Bento”, contido na crônica Paulicéia Desvairada de Mario de Andrade23; a segunda, a citação que diz: “em seu cruzamento com a Rua Direita, a Rua de São Bento formava os célebres ‘Quatro Cantos’, por um longo período o ponto mais animado e frequentado da cidade”24

. Além disso, nosso banco de dados apontou que a Rua de São Bento concentrava o maior número de estabelecimentos de lazer para a época.

23

O autor, Mario de Andrade, interpreta a Rua de São Bento como local do cidadão burguês e das atividades que ali se desenvolviam, o primeiro verso da crônica-poética é composto e completo de uma única palavra: “Triângulo”, pois a cidade era o triâgulo. Posteriomente, ele cita “os cantares da Uiara” (Yara, no Tupi, mãe d’água) e navio, que faz menção aos rios Tamanduateí e Anhangabaú, isso representa a mutabilidade que o autor assiste no tange esta dimensão da cultura. O texto continua com inúmeras alusões interpretativas, algumas explicitas como “jogatinas” que fazem sentido por si, contudo nos chama a atenção o qualitativo “arlequinal”, que faz alusão ao palhaço Arlequim, simbolizando divertimento. Nota do autor.

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Cf. MARTINS, 1911, p.69. Complementa este dizer a pesquisa de Ernani da Silva Bruno, na qual o autor nos conta que na confluência destas esquinas, R. de São Bento com a R. Direita, havia um oratório destinado a St. Antônio incrustrados no edifício, o mesmo que hospedaria muito em breve o Hotel de França, e que servia para celebrações ao ar livre. “Todas as tardes, as pessoas se aglomeravam no oratório dos Quatro Cantos e ali era rezado um terço” (Cf. BRUNO, 1953, p.336).

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Mapa 2 - Rua de Evento: São Bento (entre 1809 - 1910), Etnografia Urbana sobre as Manchas de

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